Notas iniciais
olha que voltou!!! espero que gostem!!

"I'm so in love that I might stop breathing."

(Paris)

SEBASTIAN

— Cara, eu acho que se você sorrir mais um pouco, sua pele do rosto vai rasgar. — Hunter disse para mim enquanto andávamos pelas ruas da cidade.

Olivia tinha saído cedo para ver os alguns detalhes finais do vestido de noiva e eu tinha combinado de ir buscá-la quando tudo acabasse.

Mais cedo, embora tecnicamente minha parte estivesse toda ajeitada e combinada, Pedro me fez levantar cedo e trabalhar com ele nos ajustes finais de sua pequena construção.

Considerando que ele havia planejado e traçado tudo do local, eu realmente estava achando que ele era um gênio. Todas as minúcias, a rapidez e a sua habilidade de delegar quem faria o quê, fizeram o resultado final ser surpreendente.

Apesar do clima estranho quando estava perto dele, — porque minha mente parecia ter certeza que a qualquer momento ele me daria um sermão sobre desonra antes do casamento — o pai de Olivia não me tratou de forma diferente.

O que provavelmente significava que só era a minha cabeça criando paranóias.

Muito tempo ao lado de Olivia dava nisso.

Em determinado momento, Pedrp perguntou se não seria melhor se ele soubesse o que Max poderia ter feito ou dito para desencadear aquela reação minha.

Eu respondi que não seria, pois além de não achar que a reação dele seria muito melhor do que a minha, também era algo que dependia da escolha de Olivia contar. E que ela o faria quando se sentisse pronta.

O homem assentiu com a cabeça meio a contragosto e voltamos a ficar em silêncio enquanto lixávamos algumas imperfeições na entrada do que parecia ser um pequeno salão.

De repente, ele se virou para mim e segurou meu braço. Olhei para seu rosto e poderia ver a aflição e preocupação ali:

— Só me diga uma coisa, porque preciso ter certeza disso antes que eu fique louco.

Engoli em seco, mas concordei. Ele continuou:

— Max a...machucou? Fisicamente? Porque se ele o fez você precisa me contar.

Sua voz tinha um toque de desespero de um pai que faria de tudo e mais um pouco para proteger sua filha. Mesmo que a filha em questão aparentemente odiasse ser protegida.

— Não, senhor Sartori. Ele não encostou um dedo nela, dessa forma.

O que não queria dizer que ele não tinha a machucado de outras formas.

Continuei:

— Eu não o teria deixado se levantar do chão ontem se fosse o caso.

Pedro balançou a cabeça novamente, me soltando, e deu um sorrisinho de canto, ainda que a preocupação nos seus olhos não tivesse ido totalmente embora:

— Acredito que não.

Voltando das lembranças e me virando para Hunter, eu disse:

— Não sei se consigo parar de sorrir. Acho que nunca me senti assim antes.

Hunter bufou.

— Meu Deus do céu, eu vou ficar diabético andando com você. Que doçura. — ele disse com uma voz afetada.

Suspirei.

— É só que ela é...

— Linda, perfeita, gostosa, sensacional, maravilhosa, excepcional, incomparável...— Olhei para ele com uma cara feia e percebi que meu amigo estava contando nos dedos. — O que foi? Não olhe para mim assim, foi você que usou esses adjetivos em menos de meia hora. Todos eles.

Limpei a garganta:

— Não pode me culpar.

— Eu deveria ter visto os sinais. Você mesmo vivia dizendo que a gatinha nunca agia de forma que não fosse impecável. — Hunter murmurou.

— Só eu tenho permissão para chamá-la de gatinha, Hunter.

Ele rolou os olhos:

— Mas não é possível! Saiba que eu e Olivia também desenvolvemos uma relação muito próxima nessas semanas. Não adianta ficar com ciúmes, nossa amizade é inabalável.

— Por falar em relação, e você? Estamos numa cidade nova e você ainda não esquentou os lençóis de ninguém, isso é, no mínimo, estranho.

Meu amigo me olhou incrédulo.

Esquentar lençóis? Você já viu o pessoal dessa cidade? Qualquer garota que eu me aproxime para perguntar as horas é capaz de eu ter que fugir de um pai com uma espingarda.

Eu ri:

— Que exagero. E se for a própria garota com uma espingarda atrás de você? Acho que pode ser um kink interessante... não pense que não notei sua interação com Patricia.

Hunter quase engasgou com a própria saliva.

— Você precisa desencanar dessa ideia de mim com Patricia. Nossa aliança temporária era só para dar um empurrãozinho para você e Olivia, dois lerdos. — Quando olhei com um olhar questionador para ele, Hunter fez um gesto displicente com a mão. —Agora que os pombinhos estão vivendo no paraíso, nosso trabalho foi concluído e eu nunca mais vou precisar trocar mais do que duas palavras com aquela mulher.

— Quanta agressividade. Acho que nunca vi você tão na defensiva assim...

Minhas palavras sumiram quando vi do outro lado da calçada Max e Rebecca. O nariz dele estava inchado e coberto de curativos.

Ele parou por um instante ao me ver, assim como o restante do pessoal na rua. Era muito provável que todos já soubessem que eu havia feito aquilo no rosto dele.

Ignorando seu olhar assassino em minha direção, eu apenas continuei andando com Hunter como se não tivesse visto nada além de um inseto cruzar o meu caminho.

— Tenho certeza que para aquele cara, não sou eu que sou o agressivo... — Hunter zombou e eu lhe dei um empurrão de leve.

OLIVIA

Estava finalmente decidido.

O vestido de noiva que eu usaria seria o da minha mãe, com alguns ajustes, e o arranjo de cabelo, juntamente com o véu, seria o de Cecília Ferrante.

E era isto que estávamos fazendo naquele momento: ajustando os últimos detalhes.

Por ter herdado mais da estrutura física do meu pai do que da minha mãe, aumentamos a bainha e marcamos de folgar um pouco a cintura.

O decote estava perfeito e eu me sentia uma verdadeira princesa do campo.

Bônus: Não estava me sentindo ridícula com isso.

O vestido não era esvoaçante e grande como o de Cecília. Ele era mais reto, com algumas rendas nas mangas e algumas pedrarias no corpete. A saia caía suave e o tecido deslizava em minha pele como uma brisa.

Para quem olhasse rápido parecia simples, mas todos os detalhes eram clássicos e muito elegantes.

Aquele vestido também havia pertencido a minha avó e se considerássemos o status da família da minha mãe, a peça não tinha mesmo nada de simples.

Cecília se encarregou de pensar no penteado mais elegante e adequado para combinar tanto com o vestido quanto com o arranjo.

Ela me avisou que seria apenas uma prévia, usando alguns grampos e dando umas torcidas nas mechas do meu cabelo. Porém, minutos depois, pelo seu murmurar de aprovação, ela tinha conseguido ter uma boa ideia do penteado.

Quando terminou, as duas se afastaram para me olhar — um sorriso enorme no rosto de Cecília, os olhos da minha mãe lacrimejando e Norma, a costureira, com uma expressão de satisfação.

Eu nem percebi que estava tremendo até elas pedirem para eu me olhar no espelho. Teoricamente era um casamento de mentira. Sebastian e eu estávamos de acordo com aquilo já que pensar assim evitava que tanto eu quanto ele ficássemos muito nervosos a respeito.

Com cuidado para não ser espetada pelos alfinetes, eu me virei, encarando uma estranha meio conhecida no reflexo.

Eu não estava maquiada, não havia colocado as jóias, nem os sapatos. O vestido tinha várias marcações... mas poucas vezes na vida eu havia me sentido tão bonita.

Fixei meu olhar no espelho, atônita, absorvendo cada detalhe.

Era exatamente como deveria ser. Não só o vestido ou penteado.

Mas todo o resto.

Da última vez que estava planejando um casamento era como se houvesse uma tonelada sobre os meus ombros.

Agora simplesmente parecia certo.

Não estava preocupada com o que aconteceria depois porque não importava se aquele casamento era real ou não.

Sebastian era.

E essa era a coisa mais importante.

Todo o resto seria consequência.

SEBASTIAN

Olhei no relógio e já tinha passado alguns minutos da hora que Olivia disse que estaria saindo.

A porta do ateliê estava aberta, mas na parte da frente havia apenas uma aprendiz que me informou que Sartori estava na parte dos fundos com minha mãe, a dela e a costureira, mas que provavelmente elas tinham terminado, visto que a menina já havia recebido as numerações dos ajustes que fariam no vestido.

Suspirei fundo, disposto a esperar mais alguns minutos.

Hunter disse que iria dar uma volta e me encontrava mais tarde.

Segurei a língua para não provocá-lo sobre por onde ele provavelmente iria dar uma volta.

O ateliê tinha dois corredores que levavam a parte dos fundos, cada um de um lado. Quando me virei para olhar um deles, vi apenas minha mãe, a senhora Sartori e possivelmente a costureira conversando animadas. Olivia não estava visível em lugar algum.

Me direcionei para o outro corredor sob os avisos e protestos da aprendiz, mas prometi que não faria nada de errado.

Quando me aproximei do fim do corredor, vi a sombra de Olivia na parede se movendo de um lado para o outro.

Pensei em entrar no cômodo já fazendo alguma piada, como de costume, mas todas as palavras morreram na minha boca quando eu a vi.

Todo o ar sumiu dos meus pulmões e eu esqueci como respirar.

Ela ainda não tinha me visto, agora parada em frente ao espelho, tocando os detalhes do vestido que parecia abraçá-la. O cabelo dela estava preso, deixando seu pescoço esguio totalmente à mostra.

Alguns fios caiam por seu rosto e ela parecia um anjo.

Seus olhos se arregalaram quando me viu pelo espelho e se virou para, obviamente, brigar comigo.

— Sebastian Ferrante! — ela disse com uma voz furiosa, mas sussurrando e alternando o olhar de mim para a porta que provavelmente levaria a sala onde estavam nossas mães. — O que você está fazendo aqui?

Abri a boca algumas vezes, mas todo o meu corpo ainda assimilava a visão dela à minha frente, vestida de noiva.

Um bolo se formou em minha garganta e minha única reação foi diminuir o espaço que nos separava, segurar seu rosto com as duas mãos e beijá-la.

Olivia tentou me afastar por dois segundos, mas então cedeu em meus braços. Mantive a distância entre nossos corpos porque eu imaginava que devia ter alguns alfinetes entre os tecidos. De qualquer forma, não era como se eu precisasse me grudar a ela para mostrar o quanto a queria.

Uma das minhas mãos foi para sua nuca, facilitando mais o meu acesso aos seus lábios; sua língua acariciava a minha com cuidado e desejo.

— Sebastian...— ela sussurrou contra minha boca quando paramos por um instante. — Não deveria estar aqui.

— Você está tão linda. — Acariciei a bochecha dela enquanto um sorriso se formava em seu rosto.

Passos soaram no corredor por onde eu vim, e a aprendiz apareceu com olhos arregalados.

— Senhor...

— Você não consegue mesmo seguir as regras, não é? — Olivia disse para mim. — Dá azar ver o vestido antes do casamento.

— Não vai dar azar se chamarmos alguém para nos casar agora, que tal? Estou ansioso para a lua de mel.

A menina quase se engasgou na entrada, nos deixando a sós quase que instantaneamente.

Surpreendentemente, Olivia apenas sorriu.

— Não terá lua de mel se nossas mães nos encontrarem aqui porque, com certeza, elas irão te matar e eu ficarei viúva antes mesmo de casar. — ela fingiu estar pensativa. — O que não seria tão ruim porque fico ótima de preto. Agora, suma daqui!

— Você é uma mulher muito, muito malvada. Para o seu azar, gosto disso. — comentei, me afastando enquanto apontava o dedo para ela, absorvendo toda a sua figura. — Tem certeza que não quer oficializar tudo agora?

Sartori se inclinou pegando uma escova de madeira relativamente grande e que parecia bastante pesada.

— Eu vou te dar cinco segundos.

OLIVIA

De alguma forma, minha mãe, Cecília e Norma ficaram alheias ao fato que Sebastian espiou o vestido.

Quando saímos e elas o viram, Ferrante tinha um sorriso inocente no rosto, como se nada tivesse acontecido.

Cecília comentou que ele ficaria emocionado no dia da cerimônia, ao que Sebastian respondeu que não tinha dúvidas a respeito daquilo.

Só de lembrar do olhar no seu rosto quando me viu usando o vestido, fez com que eu ficasse com um sorriso bobo pelo resto do dia enquanto andávamos pelas outras partes da cidade que Sebastian ainda não tinha desbravado.

Mostrei para ele a escola onde estudei e os melhores lugares onde eu costumava ir quando deixavam que os alunos saíssem no intervalo.

Mostrei meus estabelecimentos favoritos e onde trabalhei durante as férias escolares.

Sebastian tentava prestar atenção em tudo, porém eu conseguia perceber que seu olhar estava focado em mim.

Como se ele não conseguisse parar de me olhar.

Como se, de tudo que eu estivesse mostrando para ele, eu fosse a coisa mais interessante que poderia existir.

Ao chegarmos no Parque dos Apaixonados, a senhora Sonia, que estava presente quando fomos ali pela primeira vez, ainda estava sentada no banquinho de antes.

Ainda nos observando.

Era como um déjà vu, só que tudo estava diferente. Naquela ocasião, nós tínhamos acabado de chegar na cidade e Sebastian tentava me convencer que, para alguém acreditar em nosso relacionamento, tínhamos que ter mais contato físico.

Irônico como eu havia ficado super na defensiva a respeito, mas agora, tudo o que eu mais queria era estar junto dele. Tocando-o, beijando-o.

Certamente parte de mim sempre desconfiou que acabaríamos nos deixando levar, se nós nos aproximássemos demais. Agora eu não conseguia ver aquilo como uma coisa ruim.

Sebastian era um homem incrível que fazia com que eu sentisse coisas incríveis. Que fazia com que eu quisesse ser e agir da maneira que eu realmente era por dentro. Na verdade, ele fazia com que pela primeira vez eu não sentisse medo de quem eu era de verdade.

Passando a mão pela minha cintura, ele me virou, apoiando minhas costas em um dos postes — não antes de lançar um sorrisinho para a dona Sonia, que virou o rosto, envergonhada, acho que pela primeira vez na vida.

— Olivia. — ele disse, me encarando.

— Sebastian. — respondi.

— Sabia que foi aqui que marcamos nosso primeiro encontro?

Arqueei uma sobrancelha:

— Marcamos? Eu lembro mais que fui intimada a comparecer.

— Depois de me dar tantas ordens na empresa e me meter nessa enrascada era o mínimo que você poderia fazer, não acha?

— Não se preocupe. Quando eu ganhar o cargo de supervisora geral, vai ter muito mais ordens. — falei, roçando meu lábio no seu.

— Ha! O que te faz pensar que você vai ganhar de mim? Além da sua alta competência e organização? — ele questionou enquanto colocava sua mão sob minha blusa.

Eu ri.

— Não fique triste. Como sua superior, eu vou poder ensinar algumas coisas para você.

— Estou contando com isso. — ele me deu um selinho. E me encarou, por um instante. — Sei que pode parecer muito rápido, mas quando te vi naquele vestido de noiva me ocorreu um pensamento de que preciso que você seja minha namorada.

Eu gargalhei. Embora ele tivesse um sorriso no rosto, o olhar de Sebastian estava sério.

— Claro, porque depois de noivos é normal virarmos namorados.

— Não parece um arranjo ótimo para nosso relacionamento não tão convencional?

— Está me intimando de novo? E dessa vez não para um encontro, mas para um compromisso muito mais sério como um namoro e...

— Eu te amo, Olivia. — Sebastian me interrompeu e suas palavras fizeram com que eu me calasse. — E...não quero que ache que digo essas palavras da boca para fora. Da última vez que ousei fazer isso, o desfecho foi bem...doloroso. Mas não posso viver com medo para sempre, não é?

Suas palavras me fizeram, compreender a seriedade em seu olhar;

— Seb...— Toquei sua bochecha e ele se inclinou em direção ao meu toque, mas não parou de dizer.

— Fiz várias escolhas erradas nessas semanas. Coisas injustificáveis que machucaram outra pessoa porque tive medo demais de encarar a verdade sobre o que eu sentia por você. — Ele fechou os olhos por um instante e eu aproveitei para analisar cada detalhe do seu rosto. — Durmo pensando em você e acordo querendo ver você, falar com você, sentir você. É terrível e maravilhoso, ao mesmo tempo. Olho para você e é como se eu te visse pela primeira vez. Quando te beijo sempre parece que estou realizando um sonho que sonhei por muito tempo. E quando estou com você é como se não quisesse estar em outro lugar.

Ele fez uma pausa e abriu os olhos novamente, mas ergueu a cabeça para observar o céu.

— Esses últimos dias fiquei num embate interno porque é provável que depois de tudo que já fiz e disse, você me ache um emocionado completo. Fiquei com medo de sufocar você como... como da última vez. — Ferrante inspirou o ar lentamente. Eu sabia que ele falava de Eloise. — Mas o que mais poderia ser isso senão amor? Não quero continuar me enganando. Não quero machucar mais ninguém nem me machucar no processo.

Ele me encarou. Meu coração estava disparado no peito. Era como se eu pudesse explodir de felicidade e continuar parada no mesmo lugar. Era como se minha pele estivesse pegando fogo e imersa em uma onda de calmaria, simultaneamente.

Ferrante encostou a testa na minha.

— Não preciso que você me diga nada de volta, Lili. Essa não é uma tentativa de testar seus sentimentos por mim. Eu só precisava que você soubesse que vai se casar de mentira com um homem que está apaixonado por você de verdade.

— Sebastian... — sussurrei, com a voz quase entalada na garganta, incapaz de formular uma frase que não me fizesse chorar.

— Quero que seja minha. Namorada, noiva, esposa... não me importo. Quero apenas que você seja minha...porque, se todo esse discurso não foi o suficiente para perceber: eu já sou seu.

Quando voltamos para a casa dos meus pais, Sebastian foi arrastado por meus irmãos para se prepararem para a despedida de solteiro que aconteceria à noite.

A minha despedida de solteira também seria naquele dia e me prometeram que seria bem mais ousada do que a de Liz.

Bem, o que seria mais ousado do que senhoras jogando baralho e apostando suas vidas no pôquer? Eu não fazia ideia.

Antes que fosse minha vez de ser abduzida, Otávio me avisou que nosso pai estava me chamando lá fora. Ao me aproximar do celeiro, apesar de não ter encontrado ele ainda, vi que sua construção estava finalizada.

E linda.

Não era nada enorme, era como se fosse uma capela sem o tema religioso.

— Gostou? — meu pai perguntou, atrás de mim, apoiando as duas mãos nos meus ombros.

— Está incrível. — falei. — E você fez tudo tão rápido. Não duvido que passou noites acordado sozinho, deixando tudo como queria.

Virei o rosto para olhá-lo e ele deu de ombros.

— Acho que você herdou isso de mim. Mas seria bom se tivesse me avisado desse seu relacionamento com um pouco de antecedência...

Franzi a testa.

— O que quer dizer com...?

— É seu. Fiz para o seu casamento.

Tirei suas mãos do meu ombro e o encarei, incrédula:

— Achei que iríamos alugar o salão da cidade.

— Nunca esteve nos meus planos. — Olhei para ele de cara feia. Ele continuou: — Dei uma casa para sua irmã quando ela casou. Dei uma casa para seu irmão quando ele casou. Sei que não vai me deixar dar uma casa para você, então...aí está. — Ele apontou para a estrutura. — Além disso, se eu alugasse o salão, várias pessoas iam sentir que nós temos a obrigação de convidá-las e sei que você não quer que a cidade toda participe.

— Pai...

— Olivia. — ele continuou, me encarando seriamente. — Acima de tudo, isso aqui é só uma manifestação simples de algo muito maior. Se depois da cerimônia você quiser pôr tudo abaixo, montar um estúdio, um escritório, uma garagem... Que seja. É seu porque sua mãe e eu percebemos que você sempre quis uma coisa maior para a sua vida do que viver aqui, mas não queremos que sinta como se não tivesse um local seu. Você e PJ são bem parecidos, ambos mais independentes do que gostaríamos, porém acredito que nós pegamos muito mais no seu pé do que no dele. Ele é o nosso filho mais velho, você é a nossa caçula, é natural que sejamos um pouco protetores demais quando o assunto é você.

"Nessa proteção toda, ironicamente, acabamos não percebendo que algumas coisas que fazíamos te machucavam ou davam a impressão que queríamos te impedir de voar e alcançar o que quisesse. Nunca foi nossa intenção. Na vontade de te manter perto, te afastamos ainda mais. Só quero que saiba que mesmo longe, em outra cidade, em outro estado, em outro país, você sempre terá um lugar entre nós. Fisicamente ou figurativamente. Você sempre pode voltar para casa, Olivia, mesmo sem estar aqui."

Me lancei nos seus braços antes mesmo que ele terminasse de falar.

— O que há com vocês, homens da minha vida, se esforçando para me fazer chorar hoje?

Meu pai me abraçou de volta.

— Diga a esse garoto que se ele ficar roubando meus momentos, ele vai se ver comigo.

Eu ri contra o seu ombro, fungando.

— Obrigada por isso, pai. Obrigada, de verdade.

— Agradeça nos deixando fazer pelo menos um pouquinho parte da sua vida, está bem? Não suma ou nos deixe no escuro de novo.

Eu o apertei mais forte contra mim e ficamos abraçados enquanto meu pai me levava para dentro do salão e me mostrava como imaginava que ficaria melhor a organização de tudo para a cerimônia.

Faltavam aproximadamente quarenta e oito horas para o casamento.

✥✥✥

Notas finais
Heeyyy, meus amores! AAAAAAAAAAAAAAAAAA desculpem n ter conseguido postar nos ultimos tempos eu gosto mto desse cap embora ainda ache que poderia ter escrito melhor MAS ENTÃO o que acharam do capítulo? meu coração está enorme com a declaração de sebastian e as palavras do papa sartori ♥ meus tudinhos Não se esqueçam de comentar o que estão achando (pf sou escritora independente preciso receber validação a todo momento rs), deixar aquele fave básico e compartilhar a história com os amigos ♥ vocês já podem ouvir a playlist de todas as músicas dos capítulos tanto no Spotify (bit.ly/cdcspotify) quanto no Apple Music (bit.ly/cdcapplemusic) A gnt se vê na quarta!! me sigam nas redes sociais! twitter: @ whodat_emmz ou @ emmieedwards_ instagram: @ emmiewrites