Coração Inglês
8 Volta Para casa, Dores de Perda e o Começo do Concurso
Notas iniciais
Raven despertou um bom tempo depois, num quartinho limpo e arrumado. Havia um soro intravenoso pendurado em um gancho de ferro ao seu lado.
“Um hospital!”, arfou ela mentalmente.
A menina tentou virar a cabeça para a porta. O movimento bastou para ela sentir uma dor aguda no rosto.
Raven apalpou o lugar; havia um curativo ali.
– Tá, cara, me deixa entrar! – disse uma voz do lado de fora do quarto.
– Dá um tempo, Mila! Eu vou chamar a enfermeira, viu?
– Ai, meu Pai do céu! A placa “Silêncio – Paciente em Repouso” não significa nada pra vocês, não?
– Mila? – Raven tentou chamá-la.
Sua voz saiu fraca, mas alta o suficiente para que as amigas e Josh entrassem correndo no quarto.
– Raven! – gritou Ginevra, antes de uma enfermeira que passou no corredor fazer cara feia para ela – você tá viva!
– O que ac-conteceu? – gaguejou Raven.
– Você desmaiou nos braços do Dom Juan aqui – disse Helena, indicando Josh e fazendo uma careta.
– Você não perdeu muita coisa – falou Mila – o Josh bateu na Amanda...
– Ai, meu Deus do céu... você tá brincando! – ganiu a menina, olhando para o rapaz com choque. Não foi uma boa ideia; sua cabeça doeu mais ainda.
– É... e então os alunos começaram á gritar, virou um deus-nos-acuda, o diretor chegou e... – Mila parou de falar, fazendo uma expressão temerosa.
– E o quê?
Josh olhou para Raven, como quem se desculpa.
– Não foi dessa vez que pegamos Amanda, Ray – disse o rapaz, suspirando – ela convenceu o diretor de que eu bati nela por nada, e que tinha batido em você também.
– Não! – Raven gritou; seu rosto doeu mais do que nunca – não... ela não... você não pode levar a culpa! Foi ela...
– Tarde demais – Mila também suspirou – Josh foi suspenso, e ganhou detenção.
– Não, não! – repetiu a menina – eu posso... eu posso dizer pro diretor que é mentira!
– Que gritaria é essa?
Com certeza, aquele era o grupo de visita mais estranho que um paciente já deveria ter recebido; entraram, em fila indiana, o diretor da Hermes, uma enfermeira simpática, uma menina de cabelos ruivos que Raven nunca vira, mas que parecia ser aluna da escola, a Sra. Summer, a mãe de Mila e Josh, e Érica, a repetente da classe deles.
– Mammy! – guinchou Raven – mãe... Sra. Santos... diretor... eu posso falar o que aconteceu! A Amanda está mentindo!
– Como assim, Raven? – disse o diretor.
– Foi Amanda que começou... – disse ela, e começou á contar tudo o que acontecera desde a hora em que fora para a sala de informática até o momento em que desmaiara.
Quando terminou, a Sra. Santos fez uma expressão de quem pedia desculpas para o filho – com certeza, ela acreditara que Josh tinha mesmo virado um covarde espancador de meninas.
A mãe de Raven também fez a mesma expressão para o rapaz.
O diretor, por outro lado, tinha um ar pensativo, alisando a barba grisalha.
– Bom... – suspirou o diretor – se foi mesmo assim... então Santos não deverá ser suspenso e nem receber detenção, apesar de também não ter se comportado decentemente; devido á isso, vou abaixar um pouco sua nota de comportamento. Por outro lado... já é a segunda vez que Silveira vai ficar de castigo esse ano.
– Isso! – sorriu Mila.
– Obrigada, diretor – Raven sorriu, aliviada; apesar de doer um pouco, seu rosto não parecia estar mais tão dolorido.
– Desculpe, querido! – a Sra. Summer abraçou Josh e lhe deu tapinhas nas costas – como fui pensar mal de você...
A Sra. Santos, fungando, também abraçou o menino, que fez uma careta engraçada e aliviada para as meninas, por cima da cabeça da mãe.
– Bom, desejo melhoras, Summer – o diretor acenou para Raven e saiu do quarto.
Érica olhava para Mila, Ginevra e Helena como quem pede ajuda para entender algo.
Elas sorriram para a colega, balançando os ombros.
A menina ruiva só franzia a testa ora para uma, ora para outra. Parecia tão perdida quanto Érica.
Josh, ao se desvencilhar da mãe e da “sogra”, chegou bem perto do leito de Raven e beijou a menina, primeiro no curativo – com uma delicadeza enorme -, e depois, na boca.
Raven corou tanto que desconfiou seriamente que o hematoma iria sangrar dali á pouco.
Olhando de esguelha para a mãe, a menina sorriu ao vê-la rindo.
A mãe de Josh, por outro lado, parecia ter testemunhado um atropelamento de tão surpresa, mas logo depois também sorriu para a menina.
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– Meu machucado foi tão sério assim? – indagou Raven, já em casa, depois de sair do hospital, para Mila.
– Foi – respondeu ela, olhando distraidamente para Snow, que dormia no cestinho – hematoma de vigésimo grau ou coisa parecida. Quase rompeu não sei quantos vasos sanguíneos, e poderia ter paralisado seu rosto, sei lá...
– Amanda tem um punho e tanto – disse Raven, dividida entre a brincadeira e a raiva – pra me deixar hospitalizada daquele jeito...o que ela tem embaixo da pele, uma luva de chumbo?
– Tomara que ela fique de castigo por tanto tempo que os netos dela vão sair da escola antes da avó – bufou Josh. Raven riu, e abraçou o namorado.
– Ah, meu... – Mila revirou os olhos. Josh tinha agora dois lugares preferidos para beijar Raven; na boca, logicamente, e no local onde ainda se via um pouco o hematoma em seu rosto.
Raven quase morreu do coração ao se ver no espelho do banheiro; sua bochecha e a pálpebra de baixo do seu olho direito estavam levemente inchadas e bem avermelhadas. O canto de sua boca exibia um discreto — mas nada bonito — corte, onde Amanda devia ter arranhado seu rosto com as unhas.
Ela escondeu o lado machucado do rosto com a mão, envergonhada.
– Tudo bem, Ray? – disse Josh, preocupado, aparecendo ao seu lado.
– Eu estou parecendo uma ursa panda. Estou tão feia! – choramingou ela.
Josh franziu as sobrancelhas, e pôs a mão na testa de Raven, como se medisse sua temperatura.
– Acho que a porrada que a Amanda te deu afetou sua visão, Ray... por que pra mim você está linda como sempre.
Raven corou.
– Você só está dizendo isso pra eu não sair correndo para um cirurgião plástico — ela o acusou.
A boca de Josh se curvou para o lado – se era um esforço para não rir ou uma expressão ofendida, não se sabia.
– Eu já menti para você? Se por acaso era possível, a menina corou mais ainda.
– Desculpa... – suspirou Raven – ai, mas eu ainda odeio aquela metida nojenta!
– Nem me fala – bufou Mila, entrando no banheiro também – se Amanda foi capaz desse barraco antes do Concurso, imagina o que ela vai fazer para tirar a Ray da circulação! O que ela vai aprontar?
Para isso, nem Raven e nem Josh tinham resposta.
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Os meninos passaram a tarde inteira olhando as letras das músicas que Helena mandara por e-mail, tentando escolher uma para as duas danças e para as duas apresentações de canto do Concurso.
– Mano, a Helena pirou na batatinha – riu Josh – Goodbye Yellow Brick Road, do Elton John? A gente nem sabe quem coquinhos é esse cara!
– Você não sabe quem é esse cara – corrigiu-o Raven, rindo – mas, concordo com você. Eu é que não vou ficar dançando ao som dessa música chata.
– E essa aqui? – falou Mila, indicando outra letra – Love Me Tender, Elvis Presley?
Josh olhou para a irmã como se fosse capaz de estrangulá-la.
– Não fala isso nem brincando, Mila.
Raven riu.
– Parem, vocês dois... hum... que tal Michael Jackson? Beat It?
– É! – Josh sorriu – é da hora para a dança em dupla! — E Raven podia dançar essa aqui na dança individual! – Mila indicou outra música com o dedo – Celine Dion...
– Aquela do Titanic? Cara, é muito lerda! – gemeu Raven – acho melhor essa aqui...
Assim, eles foram discutindo sobre as músicas.
Á um canto do quarto, o gatinho Snow – que já não era tão pequeno (crescera rapidamente desde que chegara á casa dos Summer) miou suavemente e rolou no seu cesto, brincando com um fio de lã que, por mais que não quisesse, não parava de se enrolar em suas patinhas.
Do outro lado do quarto, Chuchundra fazia uma zorra na gaiola, espalhando sementes de girassol, água e pelos para tudo que era lado.
– Seu hamster está com algum problema, Ray – murmurou Mila, depois de longos dois minutos fingindo que não ouvia a barulheira que vinha da gaiola de Chuchundra.
Raven, que também estivera fingindo surdez, olhou pra trás.
Assim que olhou para a gaiola, porém, ficou tudo quieto.
– Chuchundra? – chamou Raven.
O hamster não apareceu.
Os meninos correram até a gaiola. Mila ganiu quando olhou.
Chuchundra estava deitado no chão da gaiola, os olhinhos fechados.
Poderia parecer adormecido, se não fosse a ausência da sua respiração.
Raven cutucou o animalzinho com o dedo.
Ele não se mexeu.
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Mila fungava no sofá dos Summer, ao lado do irmão e de Bob.
– O veterinário já foi lá no quarto.
– E o que ele falou? – indagou Bob.
Mila fungou de novo.
– Ele disse que foi algum tipo de distúrbio cerebral. Chuchundra começou á se debater na gaiola e aí...
– Teve... tipo um derrame?
– É, tipo isso. Ele disse que não teve jeito... o Chuchundra... – ela não teve coragem de dizer em voz alta.
– E a Ray? – disse Josh.
– Saiu correndo pro quarto do Bob e está lá até agora. Nem deu sinal de vida ainda.
– Nossa... coitadinha da Ray... o Chuchundra foi o único amigo que ela teve antes de conhecer vocês – suspirou Bob – sabe, Santos, eu nunca pensei que ia dizer isso... preferiria me estrangular á pedir pra você, mas... vai falar com ela, por favor – ele olhou para Josh – acho que ela só vai ouvir você. Tira ela dessa, cara.
– Tem razão, Bob – Josh também suspirou, e se levantou do sofá – eu vou lá.
Quando Josh bateu na porta, um fraco e trêmulo “quem é?” veio de dentro do quarto.
– Sou eu, Ray, Josh. Posso entrar?
Josh ouviu Raven soluçar. Parecia um sim.
O rapaz entrou no quarto, e encontrou Raven enroscada na cama de Bob, abraçando o travesseiro.
Josh sentou na cama e ofereceu o colo á ela. A menina soluçou mais forte do que nunca, mas se levantou e caiu nos braços dele.
– Ah, Raven... eu sinto muito pelo Chuchundra.
Ela o abraçou com força.
– A c-culpa foi m-minha... – soluçou ela — se eu tivesse o-olhado pra trás desde a hora que ele começou á b-bater na gaiola... p-podia ter levado ele no veterinário!
– Ray... a gente também não prestou atenção – suspirou o garoto, acariciando os cabelos dela — se eu tivesse ideia do que ia acontecer...eu podia...
Raven balançou a cabeça.
– Vocês não tiveram culpa – ela parecia mil vezes mais calma e melhor com Josh, mas ainda aparentava angústia – papai... vai fazer um funeral pra ele amanhã de tarde... vamos enterrar no quintal.
– Eu vou estar lá com você, Ray. E Mila também. Vai ficar tudo bem.
– Não, Josh...! Não precisa...
– Precisa sim – disse ele, sério – se isso é importante pra você, é importante pra mim também.
Raven abraçou-o mais forte ainda.
– Obrigada, Josh...
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No dia seguinte, antes da escola, Mila, Josh, Ginevra, Helena e até alguns colegas da sala de Raven que souberam da infeliz notícia foram para a casa dos Summer, ver o enterro de Chuchundra.
A Sra. Summer já cavara um pequeno buraco ao lado de uma roseira do jardim, cercado por pedrinhas brancas e minúsculas flores.
Bob estava sentado na varanda, segurando algo muito parecido com uma pequena lápide de pedra cinza. O Sr. Summer estava simplesmente parado no meio do quintal, com uma expressão pensativa.
– Que chato, não é? – disse uma das colegas de Raven – perder o bichinho de estimação...
– Não mencione nada pra ela – alertou Mila para a menina – ela já está bem chateada...
A porta da casa se abriu, e todos se viraram para ela no momento em que Raven saiu, com uma caixinha de papelão em forma de caixão nas mãos.
A menina já não chorava, mas ainda parecia muito triste.
Sem olhar para as amigas, ela entregou a caixinha para o Sr. Summer, que a ajeitou cuidadosamente no buraco.
– Eu queria dizer umas palavrinhas – disse Ginevra, numa fraca tentativa de descontrair a atmosfera tensa e triste – posso?
Raven a olhou com uma expressão engraçada; era uma mistura de confusão, pena e gratidão. Ela assentiu.
– Bom... – Ginevra pigarreou – temos pouco á dizer, e pode parecer piegas... mas, enfim... vamos sentir saudade, Chuchundra. Você foi um bichinho muito legal.
A Sra. Summer acotovelou o marido.
– Ahn... é... adeus, Chuchundra.
– Vamos sentir sua falta – disse Mila.
Josh chegou perto de Raven e a abraçou.
A menina se aninhou nos braços dele antes de falar:
– Adeus, Chuchundra...
Bob chegou perto do buraco e despejou um bocado de terra por cima da caixinha, até que ficasse coberta. Helena pegou a lápide de Bob e a colocou no pequeno túmulo.
Nela, em uma letra cursiva, estava escrito o nome do hamster.
Até os colegas de sala dos garotos estavam fungando. Uma menina de cachos loiros estava chorando, enxugando os olhos na blusa do uniforme.
– Obrigado por fazer companhia para a Ray, Chuchundra – disse Josh – pode ter certeza de que eu não vou esquecer de você, peludo.
Raven deu um pequeno e triste sorriso, e encostou a cabeça no peito do rapaz.
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– É o quê?? – ganiu Mila.
– O diretor não pode fazer isso com a gente! Com a Ray!! Isso é terrorismo!! – gemeu Helena.
– Gente, calma! – Ginevra levantou as mãos, desesperada – a culpa não é do pobre coitado que suspensão por agressão só dure míseros cinco dias...
– E aí, galera? – Raven se sentou ao lado delas na mesa do refeitório, junto de Josh, que teimava em tentar beijar seu queixo – o que aconteceu?
– A Amanda – Ginevra transformou o nome num palavrão – já saiu do castigo, voltou da suspensão e...
–... O miserável do diretor vai deixar aquela... aquela terrorista participar no Concurso Musical!! – bufou Helena.
O queixo de Raven caiu tanto que a menina poderia engolir um celular inteiro.
Ela pôs as mãos na cabeça e olhou perdidamente para o prato.
– Primeiro o Chuchundra e agora isto... – todos seguraram o fôlego quando ela mencionou o nome de Chuchundra – bom, eu é que não vou ficar parada.
– Como assim, Ray? – indagou Josh, humildemente.
Ela o olhou de um jeito estranho.
– Eu preciso vencer esse Concurso.
– E você vai! – exclamou Mila – aquela oxigenada infeliz vai comer capim!
– Falando nisso, Josh – falou Helena, pensativa — já escolheu sua música individual?
Ah... – estranhamente, o rapaz corou e riu – ah, já.
– Qual é? – indagou Ginevra, curiosa.
– Ah, é uma surpresa – os olhos dele caíram inconscientemente em Raven.
Mila percebeu, deu um gemido e também riu.
– Ui, Ray – ela cochichou no ouvido de Raven – acho que o Josh tá armando uma bomba pra você. Uma bomba colossal.
Raven franziu as sobrancelhas, confusa.
– A gente tem que se organizar... o Concurso já começa amanhã e não aprontamos nada. Podíamos ir dormir na casa da Ray e arrumar tudo para amanhã.
– Boa ideia, Mila – disse Raven – puxa, gente... nem sei como agradecer por estarem me ajudando...
– Somos um por todos e todos por um – brincou Mila, levantando o braço como se empunhasse uma espada.
– Não olhem agora, gente... – gemeu Helena – mas a bruxa acabou de entrar.
Todos se viraram para a porta do refeitório. Lá estava Amanda, olhando na direção deles como quem vai cometer um assassinato.
– Por que ela tá olhando assim para a Mila? – perguntou Raven.
– Não é pra mim não, colega – o tom de Mila era de quem preferia o suicídio á ter que falar o que iria falar – ela está olhando pra você.
– É ótimo ter uma arquiinimiga na sua cola quando você quer dar a volta por cima – gemeu Raven com amargura.
– Nós vamos ensinar á essa garota qual é o lugar dela! – disse Mila, confiante – amanhã vai ser o dia. Você vai conseguir, Ray!
Por algum motivo, isso animou Raven.
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Os meninos passaram a tarde e a noite inteiros anteriores ao Concurso procurando, treinando, decorando e organizando músicas, coreografias e tons de canto.
Ginevra dava sugestões, Mila fiscalizava a coreografia e a música e Helena organizava tudo.
No ponto em que finalmente acabaram, já era madrugada e todos estavam exaustos, mas preparados como se tivessem treinado por meses.
Depois de uma curta manhã de sono, eles organizaram tudo que seria necessário e foram para a escola.
Helena esfregava os olhos com tanta força que parecia querer enfiar os dedos no cérebro
– Cara, se você errar um passinho sequer, eu vou pegar o cordão do violão e enforcar você com ele, Ray. Faça com que minha noite mal dormida tenha valido a pena, garota.
– Helena, dá um tempo – bufou Josh – você não foi a única que não pregou o olho a noite inteira. Dormi feito um morcego-vampiro.
– E eu dormi igualzinho á uma porcaria. Que ódio – bocejou Raven.
– Cara – gemeu Mila, ao olhar a quadra — transformada num tipo de anfiteatro, com palco, assentos e tudo.
– É. Dá medo sim – riu Ginevra.
– Cara – repetiu Mila.
– A gente tem que ir pra lá – falou Ginevra, indicando alguns assentos separados da plateia, aonde os cantores e dançarinos deveriam se sentar.
– Não – Helena balançou a cabeça – Raven e Josh precisam sentar lá. Nós não vamos participar. Não podemos sentar juntos.
– Ai, que bagaço! – Mila gemeu.
– Tudo bem, gente – disse Raven, sorrindo – vocês já fizeram mais do que deveriam. Agora é com a gente.
Os meninos então se separaram; Raven e Josh se sentaram no lugar que deviam sentar e as meninas se sentaram na plateia, ansiosas.
Josh afagou a mão de Raven.
– Nervosa?
– Um pouco – disse ela, dando um sorriso fraco.
– Tudo bem, Ray... a gente vai conseguir.
Ela encostou a cabeça no ombro dele.
– É o que eu espero.
A quadra foi se enchendo aos poucos; a maioria era dos alunos e professores espectadores.
Quando todos da plateia se sentaram, os participantes também começaram á se sentar.
Entre eles, estava Amanda e um menino loiro, de olhar nervoso, que a acompanhava, com a expressão de quem não sabia nem o que estava fazendo ali. Josh rosnou quando eles se sentaram na fileira de trás.
Todos ouviram com atenção a introdução do Concurso, e iniciaram-se assim as apresentações.
As primeiras apresentações de pares de dança foram um casal de garotos da sétima série, que dançaram ao som de uma música country tão rápida á ponto de deixar os juízes tontos; um par de garotos do terceiro ano que causou certo alarde ao dançar uma música de black music, e um casal do primeiro ano, que fez todos rirem quando a menina pisou sem querer no pé do rapaz e fez o garoto abrir uma expressão de quem queria morrer, enquanto dançavam uma música romântica.
– É a vez da Amanda – bufou Josh – é bem capaz de eu vomitar...
– Só falta a infeliz dançar melhor que a gente.
Josh lhe deu um sorriso confiante e carinhoso.
– Nem pensar, Ray. Nós vamos arrasar. Confie em mim.
A menina segurou a mão de Josh, um pouco mais tranquila, quando Amanda e o rapaz que a acompanhava foram para o palco.
Ambos começaram á dançar ao ritmo de uma música cujo inglês era tão ruim que Raven torceu o nariz.
Infelizmente, para compensar, a dança deles foi impecável.
Amanda lançou um olhar friíssimo para Raven quando voltou ao seu lugar, como se dissesse “quero ver você fazer melhor”.
Josh quase deu um tabefe em Amanda. Só não o fez porque Raven o arrastou junto de si para o palco, tremendo tanto de raiva e ansiedade que até uma gelatina pareceria mais firme do que ela.
– Agora – disse o coordenador — se apresentará o par composto de Raven Summer e Josh Santos, também da 2ª série G.
Mila, Ginevra e Helena bateram palmas vigorosamente e assobiaram; outros alunos aplaudiram educadamente, e uns poucos vaiaram baixinho, o suficiente para os professores não ouvirem.
– Tá tudo bem – disse Josh, segurando as mãos de Raven – é só não olhar pra ninguém. Só olhe pra mim.
A menina assentiu.
Quando finalmente se sentiu confiante o suficiente, deu o primeiro passo que iniciou a dança.
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