Controvérsia
2 Conto de Fadas
Notas iniciais
Eu tenho apenas um pedido a fazer. Leia-o atentamente, e poderei descansar em paz.
A garota aqui se resume em meros pedaços quebrados, num coração confuso e desconexo. A garota que não passa de uma adolescente de um passado conturbado. A garota que lutou para ser feliz, que transformou do livros, o seu mundo. Que construiu o seu sonho com palavras.
"A vida é injusta, completamente. E para quem diz que finais felizes não existem, estão errados. Eles simplesmente não existirão para você. Nunca." A garota que se diria otimista com tais palavras, pois teve épocas que chegou num momento pior.
Um escritor não morre sozinho. Um escritor nunca é só. Ele morre junto com um grupo, um exército, o mundo todo. Um mundo perfeito e imperfeito, triste e feliz, o mundo dele se despedaça em suas próprias mãos, cada fragmento que ele lutou para criar. Tudo pode ser abandonado em dois momentos: quando você morre ou quando você desiste.
A morte é algo tão confuso que não podemos evitar. Mas desistir, isso sim pode ser impedido. Desde que queira do fundo do seu coração, continuar cada dia com os únicos leais eternamente a você, fragmentos que conseguem uma alma com o passar do tempo. Não abandonem o que vocês são, não abandonem o que vocês criaram.
Eles morrerão com você. Cada personagem, cada ser. É um elo inquebrável, mesmo que você os abandone. Eles trilharão cada passo ao seu lado, pronto a te mostrar o quão você pode ser feliz. Abandonar a imaginação pode ser um modo de dizer ao mundo: eu cresci. Mas após o primeiro adeus, pode ser que você não consiga-o de volta. O elo não é inquebrado, mas o seu outro lado cria uma barreira, uma forma de se proteger; é doloroso ser abandonado, ainda mais por aquele que os criou. E algumas pessoas, como aquela que lhes fala, simplesmente perderia o ar sem esse segundo mundo, tão invisível, tão complexo.
Antes, eu queria poder renascer. Poder viver toda a minha vida mais uma vez. Mas eu estaria jogando minha alma fora, abandonando o meu ser para tentar se alguém mais feliz em outra vida. Fingindo que minha existência nunca esteve aqui, mesmo que ninguém nunca a notou. E isso seria injusto, com toda a legião que vive dentro de mim. E, como sei que não podemos viver para sempre, eu escrevo. Cada pensamento, cada dia, expressão, sentimento. Cada personalidade, cada história, os sonhos de cada um. Num mundo onde não há perfeição, onde só são aceitos aqueles chutados pela a vida. Eu tenho vergonha de ter criado um mundo assim, mas é a realidade. A diferença é que eles são mais fortes que eu. As próprias criações são mais corajosas que o seu Pai. Elas nunca pensariam em desistir apenas por não ter dias de sol. Minhas próprias criações me ensinaram que para ser feliz, você tem que conhecer o outro lado da moeda. Só assim você alcançará a paz eterna.
Eu tenho medo. Eu tenho medo do que essa tal de felicidade possa significar. Que todo o meu refúgio possa sumir em um segundo, e eu se esquecer de cada rosto que sempre me ajudou, mentalmente, a crescer.
Escrevo sobre os fragmentos e morrerei assim, vivendo por palavras e esperando que alguém as ouça, e saia do mesmo buraco que eu cai. Que possam crescer como eu não cresci, que possam descobrir o mundo que me salvou, e que não se sufoque nele como eu fiz. Eu quero que todos saibam o que me impediu de desistir de viver, de tentar a cada dia sorrir para as circunstâncias ao saber que eles querem me ver feliz. Aquilo que deu significado a minha vida, a busca de algo que complete o coração da jovem insegura e magoada. Porque eu sei que a existência deles depende da minha, então, mesmo que não seja sincero, eu consigo esboçar um sorriso. Eu quero ver o meu mundo bem. Porque eu consegui nascer no outro lado da moeda, a garota dos sonhos se tornou eu, e agora não tem mais volta. Não para mim. Eu não quero voltar.
Meus livros são tudo. Minhas palavras são meu eu. Confuso, não?
Então por favor.
Não deixe-os morrer.
Ou pelo menos não esqueça quem é você, durante os sonhos e acordado.
Notas finais
Eu simplesmente parei de fazer esforço, e hoje sim, eu sou algo próximo a feliz. Ou não sou nada, descobrir como evitar. É simplesmente se esquecer, e não perguntar a si mesma: "como estou hoje?". A resposta as vezes pode magoar.
Continuo sendo a garota da história, marcada por decepções e com cicatrizes que nunca passarão, perdida num dos lados da moeda, no mundo em que a rainha é ela.
Mas eu tenho um objetivo; descobrir a felicidade. Porque a gente precisa chegar ao fim do poço para saber degustar do bem mais preciso que você pode ter.
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