Convent Of Witches
1 Capítulo 01 : Treacherous Death
Notas iniciais
Narrado pela 3º pessoa
—Vai ficar dormindo até tarde mesmo?— Rachel berrava enquanto invadia o quarto de Andie, ambas eram melhores amigas desde que se entendiam por gente, mesmo com Rachel ser do tipo de pessoa que amava invadir a privacidade dos outros.
Andie murmurou algo enquanto colocava o travesseiro sobre a cabeça tentando ignorar a amiga.
—Não finja que está dormindo, é o primeiro dia de férias, podemos ir à cidade fazer qualquer coisa! Só não quero ficar aqui em casa. Agora vamos, porque eu estou de saída e você vem comigo! — Rachel puxava a coberta com a qual a amiga se cobria, enquanto a mesma grunhia.
—Você é uma pessoa particularmente muito desagradável! — queixou-se Andie enquanto se arrastava pra fora da cama.
Ela era bonita, cabelos castanhos e médios, pele levemente bronzeada e olhos azuis, já Rachel, era loira e de olhos verde escuros, possuía uma aparência sexy e selvagem, que combinava perfeitamente com sua personalidade rebelde e desafiadora.
—Por que temos que levantar à essa hora?! Que saco!
—Quero ir à cidade ver o que tem de bom lá e aproveitar que vovó não está — Andie alinhava os cabelos formando um coque desajeitado.
—Aonde ela foi? — Perguntou a morena enquanto bocejava.
—Fazer compras.
—Você quer ver o Tommy não é mesmo? — Andie sorria maliciosamente para a amiga que revira os olhos.
—Sabia! — Disse Andie piscando um olho para a amiga em cumplicidade.
—Ei! Não quero ver ele, mas se nos encontramos por aí... —completou dando de ombros e rindo um pouco.
Tommy Midler era um Europeu de vinte anos que Rachel conhecera quando derramou cappuccino quente na camiseta do rapaz, depois disso eles se esbarraram mais algumas vezes até que começaram a se envolver, mas como Rachel mesmo dizia... “nada sério”.
—E você quer que eu vá? — Perguntou Andie indignada.
—Quem sabe você encontra alguém também... — Rachel fez um biquinho e Andie jogou um travesseiro nela.
—Se arruma logo, hoje o dia vai ser perfeito!
۞۞۞
O dia em Forwood estava lindo, começo de verão, todos animados por causa das férias. Andie dirigia rumo ao centro da cidade com o carro de Lea, a vó de Rachel, — a mãe de Andie morreu quando ela possuía um ano de idade, então Lea adotou a garota em nome da amizade que tinha com sua mãe e o amor que sentia pela menina — Rachel dublava Beyoncé enquanto aumentava o som.
Assim que Andie estacionou o carro elas desceram e começaram a andar, passando por algumas lojas. Elas estavam lanchando em algum fastfood qualquer quando Rachel ficou sabendo que estava acontecendo um Festival de Férias perto das Fazendas Willians que davam de cara com a floresta, o qual decidiu prontamente que deveriam atender.
Quando chegaram ao festival notaram que haviam várias pessoas do colégio por lá, uma música eletrônica tocava no volume máximo e apesar de Andie se sentir um pouco desconfortável em meio toda aquela euforia, não reclamou.
Após alguns minutos lá, Rachel acabou por convencê-la para que dançassem juntas, depois disso, não demorou muito para que um garoto alto e másculo viesse convidar Rachel para dançar, Andie, por sua vez, pegou uma bebida e sentou-se em um banco. Alguns garotos a convidaram para dançar, mas sua total falta de interesse fez com que recusasse todos os pedidos.
Rachel dançava envolvida com o rapaz de antes, porém Andie olhava desconfiada para eles, especialmente para o garoto. Apesar de ser notoriamente bonito, seus olhos... havia algo neles que lhe causavam arrepios, mas Andie decidiu ignorar aquele pensamento. As horas se passavam, o Sol se despedia e a noite começava a cair sobre o local, Rachel e Andie conversaram bastante, até se encontrarem com Tommy, que apareceu mais tarde no festival. Ao anoitecer as coisas tornaram-se mais calmas, agora não era mais um DJ tocando música, algumas bandas tomaram seu lugar. O ar noturno envolvia todo o local com uma áurea de paz e tranquilidade, e foi então que o celular de Andie vibrou.
“Aonde vocês estão?”
“Vovó?”
Andie caminhou até um lugar mais silencioso para poder ouvir direito e respondeu:
“Festival de férias perto da Fazenda Willians, estamos perto.”
“Rachel está com você?”
“Sim vovó. Ela está... digamos que se entrosando com as pessoas.”
“Não demorem, estou quase chegando em casa, cuidado com quem vocês conversam.”
“Beijos vovó.”
Andie sorriu e guardou o aparelho em sua bolsa enquanto caminhava calmamente de volta para perto do local onde Rachel se encontrava.
—Búuuuuh! — Algo tocou seus ombros fazendo com que a menina desse um pulo pra trás.
—Mas que diabos é você? — Perguntou enquanto se recuperava do susto.
—Desculpe, sou Max, dono da festa... você está bem?
—Você acaba de me dar um susto e ainda pergunta se eu estou bem?! — O rapaz sorriu revelando covinhas, seus cabelos eram negros como a noite e seus olhos eram castanhos claros, quase mel.
“Ele deve malhar” pensou a garota reparando em seus músculos.
—Desculpe outra vez... é que vi você por ai sozinha achei que gostaria de uma companhia.
—Lamento lhe informar, mas não estou sozinha. Vim com minha amiga Rachel, sabe, aquela loira dançante... — ela disse fazendo um leve maneio de cabeça na direção da amiga.
—Ainda assim, devo insistir, você gostaria que eu lhe fizesse companhia? — perguntou o garoto, sua voz provocadora e cheia de confiança, provavelmente nunca havia sido rejeitado por uma garota antes.
—Não precisa, eu e minha amiga já estamos meio que de saída — falou já virando as costas para o garoto na intensão de seguir seu caminho, mas se interrompeu no meio do movimento — Ah! Belo festival, as bandas são muito boas, definitivamente melhores que o DJ que estava tocando mais cedo — completou com um sorriso tímido.
—Ah, qual é! Uma conversa não mata ninguém — falou o garoto com um sorriso presunçoso no rosto, seu olhar insistente, acabou por convencer Andie.
Depois de alguns minutos de conversa o garoto não conseguia mais tirar os olhos de Andie, então, calmamente, ele se aproximou almejando por seus lábios, conseguiu toca-los por um breve momento, no entanto, Andie não demorou a tomar controle sobre a situação e o empurrou para longe.
—Mas o que você pensa que tá’ fazendo?! — falou ela já se afastando do garoto.
—O que foi? Eu só te beijei! — Falou se aproximando uma vez mais, seu olhar queimava enquanto a encarava, coberto de malicia.
—Se você se aproximar de mim novamente eu te mato! — o ódio tomava conta da menina.
As luzes dos postes em volta deles começaram a falhar, Andie olhou para o rapaz mais uma vez e inconscientemente seus olhos miraram seu pescoço, ali via-se um circulo com uns símbolos estranhos, o que ela jugou ser uma tatuagem. Seu olhar era malicioso, e de certa forma cruel, o que fez com que Andie ficasse apreensiva e com medo. Em um surto de adrenalina causado pelo medo irracional que sentia, Andie correu para o meio da multidão — que parecia confusa com o ocorrido das lâmpadas — em busca de Rachel, tão logo a encontrou, puxou-a pelo braço e a arrastou para fora daquele local, ambas correndo em disparada.
—Ei! Você viu aquilo? — Assim que elas entraram no carro Rachel olhou para Andie confusa.
—Qual é o seu problema? — Perguntou tentando entender o que havia acabado de acontecer.
—Aquela festa tá’ um lixo, cheia de gente bêbada, e a vovó quer a gente em casa. — falou respirando fundo.
—Deixasse eu me despedir pelo menos.
—Agora já era, vamos embora — Rachel arrancou com o carro e seguiu o caminho calada, mas podia perceber a tensão de Andie.
—O que aconteceu? Eu vi aquele rapaz lindinho conversar com você — comentou quebrando o silêncio.
—Pois é Rachel aquele lindinho é um safado sem noção, aliás, aquele festival todo estava estranho.
—Safado? — indagou a amiga.
—Roubou um beijo... — Rachel tentou se segurar, mas acabou por cair na gargalhada.
—Sério que você tá assim por causa de um simples beijo?
—Não Rachel! Ele queria mais do que um beijo! — A garota explodiu em um berro só, Rachel ficou pálida e se calou por um instante.
—Quer dizer s-sexo...? — Perguntou se engasgando com a palavra.
—Exatamente... — Assim que elas chegaram em casa Rachel segurou a mão de Andie.
—Desculpe, eu não sabia, não deveria ter te deixado sozinha, eu...
—Tá tudo bem, só quero ficar longe de gente assim.
—Desculpa mesmo — ambas sorriram e se abraçaram.
Assim que elas desceram do carro o celular de ambas começou a tocar ao mesmo tempo, elas trocaram um olhar confuso e atenderam, do outro lado da linha, nada se ouvia, e no fim, confusas e um pouco apreensivas, apenas deligaram o telefone.
—Vovó? — Chamou Rachel enquanto entravam cautelosamente dentro da casa que estava imersa em sombras — Vó Lea? — tentou chama-la uma vez mais.
Elas tatearam a parede em busca do interruptor para ascender às luzes, apenas para constatar que a casa estava sem energia.
As duas dirigiram-se para as escadas com seus celulares iluminando o caminho, um nauseante cheiro de ferro invadia as narinas das garotas, o mesmo apenas se intensificava a medida que se aproximavam mais do segundo andar, tamanho foi o susto de ambas ao pisarem em algo viscoso e vermelho no meio do corredor, a substancia deixava um rastro por todo o caminho que seguia até o quarto de Andie.
Um calafrio percorreu o corpo das duas que, receosas dirigiram-se para o quarto, medo e apreensão invadindo o corpo de ambas. Ao chegarem perto da porta, Rachel virou a maçaneta de vagar, abrindo-a cuidadosamente, a mesma caiu de joelhos, seu corpo tremia dos pés a cabeça e um grito de completo terror irrompia por suas cordas vocais. Andie colocou a mão na boca, numa tentativa falha, de sufocar o desespero.
Ali, no meio do quarto iluminado pela luz do luar que adentrava pela janela, pendia um corpo de ponta cabeça, os pés amarrados à uma corda que se encontrava presa a um guincho fincado no teto, o rosto estava completamente ensanguentado e uma poça vermelha rodeava o chão abaixo do ponto onde o corpo se encontrava, um profundo corte corria de um lado a outro pela garganta, do corpo já sem vida, da frágil vovó Lea. Andie caiu no chão, medo, desespero, pavor, a preenchiam dos pés a cabeça. Ainda tremendo e em meio as lágrimas Rachel pegou seu telefone e discou o número da policia.
Andie, ainda em estado de choque com tudo aquilo, olhou para o teto do quarto, na esperança de que, quem sabe, se desviasse o olhar do corpo de sua avó e então olhasse novamente, constatasse que nada daquilo era real. E foi quando percebeu que no mesmo estava escrito “Shhh” em um escarlate tom de vermelho, que soube no mesmo instante, ser o sangue de sua avó.
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