Coração Malandro
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Como Mara tinha chegado mais cedo ao trabalho naquele dia já tinha terminado tudo o que tinha para fazer. Por isso conseguiu sair mais cedo e assim matar a sua curiosidade para saber o porquê de Rose House se encontrar naquele estado.
Caminharam lado a lado. Inicialmente Mara sugeriu que fossem até um café para que pudessem conversar mas Rose recusou prontamente. Rose queria contar aquilo num local privado, sentia que se contasse aquilo num local público alguém que ela conhecesse poderia ouvir e isso era a última coisa que Rose queria. Podiam dizer que Rose tinha a mania da perseguição mas para ela isto era uma forma de ser precavida. Assim decidiram que iam até à casa de Mara onde poderiam falar calmamente.
Durante o trajeto não foram trocadas quaisquer palavras. Como Mara notara, Rose era uma pessoa tímida que não falava com quem não tivesse confiança.
Chegaram ao apartamento de Mara. Mara estranhou a casa estar vazia afinal Benjamin ainda não tinha conseguido emprego. Mara preparou um lanche para ela e para Rose para que assim continuassem o assunto que tinha pendente.
Mara esperou que Rose começasse a falar mas como isso não aconteceu decidiu ser ela a iniciar um diálogo.
–Então Rose queres começar a contar o que se passou? – perguntou Mara. Repreendeu-se por ter sido direta e insensível de mais. – Desculpa ter sido tão direta mas é que eu quero mesmo ajudar-te e saber o que se passou contigo. Podes achar que eu sou maluca por querer ajudar uma desconhecida mas…
–Eu já percebi Mara. – falou Rose docemente – Eu é que não estou habituada a falar com ninguém, não estou habituada a ter pessoas que se preocupem comigo.
–Mas tu tens os teus irmãos, com certeza falas com eles. — contrapôs Mara. Mara sabia que Rose tinha, para além de Alexander, mais três irmãos.
–Sim eu tenho os meus irmãos mas não tenho aquela relação de proximidade a ponto de falar sobre os meus sentimentos e coisas mais íntimas. – disse Rose – O Alex está mais interessado em conquistar raparigas do que propriamente estar a dar conselhos à irmã mais nova. A Rowena é completamente diferente de mim. É uma rapariga extrovertida, sociável e nunca tivemos muita confiança uma com a outra, apesar de eu adorar a minha irmã. A Luena e o Caleb ainda são muito novos para eu falar sobre estas coisas.
–Pois eu compreendo. Mas mesmo assim deves ter amigos para falares sobre essas coisas. – falou Mara.
–Digamos que eu não sou a pessoa mais sociável deste mundo. Tenho sim alguns amigos, poucos na realidade, mas nenhum ao ponto de contar estas coisas.
–Isso deve ser tão triste. – disse Mara impulsivamente voltando a repreender-se pelo que tinha dito. – Desculpa, não era isto que eu queria dizer.
–Não faz mal Mara, é verdade é muito triste. Mas eu simplesmente não consigo tomar coragem de falar com as outras pessoas. É sempre a outra pessoa a tomar a iniciativa. Eu não consigo entender porquê. Provavelmente sou eu que…
–Não digas que o problema é teu. É da tua personalidade seres uma pessoa fechada, que demora a confiar nas pessoas. Isso não é um problema e eu até considero uma qualidade até certo ponto. – Rose sorriu com o que Mara disse. Muitas vezes pensava que tipo de problema ela teria para não ter amigos mas Mara conseguiu pô-la a ver isto tudo de uma maneira diferente. – Agora Rose…
–Mara, eu juro que eu queria contar mas eu tenho vergonha de falar sobre este tipo de coisas. E além do mais para quê alimentar esperanças com alguém que nunca olhará para mim como uma mulher e sim como a irmã do melhor amigo… — Rose parou abruptamente após se dar conta do que tinha falado. Não era suposto ela ter contado isto a Mara pois, pelo que viu mais cedo, ele estava interessado nela.
–Tu gostas do Ezra? – perguntou Mara após raciocinar as últimas palavras de Rose. Rose sentiu o seu rosto ficar da cor dos seus cabelos após a pergunta de Mara. E assim Mara nem sequer precisou da confirmação de Rose pois pelo estado em que tinha ficado isto era uma resposta mais que afirmativa. – Rose não fiques assim, é normal apaixonares-te. E é verdade que ele é o melhor amigo do teu irmão mas isso não o impede de gostar de ti.
–Ele nunca me veria assim. Olha para mim Mara, quem é que repararia numa rapariga como eu? – perguntou Rose retoricamente. E Mara conseguiu perceber que, para além de Rose ser uma pessoa fechada, também tinha uma baixa autoestima.
–Rose não te atrevas a dizer isso, tu és linda. E não falo isto por falar mas sim por ser a realidade. E não há cá impossíveis.
–Mara, tu não entendes. Ele está interessado em ti. – disse Rose e Mara arregalou os olhos incrédula para a seguir começar a gargalhar. Mara bem se tentou conter mas foi impossível. – Não percebo a piada.
–De onde é que tu foste tirar a ideia de que ele gosta de mim? – conseguiu perguntar Mara entre risadas.
–Vi vocês os dois hoje. Vi como falavam um com o outro. E no fim ele chamou-te de boneca.
–Nós andamos no mesmo curso Rose. E também há uma explicação para ele me ter chamado de boneca.
–Que é…
–É como o estúpido do teu irmão, desculpa a ofensa, me chama. Ele não entende que eu não quero nada com ele e por isso não me deixa em paz. Mas o Ezra não está interessado em mim, isso é uma certeza. Agora, não é impossível que ele goste ou possa vir a gostar de ti. – disse Mara tentando encorajar Rose.
–E o que é que eu faço? Não me vou comportar como aquelas vadias com quem o Ezra e o Alex andam.
–Nem eu te diria isso. Se for para o Ezra reparar em ti será da forma como tu és e não como uma barbie falsificada. – ambas se riram com a comparação de Mara – Mas agora falando a sério. Não te digo para te atirares de cabeça para ele mas tenta perceber se ele sente alguma coisa por ti.
Rose e Mara ouviram a porta ser aberta e ambas se voltaram para ela. Já Benjamin esperava só encontrar Mara em casa mas parecia que ela tinha visitas.
–Boa tarde meninas. – cumprimentou Benjamin.
–Boa tarde. – responderam em uníssono.
–Espero não estar a interromper nada. – desculpou-se Benjamin.
–Claro que não Benjamin, tu nunca interrompes nada. – falou Mara indo cumprimentar Benjamin com o beijo na cara. – Benjamin é a Rose. Rose é o Benjamin. — Benjamin e Rose cumprimentaram-se.
–Mara, eu tenho que ir andando. A minha mãe já deve estar preocupada.
–Porque não ficas para jantar? – perguntou Mara.
–Não quero incomodar. – falou Rose timidamente.
–Não incomodas nada Rose. Espero é que não te importes que haja mais gente neste jantar. – disse Mara referindo-se a Marcella, Amy e Dominique que tinham sido convidadas a ir jantar em casa de Mara naquele dia.
–Não há problema nenhum. Estou habituada a ter muita gente à mesa na hora das refeições.
Durante o resto do dia, Benjamin, Mara e Rose falaram sobre diversas coisas. A verdade é que assunto nunca faltava e para surpresa de Mara, Rose estava mais solta, já participava mais naquela conversa.
Pouco antes das sete horas, os três decidiram começar a fazer o jantar. Em meio a tantas brincadeiras, lá conseguiram terminar o jantar um pouco antes de Marcella e as gémeas chegarem.
A campainha tocou e Mara foi abrir a porta. Mal teve tempo de abrir a porta totalmente e foi logo abraçada por dois pares de braços, Amy e Dominique.
–Estava cheia de saudades. – disse Amy entre choros – Nunca mais fiques tantos dias sem nos veres.
–Eu vou tentar. Pequena, nestes dias não deu, tenho estado muito ocupada. Mas eu prometo que vou tentar estar com vocês mais vezes. – disse Mara fazendo com que Amy e Dominique abrissem um sorriso de orelha a orelha. – Agora deixem a Marcella entrar que o jantar já está pronto.
Mara apresentou Rose às últimas integrantes daquele jantar. O jantar correu normalmente. Amy e Dominique contaram os últimos acontecimentos das vidas delas, como o início de mais um ano escolar. Mara também contou como tinha sido o início da faculdade, ocultando o que aconteceu na praxe para não as preocupar e também porque não queria voltar a tocar naquele assunto.
No meio daquela confusão toda, por incrível que pareça, o mais calado era Benjamin. Ele bem queria estar atento e participar em cada conversa que era iniciada pelas cinco mulheres que estavam consigo mas simplesmente não conseguia. Rapidamente era levado pelos pensamentos e pelo ocorrido na noite anterior quando tomou coragem e beijou Mara. Aquele beijo que não lhe saía da cabeça e que adoraria repetir. Aquele beijo que Mara não lembrava… Benjamin afastou esses pensamentos da sua mente e mais uma vez tentou estar atento à conversa que se passava à sua frente. Naquele momento elas falavam de um rapazinho da escola de Amy e Dominique. Portanto uma conversa de mulheres que fez com que Benjamin rapidamente se desligasse da conversa, novamente. Só deixou os seus pensamentos de lado quando ouviu um telemóvel tocar.
Rose reparou que o telemóvel que tocava era o seu e rapidamente pegou nele. Era a sua mãe.
–Sim mãe?
–Querida estou a ligar-te para saber como é que vens para casa?
–Não tinha pensado nisso. – disse Rose sinceramente batendo com a mão na testa.
–Eu digo ao Alex para te buscar.
–Mas…
–Querida, ele leva o meu carro. – interrompeu Rebecca pois já sabia o que Rose falaria. Ela sabia que a sua filha odiava andar de mota, meio de transporte do seu filho mais velho. – Agora dá-me a morada para dizer ao Alex.
Rose pediu a Mara a sua morada para que pudesse dá-la à mãe. Desligou o telemóvel e voltou para a mesa para continuar a conversar com os demais presentes.
Não tardou muito para que Rose voltasse a receber uma chamada só que desta vez era de Alex. Atendeu para confirmar as suas suspeitas. Alex já se encontrava à porta do prédio para a buscar. Rose despediu-se de todos os presentes e saiu. Avistou o carro da mãe e entrou dando um beijo na cara a Alex.
–Olá maninha. – cumprimentou Alex.
–Olá. – respondeu Rose.
–Então e quem é a tua nova amiga? – perguntou Alex curioso. A esta hora Alex já conduzia em direção a casa. – É bonita?
–Alex nem comeces. Tu não consegues ouvir falar numa rapariga sem te atirares para cima dela?
–Sinceramente maninha? Não. – respondeu Alex sinceramente arrancando risadas da sua irmã.
–O normal portanto. Mas tu conhece-la. – disse Rose lembrando-se do que Mara dissera mais cedo a respeito de Ezra lhe chamar boneca porque era como Alex a chamava. – E acho que ela não gosta muito de ti. – aquela afirmação atiçou ainda mais a curiosidade de Alex. Como era possível que alguma mulher não gostasse dele. Todas gostavam dele, todas exceto…
–A tua nova amiga é a Mara? – perguntou Alex incrédulo. Nunca achou que a sua irmã ficasse amiga de Mara. Era quase impossível. Só não era impossível porque Mara trabalhava na empresa do seu pai que era bastante frequentada por Rose. Só assim elas se podiam ter conhecido.
–Sim. – respondeu Rose.
A conversa cessou após a confirmação de Rose. Os pensamentos de Alex estavam a mil. Quanta sorte ele poderia ter. Mais uma informação para a sua conquista. Esta era a oportunidade perfeita para ter Mara na mão e confirmar que nenhuma mulher lhe resistia. Agora só faltava elaborar um plano.
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