Coração De Neve

5 Capítulo 5 - Damas da Noite


Notas iniciais
Capítulo muito mal desenvolvido e me faltou muita inspiração ontem a noite. Desculpem!

Meu coração estava acelerado. A garota que havia me salvado das Queres (Nome que o Charles me informou quando eu perguntei sobre os monstros que haviam me atacado há alguns dias) era uma filha do Deus dos Mortos. Eu jamais poderia imaginar isso, se bem que suas roupas poderiam até informar certo estereótipo. Mas hoje em dia não dá pra se classificar ninguém dessa forma e devemos na verdade cultivar as diferenças. Quando a Arena fechou, prendi tão forte meus dedos na grade de proteção que eles ficaram pálidos, estavam sem circulação. Dianna estalou seu chicote ao seu redor e lançou um olhar furtivo na minha direção, como se quisesse informar que eu seria o próximo. Se eu não tivesse tão assustado, teria até feito uma piadinha com ela, mas é melhor nem arriscar.

– Podemos começar? – Dianna questionou a Chris, em um tom desafiador.

– Só estou esperando-a. – ela parecia mais confiante do que nunca.

Analisando bem a situação, Chris parecia não ter a menor chance, pois eu acredito que ela não deve possuir tanta pratica quanto a Dianna. Ambas são filhas de Deuses do Submundo e seus dons devem ser associados a isso. Era uma espécie de luta entre as herdeiras do mundo inferior. Pelo que eu soube Perséfone não deveria ter filhos com mortais, pois ela era esposa de Hades. Mas, em certas épocas do ano ela costuma deixar o mundo inferior para dar uma “voltinha”. Eu começo então a lembrar da imagem que associam ao rei do submundo ou como alguns gostam de chamar: Inferno. Ele tem chifres imensos e deve ser por isso, por causa das fugidinhas de Perséfone.

– Que a luta comece! – gritou um garoto que parecia mais um elfo, com suas orelhas pontudas e olhar furtivo. Não duvido nada que eles também existam.

Concentrei minha atenção nas garotas. Dianna permaneceu parada, então a Chris resolveu agir e avançou na direção dela. Sua adaga negra não parecia ter efeito nenhum contra a Filha de Perséfone. Ela desferia cortes, mas Dianna não tinha a menor dificuldade em desviar. Ela então revidou e sem piedade. Quando Chris recuou, Dianna usou seu chicote para derrubá-la pelos pés e depois ainda usou os espinhos de sua arma, para ferir os braços da filha de Hades. Ela gritou, a dor deveria ter sido profunda, mas muito passageira, pois ela se levantou, em vão. Caiu novamente após mais uma chicotada da Dianna, que agora sorria diabolicamente.

–Vamos! – Dianna debochou. – É só isso que você tem a oferecer, encosto?

Juro que eu estou começando a deixar o medo de lado e estou sentindo uma repugnância em relação a essa garota. Chris não iria desistir tão fácil, sua calça já estava rasgada onde havia sido acertada pelo chicote. Com a sua adaga ela transformou a calça em um short, lhe dando uma mobilidade até melhor um pouco. Ela estava cavando em sua mente, buscava uma maneira de enfrentar a experiente campista, filha da rainha do submundo. Dianna não esperou e bateu o chicote no chão, lançando uma rajada veloz de ar na direção de minha amiga (é engraçado pensar assim, mas me sinto confortável sabendo que deve ser minha amiga). Todos ficaram tentando entender o motivo de tantos ferimentos. A blusa da Chris ficou toda rasgada com essa rajada e deu para ver que cortes superficiais haviam sido feitos em sua barriga. Quando todas se deram conta, só então eu fui entender. No chão, exatamente nos pés da filha de Hades, havia uma incontável quantidade de pétalas de rosas negra.

– Isso não é justo! – gritei, mas ninguém me deu a menor atenção.

Chris lançou um olhar como se tentasse me agradecer, mesmo que minha tentativa de justiça tenha sido em vão. Corri para o outro lado da Arena, na iniciativa de buscar algum campista mais velho, para que ele desse um fim a essa luta desigual. Sei que estava apenas no começo, mas eu não quero ver a Chris sofrendo de verdade. Seus ferimentos poderiam se agravar e isso é bastante perigoso. Não encontrei ninguém. Havia tanta gente assistindo a luta, que nem consegui sair dali e ir na direção da Casa Grande, buscar pela ajuda de Quíron. Estava começando a me desesperar e já nem agüentava mais ver a Chris apanhar. Nenhum golpe que ela arriscava dava certo e seu sangue já estava levemente espalhado em várias parte da Arena.

Dianna tinha muita força e sabia usar isso muito bem. Prendeu Chris pelas pernas, apenas com uma chicotada, lançando-a em seguida na parede da arena. Isso fez a Filha de Hades cuspir sangue e foi o suficiente para eu perder a minha estabilidade. Meu sangue estava fervendo e nenhuma pessoa estava interessada em fazer a luta parar. Eu não poderia permitir isso e eu não irei ficar mais parado. Meu corpo respondeu sozinho. Dianna se preparou para começar a chicotear o corpo todo da Chris, se aproveitando que ela tava caída ao chão. Antes mesmo dela acertar o primeiro golpe, eu já estava dentro da Arena. O chicote atingiu meu braço, prendendo-o. Todos ficaram surpresos e tentaram entender com eu havia conseguido entrar na arena e tão veloz. O sangue começou a escorrer lentamente pelo meu braço, por causa dos espinhos que estavam penetrando em minha pele.

Meus olhos se iluminaram levemente e eu usei uma força que nem sabia que tinha. Puxei o chicote e a Dianna veio em alta velocidade para cima de mim, mas antes mesmo que ela batesse com meu corpo, eu pude ver e sentir cada partícula de seu corpo. Era como se eu tivesse total controle dele, como se eu pudesse sentir cada gota líquida que fazia parte de sua composição. Estendi minha outra mão e fiz a Dianna voltar, em alta velocidade, fazendo-a esbarrar abruptamente contra a grade de proteção. Meus olhos estavam serenos e eu pude sentir o meu poder. Eu havia usado uma espécie de telecinese contra ela e havia gostado disso. Chris estava com os olhos arregalados e ao mesmo tempo ela parecia agradecer pelo que eu havia feito, mas senti um ar de preocupação vindo dela. Era como se ela se preocupasse de alguma forma com o bem estar de Dianna. Talvez por isso ela não tenha se empenhado em feri-la.

Quando todos menos esperavam mais coisas surpreendentes, toda a arena se iluminou com uma luz verde que desceu do céu e me iluminou. Eu havia sido reclamado, mas não era isso que havia chocado todo mundo, inclusive a própria Dianna, que estava no chão a sangrar, tentando se recuperar de meu último golpe. Um círculo luminoso rodopiou em cima da minha cabeça e no centro dele havia um Tridente. Meu pai era o Deus do mar, meu pai é Poseidon.