Notas iniciais
Olá pessoal me desculpem pela demora. Eu ainda tô caminhando com essa reta final a passos lentos, mas tô otimista que vou conseguir conclui-la. Eu devo isso a galera q ainda continua aí firme e forte, ansiosos pra o final dessa história. Apesar da demora eterna acredito q esse capítulo vai fazer valer a pena. Então, tenham uma boa leitura!

Coração Indomável

Capítulo 26

Uma semana e meia se passou e as coisas aparentemente pareciam tranquilas em La Push, então, pude continuar fingindo que estava tudo bem e ignorando a minha consciência pesada por ter decepcionado novamente meu pai e magoado a minha irmã. Consequentemente, nesses últimos dias, tenho evitado de pisar em minha casa.

"Droga! Quando foi que me tornei esse cara tão covarde?" Parece que no fim, estou afastando todo mundo de perto de mim e me tornando alguém solitário que vai passar a discutir com a sua própria consciência. Enquanto eu estava jogado no sofá da sala do meu apartamento, sendo dominado por todos esses pensamentos frustrantes, meu celular começou a tocar, incansavelmente. Só resolvi atender porque algo me dizia que a ligação era urgente. Assim que atendi, fui surpreendido pela voz super alterada de Embry, praticamente, me ordenando que comparecesse o mais rápido possível na reserva.

"Tudo bem, cara! Eu já chego!" Gritei de volta. Às vezes, acho que esqueciam quem era o líder deles.

A única forma de fazer o trajeto, rapidamente, sem chamar atenção era usar a rota clandestina, ou como costumávamos dizer — usar a rota sobrenatural que consistia em correr para a Floresta que ficava aos arredores do prédio onde eu morava. O lugar era bem preservado e seguro, por isso escolhemos estrategicamente morar por aquela região que tinha um enorme espaço verde e havia se tornado o nosso caminho alternativo. Depois de me transformar no lobo castanho-avermelhado corri, freneticamente, à medida que o animal dentro de mim parecia radiante e imparável. Um Alfa que se sentia orgulhoso e livre e a sensação era tão maravilhosa e libertadora mesmo. E, por alguns instantes, minha mente pareceu relaxar, o homem e o animal estavam em equilíbrio e tudo fluiu naturalmente. Porém, aquele momento de Liberdade e calmaria não durou muito, pois logo eu me vi chegando na reserva e me deparando com os conflitos internos da minha alcateia.

"Qual é o real problema aqui?!"

"São os lobos mais jovens... Ou melhor, os que não tiveram imprinting (AINDA) e acham que podem desafiar as leis da tribo e que isso não trará consequências."

"Espera! Quando foi que qualquer um de nós desrespeitou as leis da tribo?"

"Também gostaria de saber. Que dizer, desde a nossa adolescência tudo o que temos feito é proteger a tribo. Nós colocamos a nossa vida em risco várias vezes pela tribo."

"E pela tribo fomos obrigados a abrir mão ou adiar todos os nossos planos e sonhos. Mas, então, isso ainda não é suficiente?!"

"Do jeito que vocês estão falando, é como se sermos os protetores de La Push, fosse um peso morto." Argumentou Sam do jeito mais ponderado possível.

"E é..." Falaram em uníssono Embry, Seth e Mack (o lobo mais novo da alcateia).

"É um peso morto." Continuou Embry se mostrando bastante exausto da situação. "E vai continuar sendo, enquanto fomos forçados a ter as nossas vidas estagnadas no tempo, sem podermos fazer as escolhas que queremos."

"Sem contar que já faz 12 anos desde o último imprinting." Continuou Mack olhando diretamente para mim.

De fato eu fui o último lobo a sofrer um Imprinting. O último lobo a ter seu destino amarrado com um outro alguém... Não qualquer alguém, mas uma criatura especial e que ainda era uma grande incógnita para a tribo e para mim. Entretanto, ninguém, nem mesmo os Anciões, resolveram questionar as decisões impostas pelos Espíritos Guerreiros que decidiram que a Nessie se tornaria a minha alma gêmea.

"A MINHA ALMA GÊMEA?!" Toda vez que me pegava pensando sobre isso, sempre voltava a me sentir estranho, como se o meu destino estivesse sendo traçado todo errado. E toda vez que pensava sobre a existência de uma alma gêmea, sempre me via pensando que, talvez... Apenas, talvez, os Espíritos Guerreiros se enganaram e que a minha Verdadeira Alma Gêmea estava perdida em algum lugar, tentando me encontrar. E toda vez, a imagem de uma certa loba cinza cruzava a minha mente.

Rapidamente, tentei me livrar de tais pensamentos traiçoeiros que só serviam pra me atormentar e retornei a focar na discussão que ainda estava se desenrolando dentro da casa de Sam.

"Então, segundo as leis, ainda teremos que ficar aqui sentados, por sabe se lá quantos anos mais, a espera que algo aconteça... Pra poder definir as nossas vidas?"

"Não, claro que não!" Tentei interferir, mas antes que continuasse meu argumento, outro lobo decidiu se manifestar.

"É só vocês não se envolverem com nenhuma garota que é o imprinting de um dos lobos aqui." Paul decidiu abrir a boca só pra provocar Seth, mas sua provocação acabou afetando o novato que ainda tinha dificuldades para controlar sua fúria. A situação de Mack era muito semelhante ao de Seth, pois ele também acabou se envolvendo com uma das garotas que era o imprinting de um dos lobos. Mack gostava de Claire e ambos se conheciam desde criança, ele era um ano mais velho que ela, frequentava a mesma escola e, acima de tudo, eram muito amigos. Então, era natural que os dois adolescentes acabassem se gostando e, talvez, até querendo namorar. Entretanto, havia um obstáculo nessa história — Quil bancando o irmão mais velho e ciumento.

Meu primo queria que eu usasse a ordem Alfa para afastar o garoto de Claire, só que eu sabia que isso seria um grande erro. Diante de toda aquela situação desconfortável, tomei a única decisão plausível e correta que poderia tomar. Decidi não interferir com a vida pessoal de nenhum dos lobos. Não éramos mais crianças, nem adolescentes, éramos adultos que tinham que enfrentar a realidade. A partir de agora, cada um seria responsável por suas escolhas e teriam que aguentar as consequências disso.

"Claire precisa que você seja um amigo que ela possa confiar. Se continuar agindo assim, você vai só afasta-la e perdê-la."

"Como assim perdê-la?"

"O que o Jake tá querendo dizer..." Disse Sam resolvendo responder aquela pergunta do jeito mais direto possível. "Que se você continuar pressionando e não dando espaço para Claire, ela vai acabar indo morar com os avós."

"O quê?! Não. Ela não pode ir morar com eles."

"Então, não a force a tomar essa decisão. Deixe ela se sentir livre pra viver as alegrias e decepções da vida de um adolescente." Enfatizei sabendo bem como lidar com essa situação. "Aprenda a ceder também, Quil."

"E se essa sua atitude prejudicar a alcateia?" Questionou Jared que até, então, estava se mantendo calado, embora por dentro eu podia perceber o quanto irritado ele estava, sobretudo, pelos olhares hostis que trocava com Seth.

"O Alfa tem razão. Acho que tirando o Mack, todos nós aqui somos homens o suficiente pra nos responsabilizarmos por nossas escolhas." Sentenciou Seth. "Eu pelo menos sou homem o suficiente pra assumir os meus erros e tomar minhas próprias decisões. Por isso..." Havia um tom desanimado em como ele falava, ao mesmo tempo, em que parecia muito convicto. "Eu decidi terminar tudo com Kim." Por um instante, vi Jared sorrir presunçoso. "Ela merece um cara melhor do que eu ou... Jared." Porém, seu sorriso presunçoso logo se desfez e ele tentou atacar meu Beta, no entanto, eu me coloquei na sua frente o impedindo. "Mas, você pode tentar Jared. Só pra no final descobrir que eu nunca fui um obstáculo entre vocês. O obstáculo sempre foi você mesmo." Diante daquela verdade cruel, tudo o que Cameron pode fazer era bufar.

***/ /***

Por fim a reunião acabou e os lobos foram seguindo seus próprios rumos, com exceção de Seth, Quil e Embry que escolhi para patrulharem comigo. Minha ideia era fazê-los gastar um pouco de energia fazendo algo mais útil do que viverem brigando entre si, ao mesmo tempo em que eu tentava reacender os velhos tempos, quando nos víamos como amigos e irmãos e corríamos pela Península Olímpica em forma de lobos, caçando vampiros ou, simplesmente, corríamos por mera diversão.

Depois de horas vagando pela floresta, decidimos fazer uma pausa pra descansar. Encontramos a Clareira onde tantas vezes nos reuníamos para queimar vampiros, ou pra planejar e se preparar para uma guerra, como por exemplo, na época em que se aliamos aos Cullens a fim de enfrentar os recém-nascidos. Esse lugar havia marcado muito as nossas vidas no passado.

"Cara, por que você nos trouxe aqui?"

"Vamos acampar por aqui como nos velhos tempos." Pedi pra eles montarem uma fogueira enquanto eu sumia por um minuto.

"O que você tá fazendo, cara?" Eles ficaram bastante surpresos quando reapareci trazendo comigo uma mochila com garrafas de cerveja e marshmallows para assar no fogo.

"Isso é sério?" Eles pareciam meio descrentes.

"E por que você trouxe só nós três?" Quil continuou a indagar enquanto abria uma das garrafas e rapidamente bebericava um pouco da bebida.

"Por que vocês são os meus melhores amigos. As pessoas que eu mais confio. E eu sinto falta de sermos os três mosqueteiros." Enfatizei fazendo Embry e Quil trocaram olhares em reconhecimento. "E Seth, você sempre foi como um irmão caçula pra mim. E quando me tornei Alfa e quase entrei numa guerra sozinho contra o bando, você ficou do meu lado sem hesitar."

"Pensei que você ia dizer que eu era o D'Artagnan." Seu comentário nos fez rir. Como não tínhamos espadas, erguemos as nossas garrafas de cerveja e brindamos. A noite já havia caído e tinha um grande luar iluminando o céu. Passamos a beber e assar nossos marshmallows enquanto contávamos histórias e piadas idiotas e, de vez enquanto, nos provocávamos.

"Olha só pra vocês, reclamando da falta de ação e não sabem a loucura que é trabalhar na delegacia de Forks." Seth havia se tornado policial como o seu pai e o seu padrasto. "Às vezes, tem cada caso horrível que cai nas nossas mãos. É quando me dou conta que os monstros não nascem do nosso mundo sobrenatural. Os monstros reais, já existem no mundo dos humanos." Nós paramos para pensar sobre o que ele havia desabafado. E o mais perturbador de tudo, era constatar que o filho de Sue tinha razão.

"Se você tiver precisando de alguma ajuda, na falta de caçar vampiros podíamos caçar pedófilos, estupradores, assassinos e corruptos." Sibilou Embry parecendo empolgado com a ideia.

"Não é uma ideia ruim. Talvez, devemos nos tornar os justiceiros de Forks." Falei ganhando apoio dos outros três.

"Espera! Isso quer dizer que nos tornaríamos, literalmente, os Três Mosqueteiros do século 21!" Exclamou Quil fazendo uma falsa cara de choque.

"Harry estaria muito orgulhoso de você, Seth." Tirei um tempo para elogiar o bom policial que ele havia se tornado. E eu sabia que tio Harry; onde quer que estivesse; estaria feliz pelo filho seguir seus passos e continuar sendo um jovem honrado e corajoso.

"Obrigado." Ele pareceu tímido com o meu elogio. "Mas, não sou tão incrível assim. Se há uma pessoa que é digna de muito orgulho e respeito é... Leah." Ouvir o nome dela me afetou. Imediatamente, senti meu coração bater mais forte. "Sabe ela teve que sair daqui daquele jeito tão cruel e ir aprender a sobreviver sozinha lá fora. Viver sozinha em outro país, com uma outra cultura. E mesmo sozinha e sem muitos recursos, ela conseguiu se reerguer. Achou um lugar pra transformar em casa, entrou pra Universidade. E hoje ela é uma grande médica, que doa a maior parte do seu tempo em trabalhos humanitários." Eu já havia ouvido tudo isso da boca de Sue e também de Rachel. Sabia que ela trabalhava ajudando a população mais humilde e também tribos indígenas na América do Sul.

"Uau. Você tem razão Seth. Tua irmã é foda." Quil me surpreendeu ao falar da Leah com certo orgulho e até saudosismo. "Ela agitava esse grupo e era verdadeiramente a beleza do bando." Depois, meu primo parou de falar e olhou pra mim como se tivesse esperando que eu falasse algo. Desviei meu olhar para a fogueira e tentei me distrair com um dos espetinhos de marshmallow quase queimado.

"Eu sinto muito falta dela!" Embry se atreveu a dizer. "Acho que não sou só eu." Fiquei tão tenso na hora que ele disse isso. "Acho que todos nós sentimos falta dela."

Sim, eu sentia a falta dela todos os dias... Durantes esses 12 anos longe dela, não houve um dia ou minuto da minha vida que eu não pensasse nela. Que eu não ficasse pensando se Leah estava bem e segura. Se ela estava feliz longe daqui. Mas, quando pensava sobre isso, sentia culpa e dor, porque no fundo Jacob Black tinha medo de um dia saber que Leah Clearwater tinha conhecido alguém, se apaixonado e hoje já estivesse casada e tivesse filhos. Ou seja, Leah poderia ter seguido em frente sem mim em sua vida. A simples ideia disso, era assustadora.

"Ainda acho que um dia... Ela irá voltar!" Eu tomei coragem pra dizer isto em voz alta. "Leah precisa retornar para tomar o seu lugar de direito." Me vi dizendo aquilo, sem nem saber bem o porquê.

"O que você quer dizer com isso?" Seth me questionou confuso.

"Eu... Eu não sei." Houve um minuto de silêncio, até que alguém resolveu mudar o assunto e aliviar a situação.

"O que a gente precisa de verdade é arrancar a cabeça de alguns sanguessugas. Sinto que o meu lobo deseja muito isso."

"Ah, eu tenho uma ideia!" Embry falou animado. "Por que não chamamos os Cullens?" Todo mundo colocou uma cara séria que não durou muito, no segundo seguinte, já estávamos caindo na gargalhada. "Eu só salvaria a Rosaline por causa daqueles cabelos loiros sedosos que ela tem." Ele falou meio que imitando a vampira Barbie.

"O primeiro vai ser o Emmett." Eu disse me lembrando o quanto o vampiro grandalhão me irritava.

"Concordo plenamente. Eu desmembraria com muito prazer cada pedaço dele." Quil colocou uma expressão insana no rosto que nos fez rir ainda mais.

"Eu não sabia que vocês eram tão sádicos." Brincou Seth. "Talvez, eu deveria prende-los por conspirarem contra aquela pobre família." Continuou a ironizar, o que nos fez rir ainda mais.

"Oh Sargento, você disse Pobre Família?!" Indaguei sarcástico. "Eles tão mais pra Podres de Ricos."

"Pobres somos nós meros mortais." Se não fôssemos imunes ao álcool, poderíamos dizer que cada bobagem que saía de nossas bocas era tudo culpa da cerveja.

Entre conversas e algumas brincadeiras, entre cervejas e espetinhos de marshmallows, acabamos deixando o cansaço ir nos vencendo e, logo, caímos no sono profundo.

***/ /***

"Jacob. Jacob. Jacob!" Despertei meio desorientado, ouvindo o meu nome ser chamado, desesperadamente. Olhei a minha volta percebendo que os garotos continuavam dormindo imperturbáveis e a fogueira já havia se apagado. Por algum motivo estranho, senti um pressentimento ruim, um calafrio que percorreu meu corpo. A floresta também parecia meio inquieta.

"Jacob! Jacob! Jacob!" Me levantei e comecei a seguir o som daquela voz que parecia feminina. O chamado vinha de longe e a princípio demorei para identificar de quem poderia ser aquela voz. Conforme fui me embrenhando sozinho pela floresta, percebi os sons de gritos agoniados e furiosos de várias pessoas. De repente vi uma névoa cobrindo tudo... Ou seria fumaça? Sim, logo, percebi que a névoa na verdade era fumaça, muita fumaça que se espalhou por todo o lugar. O cheiro era forte, sufocante quase impossível de respirar e havia muito calor, o chão sob meus pés estava queimando. Nesse momento, vislumbrei animais selvagens correndo tentando fugir. Enormes troncos de árvores estavam pegando fogo e começaram a cair, tive que desviar de forma súbita de um deles que quase caiu sobre mim. Aliás, parei para tentar ajudar um felino que havia ficado preso por um desses troncos. O felino parecia uma onça-pintada, um bicho que não era típico dessa região. Ela pulou sobre mim e me arranhou antes de desaparecer pela mata em chamas.

O estranho é que comecei a reparar que aqueles animais e a vegetação ao meu redor parecia muito diferente da floresta que existia em Washington. Tudo começou a ficar diferente. Muito diferente. A fumaça e fogo continuou a me seguir enquanto continuava correndo, desenfreadamente, por um lugar que foi se mostrando cada vez mais irreconhecível e perigoso. Os gritos foram se tornando mais assustadores e agoniantes que me deixaram meio tonto.

"Jacob. Jacob. Jacob!" A única coisa que me guiava no meio daquele caos era a voz feminina. Meus olhos começaram a arder e lacrimejar, mesmo assim me mantive firme sem parar. Até que os gritos das pessoas foi silenciado e eu me vi tropeçando em vários cadáveres humanos que foram deixados pelo caminho. Eles eram índios de uma tribo que eu nunca havia conhecido.

"Meu Deus, o que foi que aconteceu aqui." Havia um rastro de destruição e morte.

"Jacob. Jacob!" A voz agora estava mais perto e parecia tão cheio de súplica. Entretanto, o que mais me assustou naquele momento, foi reconhecer a quem a voz feminina pertencia.

"Leahhhh! Leah, cadê você?! Me diz onde você está?"Passei a gritar o seu nome o mais alto possível. E, mesmo no meio daquela fumaça e daquele calor infernal, eu consegui vislumbra-la se arrastando no chão tentando se proteger de vários vultos que surgiam, tenebrosamente, ao redor dela, impedindo-a de fugir. "Leah!" Chamei novamente o nome dela e comecei a tentar correr em sua direção. Ela parecia tão real com seus cabelos mais longos, seu olhar feroz e sua postura de guerreira. Porém, ela parecia não poder me ouvir. Em seguida, ela se transforma na loba cinza e passa a lutar ferozmente contra aqueles vultos vestidos com seus mantos pretos e vermelhos. Eles eram vampiros, cinco sanguessugas malditos lutando contra uma única loba. Uma luta injusta e brutal. Tentei chegar até a jovem índia, mas meus esforços, logo, se tornam em vão quando mãos ríspidas me arrastam para longe dela.

"Leahhhh..." Grito mais uma vez seu nome, porém de nada adianta. Só posso assistir ela ser dominada por aqueles malditos sanguessugas. "Me soltem! Eles vão mata-la!" Eu grito em angústia.

"Jake se acalma!" Seth grita comigo para que eu pare de me debater. E quando paro, percebo que estou diante de três rostos com expressões igualmente chocadas e confusas. "Não há nenhum fogo aqui e nem sanguessuga." Desvio o olhar para atrás deles, em busca de encontrá-la, mas só ganho um choque de realidade ao perceber que não havia vestígio dela ali.

"Mas, eles estavam aqui... Lutando contra ela." Eu digo ainda sob efeito daquela alucinação.

"Ela quem?"

"A Leah! Ela tava lutando sozinha contra... Contra..." Eu estou ofegante. Posso sentir o meu peito subir e descer e meu coração bater desenfreado pela adrenalina e pelo próprio medo. "Eu a vi e ela tava bem aqui. E..." De repente paro e me dou conta de uma coisa muito terrível. "Eles vestiam um manto preto e vermelho." Falei fracamente ao me lembrar de um quadro que havia visto na casa dos Cullens. "Os Volturis... Era contra eles que Leah estava lutando. Os Volturis!"

"Você tá começando a me assustar." Seth começou a me dar as costas decidido a voltar pra sua casa. "Foi uma péssima ideia ter vindo com você!"

"Quando foi a última vez que você ou Sue falou com ela?" Joguei Seth contra um tronco de árvore e o segurei pelo colarinho de sua camisa o impedindo de sair, enquanto Quil e Embry tentavam me puxar de cima dele.

"Jake o que é isso?" Assim que Quil e Embry conseguiram me puxar pra longe de Seth, um deles percebeu a marca de arranhado em meu braço. Marca perfeita de unhas de um felino enorme.

"Foi uma onça." A marca era uma das provas de que aquilo tinha sido real.

"Mas isso é impossível! Onças não existem por estas bandas."

"Vocês conseguem sentir o cheiro de fumaça aqui também?" Perguntei cortando os argumentos de Quil. O cheiro era real, a marca da onça em meu braço era real, até a sola de meus pés que estavam em carne viva era real. Provas suficiente pra pelo menos fazê-los ficar em dúvida. Os três se entreolharam perplexos.

"Talvez, isso seja uma mera alucinação." Um deles continuou a afirmar.

"Eu vou provar que não estou ficando louco." Nesse momento, já estávamos correndo de volta para reserva.

***/ /***

Seth não conseguiu falar com a irmã. O telefone só dava na caixa postal. Depois decidimos ir até Sue na esperança de termos uma boa informação. Só que seu filho optou por não expor as nossas preocupações para não assusta-la. A esposa de Charlie ficou carrancuda ao revelar que fazia uns três dias que não conseguia falar com a filha. Mas, que esse tipo de demora pra se comunicarem era normal, pois Leah às vezes fazia algumas missões ou trabalhos longe da cidade e de conexões de internet e telefone.

"A gente tem que ir, agora!" Falei praticamente usando meu tom Alfa. Neste exato momento, meu celular tocou. Na tela marcava o número de Carlisle. "Eu prometo que vou trazer Leah de volta pra casa." Sussurrei no ouvido de Sue ao me despedir dela.

Rapidamente, eu e os outros três lobos nos dirigimos até a mansão dos Cullens onde Carlisle, Emmett e Esme já nos esperava. Me sentia tenso porque não queria me cruzar nem com Nessie e nem com a Bella. Queria focar toda a minha atenção somente naquilo que importava e, por isso sabia que ambas só acabariam tentando me atrapalhar. No entanto, fiquei aliviado ao ver que Bella não estava, assim como Nessie que já havia retornado a Seattle.

"Recebi uma ligação de Alice hoje de manhã que me deixou muito preocupado." Disse Carlisle com seu rosto sempre inexpressivo. "E..."

"Já sei o que você irá falar." O cortei ansioso demais. "Alice teve uma nova visão do futuro, não é? Uma visão de uma guerra que, dessa vez, não poderemos impedir." Assim que pronunciei aquelas frases, os três Cullens trocaram olhares que reconheci como olhares aflitos.

"Como você sabe disso?" Carlisle perguntou ainda muito hesitante.

"Digamos que, talvez, Alice não seja a única a prever o futuro." Constatei que os três lobos ao meu lado, que antes estavam céticos, agora se arrepiaram de medo ao ouvir minhas palavras.

"Achamos que ao longo desse tempo que Alice, Edward e Jasper estivessem trabalhando para os Volturis, estaríamos livres de uma guerra. Mas, só nos enganamos." A voz de Esme sempre melosa e gentil, escondia um tom de medo e incerteza. "É como se todo o sacrifício deles, tivesse sido em vão."

Algo me dizia que não foi só os três filhos dela que haviam se sacrificado nessa história. Havia mais gente envolvida nisso, gente como a Leah. Ao pensar sobre isto, me vi erguendo os meus olhos para uma das paredes da sala onde se encontrava um enorme quadro antigo da época em que Carlisle viveu ao lado dos vampiros italianos. O destaque daquele quadro não era realmente o patriarca dos Cullens, senão os três irmãos que dividiam a liderança dos Volturis. Um deles foi o que mais me chamou a atenção – O de cabelos brancos compridos também vestido em trajes de época.

"O que mais a Alice disse?" Questionou Embry.

"Que dessa vez, será impossível impedir esta guerra. E não só isso. O motivo desta guerra também mudou."

"Como assim Carlisle?"

"Antes o motivo era Nessie." Seus filhos, ao longo desses 10 anos, haviam se tornado uma espécie de agentes duplos que trabalhavam para aqueles sanguessugas europeus, ao mesmo tempo em que nos mantinham informados sobre qualquer mudança de atitude deles. Era assim que Edward achava que conseguiria nos proteger, bem como proteger a sua filha. "A guerra é sobre uma disputa de poder entre irmãos. Uma briga entre Aro e Caius pra ver quem terá o poder absoluto e assumirá o trono sozinho."

"Então, isso não deveria ser problema nosso. Que dizer, se a briga é pessoal, por que deveríamos nos preocupar?" Questionou Quil.

"Cara, você ainda não entendeu." Disse Emmett. "Mesmo que a briga seja entre Aro e Caius, qualquer outro vampiro acabará ficando no meio do fogo cruzado entre eles. E eles vão nos forçar a escolher um lado." Pelo o que os três vampiros estavam explicando, a visão de Alice mostrava que o nosso grupo teria que escolher um lado para lutar na possível guerra. A parte que mais complicava, era saber qual lado seria o correto para lutar. Qual lado venceria.

"Mas, por que esses dois irmãos entrariam em guerra contra o outro?" Seth indagou demonstrando estar ainda muito receoso com tudo.

"Alice ainda não conseguiu descobrir qual é o motivo. A única coisa que sabe é que o motivo está no Brasil. A peça chave de tudo está lá. E ela está ligada a Caius." Suas palavras me deixaram ainda mais inquieto e com raiva, porque eu só conseguia pensar em Leah acabando presa no meio disso. Olhei para os três lobos e eles também possuíam a mesma carranca no rosto.

"O que me preocupa é que Edward foi enviado com a Guarda Vulturi para o Brasil." Continuou explicando Esme.

"Espera, isso é ótimo!" Exclamou Emmett parecendo muito animado com a ideia. "Ele vai tentar descobrir que segredo é esse e usá-lo a nosso favor, certo?"

"Eu sei que Alice parecia com muito medo do futuro que ela viu. Um futuro onde seríamos forçados a lutar... em lados opostos." Depois de Carlisle jogar essa bomba na nossa cara, o grupo se silenciou, brevemente, refletindo sobre toda a situação caótica que, logo, enfrentaríamos. Naquele instante, sai de perto deles e parei diante do quadro da realeza Volturi.

"Quem é o cara de cabelos brancos?" Fiz um gesto na direção do quadro quando Carlisle veio parar ao meu lado.

"Seu nome é Caius. O irmão no centro é Aro. E o do canto esquerdo é Marcus. Ambos possuem habilidades especiais que os tornam praticamente invencíveis."

"Ninguém é realmente invencível." Murmurei friamente. "Todo mundo tem um ponto fraco." Algo me dizia que de todos, o mais perigoso era Caius. Diferente dos outros vampiros que geralmente carregam no rosto uma inexpressividade de emoções, ele usava uma máscara de superioridade, frieza e elegância para esconder o seu verdadeiro Eu. Para esconder um espírito vingativo e primitivo dentro de um corpo imortal.

"Mate-o, mate-o, mate-o... Você tem que mata-lo, Leah!" Como nos meus pesadelos, a voz do maldito vampiro voltou a me assombrar. E de repente tudo começou a se encaixar e fazer sentido.

Ainda havia uma discussão acontecendo atrás de nós enquanto eu continuava me debatendo sobre a imagem daquele maldito Volturi que havia tanto perturbado meus sonhos.

"Emmett tem razão. Devemos usar a fraqueza daquele sanguessuga a nosso favor." Eu disse começando a matutar um plano.

"Então, o que estamos fazendo aqui perdendo tempo. Precisamos nos preparar." Gritou um Seth determinado.

"Oba, estou pronto! Isso aqui já tava ficando um tédio." Tentou brincar Emmett com a situação. "Temos que formar um plano."

"As coisas não são tão simples assim, Emmett!" Exclamou nervosa Esme. "Pelo menos deveríamos esperar o retorno de Alice e Jasper pra tomar alguma deci..."

"Então, vocês podem esperar por eles." A interrompi. "Eu já me decidi. Estou partindo para o Brasil. Só vou precisar que pelo menos um de vocês vampiros, venha comigo."

"Eu vou." Emmett ergueu um de seus braços musculosos se voluntariando para embargar numa viagem bastante arriscada.

"O que você acha que vai fazer no Brasil, Jacob?" Me virei para encarar Bella entrando na sala e nos surpreendendo.

***/ /***

Surpreendentemente, não precisei perder mais tempo discutindo com a Bella. Assim que soltei que seu marido estava no Brasil com a Guarda Volturi, ela ficou preocupada e decidiu não nos impedir. Pelo contrário, a vampira sem hesitar tomou a decisão de partir com a gente para a América do Sul. A princípio tentamos fazê-la mudar de ideia, porém foi ela que mais uma vez me surpreendeu, ao nos convencer que a sua habilidade especial (que vinha aperfeiçoado nos últimos anos), seria fundamental para a nossa sobrevivência e êxito.

O pior é que Bella tinha razão. Foi graças a ela, por exemplo, que eu acabei conhecendo Garrett um vampiro aventureiro que já tinha feito parte também da Guarda Volturi no passado e era também um piloto de avião. Além disso, o cara já foi um soldado que participou de duas Guerras Mundiais. Ou seja, ele tinha experiência suficiente para nos ajudar numa possível batalha.

Como prevíamos, a viagem foi rápida. Desembarcamos no Brasil, mais precisamente, no Amazonas. A partir dali nossa jornada se tornaria mais complicada, pois a única informação que tínhamos para chegar ao destino, era achar a tribo Ticuna. E mesmo que os encontrasse, uma parte minha estava apavorado com a ideia de chegar tarde demais.

O que nos ajudou a se localizar no meio daquele território estrangeira, foi o rádio que Garrett possuía que estava alertando sobre a região onde se encontrava focos de um incêndio florestal. Nesse, instante, meu lobo se tornou inquieto e, de repente, percebi que tudo o que precisava era se deixar ser guiado por meus instintos naturais. E meus instintos me diziam pra seguir o caminho pelo rio.

Os três lobos e os três vampiros não tinham escolha, senão confiar em mim. Nós seguimos descendo o rio que estava bastante agitado. Uma tempestade também estava se preparando pra chegar como se já pressentisse o que já estava acontecendo bem no coração da maior floresta tropical do mundo.

Não demorou muito para vermos a mata ao nosso redor em chamas. Assim como na minha visão havia fumaça se espalhando por toda a parte com a ajuda de um vento forte, assim como também podia-se ver os animais de várias espécies correndo desnorteados sem ter para onde ir.

"Meu Deus! Isso parece o inferno." Alguém dizia desesperado. Aliás, o desespero era o sentimento que pairava por cada canto daquele lugar. Os gritos de pessoas pedindo socorro se tornaram fortes a cada vez mais que nos embrenhávamos pela selva. E havia o cheiro, o cheiro de humanos (brancos e índios) se misturando com um outro cheiro. Um cheiro doce e podre.

"Os Volturi... Eles já estão aqui." Bella confirmou o que eu já prévia. Chegamos tarde demais. O sinal de destruição estava por toda a parte, me deparei com aqueles cadáveres que tinha visto em minha visão. Haviam sobreviventes também chorando, ou gritando, ou tentando ajudar como podiam.

"Não. Eu não vou deixa-los vencerem." Foi a última palavra a sair de meus lábios, antes de me perder por aquela terra selvagem e inóspita.

"Jake, espera!" Podia ouvir Bella e Seth seguindo logo atrás de mim, tentando me fazer parar. Nem mesmo a fumaça intensa e pesada quase cegando meus olhos e sufocando meus pulmões poderia me parar agora. Corri, implacavelmente, sobre quatro patas e só parei quando os malditos sanguessugas apareceram na minha linha de visão. Eram dois, um brutamontes maior que Emmett e um mais pequeno e jovem. Abruptamente, senti algo se chocar contra mim me derrubando. Ergo meus olhos para me deparar com outro vampiro vestido de preto e vermelho cetim de cabelos ruivos espetados, com sua fase demoníaca e seus olhos de escarlate me encarando. Não perco meu tempo tentando confronta-lo, pois a poucos metros de mim posso ouvir um uivo raivoso e cheio de pesar. Imediatamente, reconheço aquele som e, logo, avisto a lobo cinza pronta para entrar em confronto contra uma sanguessuga fêmea.

Tento correr até elas, mas minhas patas são paralisadas e, de repente não consigo me mexer. Eu luto para me mover, contudo, o esforço é em vão e aquilo me causa dor. Olho pra minha direita e vejo o vampiro jovem me olhando com um sorriso sádico. Eu tento lutar contra o seu poder psíquico.

"Solta ele, Alec!" Ouço Bella rosnar para o garoto sanguessuga. É quando ele para e se vira pra encara-la os dois entram em confronto, Embry aparece pra ajuda-la. Nesse momento, constato que Emmett, Garrett e Quil também estão numa luta complicado com os outros Volturis.

Retorno a minha atenção para onde Leah estava a poucos minutos, mas me desespero ao constatar que ela desapareceu junto com a sanguessuga. Eu corro sem rumo até que consigo sentir novamente o cheiro de ambas, bem como suas vozes alteradas.

"Se você ainda quer uma chance de sobreviver, sugiro que me leve até o filho bastardo de Caius." Novamente, eu consigo vê-las, ao mesmo tempo em que Seth ressurgi, subitamente, do lado oposto delas.

"Prefiro morrer!" Leah já não está mais em forma de loba, ela grunhi caída e abatida no chão, mas não se rende.

"Desejo realizado!" Ao mesmo tempo em que a Vampira profana essas palavras pronta pra dar o bote, meus pensamentos se cruzam com os de Seth enquanto corremos na direção daquela maldita Volturi.

{Continua...}

Notas finais
Estamos numa contagem regressiva pra guerra estourar de vez. E de q lado eles vão estar no final? O próximo capítulo vou tentar postar semana q vem. Mas tenho medo de prometer e acabar não postando. Vou trabalhar nesse próximo cap pra tentar posta-la logo. Obrigada a todos vcs por serem pacientes e continuarem comigo até agora. Eu espero q nós ainda nos veremos em breve.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.