Cool For The Summer

1 Não se chora por homem não.


Notas iniciais
Bem-vindos!

—Eu não acredito que você ainda está na merda por causa de homem! — O tom de voz da Duda era grave, mas evitava gritar, também, não fazia muito o estilo dela. — Vamos sair em uma hora e você ainda não se arrumou.

Eu estava deitada na cama, os olhos inchados por dormir mal e passar a noite chorando.

—Luiza, tem um mês. UM MÊS QUE VOCÊS TERMINARAM — opa, estava claro que alguém estava perdendo as estribeiras. — nunca vi você sofrer por homem!

Eu olhei para ela e depois para uma foto, na qual se encontrava meu ex e eu.

—Amiga, eu sei, mas parecia eterno, sabe? — minha voz estava embargada, eu sabia que toda a situação era tosca, mas não conseguia evitar. — Eu não posso dizer que ainda o amo, mas é que eu sinto falta dos momentos e acho que ninguém vai fazer oque ele fez por mim.

Ouvi um bater de pé, Duda estava impaciente, não suportava mais me ouvir falar dele, nem eu mesma me suportava mais. Sem dizer nada, ela puxou a foto que estava em minha mão e rasgou, me repreendeu com o olhar antes que eu dissesse algo e me jogou da cama para o chão, me puxou pelo braço e mesmo que eu reclamasse que estava machucando, ela não parou até que chegássemos ao banheiro.

— Luiza, você tem exatamente vinte minutos para sair daí, tomada banho, com os dentes escovados, cabelos limpos e escovados, ou eu vou matar você e o seu ex. Não se chora por homem não, se chora pelo lanche que caiu no chão, se chora por ter que escolher entre Itália e Canadá, se chora por ter que lembrar que não precisa chorar porque você é rica e pode ir para os dois lugares, TUDO DE UMA VEZ SÓ. —ela gesticulava sem parar, andava para lá e para cá dentro do banheiro tentando me mostrar que se chora por tudo, menos por homem. —Mas isso são coisas que nós não temos agora, primeiro vamos curtir as férias, depois pensamos em faculdade, em seguida ficamos ricas, só sucesso, amiga. — ela se aproximou de mim e apontou o dedo no meu rosto. — Se de uma coisa eu tenho certeza, você não vai construir e nem ter NADA DISSO, CHORANDO POR HOMEM.

Sem esperar que eu dissesse nada, mesmo que eu me encontrasse sem palavras, ela bateu a porta do banheiro e só com isso deixou claro que estava terminantemente proibido pensar, mencionar, falar, sussurrar, balbuciar qualquer coisa que envolvesse meu ex namorado.

—LEMBRE-SE, VOCÊ É LINDA, VAI FAZER SUCESSO NA VIAGEM.

Respirei fundo, precisava mentalizar que superar é necessário e que Duda estava totalmente correta, pensar no meu ex era tolice, ele está por aí se divertindo, enquanto estou aos prantos, isso é totalmente injusto. Eu sabia que aquele pensamento só iria durar algumas horas e depois estaria na merda, ninguém supera ninguém por causa de um discurso motivacional da melhor amiga, se fosse por isso, ninguém estaria sofrendo no mundo. Decidi aproveitar que estava melhor e fui direto para o chuveiro, se tem uma coisa que eu mais preciso é dessas férias: Sol. Bebidas. E muita gente nova para conhecer.

Quando sai do quarto, Duda estava terminando de escolher o'que eu iria vestir. Se resumia a um short jeans, uma regata preta e ao lado tinha algumas maquiagens.

—Vista isso logo, vou te maquiar para esconder essa cara de chorona, só não vou te deixar muito bonita, quero atrair alguns olhares para mim também.

Você já conheceu alguém que é bonita e sabe que é bonita e nunca reclama que ta feia? Duda é esse tipo de menina, só que além disso ela está sempre animando, levantando a astral de quem está por perto. Seus cabelos cor de mel e desde os 14 anos mantém ele na altura do ombro, os olhos são verdes, tom de pele bronzeado e sem contar suas curvas que sempre teve, mas passou a ser mais óbvias depois da academia. Diferente dela, sempre tive o corpo magro, mas entrei na academia por folia dela e passei a ganhar mais corpo, meus cabelos são castanhos escuros, os olhos da mesma cor, uma beleza monótona perto da dela.

Em poucos minutos, ela me maquiou, dando um up no visual, nem parecia que passei a madrugada toda chorando.

—Agora estamos prontas para ir. — abri um sorrisão e a abracei. — Muito obrigada, por tudo! Prometemos que essa será a melhor ferias de nossas vidas?

—Essa é a lulu que eu gosto! Prometo sim. — uma buzina ecoou até o quarto. — Deve ser sua mãe, vamos antes que ela se estresse.

Minha mãe disse que atrasaria uma hora no trabalho para nos levar até a rodoviária, mas se houvesse atrasos, teríamos que ir de ônibus. Fomos caminhando até o carro, pois ela já tinha se aprontado e só decidiu avisar buzinando.

—Está tudo ai, né? As passagens, identidade, tudo certo? Para viajar só vocês precisam provar que têm 18 anos e não são mais uns bebês.

—Não mãe, sem nostalgia. — pedi antes que ela começasse a falar de tudo que iria vir na mente dela, desde que Duda e eu começamos a nossa amizade, até os dias atuais.

—Você é sem coração. — ela reclamou e deu partida no carro. — Eduarda, seu pai vai está lá esperando por vocês não é?

Era estranho saber que iria rever o pai da Duda, ela não tinha contato visual com ele desde os 12 anos, após um término chato. Não fazíamos ideia se ele continuava o mesmo, se ainda estava casado, a única coisa que fazia era mandar o dinheiro da pensão de Duda, umas três vezes no mês ligava para saber como estavam as coisas. Maria Eduarda sempre foi uma garota forte, calma e serena, sempre fala que não sente falta do pai, mas desde que ele a chamou para passar as férias,ela não fala sobre outra coisa além disso. Eu sempre percebi que ela sentia falta dele, lembro que logo no início foi difícil, a garota chorava muito e eu chorava junto, não suportava ver minha melhor amiga sofrer. Hoje aqui estamos, indo rever seu pai depois de seis anos.

— Sim, tia vivi, ele pediu que avisasse quando chegarmos na entrada da cidade, que iria direto nos buscar.

—Ótimo, vocês não esqueçam de avisar quando chegar, nem a mim e nem a Maria. — Maria era a mãe da Duda que estava muito chateada com essa viagem. — E tenham juízo!

Seu olhar de mãe chata se posicionou em mim e dei de ombros.

Após minha mãe nos deixar na rodoviária, o ônibus já estava no local para embarque, colocamos nossas bolsas no suporte que fica acima dos bancos e nos sentamos, senti logo meu corpo pesar e minha cabeça começou a doer.

—Ei, tem problema se eu dormir a viagem toda?

Ela fez não com a cabeça enquanto procurava alguma coisa na bolsa, era o fone de ouvido. Sem falar nada, colocou os fones e fez sinal com a cabeça “vai em frente”. Me encostei no banco e não demorou muito tempo, cai no sono.

Meu sono foi tão profundo, que só acordei quando cheguei na rodoviária com a garota me chacoalhando. Demorei um pouco para processar e me levantei do banco para sair do ônibus. A rodoviária era bem simples, poucos pontos de embarque e o'que parecia era ter mais ônibus para municípios, do que para outros estados. O lugar estava cheio, nem Duda e eu tínhamos visto seu pai.

—Ei, vou ao banheiro, estou apertada, me espera aqui pelo amor de Odin. — Arregalei os olhos, se eu me perdesse naquele lugar, o meu jeito seria virar uma nômade, porque eu não fazia ideia de onde estava.

—Vou estar aqui, papai disse que está chegando, ele pediu que esperasse no desembarque.

Concordei e fui até o banheiro, mas entrei em estado de desespero ao ver o banheiro, estava todo sujo, fede a xixi, fezes, menstruação e mais xixi. Saí do banheiro e agradeci pelo ar puro que estava fora do banheiro.

— Você consegue segurar só mais um pouco. — sussurrei e fechei os olhos tentando mentalizar para o meu sistema urinário que não seria agora.

—Banheiro de rodoviária é a última opção para alguém, se você consegue segurar, sugiro que continue até chegar o seu destino.

MADRE DE DIOS! Deixei de fazer xixi, mas ganhei a visita de um anjo. Seu olhar era intenso e estava me encarando, alto, posso chutar uns um e noventa de altura, cabelos pretos só que alguns fios brancos eram perceptíveis, olhos castanhos, o tom de pele evidenciava um bronze recente e além disso,aparentava está na casa dos trinta anos. Não consegui dizer nada, apenas um som ridículo que parecia um “a” junto com uma risada.

— Você consegue? — continuava a brincar com o momento, espero que minha cara de admiração não tenha ficado tão óbvia.

—Acho que sim, depois de acontecimentos recentes, ir ao banheiro é o menor das minhas preocupações. —Posso eleger a mim, como a pior flertadora do mundo.

O rapaz sorriu, seu sorriso carregava malícia, totalmente diabólico, mas parecia o natural dele.

—Bem, senhorita, preciso ir, tenho que encontrar minha filha. — ele acenou, ainda sorrindo e se virou.

A única coisa que passou em minha cabeça foi que eu tinha acabado de tentar um flerte com um cara casado, que estava atrás da filha. Provavelmente uma criancinha, de doze anos, que estava junto com a mamãe. Fui correndo atrás da Eduarda e ela estava no telefone, quando viu minha cara, que provavelmente não estava normal.

— O que houve? Você está com uma expressão confusa.

—VOCÊ NÃO TEM IDEIA DO QUE ACONTECEU!! —percebi que poderíamos chamar atenção e procurei me recompor.— Eu vi o cara mais gato da minha vida e ele falou comigo, mas parecia ter uns trinta anos, só que quando falou da filha dele, eu cheguei a conclusão de que tinha mais.

—Vocês falaram de filhos? Porque você não flertou ao invés de falar de filhos? — Eduarda estava rindo e parecia desapontada. —E ele pode sim ser mais novo, meu pai me teve com 21 anos, hoje em dia ele tem 41. Falando nele — a menina arregalou os olhos e estava olhando em direção do rapaz com sorriso diabólico. — olha ele ali!

Respirei fundo, engoli seco e torci para estar olhando na direção errada, mas percebi que não até o homem se aproximar e abraçar a minha melhor amiga, fiquei totalmente sem graça, principalmente quando ele olhou para mim e sorriu.

—Tenho a impressão de que já nos conhecemos.

Notas finais
o que vcs esperam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.