Coração De Diamante

19 Capítulo 17 - As Iniciais.


Notas iniciais
Tenho que dizer, primeiramente, que eu adoro esse capítulo! Sério, não tenho palavras para definir o quão lacrador Emmett está nele! Ah, e tenho a dizer também, que algumas pessoas já tinham feito teorias sobre o que aconteceria aqui. Espero que vocês gostem, e que comentem, favoritem e recomendem a história depois disso! Boa Leitura!

Música do Capítulo!

Isabella no fundo, sempre soube, que estava destinada a ter um futuro estranho e surpreendente. Afinal, ela sempre fora diferente das outras pessoas. Com ideias revolucionários, decisões radicais, e escolhas aparentemente incoerentes. Ela sempre pensou que faria algo épico, que estaria presente no dia que um grande acontecimento acontecesse, e bom, ela estava.

Foi naquele mesmo dia, que admitiu sua fragilidade, e sua dependência por Edward, que sua vida deu um giro de 360 graus, em questão de pouco tempo. E nem mesmo, toda a coragem que sempre pareceu ter, foi capaz de controlar os sentimentos conflitantes que se instalaram dentro de si, quando ela descobriu. Descobriu, que ela não estava mudando o destino. Ela estava apenas o cumprindo.

Edward estava ao seu lado, a abraçando pela cintura com toda determinação que podia, dando a entender, que realmente não a deixaria escapar. Ela gostava daquilo. Gostava de estar tão próximo assim dele, gostava de poder sentir seu cheiro, de estar colada a sua pele. Ela sabia que era patético ter aquele tipo de pensamento. Mas, ela simplesmente amava. Amava aquele homem.

O príncipe era o mais feliz dos homens ali. Sabia o que teria que enfrentar, mas, estava mais do que pronto para isso. Por Bella, ele enfrentaria tudo e todos. Isabella era seu mundo agora.

Bella deu um jeito de entrelaçar sua mão na dele, e o olhou hesitante, bem no momento em que pararam, na porta, do que parecia ser o cômodo mais elegante do reino; A sala do trono.

—Tem certeza que quer fazer isso? Digo, ter a discussão mais tenebrosa da história? — ela indagou, preocupada com o que poderia acontecer, se o pai dele, realmente rompesse relações com ele. Ela sabia o que era viver sem o apoio de um pai, e não queria aquilo para Edward.

—É isso mesmo que estou ouvindo? Isabella Black fugindo de uma briga? — ele zombou, para disfarçar seu nervosismo.

—Essa briga não é minha, Edward. É sua...Por mais que eu queira, dizer para todas essas regras e tradições se ferrarem, não posso fazer isso...Porque isso é algo, que você deve fazer. — ela o surpreendeu com aquelas palavras. Por mais que soubesse que ela era uma adulta, vendo o quão madura ela foi ao falar aquilo, Edward não pode deixar de se orgulhar.

—Tem razão essa luta é minha...Mas, eu vou lutar por você. — ele afirmou, e ela soltou sua mão, e acariciou o rosto dele, sorrindo com carinho.

—Está errado de novo...Não pode lutar por mim. Tem que lutar por você. — disse sorrindo sem humor.

—Você que não está entendendo nada...Você...Bella...Agora é uma parte de mim. — ele se declarou, e Bella o olhou emocionada.

Edward beijou as mãos delas, e quando se sentiu determinado o suficiente, girou a maçaneta da porta, e junto a Bella, caminhou em direção ao seu destino.

Todos estavam lá. Ao menos todos que importavam; O rei e a rainha, os pais de Rosalie, a própria e Emmett. E todos, sem exceção, encararam o casal reconciliado que acabara de entrar ali. Bella sabia que em uma situação como aquela, deveria se sentir hesitante quanto como se comportar, mas, ela não seria ela, se fizesse isso. Portanto, a Black, sem medo algum, ergueu seu queixo, e avaliou a todos ali, com seu olhar mais felino.

Aquele olhar, que tantas vezes já machucou outras pessoas. Aquele olhar, que ela lançou quando Jacob Black decidiu tornar-se seu irmão. O olhar que direcionou a Edward, quando se conheceram. O olhar em que a verdade sempre esteve.

O olhar que Rosalie observou com curiosidade. Pois só notou aqueles olhos, naquele momento.

—Não me diga, que foi por causa dessa plebeia, que decidiu desistir do trato de união dos reinos. — Carlisle foi o primeiro a se pronunciar, e não foi em seu tom mais educado. Estava furioso, e só queria entender onde errou com o filho. Edward por sua vez, não se afetou com as palavras do pai, ele sabia que ele reagiria assim. — Emmett me disse, sobre sua ideia estúpida de faze-lo subir ao trono...Onde você estava com a cabeça, quando decidiu que ele seria digno de ser um rei? — gritou para o filho, e uma aturdida Esmee, tentou conte-lo, apertando o ombro dele levemente.

—Acho que a pergunta correta, Carlisle...É onde seu pai estava com a cabeça, quando decidiu que você seria um rei digno. — Edward disse sério, fazendo o rei arregalar os olhos.

—Como se atreve, a duvidar da minha dignidade? — Por pouco, não avançou no príncipe, e cometeu um erro terrível.

—Você estava tão preocupado em me ensinar a caçar, lutar com espadas estudar sobre leis e ter etiqueta, para me tornar um rei...Que nunca notou, que para ser um bom rei, é preciso ser um bom ser humano, pai...É preciso sentir o que todos nossos súditos sentem, é preciso ir até a cada aldeia, e descobrir o que é preciso para que Gardênia melhore....Você acha que me ensinou tudo que eu precisava saber, mas, a verdade, é que você nunca me ensinou nada...Eu aprendi sozinho, aprendi a ser bom, a me importar com as pessoas, e com o peso que elas carregam nas costas. — falou aquilo tudo, de forma convicta, e Bella sentiu um orgulho imenso daquele homem. — Então, eu poderia te dar mil motivos, para justificar o quão digno Emmett é, para ser um bom rei, mas, só destacarei um; Emmett é uma boa pessoa. — Finalizou de forma sábia.

—Por que toda essa audácia, e esse comportamento atrevido? — Carlisle questionou incrédulo.

—Porque, eu não quero me casar com uma mulher que eu não amo. Porque, eu nunca quis, e se você tivesse sido mais meu pai, ao invés de ser um maldito ditador, por todo esse tempo, teria notado. Pode acreditar, eu quero ser rei, quero representar, as pessoas admiráveis desse reino, mas, não abrirei mão de quem eu amo, por isso. Então, eu fui esperto e achei uma brecha. — anunciou, olhando para todos ali, mostrando o quão certo estava do que queria.

Algo dentro de Bella se quebrou, quando ouviu ele dizer, sobre como queria ser rei. Não era justo, por que logo a melhor pessoa do mundo, não poderia ter tudo que quisesse? Ela já havia se conformado, com o fato de que para ela, no fim, algo sempre iria faltar. Mas, Edward não merecia ter aquele sentimento.

—Na verdade... — Emmett começou, e toda atenção se voltou para ele. O homem estava estranhamente silencioso até ali. — Eu não quero ser rei. — disse aquilo rindo. — Ninguém em sã consciência quer ser rei. — até Edward soltou uma risada com aquela. — Mas, eu quero aquela garota. — olhou para Rosalie com amor, e ali Bella entendeu tudo, assim, como as pessoas ali presentes, que se alarmaram com a situação. —Eu sei que ela também me quer. Mas, acreditem, não preciso tomar o lugar de rei do meu melhor amigo, para conseguir essa garota. — ele disse convicto.

—Deixe-me adivinhar, ardiloso como você sempre é, achou outra brecha no trato. — Carlisle diz irônico.

—De forma alguma. Não tenho intenção de abrir brechas nesse trato, o que eu quero realmente, é que ele seja cumprido. — disse sério, causando confusão nos ali presentes. Quando notou essa reação, tratou de se explicar. — Ilustrissímo rei Carlisle de Gardênia, pode me dizer qual a premissa desse trato de maneira clara? — pediu, como quem pedia a uma criança, para falar as vogais.

O rei revirou os olhos, achando que aquilo não iria a lugar nenhum, mas, apenas por educação, respondeu.

—Nele está colocado em palavras, que o primeiro filho do rei Carlisle de Gardênia, se casaria com a primogênita do reino vizinho, que no caso é Rosalie. Assim, no mesmo dia desse casamento, ambos se tornariam, respectivamente, rei e rainha de Gardênia. — explicou com desdém.

Então ali, Isabella soube. Ela sentiu, que aquele seria o momento de grande mudança da sua vida.

—Sim, a primogênita do reino vizinho se casaria com Edward, e ambos se tornariam, respectivamente, rei e rainha de Gardênia. — repete para confirmar. — O rei Charlie, só deixou de avisar, que Rosalie não é a filha primogênita deles. — diz como se não fosse nada.

A rainha Renée ofega, e fica branca como um papel, enquanto Rose encara os pais sem entender nada do que está acontecendo ali. Edward com sua esperteza, não demora muito a juntar certas peças. E seus pais, bom, eles pareciam bem cientes de todos os fatos.

—Como você sabe? — Charlie questiona com os olhos felinos.

Isabella o encara, um tanto estática, preocupada com o rumo que aquela conversa teria.

—Bom, quando se é melhor amigo do futuro rei de Gardênia, você tem acesso a certas informações, e conversa com certas pessoas, como parteiras reais e esse tipo. E ai, você descobre que rainhas costumam guardar segredos, e ocultar filhos de seus passados. — Emmett diz com desdém.

—De qualquer forma, não deveria usa-la em pró desse trato. Minha primeira filha, morreu pouco tempo após parto. — ela disse sôfrega pela lembranças, e Isabella soltou o ar que estava prendendo.

—Eu acho que essa não é bem a história, rainha. — o melhor amigo de Edward fala, olhando a mulher com compaixão. Charlie vai até a mulher, a acolhe em seus braços, e encara Emmett com fúria.

—Pare com isso, rapaz. Não está vendo, como ela fica quando fala sobre isso? — ordenou, mas, aquilo não pararia o grandão.

—A senhora sempre sentiu, não é? Sempre soube que sua garotinha estava por ai. — ele disse sorrindo.

—Pare com isso. — foi Renée que gritou dessa vez.

—Foram os Volturi. — Emmett conta direito, e os olhos dela se arregalaram, quando ela sabiamente descobre o significado daquilo. — Foram eles que tiraram a filha de vocês, e de seu reino. — fala sua brilhante conclusão.

—Isso é absurdo, Emmett. — Rosalie fala, já em lágrimas, para o amado.

—Não é. Quando sua mãe estava grávida, de sua primeira filha, foi ai que o rei Carlisle propôs o trato de união dos reinos, porque a rainha Esmee também estava grávida, prestes a ter Edward, na verdade. Ele viu o quão vantajoso, seria se seus filhos se unissem e o rei Charlie aceitou na hora, mas, nada tinha sido assinado. Só que nesse mesmo período, os Volturi , queriam estabelecer uma união com o reino do Swan, mas, caso, o trato com Gardênia fosse firmado ali, eles não teria a mínima chance...Então, eles fizeram, deram um jeito de que quando sua irmã nascesse, ela fosse dada como morta, e eles dessem um fim nela. — Emmett diz as palavras pesar, e certa compaixão.

—Eles queriam atrasar, a minha negociação com Charlie. Se a primeira criança morresse, só poderíamos assinar o acordo, quando Renée engravidasse de novo. Então ai, Charlie aceitou o trato dos Volturi, e deu apoio financeiro a eles. — Carlisle completou a linha de raciocínio rapidamente.

Renée soluçou, e tampou sua boca, com a mão direita, totalmente atordoada com aquela noticia.

—Eles mataram minha filha, por causa de um trato? — ela estava indignada.

—Eles não a mataram...Foram cruéis, é um fato, mas, eles não a mataram...Eles viajaram com ela, Londres para ser mais especifico...Eles abandonaram a princesa, na frente de uma galeria famosa, enrolada em uma manta com as iniciais “M.S”, em uma das noites mais frias do ano, esperando que ela morresse por conta própria. — ele revela, e Bella ofega.

— “M.S”. — Renée repete emocionada.

—Eu sei o que significa...Marie Swan...Princesa Marie Swan. — ele diz sorrindo com emoção.

—Pare, Emmett. — pela primeira vez, Isabella fala, e parece que foi só ali, que eles a notaram de verdade. Ela falou aquilo em um tom baixo, e nada firme, tão diferente de como ela falava, de costume. — Eu não quero que você continue. — ela afirma convicta.

—Você quer, Bella...Você precisa. — É Edward quem diz isso.

—Sabe, quando eu fui aquela viagem com Edward, eu só tinha em mente, o desejo de dar um jeito de acabar com esse maldito trato, eu só não queria que ele cassasse com Rosalie. Fiquei bastante tempo, tentando arranjar uma forma, de fazer isso não acontecer, e foi ai que eu vi ela. — Parecia confuso no inicio, mas, ele sabia que no fim, eles entenderiam. — Foram os olhos, ela ergueu os olhos para mim, e eu vi a imensidão chocolate, foi ali que eu soube; Eu já havia os visto em outra pessoa. Havia os visto no rei Charlie. — Ele afirmou. — Então pouco tempo depois, Edward me contou sobre ela ser órfã, e ter uma história não esclarecida, foi ali que eu confirmei mais uma vez, que, aquela garota era minha saída, então a manta surgiu na história, mas, sabe qual foi o momento, que eu tive quase certeza? Quando eu vi a marca. — uma lágrima deslizou pela bochecha de Bella. — Um sol, a mesma marca que Charlie tem no pulso. — conta.

Edward puxa Bella contra si, enquanto ela chora copiosamente. Aquele gesto, fez com que os outros detalhes fossem dispensados. Emmett não precisou dizer, que aquela era a filha perdida dos Swan, Renée e Charlie sentiram e viram.

Bella se afastou de seu amado, e encarou aqueles que Emmett dava a entender que eram seus pais, e os olhos chocolate transbordados de lágrimas, foram observados com carinho por eles. Um tipo de carinho, que ela nunca recebeu.

—Céus...Marie está viva, Charlie. — Renée afirmou, chorando e sorrindo ao mesmo tempo, seu marido apresentava uma reação parecida agora. Enquanto Rose, também chorava, emocionada, e aliviada de certa forma.

Uma Bella robótica, engoliu as próximas lágrimas que queriam escapar, e suspirou.

—Meu nome não é Marie Swan. — disse convicta. — Meu nome é Isabella Black. — afirmou com a voz fraca. — Isso é a coisa mais estúpida que eu já ouvi na minha vida; Eu não sou a princesa de um maldito reino. — falou ofegante.

—Sim, você é, querida. —Renée disse, reconhecendo sua filha naquela mulher.

—Não sou não. — Bella negou. —Eu sou a garota que foi abandonada por seus pais, em frente a porcaria de uma galeria...Eles só deviam ser pobres, e não podiam arcar com a responsabilidade de terem uma filha, então me deixaram. — ela tentava acreditar naquilo.

—Nós não abandonamos você. — Charlie disse sério.

—Sim, vocês abandonaram...Quer dizer...Eles abandonaram...Porque, vocês não são eles. — ela continua irredutível.

—Bella, por favor. — Edward pede, com os olhos marejados também. Bella, olha para ele atordoada, e gargalha sem humor.

—Não, Edward, ninguém me sequestrou. — nega, balançando a cabeça.

—Por que é tão dificil acreditar? — é a voz doce de Esmee quem questiona isso.

—Porque não é justo. — Bella revela, e eles a olham sem entender. — Não é justo que minha vida tenha sido essa, enquanto essa garota. — Ela aponta para Rosalie. — Enquanto ela, tinha tudo que eu nunca tive. Não é justo que a vida tenha decidido, que eu deveria me ferrar, sem eu nunca ter feito nada, para receber isso. Não é justo. Simplesmente não é...Então, eu só quero continuar acreditando, que a culpa de eu não ter uma vida de verdade, é de dois cretinos que não estavam prontos para serem pais. — explica quase sem ar.

—Querida, nós te amávamos tanto, antes mesmo de conhecermos você. Você era nossa primeira filha, o primeiro fruto do nosso amor. — Renée disse sorrindo, tentando acalma-la.

—Por favor, não faça isso, não tente me consolar. — Bella pede. — Você quer agir, como se eu fosse um pássaro com a asa quebrada, mas, eu fui a pessoa que quebrava as asas dos outros....Eu machuquei pessoas, eu nunca deixei que ninguém que me amasse, porque eu nunca achei que merecia ser amada. Se nem meus pais me amaram, por que outros o fariam? E agora, eu descubro, que a minha história é basicamente, a única que eu nunca imaginei...Mas, você, rainha Renée, não me conhece...Se você acha, que nesse momento, vou te abraçar, te chamar de mamãe, e dizer o quão feliz estou, você está errada...Eu sou uma pessoa terrível, então, o que eu provavelmente vou fazer, é arranjar uma forma de te culpar pela vida que eu tive, mesmo você não tendo culpa nenhuma...Porque, é isso que eu faço, eu sempre coloco a culpa em todos...Porque, eu só quero saber, qual é a culpa que eu tenho, para no fim, ter sido mandada para a vida tão cruel que eu tive. — ela disse chorando. — Eu preciso sair daqui. — anuncia, então dá as costas a todos, correndo pelo corredor e sendo seguida por Edward.

E então, aquela era e sempre fora a verdade.

Notas finais
Comentem, e compartilhem comigo essa emoção!