Coração De Neve

9 Capítulo 9 - Beijos Roubados


Notas iniciais
Fiquei rindo sozinho em algumas partes deste capítulos, mas teve uma parte em que foi meio que tenso escrever, por que eu me coloquei na situação, ainda mais que quando envolve Eric e Chris, isso mexe muito comigo. Espero que gostem.

Não precisei pedir para o pégaso voar mais veloz e tentar despistar das criaturas. Ele mesmo percebeu a aproximação e estava dando o seu melhor. Porém ainda estávamos dentro da área da nevasca e o vento forte e gelado estava dificultando nossa fuga. Olhei para trás e vi que as criaturas estavam se aproximando cada vez mais. Elas realmente pareciam cristais de gelo e eram meio humanóides. Suas asas eram luminosas, refletindo o brilho da lua. Noto que eles não possuem nada além da sua estrutura corpórea. Não há olhos, nem boca, nenhum detalhe em seus corpos. Uma das criaturas conseguem de alguma forma aumentar sua velocidade e nos ultrapassa, me fazendo virar para acompanhá-la com o olhar.

– Cuidado. — alarmo o Pégaso.

Ele, que agora estava apenas um pouco atrás do ser de gelo, consegue alcançá-lo e com um movimento sutil e ao mesmo tempo veloz desfere um golpe com sua pata e a criatura é partida ao meio, fazendo-a cair e desaparecer. Ainda existem mais uns 5 destes monstros ou seja lá o que seja isso. Estou tão alterado, que não há mais nenhuma dose de sarcasmo no que eu digo ou penso. Embora eu várias vezes tenha me segurado para não chamar estes seres de Regice, aqueles pokémons meio que ancestrais. Pouco a pouco o Pégaso parece perder mais sua velocidade e não dá para ver até onde a área da nevasca está. É quando acho que é o nosso fim, que vejo algo incrível. Uma das criaturas nos alcançou, porém Chris disparou uma projeção de energia sombria na direção do monstro. Parecia mais um soco, que prendeu a criatura de gelo e a esmagou.

– Incrível. — falei entusiasmado. — Parece a Ravena.

Nem sei se ela sabe quem é, mas não resisti. Creio que isso que ela usou se chama Umbracinese ou controle de sombras/trevas. Outras criaturas conseguem se aproximar e a Filha de Hades vai destruindo uma-a-uma variando as formas de seu poder. Ela reproduzia grandes martelos, clavas, punhos, escudos, entre outras formas. Sorrio ao ver que enfim estávamos a salvo. Todas as criaturas foram destruídas e abraço por trás. Juntos sorrimos, porém cantamos vitoria cedo demais. O pó de gelo, do qual as criaturas haviam se desfeito e que estavam sendo levados pelo vento, começou a se unir e logo as criaturas estavam se formando e nos perseguindo.

– Assim não vamos conseguir nunca. — ela protestou. — Precisamos de um plano.

– Mas o que? — questiono sem ver alguma utilidade alguma vinda de minha pessoa. — Se pelo menos tivéssemos brasas ou lança-chamas.

– É isso. — parecia que ela havia lembrado de algo para fazer.

Não tinha reparado que havia algo preso em seu braço. Era uma espécie de bracelete, mas quando ela o tocou, uma corrente aos poucos foi tomando forma em suas mãos. Logo ela estava segurando uma corrente negra. Com exímios movimentos ela conseguiu usar a corrente para capturar uma das criaturas. Eu nunca me imaginaria em uma batalha em pleno voo e não sei como ela está conseguindo fazer isso. Seus lábios sorriem maliciosamente e sinto um calor passar do corpo dela pro meu. De repente a sua corrente negra entra em chamas e a criatura de gelo é destruída facilmente.

– Eu quero uma dessas. — falei ao seu ouvido. — Não que eu queira ser Cavaleiro de Andrômeda.**

– Eu prefiro o Hyoga. — ela responde sorrindo e capturando mais uma criatura.

Logo só restavam apenas dois dos seres de gelo. Um deles se aproxima demais e enquanto isso a Chris consegue prender o outro. Porém acho que ela gastou energia demais com as chamas, se bem que não sei se está saindo dela e nem quero imaginar. A criatura que se aproximou vem para perto de mim e aproxima seu rosto do meu. Posso ver através do seu corpo um imenso vazio. Não há órgãos, não há nem ao menos uma expressão. Fico tão pasmo que vou afastando meu rosto dela, porém ela aproxima demais e cola o rosto no meu. Sua temperatura é tão baixa que queima meu rosto rapidamente e eu grito. Meu primeiro beijo além de roubado foi com uma criatura fria e nem ao menos me pagou um jantar. O monstro se afasta e Chris nesse momento consegue destruir a criatura a qual ela prendia.

– Está tudo bem? — ela me perguntou ao virar para trás e ver minha cara de choque.

– Acho que preciso de um psicólogo. — respondi sem esboçar nenhuma expressão em meu rosto.

Os nossos perseguidores já não estavam mais se refazendo, acho que o fogo foi realmente útil. Porém ainda restava uma das criaturas, exatamente a que me beijou. Chris rodopia sua corrente no ar e lança-a na direção do monstro. Ele consegue desviar duas vezes, mas na terceira é captura. Restava apenas liberar as chamas, mas isso não aconteceu. O ser parou abruptamente seu voo e usou de uma força incrível. Chris então foi puxada, por estar segurando a corrente e logo ela estava caindo e gritando. Sinto meu coração vir na boca e meu primeiro reflexo é puxar a crina do pégaso que praticamente para no ar.

– PEGUE-A! AGORA! — ordenei com um pouco de crueldade.

Ele deu meia volta e voa em disparada, descendo em direção a garota que caia bem distante de nós. A gravidade estava contribuindo com a sua velocidade e eu temia o pior. Meu coração estava super acelerado e mesmo com o frio da nevasca eu estava suando exageradamente. O que eu posso fazer? Não estamos conseguindo alcança-a e ela continua caindo. Está ainda tão escuro e eu mal consigo ver o seu corpo. A criatura já não estava mais nos seguindo, ela simplesmente desapareceu. Estávamos tão alto que só agora descendo posso ver que estamos em cima de um bosque. Não faço à menor ideia de onde estamos e só sei que se não conseguirmos resgatar Chris, ela irá morrer com o impacto no chão.

– Não! — grito sem acreditar que faltavam apenas poucos metros e ainda estávamos bem distantes dela. — NÃO!

Levei minha mão à frente, na tentativa de segurá-la, mas a distância era imensa. Se eu pelo menos pudesse usar Umbracinese. O corpo inerte da filha de Hades estava prestes a colidir com o chão, quando meu coração para por um instante e depois volta a bater aceleradamente. Estendo a outra mão pra frente e o resto não está mais sob meu controle. Em milésimos de segundos eu me lembro de como conheci a Chris e do quão forte é a nossa ligação. É então assim que eu posso sentir o seu sangue e fecho meus braços como se fosse abraçá-la e simplesmente isso meio que acontece. Fecho meus olhos, pois não queria ver o que tinha acontecido. É quando o pégaso pousa e eu decido enxergar o que havia acontecido. Salto e vejo que Chris estava flutuando, há poucos centímetros do chão. Eu ainda estava me abraçando e constatei: eu estava controlando o seu sangue.

– Te peguei. — sussurrei baixinho em seu ouvido, ao pegá-la nos braços.


***


Já era noite novamente. Mais de doze horas haviam se passado desde que deixamos o Acampamento. Chris havia ficado desacordada por causa da queda e ainda estava dormindo. Eu arrumei algumas folhagens para que ela pudesse ficar deitada e tratei de mantê-la aquecida como pude. Eu estava me tremendo, pois estava sem camisa. Fiz uma fogueira e estava tentando me esquentar nela. A minha amiga, que quase me fez ter um infarto por causa de sua quase morte, estava se mexendo. Sorrio e agradeço a Deus (ou melhor, aos Deuses) por ela esta viva. Estamos no meio de um bosque, protegidos por algumas árvores altas e densas. O Pégaso havia nos deixado durante o dia, alegando que era o máximo até onde ele poderia ir e que estávamos por conta própria a partir de agora.

– O que aconteceu? — ela me perguntou. — O que você fez comigo, já que você está quase pelado?

– Calma, eu posso explicar. — tentei me defender como pude, mas realmente eu tava quase só de cueca, enquanto ela estava usando minhas roupas por cima das dela.

Atualizei-a sobre o ocorrido, desde o momento que a criatura de gelo a derrubou de nossa montaria alada. Contei-lhe que a trouxe para esta área do bosque, supondo que era seguro e tentei fazer fogo, com ajuda de algumas coisas que encontrei. Não me pergunte como, mas funcionou aquele negócio com o atrito entre duas pedrinhas. Ela se aproxima e devolve minhas roupas. Sentamos então lado-a-lado e ela deita a sua cabeça em meu ombro.

– Sei que não do meu feitio... — ela começa a dizer baixinho, quase como se fosse para que eu não escutasse e que jamais ela repetiria. — Mas obrigado por me salvar.

– Não foi nada. — eu disse sorrindo. — É meu dever de herói salvar a donzela indefesa.

Ela levanta sua cabeça e me da um soco. Não doeu, mas aprendi a nunca mais chamá-la de indefesa. Sorrimos juntos e então eu acabo agindo sem pensar. Seus olhos estavam conectados aos meus e seus lábios estavam tão convidativos e aparentemente tão macios. Impulsiono-me levemente para frente e sem pensar direito eu a beijo. Meu segundo beijo, porém desta vez sou eu quem estava roubando. Meus olhos estão fechados e uma sensação estranha começa a percorrer cada centímetro do meu corpo. Seus lábios eram realmente macios e assustadoramente doces, mas algo estava me causando certa repulsa. Em minha mente eu vejo o Jacob em minha frente, como se desaprovasse o que eu estava fazendo e no fundo sinto uma estranha vontade que ele estivesse no lugar dela. Então é isso? Por que eu nunca quis aceitar a realidade? Ela parece ter retomado a noção da realidade e me empurra com suas mãos, desta vez me dando um tapa no lugar de um soco.

– Nojo define. — ela diz cuspindo com uma terrível cara de desgosto. — Que porra foi isso?

– Desculpe, mas realmente foi repulsivo. — começo a sorrir e isso a fez cair na gargalhada.

Acho que ela me entendeu bem e até parece que eu não já tinha notado certo interesse estranho dela, quando se tratava da Filha de Perséfone. Nossa, eu às vezes sou muito educado, mas agora exagerei. Além dela ser minha amiga, ela era uma garota. E só agora eu pude constatar que realmente não gosto delas. Conversamos um pouco sobre isso e acabamos nos abrindo um para o outro. Conto sobre ter visto o Jacob ao beijá-la, mas digo-a que não sinto nada por ele, pelo menos acho que não sinto. Ele é bonito, tem um corpo muito bom (embora minha bunda seja maior), mas ele tentou me matar. É muito confuso tudo isso e nada tem sido fácil na minha vida, nestes últimos dias. Decidimos esperar o dia amanhecer para poder procurar um rumo para partir. Ela deita bem afastada de mim e diz:

– Se você tentar me beijar de novo, eu arranco seu órgão e jogo sal. — ela parece estar falando bem sério e resolvo não duvidar. — Só depois eu mato você.

E sorrimos juntos antes de pegar no sono.



*Golpes de Pokémon.

** Referência à "Cavaleiros do Zodíaco".

Notas finais
Quero mais comentários. u_u Preciso saber se está realmente bom. Não sou bom em escrever ou narrar, mas faço o possível quando há criatividade e tempo disponível. kkkk A seguir: Capítulo 10 - Quione.