Coração De Neve

3 Capítulo 3 - Viagem Turbulenta


Notas iniciais
Não sei por que, mas gostei dessa capítulo u_u

Controlei meu riso quando certo pensamento povoou a minha mente. Ver aquele homem, tão solicito e com tais vestes, aparentemente preocupado com nossa segurança, me fez lembrar do dia em que sem querer eu entrei em uma festinha em que minha mãe havia ido. Tal festa, tinha como atração principal um cara que tirava sua roupa para agradar as outras mulheres da festa. Realmente foi uma visão traumática, acho que eu nem tinha completado 9 anos ainda. Chris percebeu que eu queria sorrir e pisou no meu pé, o que me fez pensar que esse cara deveria ser importante. Quando eu pensei e o caracterizei como brilhante, é por que se olhar de certo ângulo é capaz de ver que seu corpo possui luz própria. Não, nada de remeter a sua imagem àqueles seres chamados de vampiros, criados em uma certa saga literária adolescente. Compará-lo a eles, seria um ultraje até para mim.

A garota que estava atrás dele, não parava de me lançar um olhar devorador. Será que ela estava interessada em mim? Por alguns segundos eu olhei bem o meu corpo. Meu cabelo super despenteado e minha roupa surrada e suja. É, ela não teria o menor interesse em mim. Só agora reparei no meio de transporte que os trouxe até aqui neste ponto do parque. Era uma espécie de carruagem, aberta atrás, com dois cavalos brancos puxando. Os cavalos eram muito belos, diria até que são puro sangue. Seus sêmens devem valer uma fortuna, mas por que exatamente eu estou tendo tal pensamento tão nojento?

- Olha, eu estou cansado de ser perseguido por coisas estranhas e... – ele me interrompeu justo no meu discurso.

- Não temos muito tempo, dois semideuses como vocês atraem monstros demais. – ele saltou da tal carruagem, que me remetia àquelas de filmes relacionados à Grécia antiga.

- Precisamos levar o encosto também? – questionou a garota de olhar desafiador. – Achei que minha missão era levar esse aí, o qual nem sabemos seu progenitor.

- Ela pode ser importante. – Falou Apolo. Esse nome é bem interessante, mais um fator com relação à Grécia.

Espera uma instante. Ele nos chamou de semideuses? Quando em dei conta disso eu não consegui segurar meu riso a tempo. Sempre tive facilidade em sorrir e eu sempre fico extremamente vermelho de tão constrangido que fico, ao sorrir descontrolado assim em público. Tanto a Chris, como eles, me olharam com um ar superior. Provavelmente imaginando: Esse cara é louco. Talvez eu realmente fosse isso. Ao recuperar meu estado de sanidade, resolvi tentar entender o que estava se passando. Primeiro: “morcegonas” com instintos diabólicos para torturar estavam tentando me matar, após eu fugir de casa por causa de aparecimentos de outras criaturas estranhas. Segundo: eu sou salvo por uma garota que sinto um elo entre nós e tenho até uma confiança nela, como se a conhecesse a anos. Terceiro: acordo no Central Parque e recebo uma visita de um Gogoboy e uma garota roqueira com um olhar canibal. Ah, sem mencionar outros fatores estranhos: Ele me chamou de semideus, mencionou monstros (novamente eles) e esses fatores ligados à...

- Eu estou ficando maluco. – quebrei o silêncio com uma frase que acho que não os surpreenderam afinal eles já deviam me achar maluco.

- Garoto, não temos tempo. – o homem parecia muito paciente comigo, mas não sei por que.

- Eu posso falar agora? – Chris finalmente resolveu entrar “na parada.” – Primeiro, Ele não sabe sobre “nosso mundo”. – ela frisou bem o “nosso mundo” e fez questão de fazer com as suas mãos, sinais que indicam aspas.

- Ele entenderá depois, encosto. Algo está vindo. – falou a garota de olhar sinistro.

Os olhos da Chris incendiaram, literalmente. Tive a ligeira impressão de que ela ia cuspir fogo a qualquer momento. Só podia ser impressão minha, afinal quem teria fogo nos olhos assim tão literalmente? Se bem que depois de ver monstros tentando me matar, tais criaturas que nem deveria existir, eu não deveria duvidar de mais nada. Apolo interrompeu então a conversa, que logo deveria se transformar em discussão caso continuasse. Ele me pegou pelo braço e pude sentir o quanto sua pele era quente. Minha mente começou a vagar então. Quando me sinto assustado, acho que puderam perceber isso, eu me torno mais sensato, uso termos mais técnicos até em meus pensamentos. Além disso, eu não faço piadas idiotas e nem fico agindo meio bobo. Mas depois que o medo passa, eu me torno isso que puderam notar nesses últimos minutos.

- Não vai me dizer que você é mesmo o Deus do Sol? – mais uma pergunta que não os surpreendeu.

- Sim garoto e você é filho de algum Deus, que felizmente não sou eu. – sem mais nenhuma palavra ele me deu uma espécie de choque de realidade.

Praticamente me jogou dentro da carruagem, que agora eu sabia que era uma Biga por que a Chris me falou. Ela subiu logo depois de mim e percebi que ela fuzilava a outra garota com o olhar. Por sinal, essa garota se chama Dianna. Ela me proibiu de dizer uma palavra, enquanto eu estivesse dentro da missão dela. Não entendo muito bem, mas parecia que eu era uma espécie de tesouro a ser encontrado e ela cumpriu bem seu objetivo. Aos poucos, na verdade “aos muitos”, eles começaram a me bombardear de informações. Eu já não conseguia mais desacreditar no que me diziam, era como se tudo começasse a fazer sentido uma vez na minha vida. Segundo eles, eu sou realmente filho de algum Deus Grego e possuo algum valor importante e misterioso, para um tal de Acampamento Meio sangue. Por sinal, esse acampamento é o único lugar seguro para pessoas como eu. Isso realmente foi cruel, ficou parecendo que estou indo à um sanatório.

- Mas e... – Dianna quase me deu um tapa quando tentei questionar algo.

- Mandei ficar calado. – ela parecia ter um poder para persuasão, pois eu não conseguia desobedecer ao que ela dizia.

Graças a essa loucura toda, de mundo Grego no Ocidente e ainda mais nos Estados Unidos, eu começo a achar que realmente ela deve ter poderes. Será que eu também tenho? E a Chris? Ela já sabia que era uma semideusa, será que o fogo nos olhos dela, indica algo relacionado a poder? Não sei mais o que pensar, é muito para ser digerido em tão pouco tempo. Eu estava cansado, minha mente estava muito atarefada nesse momento. Associar tantas informações era difícil, sem mencionar o fato que os cavalos pareciam flutuar. Na verdade eles eram tão velozes que eu não conseguir ver praticamente nada ao nosso redor. As coisas passavam em alta velocidade e ainda ouvi a Dianna dizer que deveríamos ir voando, mas Apolo disse que Zeus anda meio furioso e poderia nos castigar. Estava quase caindo no sono, quando desperto de imediato.

Dianna e Chris estavam brigando e insultos vinham de um lado ao outro, sem o menos escrúpulo entre elas. Mas quando e por que essa briga começou? Eu não vi isso. Apolo deve ter lido meus pensamentos, por que ele sussurrou bem próximo a mim: — Você cochilou um pouco, na verdade, perdeu o começo da briga e que por sinal foi a melhor parte.

Arqueei minha sobrancelha esquerda. Ele deveria estar conduzindo a biga e amenizando a briga, mas não... Ele estava fazendo fofoca e gostando de vê-las quase saindo no tapa. Por um momento elas se calaram, mas uma frase final foi dita: Nos vemos na Arena. Dianna agora parecia muito mais determinada em nos comer vivos. Acho que a porra ficou séria agora. Quando tudo parecia calmo, de repente Apolo desapareceu. Dianna arregalou os olhos e se levantou para pegar as rédeas e comandar os cavalos, mas já era tarde. Eles ficaram desgovernados e frearam de vez, nos arremessando longe. A última coisa que eu lembro é de ter sido arremessado na direção de uma parede imensa e da Chris usando meu corpo como airbag...