Coração Perdido
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Aquela semana estava infernal. Megan via Lilian correndo de um lado para o outro apressada, tentando estudar para as provas nos últimos minutos.
– Você deveria ter estudado antes! — comentou enquanto lia.
– Eu estudei! Me desculpe por não ser uma menina gênio como você — ironizou pegando seu livro de biologia.
Megan revirou os olhos e voltou a prestar atenção em sua leitura. As duas estavam na sala, esperando o intervalo acabar para começarem a prova de biologia, seria a terceira do dia e Lilian já estava toda descabelada.
O sinal bateu e os alunos voltaram correndo para as salas, pareciam estar fugindo de algo. Megan não entedia o porquê de tanto nervosismo com uma prova simples como aquela.
Nathaniel, Nick e Ethan foram os últimos a entrar e receberam olhares ameaçadores da professora.
Todos estavam sentados, com as provas em cima da mesa, viradas para baixo. A professora deu um sorriso quando disse para eles as desvirarem e a maioria gemeu ao ver as três paginas de exercícios.
Lilian olhou para sua prova e começou a chorar internamente, sabia que ficaria de recuperação novamente. Viu Megan abaixar a cabeça e começar a escrever, parecia uma máquina.
Os outros alunos faziam o que podiam para não reprovarem: tentavam se lembrar do que estudaram, das aulas, colavam e até batiam a cabeça na mesa. A professora se divertia com tudo aquilo. Fizera a prova mais difícil que fora permitida, por causa do péssimo comportamento da sala e não fora a única, todos os outros professores fizeram o mesmo, como castigo.
No final do dia, depois de quatro provas, todos estavam exaustos. Os alunos caminhavam em direção a seus carros para poderem ir embora e passar por tudo de novo no dia seguinte.
Megan terminou de arrumar sua mochila e estava saindo quando esbarrou em Nick, que a esperava na porta.
– Olá, Meg!
– Oi... O que ainda está fazendo aqui?
– Ah, só ia perguntar se quer uma carona até sua casa, Lilian foi embora correndo...
– Foi só por isso mesmo?
– Hã, não... Preciso conversar, sobre aquilo, sabe?
A garota fechou a expressão tentando se recordar do que ele falava. Quando lembrou que Nick era gay, engoliu em seco e concordou com a cabeça.
– Do que precisa?
– Estou com um grande problema...
– Qual? — vendo que ele hesitava, Megan suspirou. — Ande, diga logo, Nick.
– Não estou mais conseguindo fingir... Não consigo mais sair com mulheres para disfarçar e enganar os outros!
– Bem, você sabia que uma hora isso aconteceria — comentou séria. — Não é melhor dizer a verdade?
– Ficou louca? — questionou sincero. — Se eu contar vai tudo acabar! Vou ser zoado pelo resto da vida!
Megan olhou no fundo dos olhos dele, cheia de reprovação: — Sabe de uma coisa, Nick? Quem está cheio de preconceito é você com você mesmo! Quando se aceitar, nós conversamos.
Dito isso, ela se virou e saiu da sala. Deixando um Nick totalmente pasmo e pensando no que ela dissera.
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Para sua surpresa, Nathaniel a esperava do lado de fora da escola, com sua moto e um capacete extra.
– Por que ainda está aqui?
– Queria te ver — murmurou. — E vou te levar em casa.
Megan concordou com um sorriso. Pegou o capacete que lhe fora estendido e subiu na garupa.
Nathaniel deu a partida e saiu correndo pelas ruas. Decidiu não ir direto para casa e levou-a a uma doceria e pela primeira vez viu-a rir e se divertir comendo os doces.
Ficaram até quase sete horas e quando percebeu, Nathaniel pagou a contra e puxou a garota pela mão.
– Por que a pressa? — Megan questionou curiosa.
– Preciso enviar algumas coisas para meu pai e perdi a hora! Vamos até a empresa para eu poder fazer o que preciso — explicou colocando o capacete nela.
Megan subiu na moto e ele disparou. A empresa continuava do mesmo jeito que a garota se lembrava. Nathaniel acenou para os seguranças e entrou segurando a menina pela mão.
A garota percebeu que eles atraiam todos o olhares e se encolheu um pouco. Nathaniel tirou o cartão do pai e entrou no elevador, inserindo-o na passagem abaixo dos botões.
– Eu já imagino, mas para que o cartão? — perguntou cada vez mais curiosa.
– Para acessar os andares dos sócios majoritários da empresa — explicou sorrindo para ela.
– Quantos são?
– Eram dois, minha mãe faleceu, agora meu pai tem uma sala de dois andares.
– Desculpe a pergunta...
– Não se desculpe — respondeu tranquilizando-a. — Pronto, chegamos.
A garota teve que admitir que o lugar era enorme. A sala só tinha móveis de madeira maciça e envernizados. E a madeira chegava a brilhar!
O computador de pai do garota era de ultima geração e Megan perceber mais dois notebooks em outra mesa. As janelas eram bloqueadas por cortinas carmim, bem escuro, e em um canto do lugar havia duas poltronas pretas simples.
– Uau! — exclamou surpreendida.
– É, bem impressionante, não? — perguntou Nathaniel orgulhoso. — Mas o que eu preciso pegar esta no segundo andar, vamos?
Ele guiou-a em direção à outra porta e abriu-a. Ali havia uma escada em espiral, curta e com degraus almofadados.
– Deixe seus sapatos aqui — Nathaniel apontou uma pequena abertura na parede, que parecia um armário. — Quer uma pantufa?
Megan olhou para ele com a boca aberta e negou com a cabeça. Aquilo tudo parecia mentira de tão incrível.
Nathaniel, já acostumado com tudo aquilo, ria da cara de abobada que ela fazia. Puxou-a escada acima e Megan pode ver uma segunda porta.
– Para proteção? — questionou adivinhando.
– Sim, meu pai é bem neurótico — explicou esfregando o rosto. — Com licença.
A menina viu-o se abaixar um pouco e levar o olho a uma pequena fechadura. Megan pode ver o escâner vermelho passar pela retina dele e aparecer uma confirmação na tela. A porta se abriu automaticamente.
– Uau! — repetiu impressionada. — Agora, para que tudo isso?
– Além de advogado, meu pai é dono e administrador de alguns bancos pelo mundo — explicou sério. — Por isso ele fez uma grande fortuna e foi por isso que ele precisou ir para Bangladesh.
Megan concordou mostrando que entendera e entrou primeiro na sala. Se fosse possível, sua boca teria se aberto mais ainda, a sala era impressionante!
Ali o ambiente era mais confortável e familiar. Haviam poltronas e um sofá em L em um canto, em frente à janela que ficava no fundo do lugar e dava uma vista panorâmica da cidade; a mesa com dois computadores e um notebook ficava no ponto mais afastado da janela e entre os dois havia uma televisão com um videogame, para refrigerar tudo um condicionador de ar super potente ficava ligado quase o tempo todo.
Nathaniel deixou-a admirando a "vista" e abriu uma porta lateral, escondida atrás de um armário cheio de livros. Colocou mais uma senha e abriu um pequeno cofre, tirou alguns documentos e voltou para a mesa do pai.
Enquanto ligava um dos notebooks, Megan parou a seu lado de braços cruzados.
– O que foi? — questionou curioso.
– Só tenho duas dúvidas... — explicou olhando para os lados envergonhada.
– Pode perguntar o que quiser, Meg — encorajou sorrindo.
– Primeiro, por que seu pai, sendo um banqueiro renomado e rico, decidiu virar um advogado? E segundo, é impressão minha ou tudo que usam aqui de energia é ecologicamente correta?
O garoto pode ver os olhinhos brilhantes e curiosos dela e não pode deixar de rir, ela ficava fofa quando estava muito animada com algo. Colocou a senha do pai no note e voltou a prestar atenção na garota, enquanto ele iniciava.
– Você está certa, a energia usada pela empresa é ecologicamente correta, esse era o sonho da minha mãe, ela amava a natureza, por isso ele gastou milhões para que o lugar fosse sustentável apenas com energia solar – explicou. Megan pode sentir uma pontinha de orgulho em sua voz. – E meu pai era advogado muito antes de ser banqueiro. Ele apenas decidiu voltar para a antiga profissão por achar mais emocionante e por não querer ficar sem nada para fazer e ter que ficar em casa...
Megan, percebendo que estavam entrando em um assunto perigoso, resmungou mostrando que entendera e virou-se caminhando na direção do sofá.
– Me avise quando terminar – pediu se deitando e fechando os olhos, como se fosse dormir.
– Não se preocupe, isso só vai demorar alguns minutos – garantiu começando a digitar e escanear as informações para enviar a seu pai.
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