Nasce com o sol, na ponta do pé,

Com gosto de sal, a tímida fé.

Sonda a alma como um jacaré,

Ancorada à areia morna ela é.

Encara na xícara o borrão,

O café forte faz um sermão.

Como a quiromante que lê a mão,

Na borra negra há uma visão.

Relembra a batalha do outro dia,

O que fez, o que jamais faria.

Cheiro doce de tangerina,

Escorbuto aqui não se cria.

Cada dia uma conquista,

Fruto de honra destemida.

Sabe o que o futuro espreita,

O tempo da jornada aceita.

Coração e mente são compassos,

Bussola que norteia os passos.

O leme navega por fracassos,

Desejos impuros, devassos.

Pela luneta vê através,

Destino de curioso viés.

Sente nova terra sob os pés,

A vida convoca ao convés.

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