Coração Indomável
5 Capítulo 5
JACOB
Na sexta-feira recebi um telefonema de Bella me convidando para ir ao cinema. Era óbvio que fiquei todo animado.
Quando Bella me viu, encostado no capô do Rabbit em frente a sua casa, ela ficou toda surpresa e entusiasmada.
"Eu não acredito! Você conseguiu!" Ela me deu um abraço me parabenizando. "Você terminou o Rabbit?"
"Sim. Na noite passada. E parte disso é graças a você."
"Era o mínimo que eu devia fazer por você." Bella havia me dado uma das peças que faltava, como pagamento pelo conserto das motos e também como agradecimento pelo tempo que passamos juntos.
"Hoje é a viagem de inauguração", eu disse abrindo a porta do passageiro para ela.
No fim das contas, os amigos que ela havia convidado não apareceram, pois estavam com algum tipo de virose. Quer dizer, tinha um playboyzinho que resolveu aparecer. Eu não fui com a cara do tal Mike e o sentimento foi recíproco.
O filme era muito cheio de efeitos especiais e visuais um tanto exagerados. Gostei das partes de ação que incluíam velocidade em quatro rodas. Em vários momentos, minha mente viajava para a garota do meu lado. Eu queria poder tocar as suas mãos, mas senti que havia alguma barreira entre nós.
Na metade do filme, Mike passou mal e correu para o banheiro. Aproveitando-se da sua ausência, resolvi tomar um nova decisão que podia ser precipitada, mas eu tinha que arriscar.
Enquanto esperávamos pelo retorno do garoto, nós nos sentamos na escada próximo aos banheiros. Tentei pegar na mão de Bella, mas ela se afastou, ainda assim, eu não desisti, nossos olhos se encontraram e de novo vislumbrei olhos de agonia. Eu senti que era o momento certo para desabafar, precisava lhe dizer o quanto eu a amava, foi quando meu coração começou a bater irregular e senti minha pele aquecer.
"Me diz uma coisa, Bella..." Eu a puxei para mais perto. Eu precisava olhar no fundo dos seus olhos, não podia continuar sufocando meus sentimentos por ela. "Você gosta de mim, certo?"
"Você sabe que eu gosto." Havia sinceridade em suas palavras. "Eu não quero estragar as coisas entre a gente. Você é o meu melhor amigo." Isso me incomodou um pouco, mas eu sou persistente.
"É por causa dele, certo?" Ela tentou se afastar. "Tudo bem. Eu não vou desistir. Eu tenho bastante tempo."
"Você não devia perdê-lo comigo." Seu tom tinha uma pontada de incerteza.
Acho que ela me queria por perto, mas ao mesmo tempo sentia medo que eu também partisse o seu coração. Mas, eu queria ser o caminho para sua felicidade.
Eu apertei levemente sua pequena mão fria na minha. Fiquei fascinado pelo contraste das nossas peles. Sentia-me estranho, com muito calor, mesmo a noite sendo fria.
"Há algo que eu quero te dizer..." Nossos olhos estavam fixos um no outro. "Sei que você provavelmente está muito infeliz. Talvez, isso não ajude em nada, mas quero que saiba que sempre estarei aqui do seu lado. Eu nunca vou te decepcionar e jamais machucaria você, Bella. Confie em mim!"
"Uhhhh... eu acho que a nossa noite vai acabar aqui." Meu sangue ferveu ao ouvir a voz de Mike.
"Você tá doentinho?" Senti uma vontade voraz de atacar Mike, como se ele fosse um inimigo.
"Jake, fique calmo!", Bella disse nervosa, segurando a minha mão. “Espera, você tá queimando de febre." De repente era eu que estava me sentindo doente. Minha cabeça latejava como se fosse explodir.
"Eu preciso ir, Bella." Saí dali desesperado, sem nem me despedir direito.
Entrei no carro e dirigi desenfreado. A dor na minha cabeça era gritante, enquanto sentia o meu corpo se superaquecer. Cada célula do meu corpo doía e um tremor incontrolável me dominou.
Eu sai do carro cambaleando, meu coração batia num fluxo frenético, o sangue pulsava intensamente por todo meu corpo. O Fogo por dentro se tornou insuportável, ao passo que ia me embrenhando pela floresta. Podia sentir a força da magia correr pelas minhas veias. Então, assustadoramente, me vi sendo transformado num enorme lobo selvagem. O mesmo Lobo dos meus sonhos.
Consequentemente, sinto minhas patas tocarem a terra, a sensação é perturbadora e, ao mesmo tempo, incrível. Continuei correndo desenfreado, deixando a enorme criatura castanha avermelhada me dominar, até que minha mente é invadida por vozes conhecidas.
De repente eu não era mais um lobo solitário, pois em minha frente me deparo com outros quatro lobos de cores diferentes olhando para mim e, juntos, em coro uivamos para o céu estrelado.
"Merda! Isso não podia ser real...” Ali eu percebi o que havia acontecido comigo.
Como uma espécie de ritual, meus cabelos compridos foram cortados, no meu braço foi tatuado um símbolo tribal na forma de dois Lobos, que significava a marca da lealdade, fidelidade, coragem e equilíbrio entre o BEM e o MAL.
As lendas se tornaram reais. Nós somos lobos, os protetores de La Push, criados para matar vampiros — Os Frios, bebedores de sangue, que vem poluindo e destruindo o mundo e, agora querem invadir nossas terras. Eles tem se espalhados como pragas por onde passam, deixando um rastro de dor e morte.
No final me tornei aquilo que sempre temi: Sou o LOBO CASTANHO-AVERMELHADO, predestinado a ser o Alfa, o líder da matilha.
Eu escuto atentamente tudo o que eles dizem. Os Anciões me falam sobre as minhas responsabilidades, do quanto estou conectado à La Push. Billy parece fascinado e orgulhoso de mim.
"Fiquei sozinho na floresta vagando sem rumo, preso no corpo de um animal. Fiquei apavorado, minhas emoções chegaram ao extremo." Agora é a vez de Sam me ensinar tudo sobre os lobos.
Ele me contou que durante semanas, não podia falar e nem se aproximar de ninguém, porque era como uma granada prestes a explodir. Aos poucos foi aprendendo a assumir o controle sobre si. Até que começaram as próximas transformações de Jared, Paul, Embry e, enfim, chegou a minha vez. Logo, Quil também se juntará a nós.
"Droga! Eu não queria nada disso!” Agora estou constantemente com raiva.
"Ninguém queria isso, Black. Não temos escolha. É bom começar a aceitar isto", Paul diz petulante. Eu sinto uma vontade enlouquecida de atacá-lo. Nós trocamos olhares ameaçadores.
"Não. Lembrem-se: somos irmãos. Nossos inimigos estão lá fora, matando gente inocente" Sam disse tomando a postura de Alfa do bando. "Vamos descontar a nossa fúria, caçando sanguessugas!"
Então, vieram as primeiras patrulhas, nos dividimos em três turnos com dois ou três lobos. Mas, era complicado, pois os desaparecimentos foram aumentando.
"Aqui. Ela correu por aqui!", grita Sam.
Nós estamos no rastro de uma vampira ruiva que é muito veloz, mas meu lobo é invencível e eu estou quase a alcançando, só que num piscar de olhos ela some.
A maldita sanguessuga estava nos manipulando, criando rastros falsos e quando chegávamos perto, ela simplesmente se escondia nas sombras, esperando por uma nova presa. No entanto, uma hora seu jogo vai falhar e nós vamos pegá-la.
Contudo, quando o lobo saía de cena e dava lugar ao jovem Jake, eu me sentia um prisioneiro, tendo que lidar com as frustrações humanas. Não podia ir a escola, não podia falar com Quil, que se sentia traído por nós e ainda tinha a Leah que achava que Sam havia destruído minha mente.
"O que tá acontecendo com você? Isso não é normal! Aonde foi parar o bom Jake?" Ela havia puxado meu braço, me forçando a encará-la.
"Deve ter ido parar no mesmo lugar onde está a velha Leah!", respondi asperamente.
"Jake, não me trate como se eu fosse a sua inimiga. É culpa do Sam, né? Ele fez alguma coisa com você." Ela tentava se aproximar de mim, só que no fim sempre acabávamos num confronto.
"Esquece, Leah! Isso não é problema seu." Dei as costas para ela e tentei seguir o meu rumo.
"Jake, olha pra mim!" A garota teimosa parou na minha frente.
"Saia! Eu falei pra você me deixar em paz!" Agarrei seus braços, sem medir a minha força.
"Me solta! Você tá me... me machucando!" Sua voz saiu trêmula e seus olhos refletiam medo e, talvez... decepção.
"Me desculpa!" Imediatamente, me senti culpado e assustado com a minha própria atitude.
"O que tá acontecendo com você. Eu nem te reconheço mais." Leah me dá um último olhar magoado e vai embora.
Depois daquela discussão, eu fugi para a floresta e deixei o lobo me dominar. Sai correndo sem rumo, até que minha mente era preenchida por lembranças de Bella e seus olhos castanhos chocolate. Pensar nela parecia me acalmar.
"Jake, vamos! Há um outro vampiro na direção da clareira." Meus pensamentos são interrompidos pela voz de Sam.
"Ele é o parceiro da ruiva.", grita Paul que já está no encalço do tal vampiro.
Logo me junto com eles, numa corrida frenética, desviando das árvores e indo rumo a clareira. Quanto mais me aproximo, mais sinto o cheiro doce e nojento que faz minhas narinas arder. Sam chega primeiro e salta na direção do sanguessuga que contra-ataca, jogando o lobo negro no chão e foge.
De repente, sinto um cheiro de morangos no ar, era de Bella que estava lá nos assistindo com um olhar aterrorizado. Eu respirei fundo e retornei a perseguição. O vampiro logo é encurralado, seu corpo é dilacerado membro por membro e depois o jogamos para queimar na fogueira.
Eu permaneço em silêncio, apenas observando as chamas e pensando em Bella. Naquela mesma noite, decidi desobedecer a ordem do Alfa e fui visitá-la. Entrei pela janela do quarto dela e quando nossos olhos se reencontraram, vi o estrago que causei. Seus olhos estavam avermelhados e inchados de chorar.
Eu quebrei a minha promessa de nunca machucá-la e, no entanto, fui obrigado a abandoná-la por causa dessa coisa de ser o Protetor de La Push. Isso não era justo.
"Sinto muito, Bella. Me perdoe!" A puxei para os meus braços. Seu corpo parecia tão frágil junto ao meu, minhas mãos deslizaram pelo seu cabelo comprido, sentindo o cheiro do seu shampoo de morango e isso me acalmou.
Eu estava tão preso a um segredo que não era só meu, queria poder dividir com ela, mas não podia.
"Durma bem, Bells. Amanhã é outro dia. Talvez, as coisas mudem. Boa noite!", sussurrei em seu ouvido e lhe beijei a testa, antes de ser forçado a retornar para a escuridão da floresta.
Quando retornei para a reserva, descobri que Quil havia se transformado em lobo e quase atacou o avô. Por sorte Embry apareceu na hora e impediu uma desgraça.
As próximas horas, passamos a ensiná-lo a como se concentrar e ter controle sobre sua transformação. Agora ele era um de nós e precisava aceitar o seu novo destino.
Quando retornei para a casa só lembro de me jogar na cama e só acordar no dia seguinte, ao som da voz alterada de Bella que estava discutindo com o cara mais volátil da matilha.
Tudo aconteceu muito rápido, num instante, Bella perde a razão e dá um tapa na cara de Paul que perde o controle e se transforma no enorme lobo prata escuro. Ao presenciar aquela cena sem pestanejar, eu pulo pela janela e corro na direção de Bella.
"Jake, foge!", Bella grita e logo eu também me transformo no lobo castanho-avermelhado bem na sua frente.
"Você contou pra a adoradora de sanguessuga o nosso segredo? Seu traidor!", o lobo prata escuro rosna para mim com seus dentes afiados e, em seguida, me ataca. Nós entramos numa luta feroz, onde ninguém quer ceder.
"Você é um idiota cabeça quente! Poderia ter a machucado!"
"Você não sabe seguir regras? Ela é mais importante que a nossa tribo?"
"Cala boca!" Nossos corpos se chocam, causando vários estrondos pela floresta.
"Já chega!" Sam nos interrompe dando o comando alfa e nos forçando a parar com aquela briga. "Bella está com a Emily, vá falar com ela. Agora não há nada mais a esconder."
"Sam, ela não é uma ameaça. Só deve estar confusa e assustada." Eu já havia voltado a forma humana. Por sorte Quil trouxe minhas roupas.
"A questão não é essa. O problema é você ser imprudente e egoísta. Está nos expondo e colocando ela em perigo."
Sam tinha muita preocupação com todos nós. O Alfa é o exemplo do que pode acontecer quando perdemos o controle. Ele machucou a Emily sem querer e, como consequência disso, agora ela exibe uma cicatriz feia no seu belo rosto, por isso o lobo preto nunca irá se perdoar.
"Tudo bem. Eu vou falar com a Bella. Vocês não precisam se preocupar", eu digo olhando diretamente para Paul.
Depois de toda confusão com Paul, eu consegui esclarecer e resolver as coisas com a Bella. No começo ela achou que nós fôssemos os responsáveis pelas mortes na região, mais depois entendeu que somos os Protetores e que só caçamos vampiros.
Bella me revelou sobre a vampira ruiva que se chamava Victoria e que queria matá-la para se vingar de Edward Cullen.
Como pode o cara deixá-la desprotegida, sabendo que ela estava sendo caçada por uma vampira vingativa?!
Com essa nova informação em mãos, nossas patrulhas também passaram a incluir a casa do Xerife Swan. Nós sempre estávamos em alerta, cuidando dela e de Charlie. E ela também passou a frequentar, constantemente, a nossa tribo.
A matilha costumava chamá-la de "A Garota dos Vampiros", mas ela levava tudo na esportiva. No entanto, Paul parecia deixar bem claro que ainda não confiava nela.
No meio de todo esse tumulto, os momentos com Bella é o que me traziam um pouco de paz. Não haviam mais segredos entre a gente e tudo parecia quase perfeito.
LEAH
Quanto mais o tempo passava, mais as coisas mudavam e tudo parecia mais sombrio. Emily estava estranha e começou a se afastar de mim. Jake também havia mudado, assim como o... idiota do meu ex. Agora eles faziam parte do mesmo Bando.
A partir dali tudo foi só ladeira a baixo, a começar por Emily que havia sido internada às pressas. Segundo meu pai, ela foi atacada por um urso.
No dia seguinte, quando fui visitá-la no hospital de Forks e para a minha surpresa, me deparei com a minha prima chorando nos braços do meu... ex-noivo.
"Sam, eu não...", ela falava com dificuldade. Seu rosto estava coberto com ataduras. "Eu tô bem. O importante é que você está aqui... comigo."
"Eu te juro que nunca mais irei machucá-la. Eu te amo!” Ao ouvir Sam se declarar para a minha prima, meu mundo caiu.
Então, eu presenciei o meu ex-noivo beijando os lábios de outra mulher. Ele beijou a Emily, minha prima e amiga. Um beijo de verdade, cheio de amor e intimidade. E aquela cena me embrulhou o estômago.
Resolvi ir embora sem confrontá-los e sem que o novo casalzinho me visse. Me sentia tão traída pelas pessoas que eu mais amava. Naquele momento, senti vontade de fugir para bem longe de La Push e nunca mais voltar.
A minha chance surgiu dias depois, com a Universidade de Seattle. As malas até já estavam prontas e minha mãe havia me ajudado a organizar tudo. Aliás, Sue sempre estava me ajudando e fazendo planos comigo, o que amenizava um pouco a solidão. Se eu estava triste e distante, ela sempre me acolhia em seus braços e nunca ficava me pressionando.
Às vezes, eu sentia vontade de contar sobre a traição de Emily e Sam e sei que minha mãe iria tomar as minhas dores. Mas ai me lembrava que meu pai sabia sobre os dois e escondeu isso de mim, o que tornava isso também uma traição. Por este motivo continuei sofrendo calada, porque não queria estragar o casamento dos meus pais.
Eu fui tentando sufocar esses sentimentos até que chegou uma hora que não dava mais. E, naquele dia, já acordei me sentindo estranha e tudo só piora quando Seth resolveu me provocar.
Nós começamos a gritar um com o outro e, de repente, estávamos lutando no chão. Tentei tirá-lo de cima de mim, porém o garoto conseguia ser mais forte e continuou apertando os meus braços e me mantendo imobilizada. Por sorte meu pai apareceu e puxou ele de cima de mim.
Eu não conseguia mais ficar dentro daquele casa, então, fui até a garagem e peguei a bicicleta de Seth, ignorando os chamados do meu pai.
“Leah, espera!”
"Vá se ferrar!", eu gritei enfurecida e sai pedalando meio sem rumo.
De repente sinto uma nova pontada no peito, como se uma faca tivesse sido cravada em mim. A dor é tão grande que me faz perder o controle da bicicleta e eu acabo caindo.
Estou com o joelho esfolado, com a minha calça nova rasgada, sentada na beira da estrada, chorando como um bebê e me odiando por me sentir assim tão vulnerável.
Eu decido enxugar as minhas lágrimas, depois respiro fundo, tentando me livrar do nó que se formou na minha garganta.
“Lee!” Ouço a voz de Jacob Black me chamando.
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