Coração De Neve

6 Capítulo 6 - A Fúria do Javali


Notas iniciais
VOLTANDO A ESCREVEEEER! Não ficou bom e pode parecer nonsense, mas pelo menos é grande e tem um certo novo semideus. kkkkkkkkkkkkkkkk Espero que gostem.

Queria nesse momento um lugar pra enfiar minha cabeça, que nem os avestruzes fazem. Só agora voltei a mim e percebi o showzinho que eu fiz sem querer. Deixei a arena ao lado da Chris, ajudando-a a caminhar. Não quis nem saber o que havia de fato acontecido com a Dianna, pois eu preciso sair o mais rápido possível da vista desses semideuses. Praticamente coloquei a garota nos braços e a levei até a enfermaria, onde tive que deixá-la, pois teria que ir dar satisfações ao Diretor. Meus pés estavam cambaleantes e quase tropecei e acertei a cara do chão, várias vezes durante o caminho até a Casa Grande. Entrei rapidamente e já dei de cara com o Centauro, só que agora ele tinha uma expressão séria. Alguém já havia lhe informado do que eu havia feito e claro que eu deveria ser punido agora.

– Sente-se. – ele ordenou. – Não vou te castigar, pois eu também me machucaria por um amigo. – com isso eu tranquilizei mais um pouco.

– Eu não fiz por mal, perdi o controle do meu corpo e aconteceu tudo tão de repente. – tentei responder meio afobado com as palavras. – Não queria machucar ninguém, eu só...

– Calma, meu jovem. – ele me interrompeu. – Não vamos nem tocar nesse assunto, afinal eu só gostaria de informá-lo sobre seu pai.

Aos poucos ele foi me contando sobre o que já sabia de mim. Sou um semideus filho de Poseidon e agora eu poderia ter meu próprio Chalé, que por sinal seria só meu, pois era raro existir semideuses filhos de um dos três Grandes (Charles me falou que eles são os deuses maiorais, os mais top). Minha mãe era um mistério para Quíron, era como se não houvesse muitas informações para ela. Outro fato que ele descobriu sobre mim, é que tenho uma missão importante a exercer e que há Deuses bastante interessados em mim. Isso me deixou preocupado, confesso. Se monstros e semideuses já me ofereciam grande perigo, quanto mais um Deus? Ou mais de um deles. Não quero nem pensar em um novo encontro com um deles.

Achei que a conversa seria complicada e eu sairia castigado, mas foi completamente o oposto. Tudo fluiu tranquilamente e logo fui liberado, para poder buscar meus pertences no Chalé 11 e levá-los até o Chalé de Poseidon. Ao caminhar, pude retomar um pouco dos últimos acontecimentos. Todos haviam ficados boquiabertos com o que eu havia feito. Todos estavam me encarando com os olhos arregalados. Sei que sou belo, charmoso e atraente, mas não é para tanto. Dianna havia ficado caída, encostada à grade, se recuperando do meu golpe. Mas nem isso e nem minha reclamação como Filho de Poseidon foi o motivo que realmente havia surpreendido a todos.

Havia um imenso buraco em uma das laterais da arena, que eu só percebi depois que deixei o lugar. Era circular, grande o suficiente para que três pessoas passasem simultaneamente. O mais interessante é que dava para ver que o pedaço caído dentro da arena, que havia sido arrancado, estava congelado. Não sei se fui eu quem fez isso, mas se realmente fui eu, sou muito foda. Pra que modéstia? É incrível o quanto minha mente viaja e quantas bobagens eu penso nos momentos mais críticos.

Por mais que eu tivesse chegado ao acampamento há poucos dias, parecia que eu sabia exatamente para onde deveria ir, até chegar ao meu chalé. Alguns campistas estão olhando torto para mim, por onde passo. Nada disso estava me incomodando, até esbarrar em alguém em particular. Ele é tem a pele dourada, um corpo definido e cheio de cicatrizes de combate. Seu cabelo é bem preto e despenteado, porém nada disso assusta mais que o seu olhar. As chamas que há alguns dias eu vi nos olhos da Chris, nem chegavam perto do fogo nestes olhos castanhos. É o Filho de Ares de quem o Charles me alertou e eu havia visto mais cedo guardando as fronteiras do Acampamento. Ele, mais alto e mais forte, estava parado na minha frente.

– Posso ajudar? — o confrontei.

Por que eu fiz isso? Ele me puxou pela gola e saiu me arrastando na direção da floresta. Se alguém me ajudou? Todos observaram calados e eu estava tão surpreso que nem reagi. Logo eu estava sendo jogado ao chão, caindo no meio das raízes do início da floresta. Não havia mais ninguém por perto, nem ao menos um semideus. Ele estava com algo em mãos, algo realmente afiado: uma espada. Tentei me levantar, meio desajeitado e usando uma árvore como apoio. Enquanto isso o Jacob estava me fuzilando com o olhar, como se estivesse pronto a me matar a sangue frio.

– O que você pensa que é? — sua voz fez meu corpo tremer, me deixando arrepiado. Era firme, carregada de rancor. — Seu lixo marinho, filho da velha foca do mar.

Ele avançou na minha direção, em uma velocidade incrível. Por motivo de sobrevivência, fiz a primeira coisa que me veio à mente: me jogar. Por uma fração de segundo eu consegui desviar a tempo de sua espada, que ficou cravada na árvore que antes estava me mantendo de pé. Sai correndo, quase caindo para o interior da floresta. Precisei me certificar de que ele estava me seguindo e estava, porém isso quase me custou uma queda de verdade. Tropecei em algumas raízes, mas me mantive correndo, como se minha vida estivesse dependendo disso. Pra falar sério na verdade minha vida esta por um fio, que engraçado. Está parecendo com Harry Potter, já que ele sempre cai antes de perseguições, etc. O Filho de Ares é bastante veloz, me relembrou um feroz javali selvagem, que por sinal é o símbolo de Ares.

– Não adianta correr, seu tolo. — Ele gritou, acordando algumas criaturas que estavam saindo das árvores.

Não me perguntem o que são tais criaturas, pois eu realmente não sei o que são. Esqueci de mencionar que ainda era noite e na floresta existiam algumas tochas, mas apenas no início. Tudo começou a ficar muito escuro e as árvores eram densas, impedindo a luz da lua de entrar no ambiente. Estava difícil não acertar uma árvore, então eu precisava utilizar bastante os meus braços para me guiar, sem diminuir a velocidade. Não sei como, mas eu estava conseguindo manter certa distância do Jacob, mas não era por muito tempo. Algo passou zunindo pelo meu ouvido e me assustou, distraindo minha atenção e ocultando uma árvore da minha visão. Esbarrei de cara com ela e caí para trás. Já senti um puxão pela minha camiseta.

– O que eu te fiz? Está com inveja da minha bunda? — questionei gritando, mais nervoso do que nunca. — Eu já notei que é maior que a sua!

– Calado. — ele parecia indignado com a minha pergunta e me repreendeu curto e grosso. — Você se exibe demais e eu odeio exibidos. Além disso, você feriu a minha protegida.

Agora eu entendi. Eu havia conseguido atrair a atenção de todos por alguns segundos, além de ter machucado a Filha de Perséfone. Não consigo entender é a ligação dele com Dianna. Por que ele a protege? Ela não parece uma pessoa que precisa de proteção. Um soco atingiu meu rosto e senti uma dor tão aguda que posso jurar que meu maxilar deslocou. Ainda me segurando ele desferiu outro golpe, quebrando meu nariz. Uma dor imensa tomou conta de todo o meu corpo e eu tentei me espernear, para me soltar. Mas além da dor, eu não dei o gostinho a ele de gritar ou suplicar para ele parar. Um soco no meu estômago e eu cuspi sangue. Senti que iria novamente perder o controle do meu corpo, mas acho que ele notou que eu iria revidar e então me jogou contra uma árvore e pressionou sua espada em minha garganta.

– Isso é tudo que você tem? Apanhar com orgulho, sem ao menos dar nem um urro de dor? — seu riso era sádico, como se meu sofrimento lhe desse muito prazer.

– Ainda nem estou sentindo cócegas. — provoquei, mas em seguida comecei a tossir com um pouco de sangue.

Ele me chutou e pisou no meu estômago. Não consegui me conter e soltei um pequeno gemido de dor, pois estava realmente me machucando. Sentia meu corpo fervilhar em adrenalina, mas por alguma razão eu não estava conseguindo reagir. Ele ergueu sua espada e desferiu cortes superficiais em meu peito, mas algumas vezes ele aprofundava mais um pouco. A minha pele estava queimando e desta vez eu gritava sem qualquer controle. O sangue escorria pelo meu corpo e ele se deliciava com aquilo. Quando ele estava prestes a desferir o golpe final, preparando para cravar sua espada em meu peito, seu corpo enrijeceu. Água, que é o meu elemento. Gelo, que abriu meu caminho até a arena. Morte, no qual cheguei a beira de seu precipício.

– Prometo que não vou te machucar. — falei tossindo e me erguendo lentamente.

Uma sensação de vingança me preencheu, mas um estranho prazer por manter seu corpo paralisado me contaminou. Posso sentir cada partícula líquida de seu corpo e ouvir seus batimentos cardíacos. Seu sangue estava sob meu controle, então seu corpo estava sob minhas ordens. Ele parecia assustado, sem demonstrar mais nenhum pouco de sua fúria anterior. Agora era apenas medo do que ele não compreendia. "Como ele pode fazer isso?" Ele deve estar pensando. Empurro seu corpo contra uma árvore sem ao menos tocá-lo. Pego sua espada e a posiciono em seu pescoço, deixando a ponta da lâmina penetrar lentamente em sua carne, liberando um pequeno filete de sangue.

– Você é um idiota. — foi tudo o que eu consegui dizer.

Não sou capaz de machucá-lo de verdade e nem sei por que realmente eu estava sendo insano e com tanta satisfação em fazê-lo pagar pelo que ele me fez. Não sou esse tipo de pessoa, com maldade entre meus sentimentos e conceitos. Perdoá-lo? Sou até capaz, apenas após entender seus motivos. Ele começou a tremer e seus olhos perderam toda a fúria e ira. Era como se outra pessoa estivesse em seu lugar. Um frágil, sozinho e vulnerável garoto, porém Filho do deus da Guerra.

– Agora me diga o que você realmente tem contra mim? — digo enquanto tiro a espada de seu pescoço e o liberto do meu controle.

Porém tudo aconteceu tão rápido que ele nem teve a chance de responder. O ambiente se tornou frio e gélido, como se um de nós estivesse prestes a morrer. Senti que estávamos cercados e virei para trás, para então descobrir o que estava acontecendo. Dezenas de criaturas, com olhos vermelhos brilhantes, estavam prestes a nos atacar. Tais criaturas pareciam estar em estado de putrefação e com uma sedenta vontade de matar. Surpreendendo-me, retirando do meu estado de choque, o filho de Ares me tomou a espada e se colocou à minha frente, como se estivesse a me proteger. Eu realmente não estou entendendo mais nada, nem mesmo o meu tom de deboche está sendo usado, o que é realmente estranho.

As criaturas avançaram e Jacob as acertou magistralmente com sua lâmina. Tenho que admitir que ele é realmente bom com suas técnicas de combate, além de um corpo muito gostoso. Eu não deveria estar pensando nisso, pois ele a pouco estava tentando me matar. Sinto-me inútil e resolvo correr. Decido abandoná-lo, para que ele lide sozinho com tais criaturas assombrosas. Isso foi bem egoísta, mas ele estava merecendo. Porém três criaturas o deixam de lado e começam a correr atrás de mim. Minha visão está vem limitada por causa da noite e eu não faço à menor ideia de para onde estou indo. Salto raízes e desvio de árvores. Vejo uma luz mais a frente, mas logo reconheço que são chamas intensas. Será que já é o centro do acampamento ou há alguém ali na floresta. Seria completamente sem sentindo ter alguém acampando em uma floresta de um "Acampamento". Muito redundante.

Chego a uma clareira, de onde estava vindo o fogo e constato que não eram chamas comuns. O fogo era bem avermelhado e não queimava os arbustos nos quais tocava. Havia alguém encapuzado por trás das chamas e mais das criaturas medonhas ao seu lado. Foi quando eu lembrei que outras delas estavam me perseguindo e viro para trás, para constatar que não havia mais nada ali. E agora? O que devo fazer? De repente a chama se extingue e a pessoa de capuz desaparece. A luz da lua ilumina a clareira e daqui posso ouvir uivos, urros e sons de combate. Seria o Jacob? Uma pontada de preocupação me preenche, mas tenho algo muito maior para lidar. As três criaturas reapareceram e estavam montando uma nas outras. Seus corpos estavam mudando e unindo-as. Visão nojenta pra ser bem sincero. O resultado dessa mutação era pior do que a imagem individual de cada uma, coisa que eu imaginava nem ser possível.

– Precisando de ajuda? — uma voz surgiu por trás de mim.

– Quem é você? — me virei para poder ver quem era e já o questionei.

Era um garoto, magro e esguio, com os cabelos levemente enroladinhos. Seus olhos estavam iluminados pela luz da lua e posso jurar que não eram azuis e sim cinzas. Ele estava com dois chakrans, um em cada uma de suas mãos. Reconheci tais armas por causa dos jogos que eu antigamente jogava. Em suas costas havia um arco e uma aljava, que ele acabara de jogar para mim. Os peguei no ar, mas não fazia a menor ideia do que fazer ou de como agir. O garoto parecia esperto, porém não era lá muito meu tipo. Ele mudou sua expressão de "E ai, como vai?" para "É hora do pau!", no maior estilo do "Coisa".

– Merlin, Filho de Atena. Muito prazer. — ele me respondeu sorrindo.

Notas finais
Esse Filho de Atena vai me dar um trabaaaaalho. kkkkkkkkkk A seguir: Capítulo 7 Uma Missão de Resgate. Acho que tem um triângulo e algumas revelações. rsrsrs kkkkkkk