Notas iniciais
oláaaa, kd meus amores???

"Is your heart taken?

Is there somebody else on your mind?

I'm so sorry, I'm so confused

Just tell me, am I out of time?"

(I Should Have Kissed You)

SEBASTIAN

— Você está pegando a melhor amiga de Olivia? — falei olhando por cima do ombro de Hunter que guardou o celular no bolso numa velocidade recorde.

— Cala a boca, Sebastian. De onde você tirou isso? Aliás, o nome dela é Patricia.

Aliás, o nome dela é Patricia. — imitei sua voz do jeito mais ridículo possível. — O quê? Não gosta quando fico enchendo seu saco? Que ironia. Vocês ficam se olhando de cinco em cinco segundos.

— Minha questão com Patricia é outra. Você deveria estar preocupado era em resolver a sua situação. — Meu amigo me lançou um olhar afiado. — Julie pode estar alheia agora enquanto a animação por vocês estarem juntos ainda está fresca, porém não duvide que isso vai passar em breve e ela vai começar a se perguntar porque você olha para sua esposa de mentira de um jeito diferente do que você olha para ela. Eu não sei o que está esperando para...

— Julie disse que me ama, Hunter. Você queria que eu olhasse para ela falasse: Que ótimo, querida, eu estava também prestes a te dizer que tudo isso foi um grande engano causado por duas pessoas que não tiveram o tato de perguntar como eu realmente me sentia.

— Não envolva Olivia nisso. Fui eu que pedi para ela me ajudar. E ainda prova que se ela realmente te odiasse, não tentaria te ajudar.

Hunter e eu estávamos encostados na parede agora que tínhamos terminado as tarefas que nos deram. Olivia —como parecia ser sempre o caso — estava em meu campo de visão parecendo discutir alguma coisa com PJ enquanto Patricia ria.

— Olha, — Hunter chamou minha atenção. — Eu estava errado e admito, está bem? Mas essa história não fará bem nem para Julie nem para você. Já não está fazendo, precisa parar antes que ela crie ainda mais expectativas.

Eu sabia disso. A responsabilidade estava nas minhas mãos e eu tinha que agir. Só precisava assimilar que a dor que eu causaria em Julie seria melhor do que mantê-la presa em algo que não era real e...

Um burburinho começou e eu estiquei o pescoço para ver o que estava acontecendo.

Uma rodinha havia se formado perto da entrada do Salão e dava para distinguir vários "bem-vindo de volta", "chegou bem a tempo" e "é bom de te ver de novo".

Quando o grupo se abriu um pouco pude ver um cara alto, com um sorriso simpático como o de um deputado em campanha, cumprimentando a todos.

Percebi exatamente quando algo chamou a atenção dele no fundo do recinto.

Olivia tinha um sorriso de orelha a orelha ao encará-lo e o rapaz se apressou em terminar os cumprimentos e ir em sua direção também sorrindo.

— Essa mulher é um demônio. — meu amigo murmurou para si mesmo.

Me virei para encontrar Hunter rindo enquanto digitava no celular e Patricia — que tinha se materializado ao nosso lado disse:

— Quem é um demônio?

Hunter se desequilibrou com o susto um pouco e usou meu ombro para se apoiar.

Segurei uma risada, Patricia o encarava com uma sobrancelha arqueada.

— Uma ex minha. — ele respondeu contrariado, recobrando a compostura.

— Ah. — a amiga de Olivia disse simplesmente, mas com um sorrisinho.

Por mais que eu quisesse segurar minha língua, me ouvi perguntando:

— Quem é a celebridade?

— Oh, aquele?

Patricia apontou como se eu fosse cego e não estivesse vendo o sujeito abraçando Olivia.

— É. Aquele.

— É Mathias.

Olivia mexeu as mãos nas costas do Mathias de uma maneira afetuosa. Afetuosa demais.

O cara se afastou, mas continuou com as mãos na cintura de Olivia. Ele falou algo e ela riu.

Fácil e simples assim.

Patricia limpou a garganta ao meu lado.

— Eles namoraram por um breve período, mas ele sem dúvidas, e obviamente, é o meu favorito entre os pares que Olivia já teve.

— Não sabia que Sartori havia namorado alguém além de Maximus.

— Ah, teve uns meses de ouro que Max e Olivia brigaram. Não acha que ela e Mathias formam um casal bonito? — Patricia inclinou a cabeça, observando os dois no momento em que Olivia olhou na minha direção.

Ela falou algo com o tal do Mathias e apontou para mim.

— Lindos. — respondi Patricia com um sorriso açucarado.

— Melhor dar um jeito nesse sorriso porque eles estão vindo aí, gracinha. — ela disse tirando um uma poeira invisível do meu ombro.

Olhei chocado para Hunter e ele apenas arqueou a sobrancelha como se dissesse: "Pra você ver..."

— Mathias, — Olivia falou enquanto se aproximava. — Esse é meu noivo Sebastian, o amigo dele Hunter e infelizmente para você a Patty você já conhece.

Ele estendeu a mão e Patricia prontamente esticou o braço.

— A cada dia mais linda e simpática, Patricia. —Mathias elogiou beijando as costas da mão da amiga de Olivia.

— E você cada dia mais mentiroso. — ela disse fazendo charme.

Tinha quase certeza que ouvir Hunter bufando, mas não poderia afirmar cem por cento porque minha atenção estava em Olivia.

Ela olhava para Mathias com carinho. Dava para ver que ela poderia mesmo ter gostado dele um dia.

Notando que eu a encarava, seus olhos encontraram os meus. O sorriso que estava em seu rosto falhou um pouco, mas quando estendi a mão em convite, Olivia aceitou e deixou que eu a puxasse para o meu lado.

Um aroma bem parecido com seu perfume me atingiu, mas era levemente diferente.

— Trocou de perfume? — sussurrei.

— Hipoalergênico. Irrita seu nariz ainda?

Me aproximei ainda mais dela e percebi seu corpo ficar tenso.

Inspirei.

OLIVIA

Não ousei me mexer nem um centímetro. A mão de Sebastian na minha cintura era firme, como se tivesse impedindo que eu fosse sair correndo.

Até parece que minhas pernas estavam firmes o suficiente para pensar em correr.

— Sabe que não me importo se usar o seu perfume normal, não é? — ele ainda estava sussurrando, sua respiração batendo em meu pescoço a cada sílaba proferida. — Não precisa mudar por minha causa.

Virei o rosto para encará-lo, nossos narizes quase se encostando.

A voz de Mathias me puxou de volta para o momento:

— É um prazer conhecer vocês dois. Conquistar o coração dessas duas não é uma tarefa fácil.

Ao assimilar suas palavras, Hunter se engasgou e Sebastian começou a rir.

Patricia foi bem curta e seca:

— Nós não estamos juntos.

Mathias ficou sem graça, sua bochecha ainda ficava vermelha como quando éramos adolescentes:

— Ah, perdão. Eu vi vocês...achei que...Deixa para lá. — Ele se direcionou para Sebastian enquanto Hunter ainda tossia e Patricia dava tapas nada gentis em suas costas. — Estou feliz que minha vinda coincidiu com o casamento de vocês. Tenho um carinho muito grande por essa garota.

— Eu também. — Sebastian disse com um sorriso amigável, mas seu aperto na minha cintura era implacável e bem óbvio.

— Aliviado em saber que ela finalmente está em boas mãos. — Mathias tocou meu braço por apenas um segundo e soltou e senti o corpo de Sebastian ficar tenso ao lado do meu. — Vou terminar de dar as boas-vindas e tomar um banho. Cheguei na cidade tem dez minutos e minha mãe já quer que eu participe de 400 eventos sociais.

— Eu imagino. — Patricia disse dando beijinhos na bochecha de Mathias em despedida.

Ele apertou a mão de Hunter e fez menção de se despedir de mim com um abraço, mas o que quer que tinha visto no rosto de Sebastian fez com que ele apenas desse um sorriso para mim e um aceno de cabeça na direção de Sebastian.

— Garoto, você pode me ajudar a carregar umas das caixas do depósito? — Patricia falou cutucando Hunter.

— Meu nome é Hunter, Patricia.

— Jura, garoto? Vai ajudar ou não?

Patty saiu andando sem esperar uma resposta, o amigo de Sebastian olhou para ele com um ar de desolação, mas surpreendentemente seguiu minha amiga.

— O que há entre eles? — perguntei chocada.

— Eu aposto que eles estão se pegando. Ou vão se pegar, muito em breve.

Inclinei a cabeça observando Hunter alcançar Patricia.

— Não sei... Conquistar o coração de Patty, como Mathias disse, não é uma tarefa nada fácil.

— E o seu não? — Ferrante perguntou de pronto e eu o encarei.

— Acho que não, o problema é que sempre tenho duas escolhas: o ruim ou o complicado. — respondi com cuidado.

— E qual era o Mathias?

Arqueei uma sobrancelha surpresa por ele saber que eu e Mathias já havíamos ficado juntos, porém me lembrei que Patricia era um bocuda.

— Patricia te...

Sebastian me interrompeu:

— Percebi antes de ela falar. É meio óbvio. — Sebastian tentou usar um tom casual, mas eu conhecia sua expressão muito bem para saber que algo o incomodava.

— É mesmo?

— Ninguém arriscaria ser tão...físico com você, se já não tivesse uma abertura antes.

Dei um sorriso triste.

Claro, às vezes, eu esquecia que para Sebastian eu era a Rainha Má sem coração que não deixava que ninguém se aproximasse demais ou aniquilaria a pessoa.

Era o papel que eu tinha escolhido interpretar a muito tempo. Era fácil e quase à prova de falhas.

Mas Sebastian estava se tornando meu amigo, não insinuava aquilo para me machucar. Ele simplesmente achava que eu não me importava.

Cutuquei sua mão ainda na minha cintura tentando aliviar o clima:

— Então qual é a desculpa para isso, se eu nunca te dei abertura para ser tão...físico?

Sebastian então segurou o outro lado da cintura e me virou para ele.

— É diferente. — ele disse me encarando. Ferrante ainda estava perceptivelmente bravo, embora seu toque fosse gentil. O que indicava que sua raiva não tinha nada a ver comigo.

— Diferente como?

Sebastian abriu a boca, mas não teve tempo de responder porque viu algo, ou melhor alguém, por cima do meu ombro. Quando virei a cabeça, vi Julie que tinha acabado de entrar pelos fundos do Salão.

Uma onda de culpa tomou conta do meu corpo.

Voltei a olhar para Ferrante, apenas para encontrá-lo analisando cada detalhe de minha expressão, seus olhos também mostravam que ele também não se sentia confortável com aquela situação.

Com delicadeza, tirei suas mãos da minha cintura.

— Vou terminar de ajudar o pessoal.

SEBASTIAN

— Olivia... — Tentei impedir que Sartori se afastasse, mas ela já estava a alguns passos de distância e não olhou para trás.

No geral, toda a cidade ajudou a fazer uma decoração bem decente.

Sempre que tinha uma oportunidade, Julie fazia alguma tarefa junto comigo. Não conseguia abordar o elefante no meio da sala que era minha situação com Julie porque havia testemunhas demais e se eu sumisse junto com ela seria ainda mais perigoso. Ocasionalmente aconteciam alguns olhares e toques sutis porque a última coisa que eu precisava naquele momento era de alguém levantando suspeitas do meu relacionamento falso com Olivia.

Porém, as mães sempre sabem. Minha mãe sempre sabe.

Eu conseguia ver no olhar dela — e com isso eu queria dizer que ela ficou me encarando pelos últimos trinta minutos direto desde que havia chegado junto com meu pai para ajudar— que ela estava desconfiando de algo.

Tentei fugir de todas as maneiras mas não era fácil. Nunca foi.

Quando estávamos voltando para casa dos Sartori e depois de garantir que a senhora Ferrante, minha querida mãe, não estaria em nenhuma das minhas rotas para entrar na residência, eu me esgueirei para a porta da cozinha. Após todo aquele dia de trabalho, eu precisava urgente de um banho.

Claro que assim que passei pela porta dos fundos, dei de cara com ela falando algo com Lucinda sobre ajudar com a comida já que ela e meu pai tinham estado fora a maior parte do dia.

Ainda assim, tentei passar pela ilha da cozinha sem ser notado enquanto ela pegava vegetais e uma faca maior do que meu antebraço.

Estava quase conseguindo sair de fininho quando ouvi sua voz:

—Que ótimo você aparecer...Estava querendo mesmo falar contigo. — Praguejei baixinho e olhei por cima do ombro. Lucinda se afastou deixando nós dois sozinhos na cozinha e... não se nega pedido de mãe, né? Principalmente uma com os olhos brilhando e com uma faca gigante na mão.

— Eu acho que o banho pode esperar. — murmurei, derrotado e ela me lançou um sorrisinho indicando um dos banquinhos ao seu lado para que eu sentasse.

Sentei, respirando fundo. Ficamos uns cinco minutos em silêncio

— Sempre estive relativamente satisfeita com a educação que dei para você. Você cresceu se tornou um homem inteligente, independente, bonito... Não concordava com suas escolhas de sair por aí dormindo com uma garota diferente por noite, mas você me garantiu que não estava iludindo ninguém. — Ela balançou a faca no ar para ênfase ao que dizia e eu estava quase chorando e não era por causa da cebola. — Tudo bem, os jovens de hoje são mais livres, mais bem resolvidos. É compreensível, embora eu nunca entendi porque você escolhia uma vida assim quando Julie estava bem ali do seu lado e gostava tanto de você quanto você gostava dela.

— Mãe...

Ela levantou a faca e eu me calei. Ela nem parecia estar ciente de quão ameaçadora ela parecia com aquele negócio na mão. Me lembrava alguém...

— Então veio a notícia repentina de que você iria se casar e não era com Julie. Eu pensei: "O que esse menino vai aprontar agora, pelo amor de Deus?" — Ela levantou a cabeça para o teto. — Então você aparece com uma garota que é mais sua cara do que eu poderia ter imaginado, e eu genuinamente fiquei aliviada, mas então o que eu passo a perceber? — O barulho da faca batendo na tábua era impressionante. Se eu soubesse que minha mãe tinha uma habilidade dessas com uma faca, eu mesmo teria contribuído com o seguro de vida do meu pai. Ela continuou com um tom mais baixo:— Percebi que meu filho está escondendo alguma coisa, porque eu sempre sei quando você está escondendo algo. Então quando resolvo analisar melhor, levanto a suspeita de que ele está — Ela sussurrou agressivamente:. — Tendo um caso com a melhor amiga dele a qual ele se recusava dar uma chance e agora achou que o melhor momento para fazer isso é quando está prestes a se casar com outra mulher!

Eu estava na merda.

Afundado na merda.

E era tudo culpa minha.

— Mãe, não é o que você está pensando...

— Não é o que eu estou pensando? — ela continuou sussurrando daquele jeito agressivo. — Você quer me dizer que todos os olhares nada sutis que Julie te lançou hoje, e olha que eu fiquei apenas meia hora observando vocês, foram apenas amigáveis, sem nenhuma segunda intenção?

— Você não entenderia...

— Eu já não estou entendendo, meu filho, por favor. Me dê uma luz, sim? Sei que você gosta de Olivia, parece que está completamente apaixonado pela garota. — eu comecei a dizer que "não estava", mas aquilo não pegaria nada bem, então fiquei quieto. — Isso é medo?

Franzi a testa.

— Medo de quê?

— De entregar seu coração para alguém de novo, depois de Eloise? Se for, não se preocupe, eu tenho observado Olivia também, conversei com ela e se aquela garota não estiver apaixonada por você, meu nome não é Cecília.

Dessa vez minha boca não conseguiu se conter.

— Olivia não é apaixonada por mim.

Minha mãe me olhou com um misto de pena e compreensão.

— É isso, não é? Você não consegue acreditar que é digno de amor de verdade.

Neguei com a cabeça:

— Não. Estou falando sério. Minha relação com Olivia é muito mais...pragmática do que isso. Nós...gostamos um do outro, mas não estamos apaixonados. Paixão é invenção da indústria para arrancar dinheiro do resto da população.

Minha mãe me encarou com uma sobrancelha arqueada.

— Sinto muito em informar para vocês, mas qualquer que tenha sido o combinado para essa relação, não deu muito certo. Qualquer pessoa consegue ver isso. Faça um teste. Demonstre o que sente e veja como ela reage. E definitivamente, você precisa ser honesto com Julie. Ficar com ela só para reprimir como se sente em relação a Olivia e ter uma falsa sensação de segurança não vai funcionar. Além disso, é desleal com as duas.

Olhei para a faca a centímetros do meu rosto.

— Você precisa parar de balançar isso com tanta casualidade.

E num piscar de olhos, minha mãe segurou a faca com a firmeza de uma profissional.

— Só para te dar um incentivo na hora de usar os ensinamentos de gente decente que sua amada mãe te deu.

Era isso, eu estava cercado por mulheres descontroladas e psicopatas.

OLIVIA

— E então? — Patricia perguntou enquanto caminhávamos até sua casa.

Olhei para ela com um olhar questionador.

— E então o quê?

— Mathias. Está lindo de morrer, não acha?

— Devo acreditar que você não tem nada a ver com a "coincidência" dele aparecer por aqui justamente na época em que vou me casar?

Patty deu de ombros.

— Gostaria de dizer que tenho tanta influência assim sobre os acasos do destino, mas nem mesmo eu estava esperando que ele aparecesse. — ela disse com um sorriso e acrescentou mais para si mesma. — Mas bem que serviu para os meus propósitos.

— Que seriam? — indaguei.

— Que seriam o quê?

— Seus propósitos.

— Ah, sim... Escolher alguém na lista de interessados em você.

Eu comecei a rir e dei um empurrãozinho em seu ombro.

— Achei que você estava brincando, sério, Patty. Sem condições de eu namorar com alguém daqui. Já estou na boca desse pessoal o suficiente. Fica com um cara da cidade seria viver novamente o escrutínio que vivi com Max, então...eu passo.

— E quem falou sobre ser alguém que more aqui? — Estreitei os olhos e minha amiga acrescentou rapidamente. — Quer dizer, Mathias está fazendo residência na capital e ouvi que ele não pretende voltar para cá tão cedo.

Soltei um riso sem humor.

— Incrível quando é ele que não quer voltar para essa cidade, ninguém faz nenhum furdúncio por isso.

— Não o culpe por isso.

— Sei que a culpa não é de Mathias. Ainda assim é no mínimo irônico. — Patty passou um braço pelo meu ombro me abraçando de lado. — E você está certa... ele está mesmo lindo de morrer.

Eu estava passando hidratante quando Sebastian entrou pela porta parecendo alheio a tudo ao seu redor.

Até perceber minha presença.

Não sabia explicar o que acontecia quando ficávamos cientes um do outro no mesmo cômodo, mas eu sabia que não era algo recente.

Acontecia quando entrávamos juntos numa reunião, numa conferência, numa confraternização. Era quase como se o meu inconsciente estivesse sempre a par de que, não importava onde eu me encontrava, se Sebastian estivesse presente, eu saberia.

— Está tudo bem? — perguntei, abaixando a perna que estava sobre a cadeira e apertando o robe em volta do meu corpo. Os cabelos de Ferrante estavam todos desgrenhados, como se ele tivesse passado a mão várias vezes entre os fios. — Não te encontrei em nenhum lugar depois que voltamos.

— Saí para pensar um pouco. — Ele fez uma pausa enquanto eu me levantava para ajeitar minha penteadeira. — Preciso terminar com Julie, Olivia.

Aquilo me fez olhar por cima do ombro.

— Por quê?

— Nada disso aqui está fazendo bem para ela. — Ele deu uma risada sem humor. — Droga, nada disso aqui está fazendo bem para mim.

Por um instante, meu coração parou.

— Você quer desfazer o contrato.

Era mais uma afirmação do que uma pergunta, mas Sebastian respondeu mesmo assim.

— O quê? Não! De jeito nenhum. — Só percebi que ele tinha se aproximado das minhas costas quando ele falou novamente. — Vou até o fim com isso aqui. Só não é justo eu arrastar Julie junto comigo, entende?

— Sinto muito por ter te colocado nessa situação, eu... — falei, me virando.

— Isso é culpa minha, Olivia. Parte de mim sempre soube que eu não era o cara certo para Julie, mas a outra parte só queria...ser visto. Aceito. É patético e super carente...

— Não é. — eu interrompi. — Não é nenhuma dessas coisas. E se Julie te faz se sentir assim, mas não é a pessoa certa, tenha certeza que há alguém por aí que vai ser o combo completo. Vivi anos com uma pessoa que quanto mais tempo passava, mais eu sabia que ela não era para mim, por medo de não achar mais ninguém. — Dei um riso triste ao dizer: — Ainda não achei ninguém que me visse, claro, mas me sinto muito mais livre de não estar me forçando a viver uma vida que não funcionava mais para mim.

Sebastian abriu a boca para falar algo, mas segurei a lateral do seu rosto, tentando ignorar a sensação que percorria meu corpo toda vez que nos tocávamos.

— Você é um homem bom, Ferrante. — Dei um beijo na sua bochecha e me afastei, indo em direção ao meu lado da cama. — Se não me engano, você mesmo costumava se gabar pelos corredores da empresa que havia uma longa fila de pretendentes ao seu dispor.

Sebastian tirou os sapatos e foi para o outro lado, se jogando de qualquer jeito para me provocar.

— O problema é se a pessoa certa não tiver o mínimo interesse de entrar nessa fila. — Ele deitou de lado para me encarar. Seus olhos queriam dizer algo mais do que suas palavras, mas eu estava distraída demais passando minha mão sobre seus fios de cabelo para ajeitá-los.

— Estamos falando de amor verdadeiro? Porque se for o caso... você não esperava que seria fácil, não é?

Sebastian sorriu:

— Não esperava que você fizesse o estilo romântica clichê, Sartori. E sobre esse tal de amor verdadeiro, não tem problema. Eu gosto de um desafio.

✥✥✥

Notas finais
Heeyyy, meus amores! QUEM DIRIA QUE PARA BOTAR ESSE HOMEM PARA AGIR ERA SÓ COLOCAR UM "OPONENTE"EM CENA? E NÃO ATAQUEM MEU MATHIAS, ele eh um anjinho que gosta muito da olivia e entrou no meio dessa confusão sem saber de nada. um fofo, lindo, maravilhoso, tudinho pra mim que vai mais ajudar nosso casal do que atrapalhar. me perdoem se encontrarem algum errinho, esses dias meus olhos estão meio traíras próximo capítulo começa nossa feira (e com fé em deus com nosso sebastian solteiríssimo, embora eu duvide q julie ira desistir do seu love tão fácil assim Não se esqueçam de comentar o que estão achando, deixar aquele fave básico e compartilhar a história com os amigos ♥ A gnt se vê amanhã!! me sigam nas redes sociais! twitter: @ whodat_emmz ou @ emmieedwards_ instagram: @ emmiewrites