Coração Perdido
16 Capítulo 15
Notas iniciais
Megan estava apavorada, sabia que Lilian estava pronta para começar uma nova onde de acusações quando Nathaniel parou atrás de si e olhou sério para a loira. A garota se calou e encarou-o furiosa.
– O que está fazendo aqui, Nathaniel?
– Acho que não é da sua conta, não é mesmo? – questionou ele irônico. – E você, por que veio sem ser convidada?
– Oras! Megan é minha amiga, posso vir aqui à hora que eu precisar dela! – afirmou convicta.
– Bem, se for assim, eu também posso. Eu também sou amigo dela – rebatou.
– Para que você precisaria dela às oito da manhã? – continuou Lilian, brava.
– Na verdade, eu precise conversar com ela à meia-noite. Apenas prolonguei minha estadia até agora de manhã – respondeu simples.
Enquanto eles continuavam discutindo, Bianca se aproximou da irmã que parecia completamente perdida.
– Megan, você esta bem?
– Se você vê o que estou vendo, Bia, vai saber que não...
–Ontem você fez algo para se sentir culpada?
– Mas é claro que não! — respondeu indignada.
– Então deixe os dois discutindo ai e vamos fazer o café da manhã. Estou morrendo de fome!
A garota olhou para a irmã incrédula, mas apenas se deixou ser arrastada para dentro de casa. Nathaniel e Lilian entraram logo atrás, ainda discutindo.
Panquecas. Aquela era a comida favorita de Bianca. Ela sempre agradecia pela irmã mais velha ser uma excelente cozinheira.
Olhou ao redor da mesa e viu Megan sentada entre Lilian e Nathaniel, que para a felicidade da irmã, pararam de discutir.
Bianca deu um sorrisinho ao ver a irmã corar pela décima vez desde que sentaram. Claro que imaginava que tivesse, sim, acontecido algo entre ela e o garoto, mas preferia acreditar na irmã, por enquanto...
Lilian se levantou e puxou Megan pela mão: — Bem, agora que terminamos preciso conversar com você, Meg. A sós!
Nathaniel revirou os olhos e Megan concordou com a cabeça, saindo da cozinha com a amiga. Vendo-se sozinha com Nathaniel, Bianca se ajeitou na cadeira e olhou-o séria.
– Ei! — chamou-o.
– O que foi, pirralha? — perguntou surpreso.
– Só quero avisar uma coisa — falou. Nathaniel lançou-lhe um olhar frio. — Eu não faço a menor ideia do que aconteceu, mas se magoar a minha irmã, eu vou te matar, entendeu?
– Por que acha que eu precisaria desse aviso? Não tenho nada com a sua irmã, garota.
– Pode não ter, mas quer e isso esta óbvio! Então se comporte.
Satisfeita consigo mesma, Bianca foi ate a sala para pegar o telefone e ligar para sua tia. Nathaniel afundou na cadeira e jogou sua cabeça para trás. Ainda estava tentando se convencer de que o que fizera antes fora porque estava bêbado, mas nem ele acreditava nisso. "Qual o meu problema?" Pensou irritado.
Lilian sentou Megan no sofá e começou a andar de um lado para o outro em frente a ela. A menor observava-a curiosa.
– Bem, por que veio, Lily? — perguntou quebrando o silêncio.
– Oras, ontem você disse que sairíamos!
Megan socou-se mentalmente, achou que a amiga esqueceria tudo que disseram.
– E não, Megan, eu não estava tão bêbada assim — comentou indignada. Megan abaixou a cabeça culpada. — Agora, por que o Nathaniel esta aqui? Vocês fizeram alguma coisa!?
– Claro que não! Já te disse isso, Lilian — respondeu cansada. — Ele só disse que precisava conversar e acabou dormindo aqui por causa do apagão. Só isso!
Lilian analisou-a descrente. Megan sabia que ela não deixaria o assunto de lado, então decidiu mudar de tática.
– Como foi a festa ontem? Deu tudo certo?
A expressão de Lilian mudou, ela corou e deu o maior sorriso que Megan já vira. "Pronto, me livrei!" Comemorou internamente.
– Você não vai acreditar, Meg! A festa não poderia ter sido mais perfeita, deu tudo certo e não faltou nada. Simplesmente magnífica! — exclamou exultante. — E Ethan foi um perfeito cavalheiro. Nunca o vi se comportando daquele jeito e, além disso, nós ficamos!
– Que bom, Lily — comentou Megan distraída. Nunca precisava de cem por cento de atenção na amiga, ela só queria falar.
Enquanto a loira falava, Nathaniel apareceu na porta da sala e levantou uma sobrancelha. Lilian parou de falar e fuzilou-o com o olhar.
– O que quer? — questionou a loira.
– Vim avisar que já estou indo, meu pai acabou de me ligar — respondeu distante. Megan se levantou do sofá com um pulo, assustando Lilian.
– Vou leva-lo ate a porta. Lilian, por favor, vá ver se Bianca já ligou para minha tia.
A contragosto, a garota se levantou e foi atrás da mais nova. Megan pegou sua chave e abriu a porta.
– Tome cuidado no caminho — disse, fingindo que nada acontecera.
– Megan, não terminamos de conversar e você sabe disso — avisou entrando no carro. — Segunda na escola nos resolveremos.
– Você não manda em mim — rebateu tranquila. — Se EU quiser conversar te aviso.
– Não seja prepotente, garota, você não vai aguentar...
– Tchau, Nate. Até segunda.
Ela estava tão irritada que não o viu rir divertido. Virou as costas e voltou para casa. O garoto deu a partida no carro e saiu.
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Quando chegou a escola na Segunda, Megan só ouvia falar do baile. Todos pareciam estar mais que satisfeitos com tudo que tinha ocorrido.
Sentou-se na cadeira mais próxima da professora e ficou observando seus colegas entrarem, completamente alheios a si.
A professora de Literatura entrou e já começou a falar de Herman Melville e da Moby Dick. Lilian fora se sentar perto de Ethan, então Megan pode prestar total atenção na aula.
Nathaniel chegou bocejando e atrasado, a professora lhe passou um enorme sermão e Nick zombou do amigo. Megan apenas ignorou as brincadeiras e continuou a ouvir a professora, que voltara a falar sobre o livro.
Durante todas as aulas até o intervalo, Megan percebeu que era observada por duas pessoas: Nathaniel e Chazz. A garota olhava para ela como se fosse mata-la e o garoto lançava olhares esquisitos... Megan não conseguiu decifra-los.
O sinal tocou e todos correram para fora. Depois de ver a sala esvaziar, a menor decidiu que era hora de sair, pegou seu lanche e se dirigiu para um lugar afastado.
O ensino médio era a maior bagunça que se podia imaginar. Megan achava que não poderia ficar pior, quando Nathaniel sentou-se a seu lado e comeu um pouco de seu lanche.
– O que está fazendo? — questionou irritada.
– Comendo. Sentiu saudades? — perguntou zombeteiro.
– Estou sentindo saudades da minha paz, agora — retrucou mordaz.
– Nunca perde essa língua ferina, não é? — perguntou rindo.
– Não quando se trata de você, que me deixa irritada — rebateu nervosa.
– Quero deixa-la de varias outras formas, muito melhores que irritada, te garanto — retrucou malicioso.
Megan ficou vermelha de vergonha. Afastou-se um pouco dele e encarou-o brava.
– O que quer aqui, Nate?
– Sua voz está esganiçada, está com vergonha?
– Responda a minha pergunta — exigiu séria.
Nathaniel parou e voltou a ficar sério. Sabia que estava se complicando ainda mais com ela, mas não aprendera a agir de outra maneira.
– Bem, só queria conversar sobre Sábado...
– Significou alguma coisa para você, Nate?
A pergunta pegou-o de surpresa. A expressão dela era séria e se dissesse que não, ela saberia que era mentira. Hesitou tempo demais no que deveria dizer, tanto que a ouviu suspirar.
– Não precisa responder, Nate. Acho que nem sabe o que deve responder, não é? — falou um pouco decepcionada. — Bem, deixe para lá. Vamos para a sala, já bateu o sinal.
– Mas Meg!
Ela apenas o ignorou, de novo e caminhou para a sala. Nathaniel voltou para a sala frustrado, Nick percebeu como o amigo estava e sentou-se ao lado dele.
– O que foi, cara?
– Nick, hoje não é dia, será que dá para não me encher?
– Nossa, parece que a moça está de tpm — zombou. Vendo o olhar ameaçador de Nathaniel o garoto olhou sério para ele e insistiu: — Qual é? Você está muito estranho hoje.
– Megan — murmurou.
– O que houve entre vocês na outra noite? Aconteceu algo? — questionou suspeito.
– Não acho que isso seja da sua conta.
– Meu Deus, você realmente acordou de tpm. Tudo bem, já que não quer conversar, ok. Mas se precisar é só chamar.
Nick voltou para o lado de Lilian e Ethan. Nathaniel deitou a cabeça na mesa e xingou mentalmente. Decidiu que preferia dormir a assistir aulas de matemática. Ajeitou a cabeça em uma posição em que pudesse olhar para seu maior problema e cochilou daquele jeito.
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