Coração Inglês
7 Volta ao Brasil, o Concurso Musical e Mais Problemas
Notas iniciais
Em poucos dias, todos já estavam esperando o avião que os levaria para o Brasil.
Porém, acabaram chegando ao aeroporto só quando o primeiro avião já decolara, pois o Sr. Summer, ainda na casa, não decidira se era mesmo uma boa ideia deixar Raven adotar o gatinho Snow, ou como, quando ele concordou, levar o animal no avião. Só não demoraram ainda mais porque Raven começou á espernear feito uma criança birrenta, dizendo que só saía de Londres se levasse o gato. Depois de muita gritaria, ataques de nervos e lágrimas – fingidas, no caso de Raven – eles finalmente decidiram ir embora e, enfim, levar Snow.
– Você adora um escândalo, não é, Ray? – brincou Josh, no assento ao lado do da menina, já no avião. Raven, segurando Snow — que já começara á abrir os olhinhos felinos absurdamente azuis – deixou escapar um risinho estranho.
– Ah, eu não queria toda aquela bagunça... mas... é que eu me apaixonei pelo Snow.
Josh fez uma expressão que quase fez a menina engasgar de tanto rir; o rapaz fingia profundo ciúme e choque.
– Você... me traiu! – disse ele, fingindo angústia – me trocou por um gato!
– Oh, bem... – a menina deu um beijinho carinhoso na bochecha de Josh – que isso... ah, pare – completou ela, quase empalidecendo de tanto dar risada, quando ele fez um biquinho exagerado – eu gosto do Snow, mas gosto mais ainda de você.
– Verdade? – o menino fez uma voz infantil que quase fez Raven desmaiar de uma vez, pois ela já não aguentava mais gargalhar.
– Verdade... verdadeira – respondeu a menina, ao se recompor – agora pare de fazer palhaçadas, que eu já tô passando mal de tanto ficar rindo, tá?
– Chatinha – riu o rapaz, abraçando a cintura da menina.
Em algum lugar atrás deles, Bob pigarreou alto, mostrando seu leve desagrado, enquanto Helena balançava a cabeça, murmurando um “são doidinhos, ó” com seus botões, enquanto Ginevra conversava animadamente com ela sobre o que fariam ao voltar para a escola. Mila, que sentara ao lado da Sra. Summer, jogava The Sims 2 no celular e, vez por outra, contava o que acontecia no jogo para ela.
O Sr. Summer, do outro lado do avião, murmurava para si mesmo coisas como “cuidar de um gato” e “que esquisitice”, não admitindo ter sido “derrotado” pela filha mais nova.
Depois de alguns minutos verificando se Snow estava bem aninhado e confortável em seu colo, Raven experimentou olhar para Josh para ver se o rapaz já caíra no sono. Sentiu um gostoso — mas arrepiante – calafrio, ao ver que ele olhava direto em seus olhos, com um sorriso tonto de quem está hipnotizado.
– O que foi? – gemeu a menina.
– Nada. Só estou te olhando.
– Não sei não... – brincou ela – se eu não te conhecesse, diria que está bêbado.
– Deus me livre! – riu Josh – mas... pensando bem... eu estou bêbado sim... por você.
Raven sentiu o rosto esquentar, e colocou a mão nas bochechas para que elas não denunciassem que estava envergonhada. Mas Josh pareceu notar mesmo assim.
– Opa... deixei você sem graça? Desculpa.
– Imagine – Raven deu um risinho sem graça – se bem que você está exagerando. Eu não sou tão...
– Bonita? Maravilhosa? Carismática? – brincou o rapaz — Você é tudo isso e muito mais.
– E... – ela ciciou – você também não se importa que eu seja inglesa... não é...?
Josh mudou de expressão, parecendo refletir por um tempo, e suspirou com um sorriso penalizado e carinhoso.
– Oh, Ray... mas é claro que eu não me importo. Eu entendo. Tem muito preconceito por aí, e enquanto você for você, sempre terão idiotas que não vão gostar de vocês. Mas não fique assim... – ele abraçou-a mais forte ainda – enquanto eu estiver do seu lado, esses caras não vão te incomodar... se não vão se ver comigo.
Raven praticamente teve uma epilepsia de carinho, e se jogou nos braços do garoto. Josh riu, afagando as costas dela.
Os dois ouviram alguém rir baixinho, e olharam para frente; Ginevra e Helena olhavam Raven, que decididamente parecia um rabanete de tão vermelha.
– Dá um tempo, Josh – brincou Helena – eu acabei de comer quatro tortinhas de morango e não quero passar mal, tá?
– Vai se lascar, Helena, vai – disse Josh, logo depois fazendo coro com as garotas que riam. Helena ficou levemente nervosa por alguns segundos, mas logo depois revirou os olhos e se limitou á dar um sorrisinho indecifrável.
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Assim que chegaram em São Paulo, o Sr. Summer levou Ginevra e Helena para suas casas. Mila e Josh combinaram com a Sra. Summer de passar a noite na casa deles, o que alegrou Raven imensamente.
Mal chegaram em casa, os meninos saíram correndo para o quarto da menina, numa espécie bizarra de corrida. Quem chegou primeiro foi Mila, mas Josh deslizou tão rápido que acabou se chocando com a irmã e a derrubou.
– Santo Pai – riu Raven, fazendo uma careta engraçada.
– Você acha graça, não é, inglesinha? – brincou Josh, cambaleando ao tentar se levantar.
– Ah, sim... – bufou Mila – eu estou viva, se vocês forem perguntar, tá?
Josh revirou os olhos e bateu de brincadeira na cabeça de Mila.
– Chata.
Os três entraram no quarto iluminado, e Mila olhou satisfeita para os pôsteres de bandas de rock e atrizes inglesas que Raven tinha colocado em todas as paredes. Enquanto Raven saiu para buscar Snow no carro e voltou com o gatinho nos braços, o qual ela colocou num ninho de lençóis feito pela Sra. Summer em um cantinho do quarto, Josh observava Chuchundra roer com gosto uma semente de girassol.
– Bonitinho, o seu hamster.
– É – sorriu a menina, que terminara de cobrir Snow no lençol do ninho – é um baita preguiçoso, mas ainda assim eu gosto dele. Você sentiu saudade da mamãe, não foi? – brincou Raven, fazendo carinho no dorso do pequeno roedor, que fechou os olhinhos, como se estivesse gostando.
– Quem deu comida para ele essa semana toda?
– Ah... papai contratou uma empregada para cuidar da casa pela semana... incluindo limpar as titicas do folgado aí – riu Raven.
– Não é nada difícil entupir uma gaiola de sementes pra uma semana toda – disse Josh, revirando os olhos, enquanto Raven ria – olhe por outro lado... se mamãe me botasse pra cuidar de duas tartarugas, uma morria e a outra fugia.
As meninas caíam na risada.
– Você é totalmente demente, não é, Josh? – disse Mila, balançando a cabeça.
– Não fala assim do meu namorado, sua chata – disse Raven, abraçando Josh, enquanto ele ria.
– Sossega, cunhada – Mila sorriu, enquanto observava Snow se revirar nos lençóis – vou te lembrar de me espancar daqui á uns cinco anos, tá?
– Married (casada)? – Raven gemeu.
– Hum... sei lá – suspirou Josh – tá a fim de marcar um casamento antecipado, Ray? – brincou o rapaz.
– Ui – foi só o que Raven disse. Mila e Josh riram.
A tarde dos meninos foi muito gostosa; os três se divertiram mexendo na Internet, á procura de músicas para baixar. Logo depois todos foram para a sala e assistiram um filme de ação comendo sacos e mais sacos de pipoca salgada. Depois do filme, Raven e Mila batalharam para fazer um bolo de chocolate com cereja, emporcalhando toda a pia e deixando a Sra. Summer histérica, enquanto Josh ria com gosto. Enquanto o bolo crescia, eles disputaram uma partida de Need for Speed no videogame (Raven contra Mila e, depois que Mila perdeu, Raven contra Josh, que ganhou espetacularmente da menina após explodir, sem dó, o carro dela contra uma mureta). Assim que o cheirinho do bolo alcançou a sala, todos foram para a cozinha para experimenta-lo.
Para fechar o dia com chave de ouro, Bob pôs o som do rádio no último volume, apagou a luz da sala, colocou lanternas coloridas por todo o cômodo e fez uma verdadeira balada. Até mesmo o Sr. e a Sra. Summer caíram na dança; Mila rodopiava com Bob no meio da “pista”, e Raven dançava com vontade colada em Josh – que agradecia aos céus por estar escuro demais para os pais de Raven perceberem a “indecência”. Na altura em que finalmente voltaram ao quarto para dormir, todos estavam exaustos e estranhamente alegres.
Antes de entrarem, porém, ouviram algo arranhando a porta do outro lado.
– Snow – disseram em coro, rindo.
Quando abriram a porta, era realmente o gatinho que estava atrás dela, miando alto. Mas quando o bichinho virou a cabecinha para Raven, parou na hora, como uma criança pega fazendo uma travessura.
– Muito bonito, não é, Snow? – brincou Raven, pegando o animal no colo e colocando-o em sua caminha – volte já pro seu ninho, bichano.
– Adianta falar que ele não entende birosca nenhuma do que você está dizendo, Ray? –disse Josh.
Em vez de responder, Raven puxou-o pelo colarinho do pijama e acolheu-o num abraço carinhoso, beijando-o logo em seguida — enquanto Mila revirava os olhos de tal maneira que eles pareciam estar prestes á cair das órbitas á qualquer momento.
– Aff, gente... Poupem-me disso! – bufou ela.
– Sabe qual é o seu problema, Mila? – riu Raven, se desvencilhando da boca de Josh – é inveja. Você não tem namorado, e por isso fica choramingando por aí.
– Inveja é o seu nariz! – disse a menina, fazendo até Josh rir – só não aguento mais essa história de vocês de “beijinho pra cá”, “beijinho pra lá”...
– É, Ray – o rapaz riu – é inveja, com certeza. Que desculpa esfarrapada, Mila.
Pra a surpresa dos dois, ele assentiu, corando discretamente.
–O.K., confesso... também é por que estou solteirona, tá?
– Oh, Mila... – Raven deu uma batidinha caridosa nas costas da amiga – vamos fazer assim... a gente não se agarra mais na sua presença. Que tal?
– É o quê?? – ganiu Josh, fingindo indignação e mágoa.
– Só na presença da sua irmã, bacalhau – lembrou ela, rindo.
– Ah, não, que isso – riu Mila – não precisam deixar de se beijar só por minha causa...
– Já estão dormindo? – a voz da Sra. Summer passou pela porta.
Todos saíram correndo para as camas improvisadas, fingindo estarem tontos de sono, quando a mulher entrou no quarto.
– Hum... o quê, mãe..? – Raven fez uma voz fraca de cansaço, simulando um bocejo.
– Ahn.. nada, filha. Bem...boa noite, crianças.
– Boa noite – Mila e Josh disseram, também fingindo estarem com sono. A Sra. Summer olhou mais uma vez pelo quarto, apagou a luz e fechou a porta.
– Ufa, foi por pouco – sussurrou Mila no escuro.
Raven estava deitada no colchão ao lado do de Josh, e teve um gostoso arrepio quando o rapaz segurou sua mão no escuro. A menina achou, com satisfação, que de certa forma aquela fora uma das semanas mais felizes de sua vida. Pensando no dia seguinte, em pouco tempo, Raven adormeceu, ainda de mãos dadas com o garoto.
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No dia seguinte, a escola Hermes parecia estranhamente diferente para Raven, como se a menina tivesse começado á vê-la de um modo diferente. Tudo lhe parecia mais colorido e animado do que nunca. Talvez a causa disso fosse a alegria que ainda sentia da semana passada.
Josh parecia também estar olhando tudo de outro jeito. O rapaz fez uma careta engraçada quando sentou em sua carteira.
– Você está sentindo o mesmo que eu? – ele indagou.
– Uma bizarra estranheza? Sim – riu a menina.
– Acho que passamos tempo demais na Inglaterra – gemeu Mila, balançando a cabeça – estou estranhando meu próprio país!
Raven deu uma risadinha.
– Oi, galera! – Ginevra apareceu do nada atrás dos meninos, quase fazendo Josh ter um ataque cardíaco – como foi a noitada de ontem?
– Joia – riu Mila – o Bob fez uma balada na sala á noite. Da hora.
– Os Summer sabem mesmo como se divertir – completou Mila, sorrindo para Raven.
– Oi para todos – Helena os cumprimentou, empurrando Ginevra para o lado.
– Oi, Lena.
– Alguém estudou para a porcaria da prova de matemática de hoje? – disse Mila.
Todos balançaram a cabeça negativamente.
– A gente se... – começou Ginevra.
– Se você falar “lascou”, vai apanhar – gemeu Raven. Josh ficou paralisado de tanto rir da expressão de Ginevra.
– Bom dia, classe.
Todos se arrumaram nas cadeiras quando o professor de matemática entrou. Para a surpresa dos meninos, porém, ele tinha a expressão de quem chupara limão.
– Podem descer para o anfiteatro, que o coordenador vai passar um comunicado para todos – o professor suspirou, indicando que não estava nem um pouco feliz com a notícia.
– Não vai ter prova? – indagou uma voz desagradavelmente conhecida no fundo da sala. Era Amanda.
Raven rosnou baixinho, quando viu que ela já saíra do castigo.
– Não, não haverá, Silveira – respondeu o professor, com uma expressão derrotada.
A sala inteira comemorou e saiu correndo para o anfiteatro. Raven e as meninas faziam uma bizarra dança da vitória, enquanto Josh revirava os olhos e ria.
– O que será esse comunicado? – disse Mila, curiosa.
– Bom, seja o que for, deve ser mais importante do que aquela matéria horrorosa – brincou Josh.
– Apoiado, apoiado – sorriu Ginevra.
O anfiteatro, no andar debaixo, foi se enchendo aos poucos. Os meninos se sentaram todos juntos na fileira da frente. Assim que todos os alunos se acomodaram, o coordenador passou alguns anúncios antes do comunicado. Raven estava quase caindo no sono quando ele anunciou:
– Como todos sabem, os Campeonatos começarão á partir de amanhã. Os esportivos serão amanhã e quarta-feira. Na quinta feira, os de raciocínio, como xadrez e outros. Na sexta-feira, iniciará o nosso concurso musical de três dias, que terminará na terça que vem. Nesse concurso, qualquer um pode participar, desde que passem seu RG para os professores coordenadores. As categorias são: Melhor Dança, Melhor Composição de Música e Melhor Cantor e Cantora. Apenas músicas em inglês serão consideradas esse ano.
Todos arfaram baixinho de choque, e por uma estranha razão, todos olharam para Raven. A menina nem sequer percebeu; sua mente estava em outro lugar, justamente na expressão “músicas em inglês”. Josh parecia estar pensando no mesmo que ela. Ao fundo, Amanda, gemeu.
– Bom, é só isso. Estão dispensados.
Quando chegaram na sala, Raven e Josh pareciam estranhamente pensativos.
– O que foi, gente? – disse Mila, olhando para o irmão e a melhor amiga.
– Eu estava pensando... em entrar para o concurso musical – sussurrou Raven.
Nenhuma das meninas riu, compreendendo por que.
– Quer dizer... – disse Josh – já imaginou como aquela víbora da Amanda vai ficar? Ela entra em tudo que é Campeonato e concurso só para ganhar o primeiro prêmio e humilhar os outros. Agora que este ano serão apenas músicas em inglês, ela vai ficar fula da vida, já que não suporta nada nem ninguém – seus olhos caíram em Raven, de um jeito afetado – de outro país. E já imaginaram se Raven ganhar o concurso de canto? Vai ser uma humilhação bem na cara daquela infeliz!
– Tem razão – concordou Ginevra – Raven, não sei como, nem onde, mas nós vamos te ajudar a ganhar esse concurso. Nós vamos fazer você acertar Amanda bem no meio da cara dela!
Raven sorriu, feliz com a compreensão das amigas.
– Mas, gente... – Helena disse, insegura – a origem da música é o menor dos problemas para Amanda. Ela vai querer fazer de tudo para dizer que é melhor do que a Raven. Incluindo trapacear... ou coisa pior.
– Quero vê-la tentar com a gente ajudando a Ray – sorriu Josh, abraçando Raven, que sorriu agradecida.
– Obrigado, gente...- suspirou a menina – valeu mesmo...
– Então, o que estamos esperando? – riu Mila, animada, esfregando as mãos – vamos começar á trabalhar!
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Para a alegria de Raven, todos combinaram de ir até sua casa para começarem á pensar no que fazer para o concurso musical. A menina se sentiu muito grata por ver o como as suas amigas e o seu namorado dedicavam-se á ela.
– Beleza, galera – disse Helena, olhando a folhinha de regras do campeonato que o coordenador distribuíra nas salas – a primeira categoria é Melhor Dança... será primeiro individual e depois em dupla.
Josh indicou a si mesmo e a Raven, sorrindo. Raven o abraçou, alegre com a decisão do rapaz de dançar com ela no campeonato.
– E qual música vai ser?
– Dança americana ou inglesa? – indagou Helena, com uma careta – eu não conheço nenhuma...
– Tipo... pop, black music? – arriscou Ginevra.
– Ah, vamos decidir depois... – suspirou Raven – vamos passar para a cláusula dois.
– Que macumba é essa? – gemeu Mila, arregalando seus olhos e fazendo todos rirem. Raven revirou os olhos.
– A próxima categoria, cabeçuda.
Josh riu.
– Continuando... – Helena continuou — a próxima é Melhor Composição de Música. Felizmente, esse troço só é para aqueles roqueiros do 2° K que tem banda de garagem. Como nem o estrupício da Amanda nem você sabem uma palha sobre isso, a gente não vai participar.
– Beleza.
– E por fim, a categoria de Melhor Cantor ou Cantora. Também vai ter um dueto e um canto individual.
– Já sei, macacada – Josh bateu palmas – Helena pesquisa algumas letras de músicas famosas, Ginevra vai ser a coreógrafa, e eu e Ray vamos ir praticando, então. Mila pode ser a “diretora” – ele riu para a irmã mais nova.
– Gostei. Boa ideia – disse Helena.
– Vou ficar de olho em vocês – riu Ginevra, piscando para Raven e Josh.
– E eu vou mandar em todo mundo – riu Mila, fazendo um gesto autoritário.
– Você não manda nem em si mesma – brincou Raven. Todos riram.
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No dia seguinte, na escola, os meninos aproveitaram o apertado intervalo para ir á sala de informática pesquisar algumas músicas. Para o azar de Raven, porém, Amanda estava exatamente no computador ao lado do deles.
– Que porcaria – cochichou Mila, baixo o suficiente para Amanda não ouvir – o que essa inútil está fazendo aqui?
– Fala menos e pesquisa mais, Mila – sussurrou Raven. A última coisa que queria era arrumar encrenca com Amanda logo quando precisavam de um plano ás escondidas com relação ao Concurso.
Infelizmente, Amanda parecia querer se encrencar com Raven.
– Voltou da sua terrinha ridícula, garota? – zombou ela, sem tirar os olhos do monitor – por que não ficou lá, de onde você nem devia ter saído?
Raven, também sem se virar para olhar Amanda, suspirou e respondeu com toda a dignidade que pôde:
– Não, não voltei. Estou lá ainda.
Ginevra ganiu baixinho, já imaginando o que viria depois. Helena tamborilou os dedos na escrivaninha, nervosa.
Amanda se virou, com a velha sombra de desprezo nos olhos.
– Você se acha, não é, Summer?
– Eu? – disse Raven, com ironia, fingindo choque – ah, com licença, mas acho que não fui eu que fiquei lavando as paredes do refeitório por uma semana, fui?
A mão de Amanda enrijeceu tanto de raiva ao lembrar do castigo que recebera – em sua opinião, por causa de Raven – que metade da sala de informática devia ter ouvido seus dedos estralarem. Ela parecia decididamente colérica ao se virar para Raven.
– Você vai se dar mal, Summer – as palavras de Amanda pesavam de tanto ódio – grave as minhas palavras.
– Ui, que medo – rosnou Raven.
O movimento foi tão rápido que ninguém percebeu; Amanda se levantou de um salto da cadeira executiva e esbofeteou o rosto de Raven, que cambaleou e caiu no piso.
Mila também caíra no chão, assustada. Ela e Ginevra ficaram tão chocadas que mal conseguiram reagir para ajudar Raven.
Antes que Amanda desse outro soco em Raven, porém, uma mão forte puxou violentamente o pulso de Amanda pra trás, prendendo-a, e jogou a garota violentamente no chão.
Era Josh.
– Ray! – arfou o rapaz, ajudando Raven á se levantar; a menina estava com o rosto quase roxo, no local onde Amanda a socara. Ainda atordoada, ela só pôde balbuciar e se abraçar no garoto. Ouviu Josh dizer algo, com a voz irritada, mas não entendeu o que era, e tudo escureceu ao seu redor.
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