Ele me levou até a minha casa.

Parou o carro na calçada, mas eu tentava ver pela janela do lado dele se tinha alguém em casa. Estava tudo escuro, não parecia ter uma viva alma lá dentro. Ele acompanhou meu olhar e depois voltou a me encarar.

- Tudo bem? Não parece ter ninguém... se não tiver ninguém a chave fica onde?

- No tapete. — Continuei séria olhando para minha casa. Não queria sair do carro por dois motivos: primeiro: queria continuar do lado do Luccas; segundo: estava quentinho. Raciocinei melhor e apostei que dentro de casa também estaria quentinho.

- Devo ter feito uma careta, porque ele arqueou uma sobrancelha e perguntou:

- O que foi? Está com medo que ficar sozinha em casa?

- Não, só... sei lá. — Apostei ter ficado um pouco roseada por isso virei para o lado. Respirei fundo e me virei para ele. — Bem, tenho que ir. Boa noite Luc.

- Boa noite. — Nos inclinamos um pouco e demos um selinho. Me virei, abri a porta, mas quando tinha acabado de fechar ouvi ele me chamando. — Ei. — Ele se debruçou no banco do lado para poder me ver melhor.

Nossa, isso soou como na história da Chapeuzinho Vermelho.

Recoloquei o meu casaco e o respondi:

- Que foi?

- Tem certeza que está bem sozinha?

- Nem sei se vou estar sozinha. — Ele deu mais uma olhada para a casa atrás dele.

- Aposta quanto que seus pais não estão em casa? — Olhei bem para casa antes de responder

- Nada. — Ele deu um sorriso de canto. — De qualquer jeito vou ficar bem, obrigada. — Comecei a caminhar, passei pela frente do carro e atravessei o pequeno jardim.

Minha mãe sempre deixa as chaves dentro do tapete quando sai.

Isso mesmo. Dentro do tapete.

É, ela fez um rasgo nele alegando que iria ser mais seguro.

Tatei-o e com um pouco de dificuldade encontrei a chave. Me levantei balançando as chaves para ele ver. Ele por sua vez deu um aceno de dentro do carro.

Vi que olhou para a direção do volante e abaixou as mãos, logo então ligaria o carro e sairia dali.

Mas eu estava enganada, mal abri a porta e vi uma sombra vindo de atrás de mim.

Ele estava sorrindo como se tivesse ganhado o melhor dos presentes de natal. Igualzinho a uma criança feliz. Não sabia se achava aquilo fofo ou estranho.

- O que está fazendo? — Abri a porta mas continuei segurando a maçaneta. Ele abriu os olhos e me respondeu ainda com um sorriso bobo:

- Vou ficar aqui com você até seus pais chegarem. Sei que você morre de medo de tudo, então imagina ficar sozinha? E se tiver um outro apagão, como você vai ficar sem um Luccas pra te proteger? Ai, ai. Estou cansado de ter que tomar conta de você.

- He-he, palhaço.

- Ué?! Mudou? Eu não era ridículo? — Ele fez uma cara de surpreso e ao mesmo tempo de alegria.

- Ainda é!

- Medrosinha.

Tiramos os casacos.

Realmente estava quentinho dentro de casa. Um pouco menos que o carro, mas ok.

Fui ligar a tv e sentamos em silêncio no sofá. Um pouco junto e um pouco separados. Assim ficamos até eu fazer uma pergunta difícil. Para mim pelo menos.

Tive que respirar bem fundo e fechar os olhos para tomar coragem de perguntar, ainda assim corei.

- Luccas...?

- Oi? — Nós não nos olhamos, continuamos olhando na direção da tv mas nenhum de nós estava realmente prestando atenção.

Foi aí que eu corei e olhei para o lado

- Nós... nós nos beijamos algumas vezes e tal... ãh, bem... nós... eh... estamos ficando? — Nem me arrisquei a olhar para ele para ver sua reação. Só fiquei encarando o corredorzinho, o mesmo corredor onde a Lina me machucou e sumiu.

Ele demorou um pouco a responder e eu fui ficando agoniada, mas finalmente ele deu sinal de vida!

- Não sei. Estamos? — Engoli a seco e me virei para ele assustada. E de brinde, corada.

- Co-como assim?! Eu que te perguntei, vo-você é que tem que me dizer! — Ele estava olhando para o teto com os braços apoiados nas costas do sofá, mas nessa hora ele desviou o olhar para mim e disse:

- Por que eu que tenho que decidir? E seu eu que tivesse te perguntado?

- Ma-mas você perguntou...

- Então... estamos ou não?

- Corei absurdamente!

- ...Devemos estar... não sei. Acho que sim. Por-porque não é normal amigos ficarem se pegando toda hora... então...

- A não ser que seja uma amizade colorida. Ser ficantes até que é basicamente isso, se você for pensar direito.

- Não... eu não acho que seja uma amizade colorida.

- Não?

- Não. Eu...

- Não quer que seja uma amizade colorida?

- Não! Quer dizer, sim! Quer dizer...

- Deborah... — Ele desta vez estava sério e me olhando nos olhos – Amo quando você fica envergonhada.

- Que?!... Espera! Você... você ficou fazendo essas perguntas pra me deixar com vergonha? De propósito?!

- É. — Ele deu uma gargalhada – Você é uma graça vermelhinha de vergonha, muito fofa. Gosto disso em você. - Ele podia ter falado “Amo isso em você” — Quer dizer... — Uma raridade aconteceu: Ele corou também! — eu gosto de você, né.

Dei um sorriso tímido e falei minha frase favorita:

- Você é ridículo.

- Mas você gosta. — Meu sorriso aumentou, quase saiu um riso. Fiz uma encenação de dúvida desviando do olhar dele e respondi:

- É... talvez.

Só senti um enorme peso sobre mim, quando abri melhor os olhos pude ver que ele havia me abraçado tão rápido e forte que caímos no sofá.

Quando ele tirou a cabeça do meu ombro pude me perder novamente no esmeralda dos olhos dele.

Me sentia a pessoa mais feia do mundo por estar olhando para olhos verdes esmeraldas tão lindos.

Ele tirou uma mecha de cabelo que tinha caído no meu rosto com as pontas dos dedos, deslizando delicadamente.

- Nunca pensei que ficaria assim, tão perto de você. — Ele disse me tirando do transe.

- Nem eu... — voltei a encara-lo e ele retribuiu com o mesmo olhar de admiração. Deu uma risada tímida.

- Não acredito que tive que passar por isso para finalmente poder te tocar e te... gostar de você. — Pensei que finalmente falaria “te amar” ou algo do tipo.

Eu dei uma risada, mas com o mesmo sorriso de antes se inclinou mais para me beijar, parecia que estava fazendo força para não soltar o peso em cima de mim.

Ficamos nesses pequenos beijos, toques e “destoques” de lábios até ele tirar a mão debaixo da minha cintura e descer até o meu quadril. Tirei, então, com um pouco de dificuldade os braços debaixo dele e os cruzei em seu pescoço.

Depois disso o beijo se intensificou mais.

Ele apertou o meu quadril, dava para perceber que eu e ele queríamos mais do que aquilo. E acho que ele realmente percebeu isso.

Ele, lentamente, colocou sua mão por debaixo do meu vestido, mas calma! Ainda estava no meu quadril! Como se tivesse pedindo permissão para continuar, descolou seus lábios dos meus deu um sorriso malicioso e disse:

- Ta quente aqui ou somos nós? — Dei um sorriso e depositei um selinho nele.

- Aqui na sala é perigoso.

- Também acho. — E me deu mais um selinho. — Que tal subirmos? O seu quarto é lá em cima não é?

- Si-sim – Ele me deu mais um beijinho e acariciou o meu rosto, ainda com o sorriso me perguntou:

- Está envergonhadinha, é?

- Ri-ridículo. — Ele se afastou de mim e ergueu-se ficando sentado, mas ainda me olhando. Eu aos poucos fui me levantando também.

- Você está vermelhinha – falou ele cutucando minha bochecha – está envergonhada!

- Ca-cala a boca!

- Calma, medrosinha, sabe que eu amo quando você fica assim.

- Você tem um gosto estranho. — Ele riu e se levantou.

Vi que tinha estendido a mão para me ajudar a levantar do sofá. Olhei bem para ele e percebi que sua expressão tinha mudado, não estava brincalhona, mas também não estava séria. Estava com um sorriso que por algum motivo me acalmava.

Dei um sorriso tímido também e aceitei a ajuda. Fui guiando ele até o meu quarto.

Chegando lá, entrei e parei de frente para minha escrivaninha, que fica ao lado da cama e em frente a porta.

Estava parada pensando no que eu realmente queria, se eu deixava acontecer...

Pude ouvir a porta sendo trancada, mas nem assim eu virei, continuei pensando. Tinha que pensar bem antes de tomar essa decisão, afinal era a minha primeira vez.

Levei um susto quando senti o zipper do meu vestido se abrindo atrás de mim. Virei só a cabeça para ter certeza de que era Luccas e não a Lina.

- Luccas! — Ele não abriu totalmente o zipper, mas não tirou a mão dele. Chegou mais perto do meu ouvido me fazendo arrepiar.

- Confia em mim?

Já assumi que o amo...

Se não for com ele, não vai ser com mais ninguém.

- Si-sim. — Pude ver de canto um sorriso e senti mais uma vez meu zipper sendo aberto. Me arrepiei mais quando ele começou a beijar delicadamente meu pescoço.

Me senti como um vítima de um vampiro sedutor.

E então, assim como a vítima deixa se levar quando o vampiro chupa seu sangue deixei me levar pela sensação daquele momento.