Coração Malandro
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Passaram-se duas semanas e a faculdade começaria no dia seguinte. Durante este tempo foi contratada uma pessoa para o lugar de Mara, Nicole Young. Nicole Young tem vinte e um anos. Quando acabou o ensino secundário, resolveu viajar para França. Passados três anos resolveu regressar a Seattle onde acabou por conseguir o emprego com secretária na House S.A. E hoje seria o seu primeiro dia de trabalho. Mara explicar-lhe-ia todo o funcionamento do escritório. Mara estava a explicar a Nicole como funcionava o programa de computador que usavam no escritório quando Alexander entrou. Ambas olharam para a entrada para ver quem tinha chegado. Mara torceu o nariz quando viu que essa pessoa era Alexander. Já Nicole encantou-se com a beleza do homem que estava à sua frente, principalmente aqueles belos olhos azuis.
–Bom…dia. – gaguejou Nicole. Vendo o nervosismo da morena por sua causa, Alex sorriu. Afinal ainda não tinha perdido o seu charme e todas as mulheres caíam a seus pés. Todas, exceto Mara, lembrou-se Alex.
–Bom dia. – respondeu Alex lançando o seu melhor sorriso para Nicole. – E qual é o nome da bela moça que tenho à minha frente? – perguntou Alex fazendo com que Nicole corasse devido ao elogio. Já Mara assistia a tudo calada e incrédula com a forma como Nicole estava a reagir perante Alexander. Como era possível uma mulher derreter-se por qualquer homem bonito?, perguntava Mara mentalmente.
–O meu nome é Nicole. – apresentou-se.
–Sou o Alexander House, mas podes tratar-me apenas por Alex, princesa. – disse Alex e Nicole cada vez se derretia mais com os seus tratamentos.
–Nicole temos de voltar ao trabalho. – interrompeu Mara.
–Mara tens de ser mais relaxada, não há mal de a Nichole fazer um intervalo. – disse Alex. Mara ia responder mas Bryan apareceu para saber se Alex já tinha chegado. Ambos entraram na sala de Bryan.
–Ai Mara, ele é tão lindo. – disse Nicole fazendo Mara revirar os olhos.
–Nicole pareces uma adolescente. Ouve bem o que te digo, o Alexander é uma pessoa que usa e deita fora. – avisou Mara.
–Envolveste-te com ele? – perguntou Nicole curiosa. Para Nicole, se Mara afirmava aquilo com tanta convicção era porque já existira algo entre os dois. Mas, para sua surpresa, Mara riu. Riu não, gargalhou. Aquele fora o maior absurdo que ouvira em toda a sua vida.
–Não, claro que não. – respondeu Mara ainda a rir-se – Nem que fosse o último homem à face da terra. Apenas sei, Nicole.
–Não me importava nada que ele me usasse de todas as maneiras. – sonhava alto Nicole. Mara decidiu que não valia a pena insistir naquele assunto. Nicole já era adulta para tomar as suas próprias decisões e se ela se queria envolver com Alexander o problema era dela.
Mara acabou de explicar todos os procedimentos a Nicole e acabaram por ir almoçar juntas. Lá Nicole fazia um interrogatório completo a Mara sobre onde, como e quando conhecera Alex. Mara não tinha muito a dizer e também não queria perder tempo a falar de uma pessoa insignificante como Alexander e por isso inventou uma desculpa para ir mais cedo para o trabalho. Mas quando chegou ao andar em que trabalhava, encontrou Alexander sentado na sua cadeira.
–Alexander preciso de trabalhar. Importaste de sair da minha secretária? – perguntou Mara aparentando estar o mais calma possível.
–Importo-me boneca. – respondeu Alexander. Mara estava prestes a gritar e a reclamar pelo que Alexander acabara de lhe chamar mas lembrou-se da promessa feita a Marcella.
–Eu preciso de trabalhar para não ser despedida, eu preciso deste emprego por isso podes sair, por favor, da minha secretária. – disse mais uma vez Mara. Alex estranhou a serenidade. Nem reclamou por ele estar na sua secretária nem por tê-la chamado de boneca. Realmente esta rapariga era muito estranha.
Alex viu que não conseguiria provocar Mara, pelo menos não hoje, e acabou por se levantar da cadeira e dirigir-se ao seu novo escritório onde começaria o estágio amanhã. Mas antes de entrar no seu escritório virou-se para Mara.
–Quando a Nicole chegar diz-lhe para vir ao meu escritório. – pediu Alex.
–Está bem. – Mara respondeu apenas isto. Alex começava a achar que ela era bipolar. Ainda ontem o tratava mal por qualquer coisa e hoje fala para ele normalmente, Mulheres, pensou Alex.
O resto do dia correu normalmente. Quer dizer, correu normalmente tirando a parte que em que Mara assistiu Nicole sair do escritório de Alexander toda despenteada e a maquilhagem borrada. Já conseguiu o que queria, pensou Mara. Mas ela não se importava afinal Nicole já era adulta para tomar as suas próprias decisões.
Quando estava a chegar à porta do prédio onde morava, Mara viu um homem à porta. Quando o homem se voltou para ela, Mara viu que era Benjamin e correu para abraçá-lo.
Benjamin Lewis é amigo de infância de Mara. Tal como ela também Benjamin viveu toda a sua vida no orfanato. Isso até completar dezoito anos e decidir viajar para o México onde arranjara um emprego. Desde aí, Mara apenas o viu três vezes, na altura do seu aniversário que Benjamin fazia questão de não se esquecer.
–Que saudades. – falou Mara abraçando com toda a sua força Benjamin. Por fim afastou-se dele – Mas o que é que estás a fazer aqui?
–Voltei Mara! Vim para ficar. – Mara sorriu com a novidade. Convidou Benjamin para subir para falarem mais à vontade. Fez um lanche enquanto Benjamin começava a contar todas as novidades. – Aquilo não dava para mim, o meu lugar é aqui.
–Estou tão feliz que tenhas voltado, a sério! E que barba é essa? – perguntou Mara. Benjamin já era atraente com os seus cabelos escuros e corpo definido mas aquela barba só fazia com que ele ficasse ainda mais sexy.
–Faz parte do charme querida. – brincou Benjamin – E tu? A Marcella contou-me que vais começar a estudar direito. Sempre foi o teu sonho.
–Pois é. Começo amanhã, estou tão ansiosa. Finalmente vou conseguir fazer aquilo que sempre sonhei. – disse Mara sorrindo e Benjamin foi contagiado pelo seu sorriso. Benjamin sabia o quanto Mara lutou para conseguir estudar direito. – Mas e tu? Onde está a Romelia? – Benjamin fez uma cara de desgosto ao ouvir o nome da ex-namorada.
–Terminamos. Mas não quero falar disso. O que me interessa agora é o presente e o futuro. Estou decidido a começar de novo aqui. Nova casa, novo emprego, nova vida. – disse Benjamin.
–E por acaso já tens casa? – perguntou Mara.
–Por acaso não. – respondeu Benjamin.
–Agora já tens. – Benjamin olhou confuso para Mara – Claro que vais ficar aqui. Mi casa es tu casa.
–Já que insistes tanto em ter a minha companhia, não vejo outra alternativa a não ser aceitar. – brincou Benjamin.
Falaram até à hora de jantar. Benjamin ofereceu-se para fazer o jantar e enquanto isso, Mara foi tomar banho. Como não ia sair mais de casa naquele dia, vestiu o seu pijama da Minnie. Quando Benjamin a viu entrar na sala não conseguiu tirar os olhos dela. Já há alguns anos que não a via de pijama e podia garantir que aquele pijama a favorecia muito.
–Quando é que cresceste tanto Mara? – perguntou Benjamin. Mara percebeu que ele olhava atentamente para cada centímetro do seu corpo e corou. Desde quando é que se sentia tão constrangida perto de Benjamin?
–Faz parte do charme querido. – disse Mara para disfarçar o seu constrangimento usando a frase anteriormente dita por Benjamin.
–E que charme. – sussurrou Benjamin. Ele ainda continuava a analisar cada milímetro do corpo de Mara.
–Então e esse jantar? – perguntou Mara para mudar de assunto. Só com estas palavras é que Benjamin desviou a sua atenção do corpo de Mara para se preocupar com o jantar.
–Está quase pronto. – respondeu Benjamin.
Jantaram e falaram normalmente como se o que tinha acontecido antes do jantar nunca tivesse acontecido. No fim, Mara lavou a loiça. Quando acabou, juntou-se a Benjamin para ver televisão. Ambos estavam calados pensando. Mara pensava no dia de amanhã e quanto estava nervosa, afinal seria o seu primeiro dia de faculdade. Já Benjamin pensava em como não conseguiu tirar os olhos de Mara quando a viu com aquele mini pijama. Ele achava que estava a ficar maluco. Em toda a sua vida, sempre olhou para Mara como uma amiga, como uma irmã. E agora, depois de quatro anos fora sem conviver com ela diariamente, vê-a de pijama e não consegue deixar de pensar nas belas curvas que ela tem, para não falar de outros atributos. Decididamente estava a ficar maluco. Era a Mara, apenas a pequena Mara.
–Vou tomar banho. – disse Benjamin levantando-se do sofá e dirigindo-se à casa de banho. Tomou um banho de água fria para ver se todas aquelas ideias absurdas saíam da sua mente. Depois do banho, vestiu as calças do pijama e seguiu para a sala em tronco nu. Benjamin queria ver a reação de Mara.
Mara quando o viu entrar na sala, não pode deixar de olhar para o peito de Benjamin. Desde quando o seu corpo ficou tão definido?, pensou Mara.
–Vou deitar-me, amanhã tenho de acordar cedo. – disse Mara. Levantou-se do sofá e dirigiu-se para o seu quarto.
Benjamin sorriu satisfeito. Afinal não era assim tão indiferente para Mara.
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