Conversa animada

1 CONVERSA ANIMADA


Sabe aquele dia onde a saudade aperta por causa de um ente querido que já se foi, um arrombo no local do coração como se tivesse sido perfurado por uma lâmina? Os chacras entrando em colapso, obrigando seu corpo a voltar ao útero? Um sentimento nostálgico suicida? Já me perdi trezentas vezes em quantas vezes disse o quando sinto a falta dela.
Chame-me de possessivo, de perverso ou do que quiser. Onde ela está neste momento? Será que ainda se lembra de quem eu fui, de quem sou? A dúvida mais cruel é aquela que o silêncio perpetua e neste momento apenas Os Titãs arrancam-me o som nulo das cordas de minha alma.
Lembro-me claramente do que eu havia dito: “Quero estar apaixonado para sempre pois assim não serei forçado a me apaixonar novamente pelas outras pessoas”. Talvez minhas palavras tenham tido muito fundamento, e no meu juramento assinei em baixo.
“Conversa animada. É só a televisão”.
Dizem que para tudo tem uma cura, um antídoto. Negar o maldito remédio é suicídio? Eu sei a resposta, espero fielmente que a resposta mude porquanto eu a faça mais milhares de vezes.
Meses. Anos. Séculos. Voltarei nos seus sonhos, para sua felicidade ou tormenta? Quem sou eu, afinal?
O pior não é o desencarne, é quando há saudade de quem ainda está vivo. Vivo nos sonhos. Vivo no coração. Vivo para uma pena perpétua.

FIM
06/12/14

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