Coração De Neve

13 Capítulo 13 - O Reino de Poseidon


Notas iniciais
Mudanças nos planos. Resolvi pular tantos parágrafos com treinamento, que seriam irrelevantes para o andamento da história e estou ficando sem tempo, então vamos logo para o que interessa.

Eric aceitou ir ao Reino de Poseidon para treinar e poder se tornar mais forte. Natasha e Ray foram escolhidas para ajudá-lo, porém ambas não fazem menor ideia de quem de fato as convocou. O Filho de Poseidon, após ser guiado pela sua meio-irmã, teve que ficar confinado durante seis semanas subaquáticas, no domínio de Poseidon. Durante este tempo, ele estranhou por não ver seu pai nenhuma vez. Mas por que estou colocando essas seis semanas de treinamento? Preciso justificar a ausência de muitos capítulos de treino, para que o Eric pelo menos aprenda algumas coisas. Eu precisaria escrever pelo menos uns 4 capítulos sobre o treino e ficaria bem cansativo. Resumindo:

Eric, Ray e Nat ficaram hospedados em uma espécie de castelo subaquático. Uma bolha de ar ajudava a filha de Hades a respirar, já que ela era essencial a esse treinamento. Ray, mais experiente com seus poderes, deu diversas surras em Eric que precisou aprender do início a controlar sua hidrocinese. Ela escolheu o reino marinho para dificultar, uma vez que controlar pequenas proporções de água, dentro da água, seria bem mais difícil. Nosso protagonista realmente penou e apanhou um bocado, principalmente da Filha de Hades. Outra coisa que aconteceu foi à proximidade dos três, que aumentou bastante. Mesmo assim, o que aconteceu lá fora durante estas seis semanas? Isso eu irei explicar aos poucos e esse intervalo de tempo será importantíssimo para a história.

***

Sinto como se eu tivesse um novo corpo. Já não sou mais tão magrelo e nem possuo a mesma aparência. Fui submetido a treinamento pesado e não tive muitos momentos livres. Aprendi a me movimentar com velocidade na água, a controlá-la em grandes e pequenas proporções, aprendi também a bloquear ataques com a água e a usar os estados sólidos e gasosos da água. O talento de Ray me impressionava e eu não me importava com a dor que ela me causava. Eu só queria me dedicar e aprender. Estas seis semanas foram muito importantes e logo eu estarei de volta à superfície. Hoje é meu último dia de treino, mas era a Natasha quem eu deveria enfrentar.

Estamos em uma espécie de cúpula de vidro, dentro d’água. Durante as três últimas semanas ela me ensinou diversos estilos de luta, inclusive o manuseio de algumas armas. Quanto ao uso do Arco, foi o único que não aprendi e era a que mais eu gostaria de conhecer. Acho que posso pedir ao Merlin para me ajudar. Chego à cúpula de treinamento bem cedo e fico a praticar algumas técnicas que já aprendi. Por um momento eu vejo meu reflexo no vidro e noto quanto estou diferente. Acho que o treino pesado e exposto a grande pressão da água me proporcionaram resultados mais rápidos. Ainda não tenho um corpo musculoso e nem quero. No entanto eu criei um corpo mais resistente, além dos aspectos visuais.

- Chegou cedo, hein. – Natasha exclamou.

- Hoje não irei apanhar. – a respondi. – Não que eu não goste de um pouquinho de surra.

E ela sorriu, apertando minha mão. Aqui dentro da cúpula não há água e ela não precisa da bolha. Podemos nos movimentar como se estivéssemos na superfície, ou seja, nada de nadar. Meus reflexos estão tão apurados, resultado de vários dias que apanhei por ser lerdo, que percebo que ela esta prestes a transformar um aperto de mãos em um golpe. Seguro seu outro braço, com a minha mão livre e rapidamente a rodopio, prendendo-a de costas para mim. Ela sorri, mas usa o meu corpo para se impulsionar e me arremessar de lado. Caio rolando e já estou de pé. Estou usando dois braceletes, que ganhei de alguns ciclopes e agora são meus itens inseparáveis. Estes acessórios são mágicos e eles armazenam água para que eu possa controlar onde não tiver. Eu ainda não sou capaz de criar água ou de extrair de plantas, por exemplo.

- Está pronta? – a provoco e já parto para o ataque.

Libero a água dos braceletes e me apoio bem no chão. A água acompanha os movimentos sutis dos meus braços, circulando ao redor do meu corpo. Isso se tornou fácil, desde que aprendi a sentir a água como parte do meu corpo. Avanço e disparo um chicote de água em sua direção, mas ela utiliza suas sombras para romper o meu golpe. Seu poder de controle é superior ao meu, desfazendo assim a água do meu ataque, que caiu ao seu redor.

- É só isso que você tem para mim? – ela agora é quem está a provocar.

Começo a sorrir e repito meus movimentos. Movimento meus braços ao redor do meu corpo, porém sem a água. Mal ela percebe que é a água que está em seus pés que está sob meu comando. Logo ergo uma prisão de água ao seu redor e a deixo presa. Retiro mais água do bracelete e consigo expandir a sua quantidade. Lanço um forte jato em sua direção e a deixo toda molhada. Contenho-me para não rir. Nat desembainha sua espada negra, banhada no rio estígio. Facilmente ela rompe minha prisão e eu fico bastante decepcionado. Avanço em sua direção e uso a água no chão para tentar desferir golpes cortantes. Ela investi contra mim, com sua espada e tenta cortar-me, mas falha. Ainda não sou bom ofensivamente, mas descobri que sou muito bom na defensiva. Desvio facilmente de seus golpes e me lanço para trás, me apoiando em minhas mãos, com os pés para o alto, como se plantasse bananeira.

Giro, com o apoio das minhas mãos e abro minhas pernas. Meu ataque circular acertou seu peito e ela caiu para trás. Fico de pé e saco duas adagas, mas ela já estava pronta para se defender. Sua lâmina se chocou com as minhas e começamos um duelo mano-a-mano. Desfiro alguns golpes que por pouco não a acertam, mas ela bloqueia de maneira sagaz com a sua própria espada. Rapidamente libero água dos meus braceletes e a acerto com um punho de água, jogando-a contra a parede da cúpula. Surpreendo-me com a força do meu golpe e vou até ela para ver se não a machuquei de verdade. Natasha era bem mais forte do que eu e não era comum eu acertar um golpe tão em cheio.

- Estou bem. – diz ela ao me aproximar.

Mas nem tudo estava tão bem. O vidro começa a rachar e rapidamente vai se rompendo em toda sua extensão. Pequenos filetes de água começam a entrar e estamos em sérios apuros. Primeiro, a pressão do rompimento pode nos esmagar. Segundo, os vidros podem nos matar quando tudo isso explodir. E terceiro, Nat não pode respirar debaixo d’água. Puxo-a pelas mãos, ajudando-a a levantar. Corremos em direção a saída e um imenso buraco surge no vidro, lançando um imenso jato em nossa direção. A força e velocidade eram imensas, mas eu estava bem na frente e abri a palma da mão para impedir o golpe. Senti a água e a desviei no último segundo, porém não seria possível segurar por muito tempo.

- Vá. – grito para a Nat, ainda desviando a água que já estava enchendo a redoma de vidro.

Ela correu em direção à porta e logo pegou o pequeno objeto brilhoso que permitia a ela respirar de baixo d’água, produzindo assim a bolha de ar. Este objeto consome muita energia e não pode ser usado por muito tempo, então quando estávamos treinando aqui na cúpula ela retirava. Já basta dormir e passar o resto do dia com ele. Nat conseguiu sair e eu soltei o controle do jato d’água. Nesse instante a cúpula explodiu e a água preencheu todo o lugar. Eu apenas fechei meus olhos e abri meus braços. Mesmo assim, talvez por estar submerso, eu ainda conseguia ver tudo que acontecia. O vidro se rompeu em milhares de fragmentos, mas todos estavam flutuando ao meu redor. Consegui usar a água para controlá-los bem em cima da hora e era como se meu corpo brilhasse. Aos poucos os vidros iam afundando e eu já poderia relaxar.

- Eric, veja. – Nat gritou ao se aproximar, me fazendo abrir os olhos.

E eu abri, mas preferia não ter feito isso. Daqui dava para ver o castelo de Poseidon e boa parte do seu reino. Tudo estava sendo atacado e por coisas que eu não consegui enxergar ou interpretar. Entrei em completo choque e precisei ser chacoalhado pela filha de Hades, para poder voltar a mim. Juntos nós nadamos na direção do castelo e uma fúria estava perfurando o meu peito. Eu iria parar qualquer fosse a coisa que estava a atacar este meu lugar. Era assim que eu me sentia e faria realmente qualquer coisa. Mas onde estava meu pai?

Ver toda aquela destruição me fez rever a imagem de tudo que era importante para mim. Como eu pude abandonar tudo na superfície, apenas por uma finalidade egoísta de me fortalecer? Chris, Merlin, O Acampamento... Jacob. Eu os abandonei para vir ao Reino de Poseidon e agora eu também estava o perdendo. Algo me puxou e eu vi que era a Ray. Logo ela me abraçou, chorando. Mesmo debaixo d’água era possível ver suas quentes lágrimas escorrendo. Acho então que isso só pode indicar que a batalha está perdida.

- Cadê Poseidon? – Nat fez a minha pergunta.

- Ele se ausentou e pediu para o Eric assumir seu trono. – Ray falou soluçando.

Eu nunca tinha visto-a de tal forma. Ela sempre era tão forte e determinada. Mas como assim? Eu assumir o Reino Marinho?

- Então eu vou descer lá e assumir. – eu falei sem pensar no que isso me acarretaria.

- Não. – Ray me implorou. – Se você for, seremos todos mortos.

- Mas eu preciso. – protestei. – E eu vou.

E assim eu também as deixei para trás. Nadei em uma velocidade imensa na direção da batalha. Diversas criaturas marinhas estavam lutando para defender o nosso reino e eu não seria passivo a isso. Por onde passei eu usei meu controle sobre a água para enforcar algumas criaturas sombrias que estavam a atacar meu lar. Tais criaturas me rememoraram ao dia em que fui atacado na floresta. Tive a impressão de ver aquele ser encapuzado da floresta, no meio da batalha, mas acho que foi só impressão minha. Eu ia enforcando criaturas por onde passava, com ódio em meus olhos. Cravei minhas adagas em alguns seres humanóides e os reduzi a cinzas. Meu corpo já estava sem controle, mas então fiquei cara a cara com a maior criatura que eu poderia imaginar. Era uma espécie de gigante, que estava atacando o trono de meu pai. Uma fúria imensa aqueceu o meu sangue e eu gritei. Gritei para que ele pudesse me ouvir e acabei acordando outra coisa.

O Tridente de Poseidon surgiu na minha frente, brilhando tanto que precisei semicerrar os olhos para não ficar cego. Logo minha visão foi se acostumando à sua luz e eu o toquei. Poder consumiu o meu corpo e eu juro pela minha alma que matarei tudo e todos que se colocarem em meu caminho. Olhei pro ser gigante e avancei em sua direção. E assim o tridente brilhou ainda mais.

Notas finais
A seguir: Capítulo 14 - A Verdade sobre a Trindade.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.