Coração De Gelo

7 Capítulo 7: Vê-lo, pelo menos, uma última vez.


Notas iniciais
"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "
Caio Fernando Abreu ♥
(P.S -> Eu escrevi este capítulo ouvindo, principalmente, estas duas músicas, principalmente na última parte: 1. http://www.youtube.com/watch?v=AfqGOfDEVhw (essa eu acho terrivelmente triste, e conseguiu ser a música mais triste que já ouvi na minha vida) e 2. http://www.youtube.com/watch?v=tyQNz7u5Ii0 (e essa, que é simples mas que me fez chorar).

“Eu queria dizer muitas coisas, mas falar está ficando difícil. Meu peito dói, assim como todo o resto do corpo, mas é o peito que dói mais. Meu coração, desfeito em sangue negro por causa dele, mas não o culpo. A decisão foi estritamente minha, e eu arcarei com ela com orgulho.”

“A última coisa que posso vir querer a ver antes de partir não sei para qual lugar seria ele irritado, ou chorando, embora eu duvide que vá chorar. Ele não é do tipo que chora, assim como eu não sou do tipo que diria todas essas coisas tão facilmente. Por isso, espero que ele entenda tudo isso em um só gesto.”

“Quero dizer a ele meu nome. Meu verdadeiro nome, para que ele não me esqueça, para que para ele eu não seja apenas “Inverno”, o frio, o mortal, aquele que todos detestam. Depois de milênios, estou cansado de manter esse segredo apenas para mim, quero dividi-lo com ele. Meu verdadeiro nome.”

“Também queria dizer que não sei exatamente como ele veio a conseguir me ver, sendo que não permiti isso, no primeiro dia que nos vimos. Não sei o motivo, talvez ele saiba, mas na verdade, não me importo. Não preciso mais manter a fachada que diz que não me importo com nada, porque, na verdade, eu me importo. Me importo com tudo que o tem. Na verdade, eu sempre me importei, e mesmo me sendo proibido, sempre senti, senti a dor na maioria dos minutos, mas ele fez com que eu sentisse algo diferente de dor.”

“Queria pedir desculpas por ser tão egoísta a ponto de fazer as coisas sem pensar no que ele iria achar, se estaria tudo bem para ele eu morrer assim. Queria pedir desculpas por ter sido tão frio também, mas é o meu jeito. Intermináveis anos de solidão me fizeram ser o que sou, e só me arrependo por ter descontado nele daquela forma.”

“Queria deixar claro que sim, eu sinto alguma coisa por ele. Não me importa se é amor, ódio, paixão, atração sexual, não sei, não importa, o importante é que eu sinto e que não é uma dor física. Talvez ele me faça sentir outro tipo de dor, uma dor que não dói de forma ruim. Quem sabe seja amor, esse sentimento que faz com que eu sempre o queira ter por perto, que faz com que sempre eu o queira olhando para mim enquanto eu retribuo o olhar. Sei que ele foi o único que conseguiu aplacar aquela dor tão negativa.”

“Queria dizer que ele é um idiota, mas que eu também chego a ser um por ter ido tão longe com essa estupidez de morte e calor. Cruzar um limite que eu sabia não poder suportar. Uma estupidez tão grande que me vejo tendo, então, um último desejo, e que eu quero com cor de sangue que seja cumprido, realizado, com cheiro e cor de sangue, que lembra dor. Um desejo que dói, e ao mesmo tempo, que cura.”

“Poderia chegar a dizer que essa eterna contradição é uma característica bastante presente nos seres humanos, mas esse não é um luxo a mim concedido. É por não ser humano que eu talvez tenha vivido tanto tempo, visto tantas coisas, mas é por não ser humano que estou caindo agora. Penso que talvez tivesse preferido viver uma vida extremamente curta com esses sentimentos todos os dias do que uma terrivelmente longa com um ócio interminável.”

“Chego a quase me arrepender, mas não me arrependo, não de verdade, exceto enquanto a ele. Por ele, eu me arrependeria de todos os erros, até os mais ínfimos. E acho que isso é amor, essa necessidade de fazer a todo custo aquela outra pessoa satisfeita, feliz, mesmo que tenhamos que abrir mão da nossa felicidade para isso.”

“Na verdade, eu queria dizer muitas outras coisas, mas pensar está ficando mais e mais difícil, assim como respirar, assim como suportar a dor, assim como fazer qualquer outra coisa. Quem sabe eu devesse ter morrido sozinho, ter evitado vir aqui. Quem sabe eu devesse ter atrofiado, deitado em uma das árvores de cristal, sozinho, mas eu não quis.”

“Porque eu quis mais ainda, mais do que fazer o de praxe, ficar sozinho, mais do que fazer qualquer coisa, eu quis realizar esse último desejo.”

-De vê-lo uma última vez.

-O que você disse? Ei, Liam, ele disse alguma coisa!

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Sirius voltou a entrar na Base, os dedos doendo de tanto frio. Depois de se lembrar e sair pelo alçapão do seu quarto, caminhou pelo teto da Base até encontrar uma espécie de entrada que o evitasse ser visto pelas câmeras, mas com tudo cobertor de neve, era bem difícil.

As grossas luvas de couro e o casaco mal o protegiam do frio direito, mas ele revirava quilos e quilos de neve procurando outra entrada. Se havia um alçapão, não deveriam haver mais? Uma entrada pelos fundos, talvez? Apostou que prédios daquele jeito não deveriam ter apenas uma entrada/saída, porque se houvesse um incêndio isso seria ruim, então deveria haver outra entrada em algum lugar, certo?

Acabou pisando em falso enquanto andava pela neve do teto, afundando a perna até o joelho, o que doeu, mas o deixou mais aliviado. Saiu do buraco e tirou a neve de cima, vendo que era uma espécie de alçapão aberto. Entrou, caindo num cômodo escuro, logo tateando e encontrando uma porta.

Onde deveria estar? Não conseguia ouvir nenhuma voz, então deveria ser num lugar mais afastado da Base, quem sabe até secreto, afinal, ninguém conhecia os desejos de quem morara naquele lugar antes, uma vez que a Base uma vez fora habitada por gente comum e só depois usada como laboratório.

Abriu a porta com força, um tanto emperrada, e viu-se num corredor que não soube identificar, avançando com passos aéreos. Logo encontrou uma porta e a abriu de leve, encontrando outro corredor, dessa vez iluminado. Conseguia ouvir outros sons de pessoas conversando e outras correndo, imaginando a comoção que deveria estar ali agora, tendo os cientistas achado o elo perdido do século.

Correu pelos corredores sem saber exatamente que caminho tomar, como se seguisse apenas o instinto, abrindo todas as portas que encontrava e sempre se escondendo com alguém se aproximava. Quando não podia estar mais irritado por ainda não ter encontrado Inverno, congelou o passo, ao lado de uma porta. Vozes vinham do cômodo que ela escondia.

-Liam, eu acho que você não deveria fazer isso...-Soou uma voz.

-Eu sei o que estou fazendo, Christoferson. Cale-se. Isso é pelo bem da ciência.

-Mas ele não parece estar muito bem... As pupilas estão dilatadas e as batidas cardíacas estão bem fracas. Parece que ele está morrendo.

-Besteiras! Faço o que mando senão...!

Sirius engoliu em seco, mas não abriu a porta de primeira. Precisava pensar no que fazer a seguir, certo de que a primeira coisa era tirar Inverno de dentro da Base e levá-lo para fora. Depois... Depois não sabia.

“Ah, seja o que Deus quiser.”, Sirius murmurou, abrindo a porta com um chute e entrando no cômodo, logo fechando-a atrás de si, atraindo o olhar de ambos os cientistas para si: Seu pai e o tal de Christoferson.

-Sirius!-Liam exclamou, os olhos demonstrando o que parecia ser raiva misturada com outras coisas que o mais novo não conseguia entender.-O que está fazendo aqui?! Como chegou aqui?!-Liam então se virou para o outro cientista, que deveria ser seu assistente.-Eu pensei que a droga da porta estivesse guardada pelos outros!

-E está!-Christoferson exclamou, agitando os braços no ar, o jaleco impecável sujo de alguma coisa... Negra.

-Tire-o daqui!-Liam exclamou, dando as costas para Sirius enquanto adentrava mais o cômodo. Do outro lado da sala, deitado numa maca sob uma luz forte e branca, estava Inverno.

-Eu não vou sair daqui sem ele!-Sirius exclamou, embora totalmente ignorado. O assistente do seu pai se aproximou, as mãos erguidas, fitando o adolescente como se pedisse desculpas. Mais alto e maior, também deveria ser mais forte, os cabelos loiros caindo em cachos pelos ombros.

-Olha, você precisa voltar para o seu quarto e...-Christoferson começou, estendendo uma das mãos a Sirius, mas este a afastou com um tapa, tentando se desviar do assistente para chegar até Inverno.

-Fique longe de mim! Não toque em mim!-Sirius exclamou, empurrando o outro para o lado com força e indo em direção da estação a alguns metros, mas enquanto avançava os passos, foi pegado pela cintura e erguido do chão. Debateu-se, o olhar negro fixo num Inverno que rangia os dentes, os olhos fechados e os cabelos caídos de forma desregular enquanto tinha seu sangue tirado por Liam, ao lado da maca.-Fique longe dele, seu filho da puta! Não toque nele!

-Cale a boca!-Liam exclamou, fora de si. Tinha finalmente conseguido o que queria e não abriria a mão daquilo tão facilmente.

Christoferson ainda segurava Sirius pela cintura. O adolescente podia ser menor e até mais fraco, mas sabia escapar de uma briga com tanta habilidade que só lhe tinha sido concedida depois de anos sendo intimidado pelos outros garotos na escola. Sabia escapar e, por causa disso, ganhar brigas.

Parou de se debater e rapidamente deu uma cotovelada na altura do rosto do assistente, sendo subitamente solto, caindo no chão, mas antes que pudesse correr até Inverno, a mão de Christoferson puxou seu casaco com força, com tanta força que a súbita guinada para trás o fez perder o fôlego, cambaleando, levando um soco na altura das costelas.

Qualquer um teria caído novamente ou até desmaiado, mas Sirius era um rapaz treinado para apanhar e resistir. Virou-se e pegou a mão que segurava seu casaco, e com a mão livre, num lapso de segundo, chegou a sorrir e olhar nos olhos do assistente. Já tinha escapado de muitas situações só com o que estava prestes a fazer. Segurando o braço do outro com a mão esquerda, ergueu o braço direito e então o abaixou com força, usando o cotovelo, fazendo com que se chocasse no braço estendido do assistente, quebrando o osso, provocando uma fratura exposta.

Christoferson caiu no chão abraçando o próprio braço e gritando com tanta força que chegava a machucar os ouvidos. Não que Sirius quisesse machucá-lo, mas naquele momento, ele só queria chegar até Inverno.

Com um oponente abatido, Sirius correu até a maca. Liam não teve sequer tempo de se virar direito, logo empurrado para o lado com tanta força que foi ao chão, batendo em alguns armários. Sirius fitou Inverno com o coração batendo rápido demais.

A estação ainda tinha os olhos fechados, o peito mal se movia. Despido da cintura para cima e com vários fios de máquinas pregados à sua pele, Inverno foi erguido nos braços pelo rapaz, os fios caindo no ar, e tirado daquela sala.

Claro que Sirius não conseguiria suportar todo o peso do Inverno, pelo menos não por muito tempo, mas o próprio rapaz sentia que a antes pele frígida do outro estava apenas um tanto gelada. Onde estava o frio?

-Inverno! Inverno, acorda, porra! Acorda, seu filho da mãe!-O rapaz exclamou, correndo pelos corredores e a todo minuto olhando para trás para ver se não estava sendo seguido. Logo Liam mandaria alguém atrás de si. Precisava sair logo da Base antes que estragasse tudo.-Fala pelo menos alguma coisa! Droga, Inverno, diga alguma coisa!

-Eu...-Sirius ouviu muito baixo, ainda correndo e procurando por uma saída naquele lugar que mais lembrava um labirinto.-Queria dizer... Muitas... Coisas...

-Tá, tudo bem, diga mais tarde, entendeu?! Eu vou ouvir você, eu só queria saber se ainda estava aí... Puta que pariu!-Sirius exclamou quando todos os corredores pareciam não ter fim.-Olha, Inverno, você pode dizer tudo depois... Assim que nós sairmos daqui! Porque nós vamos sair daqui, assim que acharmos a saída! Eu juro!

-Eu queria... Lhe dizer... O meu... Verdadeiro nome...

-Depois, entendeu?! Depois! Nós precisamos sair daqui e arrumar um balde de gelo para você, aí depois a gente conversa, certo?!

Sirius apertou o outro com mais força contra si, temendo que isso fizesse o outro sentir mais calor, mas sem simplesmente poder evitar. Ele não podia deixar Inverno ir daquela forma.

O rapaz correu mais ainda pelos corredores, os braços doendo de carregar peso por tanto tempo. Quando começou a ouvir gente gritando seu nome, suou frio e apressou ainda mais o passo, desesperando-se.

Foi então que achou outra porta, uma familiar e maior, aquela que queria encontrar, mas enquanto veio a alegria, veio a raiva e a decepção, porque a saída da Base estava guardada por vários outros cientistas, alguns armados com porretes, o que deixava claro o quanto a coisa era séria por ali.

E todos eles viram quando Sirius apareceu no hall de entrada, entre dois corredores, de frente para a porta, segurando o ser mais belo que todos já viram nos braços. Sirius paralisou, sem saber o que fazer. Fugir? Para ser pego novamente? Poderia até ir para seu quarto, mas o mesmo estava trancado. Os braços já tremiam, sem aguentar tanto peso, e os pés doíam. O que fazer?

-É ele! Peguem-no!-Exclamou um dos cientistas, um geógrafo, sendo que tinha ido parar ali apenas para estudar o relevo das geleiras da Groenlândia e agora erguia um porrete no ar com ira.

-Me deixem passar!-Sirius exclamou, recuando e batendo as costas na parede, Inverno com a cabeça sobre seu peito, os olhos ainda fechados, a respiração ainda mais lenta e baixa.-Ele vai morrer se não sair daqui! Me deixem passar!

-Conta outra, moleque! Você só quer ficar com o elo só pra você! Nós até já chamamos os jornais! Todos nós vamos levar o crédito, ouviu?!-Exclamou um biólogo.

-Eu não quero saber da porra de elo algum! Ele vai morrer, você não entende?! Ele precisa do frio! Ele precisa estar lá fora!-Sirius voltou a exclamar, a voz ficando mais rasgada a cada palavra, mais desesperada, mais dolorosa, como se sua garganta fosse sangrar.

-Não, moleque! Esqueça isso! Ele não vai morrer, afinal, por que ele morreria?!

-Ele não é humano, seu imbecil!-Sirius exclamou.

-Sirius! Nem mais uma palavra!-Liam surgiu então, carregando um Christoferson consigo, a mão livre empunhando o que parecia ser um revólver.-E calem-se todos vocês, senão eu juro que transformo isso num massacre!

-Liam, o que diabos você está fazendo?!-Exclamou uma bióloga especializada em vida marinha.-Armas de fogo não são permitidas aqui!

-Eu terei o que eu quero! Eu terei fama! E dinheiro! E não permitirei que nenhum de vocês roubem o que eu suei tanto para conseguir!-Liam exclamou, apontando a arma para Sirius então, a tensão infestando o ar.-E você! Você é um maldito traidor! Por que não me disse antes?! Você sabia da existência dele e nada nos disse! Você é um maldito traidor filho da mãe!

-Melhor ser filho da mãe do que ser um pai que aponta uma arma para o próprio filho!-Sirius exclamou, tentando pensar em alguma coisa para escapar daquela situação.-Eu preciso sair! Ele precisa sair! Sem o frio, ele vai morrer! Por que nenhum de vocês entende isso?!

-Ele é humano!-Alguém exclamou.

-Ele não é humano! Ele é...!-Sirius tentou.

-Cale a boca, seu pirralho nojento!-Liam exclamou, interrompendo-o. Precisava parar Sirius antes que ele dissesse a verdade, porque aí, o crédito mais tarde seriam de todos e não apenas de Liam, e era esse crédito e essa fama que ele tanto queria.

-Ele é a personificação do inverno! É a estação viva! Nós só temos três meses de inverno por causa dele e vocês vão matá-lo!-Sirius tentou novamente.

-Seu maldito!-Liam exclamou. E diante de tanta raiva, querendo apenas calar o filho, ele atirou. A bala, não tão bem mirada e acionada por alguém que não tinha tanto costume de segurar uma arma, acabou por apenas pegar no braço de Sirius, que caiu de joelhos no chão, o cheiro de sangue logo enchendo o lugar.

E esse foi o estopim.

Temendo por suas próprias vidas ao ver um revólver, cada um dos cientistas que barravam a porta tinham entrado num intenso estado de tensão, cuidadosos com tudo. Com a resposta de Sirius, a tensão subiu, e com o barulho do tiro, aquele estampido seco e forte, agiram como uma massa de animais lutando por suas vidas. Alguns avançaram sobre Liam e chutaram o revólver da sua mão enquanto a maioria fugia dali, adentrando os corredores buscando um lugar seguro.

E essa foi a hora de escapar.

Entre tanta comoção, Sirius se pôs de pé novamente e levando Inverno consigo, abriu a porta e deixou a Base, o vento frio batendo em seu rosto, aquele corpo já não tão frio em seus braços. Avançou passos e mais passos na imensidão branca, deixando cada vez mais a Base para trás, sem se importar com a neve que caía com leveza e nem com o sol se pondo no horizonte.

Ele queria chegar até os domínios do Inverno, aquele lugar com árvores de cristal, cuja a entrada era aquela caverna misteriosa. Pelo menos ali Inverno iria se sentir mais em casa. Mas seus pés não compartilhavam o mesmo desejo, assim como suas pernas e braços, especialmente aquele que tinha parado de sangrar, mas que ainda doía bastante, o sangue congelado impedindo um sangramento maior.

Caiu no chão de neve ruidosamente, os joelhos sem força para seguir em frente. Engoliu em seco e fitou a estação, os olhos ainda fechados.

-Ei, Inverno... Abre os olhos, vai.-Tossiu, querendo ter pelo menos pegado uma roupa mais quente do que aquela que vestia.-Inverno... Porra, cara, abre os olhos! Ou fala! Ou me xinga, sei lá, mas faça alguma coisa!

Sirius fitou o rosto da estação, a pele desnuda e terrivelmente pálida, quase que literalmente branca naquele momento, mas o coração do rapaz deu um pulo quando viu, bem devagar, quase como se fosse um esforço monumental, as pálpebras se erguendo e deixando à mostra dois orbes azuis escuros. Sirius não pode evitar em sorrir, lembrando o quanto aquele tom de azul lhe lembrava os mares congelados.

-Cara, não me mata de susto assim...-Sirius disse, deitando a cabeça para encostar sua testa na do outro, sentindo a mão da estação pousar em sua nuca, como se dissesse que ele deveria continuar naquela posição.

-Meu... Meu nome... Saiba meu nome...-Inverno disse, a voz entrecortada, fraca, um fio de voz.

-Não, não fala, cara... Senão você... Senão você não vai conseguir respirar e você mal está respirando e...

Inverno estreitou o olhar e sorriu. Seu abdômen todo estava negro, na verdade, a cor escura, seu sangue, seu corpo derretendo-se por dentro chegava até suas costas, ombros, parte do pescoço, quase seu corpo inteiro. Devia doer, mas ele estava sorrindo naquele momento. Ergueu o pescoço com esforço e trouxe a cabeça do humano mais para perto dos seus lábios, e sussurrou duas palavras, aquelas que formavam seu verdadeiro nome, aquelas que deixavam claro que ele não era apenas uma estação, e sim, um ser vivo também. O mais próximo de um humano.

-Você sabe... O que vai acontecer... Agora...-Inverno disse então, uma vez que Sirius tinha erguido mais a cabeça para fitá-lo.

-Não, não, não! Eu tirei você de lá, você está vivo! Você está no frio! Você vai ficar bem!-O rapaz exclamou.-Você...! Não, Inverno, você não pode fazer isso!

-Eu tive apenas... Um único... Real... Desejo... Nesses últimos dias... De vida...

-Não! Últimos nada, você vai viver!

-E era que... Eu queria... Ver o maldito humano...

-Não!

-Por quem... Me apaixonei... Antes de... Partir...

-Você não vai embora!

-Seu... Imbecil... É claro que vou... Tudo que vive... Morre, um dia...

-Não! Inverno! Inverno! Porra, você não pode!-Sirius exclamou, pegando a mão do outro com força, sem se importar com vergonha ou dor, sem se importar com mais nada. Sentiu lágrimas lhe caírem pelos olhos.-Você... Não pode fazer isso comigo!

-Eu não achei... Que você fosse... Chorar...-Inverno disse então, sorrindo mais leve, os olhos começando a clarear de forma absurda, puxando o outro para mais perto e, quase sem força, encostando seus lábios gelados nos de Sirius.-Acho que... Isso é... Amor...

-Não diga besteiras!-Sirius exclamou, a voz bastante tremida por causa do choro, os soluços mal lhe permitindo falar.-Você não pode morrer! Não depois de todo o trabalho que eu tive! Não depois de tudo! Não pode!

-Eu... Não sinto mais... Dor...

Sirius apertou a mão do outro contra seu rosto, gritando, gritando com tanta força que sentiu o sangue lhe vir pela garganta, e gritando ainda mais alto quando os olhos de Inverno se tornaram inteiramente brancos, gritando ainda mais quando a mão da estação caiu, inerte, na neve.

Notas finais
Beeem... Se acalmem. Antes de me mandarem reviews dizendo que me odeiam e que querem me matar (again), eu aviso que este é o último capítulo, mas que ainda haverá um Epílogo Parte 1 e um Epílogo Parte 2, e só quando esses dois estiverem postados que a fanfic irá, realmente, terminar.
Não posso comentar sobre o que vai acontecer nos epílogos porque senão estraga a história, tanto que nem posso comentar nada...
BUUUUUUUUUUUT, EU CHORAY ENQUANTO ESCREVIA A ÚLTIMA PARTE DO INVERNO PQP, eu pegay as músicas mais tristes que tinha no pc pra escrever essa parte. SOU HORRÍVEL E MASOQUISTA EU SEI
Enfiem, MANDEM REVIEWS, SIEM??? FICAY TÃO FELIZ COM O TANTO DE REVIEWS QUE RECEBI DA ÚLTIMA VEZ ♥33 Pra vocês verem, eu ficay tão feliz que vim postar mais um chap antes do tempo! Se eu receber tantas reviews quanto da última vez, eu juro que posto o próximo chap mais cedo também, okay? ITS A PROMISE ♥
KISSES E ATÉ PRÓXIMO CHAP SEUS LINDOS/LINDAS ♥33