Conversando com Meu Rival

1 Capítulo Único - Conversa


Notas iniciais
A primeira fic - que eu posto - de Death Note. ^^/Eu não fiz lemon porque não fiz e-eMaah enfim, novas fic's - certamente com lemon na jogada - virão. Então, enjoy õ/

– Mello? – ergo os olhos ao ouvir aquela voz chamar por mim. Certo, se o seu plano era me atrapalhar de modo que eu não consiga estudar e conseqüentemente, não vá melhor que você na prova, sinto informar que não vai conseguir, albino idiota.

– O quê é, Near? – rosno, encarando aquela criatura com desprezo.

– Já parou pra pensar... – uma longa pausa. Já parei pra pensar sim. Posso até dar um exemplo. Já parei pra pensar qual seria o motivo para seres tão ridículo.

– No quê, Near? – pergunto, ainda encarando-o.

– ...Por que as pessoas nos tratam diferente? – pergunta, como quem não quer nada. Olha, que eu saiba, ninguém me trata ‘’diferente’’, como fazem com certo autista. Mas eu sei por que te tratam ‘’diferente’’. Talvez seja pelo fato de seres um retardado, Near.

Mordo o lábio, controlando-me para não lhe dizer o que realmente me vinha á cabeça. Não podia, afinal, perderia a aposta que fiz com Matt. Acredite, é difícil resistir ao ato de chamar um albino idiota de albino idiota quando este praticamente está á pedir por isso.

– Deve ser porque somos diferentes. – dou de ombros, cerrando os olhos e mordendo com ainda mais força meu lábio inferior. Eu tinha de resistir, eu tinha de resistir! Conto até dez mentalmente, pensando em coisas ‘’felizes’’.

Primeira coisa que me vêm á cabeça: eu acabando de vez com Near.

Segunda: Chocolate.

Terceira: Eu tirando o posto de ‘’número um’’ definitivamente de Near.

Quarta: Uma piscina de chocolate.

Quinta: Near lambendo os dedos sujos de chocolate sedutoramente.

O QUÊ? Não, eu não podia ter pensado em tal coisa. Não, não, não E NÃO.

Certo, melhor voltar minha atenção para o que realmente interessa. Álgebra.

– Mello.

Bufo, voltando á desviar os meus olhos do livro de álgebra aberto á minha frente.

– O quê é, Near? – resmungo, ameacadoramente. Não posso dizer nada, não VOU dizer nada. Eu consigo. Pense naquela aposta idiota.

– Pode me responder uma coisa que não consegui descobrir a resposta? – joga um dado para cima e o agarra em seguida, pondo-o cuidadosamente sobre outros cinco.

Ah, maldita aposta. Não posso destruir suas coisas, também.

– Se nem você, o número um, foi capaz de descobrir, duvido que eu, — contorço minha face em uma expressão carregada de sarcasmo – o número dois, seja capaz de tal ato.

... Três, quatro, cinco...

– Acho que Mello saberia responder. Se eu cogitasse a possibilidade de que Mello não seria capaz, nem ao menos me daria ao trabalho de perguntar. – maldito anão com problemas mentais! Malditas respostas incontestáveis que ele SEMPRE tem!

– Então pergunte. – rangi os dentes, ainda em uma tentativa de não fazê-lo engolir no mínimo os dados idiotas.

As coisas estavam fora da barreira temporal da nossa dimensão. Aquele pedaço de papel estava me perguntando alguma coisa? Onde o mundo ia parar? Só faltava o Matt começar á dizer que não gosta de vídeos-game e que estes são perda de tempo.

– Por que me odeia, Mello? – franzi a sobrancelha. O que raios queria aquele ser? Por que estava falando comigo?

Eu não conseguia entender o que se passava naquela mente. Talvez o que acontecia somado ao fato de que eu estava estudando álgebra, não contribuísse para meu raciocínio.

Mas de todos os modos, de duas coisas eu estava convicto.

A primeira era que Near nunca fora de falar.

A segunda era que ele devia ter enlouquecido – ainda mais, se é que é possível aumentar seu nível de esquisitice – para estar assim.

Paro para pensar na pergunta que me foi feita por um minuto. Por que eu o odiava? Por vários motivos que eu já havia citado para Matt alguns milhares de vezes. Aquele viciado idiota me faz essa pergunta toda vez que eu brigo com aquele protótipo de zumbi. Ou seja, eu ouço e falo as mesmas coisas todos os dias.

– Porque sim. – resmungo, voltando o olhar para o livro. Eu não devo satisfações á ninguém, muito menos á ele! São meus motivos, ou seja é escolha minha e só minha contar ou não. E eu escolho não.

– Sempre achei que ‘’porque sim’’ não era resposta, Mello. – enrolou uma mecha de cabelo nos dedos descontraidamente.

Fechei o livro com força, fulminando-o com o olhar. Aquele idiota estava me provocando. Talvez soubesse que eu não podia fazer nada. Mas, se fosse esse o caso, não tinha a mínima ideia de como ele ficou sabendo. Á menos que...

Matt. Para o bem da sua vida, espero que não tenhas nada á ver com isso.

– Não te devo satisfações, Near. – rosno, procurando pela barra de chocolate que eu deixara sobre a mesa, encontrando-a e arrancando-lhe um enorme pedaço com os dentes.

– Eu sei disso. – disse, dando os ombros. Que criatura mais irritante, Senhor! Não sei como ainda não fiz nem falei nada que me fizesse perder. Meu autocontrole é ótimo nas situações em que REALMENTE preciso dele. – Apenas... – ele vacilou por um instante – Apenas acho que Mello deve ter um motivo para tal, e gostaria muito de saber qual é.

Estreitei os olhos o máximo que pude. Desde quando ele se importa? Aliás, por que ele se importa?

– Quer mesmo saber? – perguntei, olhando-o com uma expressão não muito agradável no rosto. Na teoria, se eu responder, ele pára de falar comigo e então finalmente posso voltar á estudar em paz, não é? Near assentiu com a cabeça, apoiando o rosto nos braços. – Eu te odeio Near, por não expressares nuncauma única emoção que seja. Odeio-te Near, por seres o número um sem o mínimo esforço, enquanto eu me esforço tanto e não consigo ser nada mais do que o número dois. – paro de falar para recuperar o fôlego. – E o mais importante: odeio-te por não conseguir uma reação tua independente do que eu faça.

Ele nada disse, como de costume. Apenas murmurou um ‘’Uhm...’’ e nada mais.

– Satisfeito? – pergunto, arqueando uma das sobrancelhas enquanto o mirava com o canto dos olhos. Seu olhar continuava o mesmo, porém um pouco distante. Para variar, enrolava outra mecha de cabelo com os dedos. Certo, não podia negar que aquele hábito dele era extremamente... Adorável.

Argh, isso outra vez?! Devo estar enlouquecendo mesmo.

Respiro fundo, abrindo o livro de Álgebra na página em que havia parado.

Finalmente, paz.

Pelo menos isso foi o que eu pensei nos primeiros cinco minutos, até ouvi-lo chamar por mim, outra vez.

– Mello. – Chega, estou farto disso!

– RAIOS NEAR! QUÊ DROGA VOCÊ QUER AGORA?! – grito, batendo o livro, fechando-o com força.

– Como sabemos quando estamos gostando de alguém? – perguntou em um sussurro, mas alto o suficiente para que eu pudesse ouvir.

Quê?

– O quê? – pergunto, franzindo o cenho, surpreso. Que diabo de pergunta era aquela? Até parece que aquele idiota estaria... Gostando de alguém...

– Eu perguntei como sabemos quando estamos gostando de alguém, Mello. – repetiu, um pouco mais alto. Seu rosto continuava sem expressão, o que não me fazia ver sentido em tal pergunta. Eu escutei o que ele disse. Apenas não acreditei.

– Bem, creio que... – suspiro, sentindo minhas bochechas corarem, por ter de falar sobre isso logo com ele. — ... Quando pensamos o tempo todo nesse alguém, quando nos sentimos estranhos só de chegar perto desse alguém... Quando esse alguém é tudo para nós, basicamente. – certo, de onde saiu todo esse sentimentalismo? E por que eu pensei naquela criatura albina intitulada Near ao falar? – Mas, por que a pergunta?

Um silêncio instalou-se entre nós por alguns instantes. Parecia que Near procurava as palavras certas para responder, mas estava difícil até para ele encontrá-las e responder na lata, como de costume.

– Eu apenas queria saber. – Voltou á enrolar o cabelo, despreocupado.

– Claro. – murmurei, pensando que agora a conversa estava oficialmente terminada. Ah, eu estava errado.

– Mello?

– O quê é dessa vez, Near? – resmungo, começando á aceitar o fato de que não ia conseguir estudar.

– Como eu faço para ter certeza? – perguntou. Se aquele imbecil é tão inteligente não precisa ficar me perguntando coisas á cada minuto!

Bufo, desistindo de estudar naquela tarde. Ótimo, quando não é o Matt me enchendo, é o Near.

– Pegue este alguém e beije. Se o seu coração bater mais forte, – se é que você tem um, pensei. – e sentir algo como borboletas no estômago, parabéns, você está apaixonado. – dou de ombros, interessando-me cada vez mais naquele assunto. Então Near estava mesmo gostando de alguém? Talvez ele não fosse tão frio assim. Entretanto, essa pessoa, seja lá quem fosse, era a única que conseguira alguma coisa dele. E eu venho tentando isso há muito tempo.

– Ah... – murmurou, tocando um dos dedos levemente sobre os próprios lábios, como se tivesse receio de até pensar em tal ato. – Mas e se... A pessoa que eu beijar não sentir o mesmo?

– Isso são outros quinhentos, Near. Acho que primeiro é importante saber o que você sente. – respondo, passando os dedos sobre a capa do livro de Álgebra. Senti algo incomodar-me. Precisamente, o que me incomodava era o fato de que Near gostava de alguém. Mas eu poderia morrer e não admitiria isso. Mas de quem será que ele estava gostando? Linda? Amy? Até mesmo... Matt? – Acho que deves tentar. Afinal, você nunca saberá como poderia ter sido.

– É... – sussurrou, olhando-me. – Acho que Mello pode ter razão.

Eu o encarava com o canto dos olhos, e ele me olhava simplesmente. Como eu adoraria saber o que se passava naquela mente idiota de albino idiota.

A única coisa que sei foi que a seqüência de atos á seguir foi completamente insólita.

Near engatinhou sobre a mesa até parar na minha frente, com o rosto realmente próximo do meu. Corei instantaneamente, surpreso com a distância de no máximo dois dedos entre nós.

– Near o que...

Ele colou os lábios nos meus, dando-me um selinho demorado. Eu não sabia o que fazer. Normalmente, lhe daria um murro no meio da cara, o insultaria até a última geração e o mataria depois. Mas, devido á aquela aposta maldita, esses atos estavam fora de cogitação.

E, por incrível que pareça, se eu pudesse fazer o que disse, não tenho certeza se o faria. Afinal, eu meio que estava... Gostando.

É eu estava beijando um garoto, que, além disso, era o Near, e estava gostando.

Podemos confirmar a reserva do meu quarto no hospício.

Depois de alguns instantes, Near abriu os olhos lentamente, afastando-se de mim e já com a cara de quem se preparava para apanhar. Acho que ele se assustou mais do que eu quando o puxei pela blusa de volta para meus lábios. Ele tinha sabor de morango. Sabor de bala de morango.

Minha língua pediu passagem depois de uns segundos, e timidamente ele concedeu, enquanto rodeava-me o pescoço com os braços.

Apenas separamo-nos quando o ar tornou-se preciso, e eu ainda não acreditava no que tinha feito.

– Pensei que Mello me odiasse... – murmurou, corando. Eu havia o feito corar?! Fogos de artifício explodiram interiormente enquanto eu comemorava em silêncio. Eu, Mihael Keehl, havia conseguido uma reação dele!

Suspirei, desviando o olhar para a janela.

– É, eu também. – resmungo, corando violentamente. – Mas e você, garoto-sem-emoções, o que sentiu?

– Não sou sem emoções. – um sorriso brotou em seus lábios. Não pude deixar de notar que:

Um: Era a primeira vez que o via sorrir.

Dois: Ele ficava incrivelmente adorável quando sorria.

– Ah, é mesmo? – não pude deixar de ser sarcástico.

– É, é mesmo. – revirou os olhos. – Se eu não tivesse emoções, não poderia amar Mello.

Um arrepio percorreu-me o corpo, e meu peito ardeu como nunca antes. Foi então que me dei conta. Aquele ódio todo era outra coisa. Quando Matt me perguntava por que eu odiava Near, era porque achava que era outra coisa, na verdade.

E eu nunca havia sentido isso antes para poder saber o que era.

Eu nunca na minha vida havia amado ninguém.

Até agora.

– Tenho notícias para você, albino idiota. – falei, em um tom sério. – Acho que... Também te amo.

Suspiro, retribuindo o sorriso que Near dava antes de roubar-me um selinho.

– Agora, com licença, podes me deixar estudar? – pergunto, sorrindo enquanto franzia a sobrancelha inquisitivamente.

– Claro. – ele voltou para seu lugar tão rápido quanto havia saído para beijar-me, e apoiou o cotovelo na mesa, apoiando o queixo na mão pequena e pálida.

Abro o livro de álgebra, crente de que depois de tudo isso finalmente teria a paz necessária para concentrar-me.

Depois de uns quinze minutos, vi que aquele autista adorável não iria me deixar em paz. Como? Com um simples...

– Mello...

– AH NEAR, EU TE AMO, MAS VÊ SE ME DEIXA EM PAZ PÔ! – grito, estressado, mas ainda com um tom brincalhão junto de um assassino.

Aquele pontinho branco riu baixo e levantou-se, veio até mim, deu-me um beijo estalado na bochecha, murmurou um ‘’Estressadinho’’, e saiu sala á fora, deixando-me em paz, finalmente.

Para você ver, como uma simples conversa pode mudar absolutamente tudo.

Fim.

Notas finais
Bregad por ler, e reviews são bem vindos ;u;
Bai :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!