Notas iniciais
olá, eu volteeeeei

"Once in a lifetime you were mine."

(Once In A Lifetime)

OLIVIA

Olhei para o edifício onde havia trabalhado por cinco anos. Minha carreira havia começado, e por pouco não acabou, ali.

O preço foi apenas um coração estilhaçado e a perda do homem que eu amava.

Nada demais, pensei ironicamente.

Enfiei minhas coisas no carro que eu havia agendado para me ajudar a levar tudo até meu apartamento.

Enquanto ainda era meu.

Soltei o ar pelo nariz: sozinha, desempregada e muito em breve sem um lugar para morar.

Como eu havia perdido o controle da minha vida de uma maneira tão drástica?

Em menos de dez minutos, chegamos na portaria do meu prédio. O porteiro me ajudou a pôr as coisas para dentro e me entregou uma carta padronizada. Só pelo envelope eu já podia imaginar o conteúdo.

Enquanto subia o elevador, abri a correspondência e lá estava o aviso dos três meses de atraso do aluguel. Junto com os empréstimos do banco, a bolada que eu estava devendo por causa do meu tratamento era o suficiente para passar cinco anos sem apertos.

Mas é claro que os vencimentos eram todos para agora.

Sem uma renda, eu não fazia ideia de como formular um plano para sair daquela situação.

Olhando para trás, eu só conseguia perceber o quanto tinha sido idiota de continuar tentando não porque realmente queria engravidar, mas só para provar para o mundo que eu podia.

E agora eu estava uma bola de neve gigante.

Entrei no apartamento silencioso, jogando a correspondência na mesinha de centro e trazendo as caixas para dentro.

— Bom dia, princesa. — cumprimentei Judith que vinha andando do quarto de hospédes, os olhos sonolentos. — Como está essa febre, hein?

Carreguei-a em meus braços e chequei sua temperatura que, graças a Deus, havia normalizado.

Rebecca ainda deveria estar dormindo depois de ter passado a noite cuidando da filha que estava ardendo em febre.

A menina segurou uma mecha do meu cabelo e deu um beijo estalado na minha bochecha e eu ri. Ela era uma graça e super carinhosa. Uma pena que o pai provavelmente nunca lhe daria o valor que ela merecia.

Estava prestes a colocá-la no chão quando a campainha tocou.

— É quem? — Judith perguntou. — É papai?

Deus ajude que não, falei na minha mente e caminhei até a porta.

Patricia estava de pé do outro lado.

Minha amiga olhou primeiro para mim, depois para Judith e então por cima do meu ombro, para onde Rebecca esfregava os olhos e perguntava:

— Você viu a Jude?

Patty assoviou:

— Tá aí um plot twist que eu não estava esperando.

Me virei, colocando a neném no chão e dando um tapinha na sua bunda para que ela fosse na direção da mãe.

— Esse é literalmente o objetivo do plot twist.

— Vai se foder. — minha amiga rebateu, sussurrando.

— Bom dia, Patrícia. — Rebecca falou ao fundo e eu suspirei, sentindo a tensão no ar.

Patty apenas encarou Rebecca que saiu da sala com a filha sem falar mais nada.

— O que ela está fazendo aqui? — Patty continuou sussurrando indignada quando dei passagem para que ela entrasse no apartamento.

— Longa história, mas o resumo é que Max além de um traste resolveu virar um agressor.

O queixo de Patricia quase encostou no chão.

— O quê?

— Exatamente o que você ouviu. Ela disse que foi um tapa, mas acho que já aconteceu outras vezes. De maneiras mais...sutis.

— Uau. Eu não estou surpresa, mas...

— Eu sei, é um novo nível de baixo. Até mesmo para Maximus.

Patty assentiu com a cabeça e se sentou no sofá, ainda absorvendo a informação e então se virou para mim:

— Ele nunca fez isso com você, certo? Porque se ele fez, Olivia...

— Ele não estaria vivo se tivesse feito algo desse tipo, mas...Max já quebrou algumas coisas.

Várias na verdade.

— Só me explique por que é sua obrigação abrigar a mulher que te traiu. Por um momento achei que vocês duas tinham fugido juntas e formado uma família. — Patty ergueu as mãos na altura do ombro. — Adoro um romance sáfico só não tinha sentido essa vibe em você.

Respirei fundo, pegando uma das caixas do chão e abrindo.

— PJ pediu para eu arranjar um lugar para ela aqui na capital. Eu achei que...teria tempo, mas então tudo aconteceu. Achei melhor trazê-la de uma vez comigo.

— PJ? Pedro Júnior? Seu irmão?

— Sim, sim e sim. E eu confesso que ainda nem parei para pensar no que isso significa.

Dei de ombros, tirando um dos meus enfeites de mesa de dentro da caixa.

A lembrança dos minutos que eu e Sebastian compartilhamos naquela sala, momentos atrás.

Sua voz ao pé do meu ouvido.

"Você é mais importante para mim do que qualquer outra pessoa. Do que qualquer outra coisa."

Sua mão em minha cintura.

"Embora eu seja capaz de te deixar ofegante mesmo estando do outro lado dessa sala, também sou eu que não te deixa fechar os olhos à noite."

Sebastian não sabia o quanto estava certo.

Não sabia o quão perto estava da verdade.

Não sabia o quanto doía fingir que o que estava falando era um monte de bobagens.

Senti a mão de Patricia em meu braço.

Olhei para ela sentindo meus olhos arderem.

— Liv...— minha amiga disse baixinho. — O que aconteceu?

SEBASTIAN

Hunter estava na cozinha fazendo o jantar quando passei pela porta.

— Mulher, cheguei! — anunciei e ele olhou por cima do ombro, me mostrando o dedo do meio.

— Pelo menos, se já está fazendo piadas, pode arrumar aquele lixo que está no seu quarto.

— Não estou fazendo piadas, mãe. — Tentei falar sério, mas incapaz de conter um sorriso.

Hunter deixou a panela no fogão e veio até mim.

Ele segurou meu rosto e então tocou minha testa, arqueei uma sobrancelha.

— A menos que você tenha encontrado Olivia e ela disse que era tudo uma pegadinha e que te amava demais e os dois transaram apaixonadamente, eu não estou entendendo seu humor. — Hunter comentou com os olhos estreitos. — Esse é o seu momento Coringa? Em que está tudo dando errado e você se entrega à loucura? Porque se for, eu preciso dar uma ligada para a sua mãe antes. Só para deixar ela e seu pai a par da situação.

Segurei o seu braço e disse:

— Você está certo em uma parte: vi Olivia hoje e vou precisar da sua ajuda.

Hunter se soltou na cadeira depois de dar a última garfada na sua comida.

Eu, por minha vez, comecei a comer — o que estava no meu prato já havia ficado frio pelos últimos minutos que passei contando como havia sido minha breve manhã com Olivia.

— Sei que parece que estou correndo atrás de mais humilhação do que preciso, — falei. — Mas eu não acho que fui tão cego assim. Não acho que li errado os sinais.

— E, para ser honesto, eu também não. — Hunter rebateu. — Eu estava lá o tempo todo. Quer dizer, toda a família dela e seus pais estavam lá. Cada um deles pareceu tão surpreso quanto você no momento em que Olivia falou que não iria ter mais casamento.

Respirei fundo, mastigando.

— Sinto que tem alguma coisa por trás. Só não consigo imaginar o quê. Ela poderia muito bem ir para outra empresa nós dois estando juntos. Já estava claro que aquele acordo não fazia a mínima diferença entre nós. Olivia me disse isso diversas vezes. — Fiz uma pausa. — É só que...sei lá, Hun, também não quero ser o cara insistente que jura que tem algo para ser salvo enquanto ela me diz "não", de novo e de novo.

— Honestamente, Sebastian, você precisa ouvir mais o que diz. Você disse para mim e para ela que conseguia ver claramente que Olivia sente algo por você. Qual a dificuldade de acreditar nisso?

Passei uma mão nos cabelos e me encostei na cadeira.

— Nada disso faz sentido.

Hunter apoiou os cotovelos na mesa:

— E se aquele ex ridículo dela estiver chantageando-a de alguma forma? Talvez tenha dito que se ela casasse com você, ele contaria algo sobre Olivia que ela não queria que ninguém mais soubesse. Os dois passaram anos juntos. Praticamente a adolescência inteira, você sabe como podemos ser idiotas e fazer coisas das quais não nos orgulhamos.

Eu já havia pensado naquela possibilidade de ser Maximus por trás de tudo e mesmo sem saber da dificuldade de Olivia para ter filhos, Hunter tinha ido por um caminho coerente. Porém, do pouco tempo que conheci o infeliz, sabia que ele era terrível, mas era burro e óbvio.

Ele não ameaçaria apenas Olivia, ele viria atrás de mim também para que eu soubesse da chantagem, para que eu me sentisse culpado por trazer de um jeito ou de outro sofrimento para ela. Não tinha a menor esperança que ele tivesse superado os socos que dei nele, contudo algo me dizia que, por causa deles, Maximus não mexeria comigo nem Olivia tão cedo.

Pelo menos não diretamente.

— Não acho que Max está metido nisso, e, se estivesse, não explicaria minha promoção imediata e sem questionamentos.

— Realmente acha que Olivia sair da empresa tem alguma relação com ela não casar com você? Ou mais, acha que tem alguma relação com você ser promovido?

Dei de ombros.

— Não faz sentido simplesmente ignorarem todos os outros candidatos para ficar comigo.

— Você está há mais tempo na casa. É mais cômodo ficar com alguém que já sabe como tudo funciona.

— Mesmo assim. O requisito que exigia que eu e Olivia fôssemos casados era rígido e sério demais para eles jogaram para o alto de última hora.

Hunter inclinou a cabeça, pensando:

— Eles podem apenas ser extremamente machistas e o requisito só estava ali porque Olivia estava na competição pela vaga e queriam rebaixá-la por algum motivo.

Neguei com a cabeça:

— Seria um tiro no próprio pé. Nossa unidade só estava de pé graças ao trabalho de Olivia.

Meu amigo esfregou o rosto:

— Isso está muito confuso. Ao mesmo tempo que sei que Olivia não desistiu de casar com você por livre e espontânea vontade, não consigo ver um motivo coerente nem alguém envolvido em todos esses aspectos no mínimo suspeitos que gostaria de ver vocês dois separados. Se isso envolve você, Olivia e a empresa, todo esse circo não é coisa recente.

Assenti, tentando fazer as engrenagens da minha mente funcionarem.

— Está faltando alguma peça importante que vai fazer tudo se encaixar. — falei distraído enquanto rolava o feed no meu celular e então parei. Sabia qual seria o meu próximo passo. — Preciso que faça um favor para mim.

— Paro de ser um desocupado amanhã. Infelizmente, voltarei a ser escravo do meu pai, mas manda. Assim que tiver um tempo, dou um jeito de fazer.

Levantei o olhar, arqueando uma sobrancelha para meu amigo.

— Acho que para ver a sua namoradinha não oficial, você vai arranjar um tempinho. — Virei a tela para Hunter ver a última foto que Patricia havia postado em sua rede social.

A melhor amiga de Olivia tinha chegado na capital e era hora de agir.

Hunter voltou para sua casa depois de dar uma resposta não muito comprometida com o plano que eu tinha acabado de criar para que ele arrancasse informações de Patricia.

Ela era a melhor amiga de Olivia e eu duvidava que, se tivesse algo realmente a mais na decisão de Sartori de se afastar, Patricia estaria no escuro por tanto tempo.

Antes de ir, Hunter também me fez prometer que eu me lembraria de comer, me barbear, tomar banho e "limpar a área radiotiva que havia se formado no meu quarto na última semana".

Achei meio exagerado da parte dele até entrar no cômodo depois de renovar minhas energias.

Aquilo estava, de fato, um absurdo.

Tomei um banho e me preparei para arrumar tudo quando recebi uma mensagem de um número desconhecido.

Número Desconhecido

Esse é o número de Sebastian Ferrante?

Eu

Sim. Quem é?

Em vez de responder a mensagem com texto, a pessoa me enviou duas fotos.

Abri apenas para encontrar duas fotos embaçadas, como se a pessoa tivesse dado muito zoom, mas uma figura era bem clara para mim.

Olivia com o vestido de noiva e um homem de costas, segurando o seu braço.

A próxima era com uma qualidade ainda pior: Olivia, agora com outra roupa, estava encostada num carro enquanto uma figura carregando um bebê se preparava para entrar no veículo. Do lado dela, estava o mesmo homem da primeira foto — que eu reconheci por causa da postura — mas agora, de frente para a câmera, era inconfundível. Mesmo com a baixa qualidade.

Eric Santiago.

Franzi a testa, tentando entender tudo.

Antes que eu pudesse tirar alguma conclusão, o celular tocou. Chamada do número desconhecido.

— Alô?

Oi. Eu...hm, preciso falar com você. É sobre Olivia. — Uma voz feminina soou do outro lado.

— Quem é?

A pessoa soltou o ar pelo nariz, rindo um pouco.

Se eu falar, é quase certo que você não vai me encontrar e eu preciso conversar com você pessoalmente. Isto é, caso você queira sua garota de volta. Não tenho todas as respostas, mas posso ter algumas que vão te ajudar. Pelo menos, é o que eu espero.

Olhei para a tela do celular como se ele fosse me responder ou me dar uma dica de quem poderia ser.

Veja, eu não tenho muito tempo livre, então vou mandar o endereço por mensagem e estarei te esperando lá em 15 minutos. Ok?

Ela não esperou uma resposta e desligou.

Segundos depois, meu telefone apitou com o endereço.

OLIVIA

Patty me encarou por pelo menos dez minutos em completo silêncio.

Tínhamos ido para uma cafeteria ali perto porque eu não confiava em Rebecca o suficiente para falar sobre aquilo com ela por perto.

Minha amiga foi a primeira a dizer:

— Se eu disser que tudo isso parece surreal, você vai ficar brava comigo?

Soltei um riso sem humor.

— Tem horas que nem eu consigo acreditar que isso realmente está acontecendo. — respondi, tomando um gole do meu café. — Acho que Deus tem um senso de humor bem peculiar quando vai decidir os rumos da minha vida.

— E se matássemos esse velho asqueroso?

— Por mais tentadora que pareça essa opção, não podemo sair simplesmente matando pessoas, Patty.

— Você fala isso com uma seriedade que faz parecer que eu mataria mesmo uma pessoa.

Eu comecei a rir.

— E eu estaria errada em pensar isso?

Patricia fingiu estar ofendida, mas disse:

— Iria depender da pessoa em questão. — Ela respirou de um jeito contemplativo, pouco característico dela, mas logo ela sacudiu a cabeça e continuou: — Ainda não consigo entender como você está dividindo o apartamento com Rebecca. Sabe que Maximus não vai ficar nada contente com isso, não é?

— Max é o menor dos meus problemas.

Patty empurrou sua cadeira para ficar do lado da minha e me abraçou.

Era horrível a sensação de que, embora eu tivesse alguns minutos de descontração, de tempos em tempos quando eu lembrava de Sebastian no casamento ou naquela manhã, era como se eu estivesse vivendo tudo de novo.

— Você não pode contar isso para ninguém, Patty. Se alguém souber e chegar aos ouvidos de Sebastian...tudo vai ter sido em vão.

— Sabe que você é incrível, não sabe? Queria ter o super poder de resolver tudo isso para vocês dois. Sebastian realmente te ama, Liv, tenho certeza que ele está arrasado.

— Eu também estou, Patty. Eu também estou.

Depois de voltarmos para o apartamento, Patricia me ajudou a arrumar um lugar para guardar as coisas do escritório enquanto conversamos sobre possíveis empresas para as quais eu poderia enviar meu currículo.

Como aquele havia sido o meu último dia mesmo na B&T a baixa do RH seria dada em no máximo três dias que era quando eu receberia a tal carta de recomendação que o senhor Boscher prometeu. Num e-mail, dias depois do desastres do casamento, ele havia me contactado para me relembrar de quantas formas minha vida estava uma porcaria.

Todos os contatos que eu receberia dele que se referisse ao nosso...acordo — aquela palavra tinha gerado uma espécie de trauma em mim — deveria ser apagado.

Eu nunca deveria mencionar publicamente nosso combinado, nem falar nada que prejudicasse a sua imagem ou a imagem da B&T.

Ele estaria sempre atento aos meus movimentos, até que eu não representasse mais uma ameaça — parecia piada, mas não era — ou seja, qualquer aproximação minha para com o senhor Ferrante era altamente desencorajada com risco de ele "voltar atrás" com o voto de benevolência que havia me mostrado.

Quando mencionei aquilo para Patricia, ela ficou ainda mais furiosa.

Estávamos sozinhas em casa com Judith porque Rebecca disse que iria rapidinho na fármacia comprar um remédio para o caso da filha ter outra febre.

Estava sendo um progresso em andamento fazer com que Patty não rosnasse cada vez que Rebecca abria a boca. Em compensação, Jude, naquele momento, era a pessoa mais querida naquele apartamento.

— Sério, qual é a desse cara comigo e com Sebastian? — perguntei, enquanto ela assistia ao noticiário e eu revisava os documentos no meu colo e meu currículo. — Será que ele nutre alguma paixonite por Ferrante. Ele parece obcecado.

— Definitivamente. A fixação que ele está mostrando em vocês dois chega a ser doentia e...

Patty parou de trançar o cabelo de Judith e ajeitou a menina no colo para se virar para mim.

— Sei que isso vai parecer muito teoria da conspiração, mas e se eu disser que isso me lembra muito uma pessoa que poderia estar muito bem por trás de tudo isso?

Levantei os olhos do papel:

— E quem seria?

Minha amiga abriu a boca para responder, mas o interfone tocou.

Coloquei meu chinelo, pronta para descer e receber a pizza que havíamos pedido.

— Já volto. — falei para Patty depois de desligar o interfone e ir em direção à porta.

Quando a porta do elevador abriu no térreo dei de cara com o proprietário do meu apartamento.

Estranhamente, ele sorriu para mim, me mostrando que era uma pessoa muito boa, porque com três meses de atraso eu não iria estar sorrindo para ninguém.

Dei um sorriso amarelo de volta e fui até o entregador, rezando para que quando eu me virasse o senhor Martins tivesse subido e me deixado para trás.

Porém, como sempre, eu não tinha tanta sorte assim e o homem segurava o elevador, me esperando.

Desejei boa noite para o porteiro e entrei já amaldiçoando que o meu andar era o penúltimo e o do senhor Martins, no último.

Ele apertou o botão e eu me grudei na parede.

— Parece que vai dar uma chuva danada amanhã, você viu? — ele disse, puxando assunto.

— E-eu, eu não tive oportunidade de ver a previsão ainda.

— Nossa, o maior temporal e...

— Senhor Martins, sei que já dei muitas desculpas e eu odeio isso.

— O que é isso, querida, todos nós passamos por dificuldades e você sempre arca com os seus compromissos.

O elevador se movia na velocidade de uma lesma com preguiça e deprimida.

— Exatamente, a situação é que eu fiquei desempregada e como não sei como vou pagar, acho melhor liberar o imóvel e enquanto vou quitando a dívida que fiz um pouquinho e...

Ele me olhou com a testa franzida e eu parei de falar.

— A transferência vai cair amanhã, querida, acho que se mudar por um dia apenas para voltar vai ser trabalho em vão, não acha? — ele perguntou, rindo.

— Transferência? Perdão...mas, que transferência?

O senhor Martins me olhou confuso:

— Seu noivo me ligou há mais ou menos uma hora e acertou tudo. Tanto os atrasados quanto os dos próximos três meses. Ele me mandou o comprovante do agendamento.

— M-meu noivo?

— Isso, rapaz super educado. Sabe que não sou muito atento nessas novas tecnologias, mas ele foi muito paciente e explicou tudo direitinho. Fez um grande progresso desde aquele outro que morava com você, querida.

Sorri sem graça.

— Só para confirmar o rapaz, quer dizer, meu noivo, ele chegou a dizer o nome dele?

— Ah, minha memória é péssima, mas deixa eu pegar a foto do comprovante.

Assim que o elevador chegou no meu andar, o senhor Martins virou a tela do celular para mim.

Sebastian C. Ferrante.

E embaixo a quantia agendada.

As portas do elevador se abriram e eu já buscava meu celular no bolso, furiosa.

— Obrigada, senhor Martins.

— Eu que agradeço, querida. Não esqueça de levar um guarda-chuva quando sair amanhã.

✥✥✥

Notas finais
Heeyyy, meus amores! ME CONTEM OQ ACHARAM DO CAP. EU confesso que gostei bastante do resultado SEBASTIAN SAGAZ FAZENDO UMA DAS UNICAS COISAS Q OBRIGARIA OLIVIA A ENTRAR EM CONTATO COM ELE e essa ligação "misteriosa" (vamos fingir) hein shuahuahusu TO ANIMADA HEHEHEHE Não se esqueçam de comentar o que estão achando (pf sou escritora independente preciso receber validação a todo momento rs), deixar aquele fave básico e compartilhar a história com os amigos ♥ A gnt se vê!! me sigam nas redes sociais! twitter: @ whodat_emmz ou @ emmieedwards_ instagram: @ emmiewrites