Notas iniciais
Bem, primeiro eu queria agradecer a todos vocês que acompanharam e favoritaram até o final da minha fic. Quando pensei em escrevê-la eu pensava que ninguém ia sequer ler, mas eu estava errada. Foi mt bom ler os comentários de tds vcs. Isso me ajudou a evoluir como escritora. Me emocionei com esse final porque eu realmente acredito nele, era assim que eu queria que fosse e na minha cabeça esse será sempre o final. Então vamos lá Contém frases de Convergente.

EPÍLOGO

Dois anos e meio depois

Tris

Hoje seria o dia da escolha se ainda tivéssemos facções. Alguns costumes se foram, mas outros não, como associar a cor da roupa de alguém a uma facção.

Abro os olhos e vejo que estou sozinha na cama de casal, minha e de Tobias, do nosso apartamento em Chicago, ao norte do rio. É num dos andares inferiores, mas através das grandes janelas posso ver uma grande extensão de edifícios. Eu, Tobias, Christina, Caleb, Cara, Peter, Zeke, Shauna, Matthew, Amar e George fomos um dos primeiros moradores da nova Chicago, então podemos escolher onde morar. Zeke, Shauna, Christina, Caleb, Amar e George optaram por viver nos pisos superiores do edifício Hancock, e Peter e Cara voltaram para os apartamentos perto do Parque Millennium, mas eu e Tobias escolhemos ficar aqui porque é bonito, e porque é longe de qualquer um dos nosso antigos lares.

Na mesinha de cabeceira encontro uma nota de Tobias.

VI–

Fui buscar Evelyn. Volto logo. Feliz dia da escola. Te amo.

–IV

Alguns costumes realmente nunca se vão.

O acordo, quando Tobias o ofereceu a mais de dois anos atrás, e quando ela repassou-o a Johanna, pouco depois, foi que ela iria deixar a cidade.

Agora, tanta coisa mudou em Chicago que eu nós não vemos mal em sua volta, e nem ela o faz. Apesar de que a nossa relação no passado não tenha sido tão boa, espero que com tudo calmo agora podemos viver em paz.

Vou até a cozinha e preparo alguma coisa para comer. Depois tomo um banho e enquanto penteio meus cabelos, encaro meu reflexo no espelho. Meus cabelos loiros agora estão longos de novo, já que o permiti crescerem novamente. Meu corpo é praticamente o mesmo, sou a mesma Tris de antes, baixinha e magrinha, mas os pesadelos, as dores, as tristezas, todas foram embora com o tempo. Como o Tobias disse, sei que elas ainda estão aqui, em mim. Mas elas foram substituídas por algo muito maior, o amor.

Escuto o som da caminhonete chegando e percebo que Tobias e Evelyn chegaram.

Desço as escadas do apartamento e vou abrir a porta para eles. Vejo nosso vizinho entrando em seu apartamento.

Nosso vizinho é um especialista em história, ele veio da fronteira. Ele chama Chicago de “a quarta cidade” porque foi destruída por um incêndio há séculos, depois novamente pela Guerra da Pureza, e agora estamos na quarta tentativa de nos estabelecer aqui.

– Bom dia, Tris. – Ele me cumprimenta.

– Bom dia. – Sorrimos e ele entra em seu apartamento.

Ele é um senhor de meia idade, casado e com dois filhos.

Vejo Tobias e Evelyn no fim do corredor.

Tobias atualmente com vinte e um anos continua sendo o mesmo Tobias de dezoito anos que me apaixonei. Lindo. O meu Tobias.

E Evelyn...apesar de dois anos terem se passado, ela parece mais jovem, seu rosto mais pleno e seu sorriso mais largo. O tempo longe fez bem a ela.

Ela levanta a mão para me cumprimentar quando se aproxima.

– Olá, Tris. – Ela abre um sorriso e me abraça.

– Bem-vinda de volta! – Digo.

Vejo o sorriso de Tobias. Quando me afasto de Evelyn, ele me beija. Um beijo rápido. Depois me abraça.

Evelyn por enquanto vai morar perto do nosso apartamento até se acostumar com uma Chicago sem facções.

— Como é viver sem facções? — Evelyn pergunta.

— É bem normal — sorrio para ela. — Você vai adorar.

+ + +

Decidimos andar na tirolesa para comemorar o dia, para relembrar os tempos de audácia. Estou a semanas tentando convencer Tobias a ir na tirolesa também.

Eu e Tobias andamos pela plataforma em direção ao grupo que já se reuniu.

Christina está com Caleb. Eles estão juntos, assim como eu e Tobias. Zeke está com Shauna, que está sentada na cadeira de rodas com um cobertor sobre o colo. Ela tem uma cadeira de rodas melhor agora, uma sem alças na parte de trás, para que ela possa manobrá-la com mais facilidade.

Matthew está na plataforma com os pés sobre a borda.

— Oi — digo, apoiando uma mão sobre o ombro de Shauna.

— Tenho uma coisa para mostrar a vocês dois. — diz Shauna, e ela joga o cobertor para o lado, revelando hastes metálicas complicadas nas pernas. Elas percorrem todo o caminho até seus quadris e enrolam em torno de sua barriga, como uma gaiola. Ela sorri para mim e para Tobias, e com um som de raspagem de engrenagens, coloca os pés no chão na frente da cadeira, e aos trancos e barrancos, ela fica de pé.

Eu sorrio abraçando Tobias de lado e ele também.

— Bem, olhe para isso — digo. — Eu tinha esquecido quão alta você é.

— Os companheiros de laboratório de Caleb fizeram para mim — ela conta. — Ainda estou pegando o jeito, mas eles dizem que eu poderia ser capaz de andar algum dia.

O trem está chegando. Ele vem em nossa direção nos trilhos polidos, então chia enquanto para em frente à plataforma. Uma cabeça se inclina para fora da janela do primeiro vagão, onde os controles ficam – é Cara, seu cabelo em uma trança apertada. Depois vejo Peter.

— Vamos! — Ela diz.

Shauna se senta na cadeira de novo e empurra-se através da porta. Matthew, Christina e Zeke a seguem. Eu fico por último junto de Tobias.

O trem começa a andar de novo, a velocidade aumentando a cada segundo, e o ouço assobiando ao longo dos trilhos, sinto o poder dele subindo dentro de mim. O ar chicoteia todo o meu rosto e pressiona a roupa em meu corpo. Posso ver a cidade expandindo em minha frente, os prédios iluminados pelo sol.

Não é o mesmo que costumava ser, mas superei isso há muito tempo. Todos nós já encontramos novos lugares. Cara e Caleb trabalham nos laboratórios do complexo, que agora é um pequeno segmento do Departamento de Agricultura, que trabalha para tornar a agricultura mais eficiente, capaz de alimentar mais pessoas. Matthew trabalha com pesquisa psiquiátrica em algum lugar na cidade – da última vez que perguntei a ele, ele estava estudando algo sobre memória. Christina e Peter trabalham em um escritório que ajuda as pessoas da fronteira que querem se mudar para a cidade. Zeke e Amar são policiais, e George treina a força policial – policiais da Audácia, eu os chamo. E eu e Tobias somos assistentes de um dos representantes da nossa cidade no governo: Johanna Reyes.

Sinto os braços de Tobias me apertando. Olho para ele.

– Você vai na tirolesa hoje? – Pergunto.

– É...eu não sei. Você sabe...eu tenho medo de altura. – Ele diz.

– Vai. Por favor. Por mim. Hoje seria o dia da escolha e você deveria enfrentar o seu medo porque hoje é um dia especial. – Digo.

– Vou pensar no seu caso. – Ele sorri e me beija.

Seus beijos delicados.

Não importa quantas vezes ele me beije, eu sempre vou querer mais, eu sempre vou querê-lo.

Cara faz o trem parar, e subimos para a plataforma. No topo das escadas, Shauna sai da cadeira e faz o seu caminho para baixo com o aparelho, um passo de cada vez. Matthew e Tobias levam a cadeira vazia atrás dela, que é pesada, mas não impossível de carregar.

Peter está atrás de nós. Ele está diferente. Depois que Peter saiu da neblina do soro da memória, alguns dos aspectos mais nítidos e mais duros de sua personalidade voltaram, mas não todos. Ele e Cara estão juntos. Desde de que saí do centro nunca mais o vi, até hoje.

Ele se aproxima de mim e diz:

– Christina me disse que nós éramos inimigos. – Ele diz sorrindo.

– Passado é passado. – Digo retribuindo o sorriso.

– Amigos? – Ele pergunta estendendo a mão.

Eu o abraço. Ele parece meio surpreso com o gesto, mas o retribui.

– Obrigada por salvar minha vida, eu nunca me esquecerei disso. – Digo.

– Por nada, Tris.

Nós continuamos subindo a escada e ele se junta a Cara e a beija enquanto falam de alguma coisa.

Eu me junto a Tobias.

– O que ele te disse? – Pergunta com a cara fechada.

– Você está com ciúmes Tobias? – Sorrio.

– Claro que não, só quero saber mesmo. E aquele abraço de vocês...- Eu o interrompo.

– Você já deveria saber que eu não tenho interesse em mais ninguém que não seja você. – Digo segurando seu rosto. Ele me beija.

– Tudo bem. Mas se ele se aproximar demais eu soco a cara dele. – Diz Tobias e nós rimos.

Andamos pelas ruas até a tirolesa. As facções se foram, mas essa parte da cidade tem mais Audaciosos do que qualquer outra, ainda reconhecível por seus piercings no rosto e peles tatuadas, embora não mais pelas cores – as roupas que usam são, por vezes, extravagantes. Alguns vagam pelas calçadas conosco, mas a maioria está no trabalho – todos em Chicago são obrigados a trabalhar, se forem capazes.

Diante de mim vejo o edifício Hancock apontando para o céu, sua base mais larga que o topo. As vigas negras perseguem umas as outras até o telhado, cruzando, apertando, se expandindo. Eu não estive tão perto daqui a um longo tempo. Entramos no saguão, com seus reluzentes pisos polidos e suas paredes manchadas com grafites brilhantes da Audácia, deixados aqui por residentes do edifício como uma espécie de relíquia. Este é um lugar da Audácia, porque foram eles que o adotaram, por sua altura e, uma parte de mim também suspeita, sua solidão. A Audácia gostava de preencher espaços vazios com o seu ruído. É algo que sempre gostei sobre eles.

Zeke pressiona o botão do elevador com o dedo indicador. Nós nos juntamos, e Cara pressiona o número 99. Fecho meus olhos quando o elevador sobe. O elevador estremece e para. Tobias se agarra à parede para se equilibrar quando as portas se abrem. Eu percebo seu nervosismo. O medo tomando conta do seu corpo. Eu o abraço e digo:

– Ei, eu já fiz isso. Não tenha medo. Eu aposto que quando você andar na tirolesa nem vai sentir mais medo, vai querer ir de novo. – Digo tentando acalmá-lo. Sorrio. Ele tenta sorrir também, mas continua gelado e nervoso.

Ar corre através da abertura no teto, e acima de mim está o céu, azul e brilhante. Me misturo com os outros em direção à escada. Acima de mim, Shauna sobe desajeitadamente as escadas, usando principalmente a força de seus braços.

Fico olhando para os prédios ao longo do pântano e agarro a mão de Tobias. Zeke atravessa o telhado até a tirolesa e prende alças que suportam um homem ao cabo de aço. Ele a bloqueia para que não deslize parabaixo e olha para o grupo com expectativa.

— Christina — ele diz. — É toda sua.

Christina está perto da alça, batendo um dedo no queixo.

— O que você acha? De barriga pra cima ou ao contrário?

— Ao contrário — Matthew responde. — Eu queria ir de barriga pra cima para não molhar minhas calças, e não quero você me copiando.

— Ir de barriga pra cima só fará mais provável que isso aconteça, sabe — Christina observa. — Então vá em frente e faça para que eu possa começar a te chamar de calças-molhadas.

Christina se prende nas alças, os pés primeiro, barriga para baixo, de modo que ela vai ver o prédio ficar menor enquanto viaja.

E em seguida Matthew e em seguida Shauna fazem o mesmo. Posso ouvir seus gritos de alegria, como canto de passarinhos no vento.

— Sua vez, Tris. — diz Zeke.

Concordo com a cabeça.

Olho para Tobias. Ele assente e beija minha testa.

Subo para o suporte. Sinto adrenalina percorrendo todo o meu corpo, como da primeira vez. Zeke aperta as correias nas minhas costas e pernas.

Olho para o Lago Shore Drive, e começo a deslizar.

Eu grito. Não um grito de medo, mas um grito de alegria. Nesse momento me sinto livre. Eu estou voando.

O chão está a apenas alguns metros abaixo de mim, perto o suficiente para saltar. Os outros se reuniram lá em um círculo, seus braços entrelaçados para formar uma rede de ossos e músculos para me pegar.

Pressiono meu rosto no suporte e rio. Torço os meus braços atrás das costas para soltar as tiras que me seguram e caio nos braços de meus amigos como uma pedra.

Eles me pegam, seus ossos beliscam minhas costas e pernas e me colocam no chão.

Todos gritamos. Gritos de alegria, de comemoração.

— Oh! Tobias está vindo. – Diz Christina apontando para um borrão preto vindo em nossa direção.

Ele grita tão alto que quero cobrir meus ouvidos. Todos rimos dos seus gritos. E quando ele finalmente está no chão eu o abraço, sentido os olhos nublarem.

– No meu momento de pânico cego eu entendi porque você fez isso desta forma – cabeça primeiro – porque a faz sentir como se estivesse voando, como se fosse um pássaro. – Ele sussurra, ainda agitado pela adrenalina.

– Exatamente. Oh, Tobias. Estou tão orgulhoso de você! – Digo com as lágrimas caindo.

– Tris, eu te amo. – Ele diz.

Em seguida eu o beijo. Naquele momento parecia que só estávamos eu e ele lá. E eu juro, juro que gostaria que aquele momento fosse infinito, eterno.

Só acordo para a realidade quando escuto os gritos dos nosso amigos ao nosso redor. Quando o beijo termina, estão todos ao nosso redor batendo palmas e gritando. Christina e Caleb abraçados, Cara e Peter também, Zeke beijando Shauna, Matthew sorrindo e George e Amah de mãos dadas.

–— Isso foi bom. Quer ir de novo, Quatro? – Pergunta Zeke.

Ele não hesita antes de responder.

— Absolutamente não.

+ + +

Caminhamos de volta para o trem em um grupo relaxado. Shauna anda com seus aparelhos, Zeke empurra a cadeira de rodas vazia e conversa com Amar. Matthew, Cara, Caleb, Peter e Tobias caminham juntos, conversando sobre algo que os deixa contentes. Christina anda ao meu lado e coloca uma mão no meu ombro.

— Feliz Dia da Escolha — diz ela. — Como você está?

— Eu estou bem — digo. – E você?

— Eu estou ótima. Já pensou em dar um passo adiante com Tobias?

Andamos na parte de trás do grupo, além dos edifícios ainda abandonados com suas janelas escuras, sobre a ponte que atravessa o rio pantanoso.

Eu sabia do que Chris falava. Ela estava falando de filhos.

— Na verdade não, nós resolvemos que só queremos dar esse passo mais tarde. — digo. — Mas e você e Caleb?

—Sim, nós já conversamos sobre isso. E concordamos que ainda não está na hora, ainda é muito cedo para filhos. — ela diz.

– Eu e Tobias achamos o mesmo. Mas me promete uma coisa? — Digo.

– O quê? — Ela pergunta.

– Me prometa que serei madrinha dos seus filhos. — Eu digo.

– Só prometo se você me prometer o mesmo com seus filhos. — Ela diz.

– Claro. — Sorrio.

Christina me abraça e eu retribuo o abraço. Vai ser sempre assim, Christina sempre será minha melhor amiga, minha irmã.

Subimos as escadas e vamos em direção ao complexo da Audácia.

+ + +

Estamos todos aqui. De frente para a entrada no complexo da Audácia.

Aproximo-me da beirada e olho para baixo.

Estamos no lugar onde tudo começou.

Desde que eu era jovem, eu sempre soube o seguinte: a vida nos danifica, cada um de nós. Não podemos escapar do dano. Mas agora, também estou aprendendo isso: nós podemos ser reparados. Podemos nos recuperar de nossa perdas. Reparamo-nos uns aos outros. Eu tenho Tobias, e Tobias tem a mim. E de uma coisa tenho certeza, temos um longo futuro pela frente.

Notas finais
Muito obrigada por terem acompanhado até aqui. Não imaginei nesse epílogo a Tris grávida ou com filhos, achei mt cedo para eles dois. Mas isso de como os filhos de Tobias e Tris serão vou deixar com vocês!!! Beijos, comentem pfvrrrr e divulguem a fic agora que ela está terminada. ♥ Novamente foi um prazer compartilhar esse final com vcs, obrigada por tudo. :') ♥ Deem uma olhadinha na minha nova fic pfvr, agradeço. ♥ http://fanfiction.com.br/historia/500434/Inesperadamente_Perfeito/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!