Controladores dos Elementos
2 Tentando fugir e ligações
Notas iniciais
POV Lilian
Acordo com a janela sendo quebrada. Vejo um vulto do lado de fora. Grito. Levanto-me e corro, meus braços e rosto sangrando devido a pedaços de vidro. Esqueci completamente do meu treinamento. Deveria ter colocado uma boa roupa antes de dormir.
Ouço um segundo par de pés atrás de mim. Acelero, abrindo a porta e correndo para fora. Passo por baixo do poste de luz no jardim e deslizo pela grama, ziguezagueando para despistar o meu perseguidor. Quando acho que está bom, corro nas sombras para a vala que antes era usada para alimentar animais.
Encolho-me ali, controlando minha respiração. Acho que me sai bem em confundi-lo. Era o que pensava. Um vulto aparece na minha linha de visão, em seguida um pano cobre meu rosto e tudo fica preto.
~~
POV Matthew
Tiro a menina desmaiada de dentro da vala e a carrego no ombro para a casa. Deito-a na cama, bloqueio a janela e fecho a porta. Caminho para a sala e me esparramo no sofá de dois lugares. Puxo um celular do bolso e digito um número que conheço melhor que meu próprio nome.
– Só um instante – uma voz masculina diz do outro lado. Depois de gritar algo para alguém, volta a falar comigo – E então?
– Capturada.
– Sinais?
– Quando ela passou correndo sob o poste de luz, ele piscou.
– Estão aparecendo... Buscaremos a garota em breve.
Ele desliga. Suspiro. Bato o celular no braço do sofá, pendo minha cabeça para trás e fecho os olhos. Sombra não vai demorar, vai?
~~
POV Lilian
Acordo em meu quarto. Por um momento penso que tudo não passou de um sonho. Mas então escuto um barulho acima de mim, e quando me mexo para olhar a janela sinto dor onde o vidro me perfurou. Sento-me e avalio a janela. Parece que há água escorrendo nela, e quando estico um dedo e a toco meu dedo queima. Água fervendo.
Olho para a porta fechada e escuto uma voz, vinda provavelmente da sala. Agacho-me no chão, sentido pontadas de dor. Procuro embaixo da cama até achar a adaga de prata que tinha escondida lá, que pertencerá a meu avô.
Abro a porta com cuidado para não fazer barulho. Caminho até a sala. Através da porta vejo um garoto deitado no meu sofá. Ele tem a pela bem clara e cabelos de um preto-azulado. Aproximo-me lentamente. Ergo a adaga e quando começo a descê-la ele abre os olhos rapidamente e segura meu braço. Grito, deixando a adaga cair. Um par de olhos verdes como nunca vi antes me encara.
Grito novamente e puxo meu braço. Ele não oferece resistência. Corro para meu quarto e fecho a porta. Acho que a noite vai ser longa. Sento em minha cama e olho a porta assustada. Minha mente está tão cansada desses problemas, que adormeço novamente.
~~
POV Matthew
Resmungo levemente quando ela corre da sala. Pego sua adaga, que estava caída no chão, e a observo. Prata pura. Avalio as duas insígnias cravadas no punho: quatro linhas que não se encostam, formando uma espécie de “x”, e uma rosa. A primeira insígnia eu conhecia bem até demais. A segunda, porém, nunca tinha visto.
– Garota curiosa... Família curiosa.
Deito-me no sofá, pensando. O que mais teria escondido na casa com aquelas insígnias? Fico em pé e começo a procurar. Primeiro olho na pilha de objetos atrás da televisão. Nada. Avalio o restante da sala e acho uma barra de metal escondida embaixo do sofá. Em seguida me dirijo para a cozinha. Tirando um pé-de-cabra, que achei num dos armários, não havia nada estranho. O banheiro também não guardava nada, só um bisturi muito bem camuflado atrás do espelho.
Só faltava o quarto. Abro a porta lentamente. Ela está deitada na cama, dormindo profundamente. Entro e começo a vasculhar o armário. Nada aqui também. Olho na escrivaninha, que possui uma gaveta. Uma lâmina estava escondida ali. Ajoelho-me no chão e observo os objetos embaixo da cama. Na mosca!
Puxo uma espada e um cajado, ambos de prata pura. Puxo também uma caixa de prata com um cadeado do mesmo material. As duas insígnias apareciam nos três objetos. Repasso mentalmente a lista de famílias que conhecia. Resmungo quando não acho alguma família que tenha insígnia de rosa.
– Fleurette – sussurro seu sobrenome. Ela sorri durante o sono e se mexe, virando o rosto na minha direção. Ajoelho a sua frente e avalio suas feições.
Não, ela não se parecia com ninguém que tinha conhecido. Uma família exilada, talvez? Pego os objetos e saio do quarto, deixando a garota dormir.
~~
POV Lilian
Acordo quando o Sol aparece no céu. Sento em minha cama e lembro-me do garoto em minha casa. Pego uma camiseta preta e uma calça jeans escura no meu armário. Visto-me e abro a porta. O garoto cochila no meu sofá. Ele parece inofensivo assim. Pego na cozinha o pé-de-cabra que guardava ali e vou em sua direção. Assim que piso na sala, ele acorda.
– Nem tente – sua voz é baixa e rouca – Você não vai conseguir.
– Quem disse? – pergunto.
– Eu. Você não teria coragem, Lilian.
Sinto um arrepio quando ele pronuncia meu nome de maneira maligna. Prendo a respiração e solto o objeto em minhas mãos. Ele se levanta, com um sorriso vitorioso e caminha em minha direção. Me encara novamente.
– Imbecil – sibilo.
Ele ri como se achasse aquilo divertido, e não uma ameaça.
– Você não tem ideia de quem eu sou, não é? E muito menos ideia de quem você é...
– Sei sim, obrigada – respondi, ácida – Mas você, quem seria?
– Alguém que você deveria temer – ele diz.
Mostro a língua. Ele ri novamente.
– Volte para seu quarto, menina.
Saio batendo o pé. Entro na cozinha e sento-me a mesa. Tento entender o que ele disse. Quem é ele?
~~
POV Matthew
Assim que ela sai da sala, recebo uma ligação.
– Vai demorar. Uma semana. Uma família inteira apareceu. Segure-a aí.
Em seguida Sombra desliga. Resmungo. Uma semana segurando a menina aqui?! Isso seria praticamente impossível. Ouço ela mexer na geladeira e suspiro.
– Vamos então. Terei que aguentar.
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