Contrato de Casamento
43 Quarenta e Três
Notas iniciais
"I know that you like me
And it's kinda frightenin'
Standing here waitin', waitin'"
(Message In A Bottle)
SEBASTIAN
Olivia não apareceu no quarto antes de pelo menos uma hora e pareceu tomar um susto ao me ver ali.
— Oh, você ainda está aí. — ela disse entrando pela porta. — Achei que já tinha saído com Hunter, seus pais e...bem, achei que já tinha ido.
Continuei na frente do espelho dobrando as mangas da minha camisa.
— Ainda estou aqui. — comentei simplesmente, observando-a pelo vidro.
Ela realmente tinha se atrasado o máximo para não me encontrar ali e eu só precisava saber porque, mas também não sabia como indagar aquilo.
— Está tudo bem?
— Tudo ótimo. — Olivia olhou para os vestidos sobre a cama. — Patricia que trouxe?
— Sim. Eu aconselharia você usar o florido agora e na hora do seu encontro trocar para o preto. É mais bonito.
Olivia começou a tossir.
Ajeitei o colarinho.
— O que foi? Patricia me contou sobre o encontro, não precisa fazer essa cara nem se preocupar em esconder. Até horas atrás eu estava relativamente namorando outra mulher.
Sartori parecia sem palavras, mas então disse:
— Eu não pretendia esconder nada de você, até porque preciso que esteja no mesmo lugar que a gente. Só esperava poder conversar eu mesma sobre isso.
Nossos olhares se encontraram pelo espelho. Ela estava com roupas de ficar em casa ainda. As bochechas um pouco coradas por causa do sol, a pele brilhando com suor, os cabelos presos com alguns fios rebeldes.
Minha mente imaginou Olivia em algum canto se agarrando com Mathias e fechei uma das minhas mãos em punho.
Mesmo depois de um dia inteiro fazendo diversas tarefas, ela ainda conseguia prender minha atenção.
Lembrei do encontro.
— Não tem necessidade de conversa. Você vai ter um encontro, vou ter que acompanhá-la. Não é como se fosse algo muito complicado de se explicar.
Pela primeira vez no dia, Olivia sustentou meu olhar. Tinha alguma coisa ali, como se ela quisesse me dizer algo, mas ela apenas forçou um sorriso.
— Está bem. Vou tomar banho, saio num instante.
Ela pegou o vestido florido e uma maleta e entrou no banheiro.
OLIVIA
Sebastian parecia bravo e eu o entendia.
Não havia sido um dia fácil para ele. A conversa com Julie pela manhã e agora ser forçado a me acompanhar num encontro devia ser irritante.
Quem havia organizado o date e toda a explicação para Mathias foi Patricia, e eu ainda não sabia como iria encará-lo depois que ela contou a verdade — ou algo muito próximo — sobre meu relacionamento com Sebastian para ele.
Ficava com frio na barriga só de pensar e de lembrar da época que eu e Mathias estávamos juntos.
Estar com alguém novo é sempre excitante, mas voltar com alguém que você já esteve é aterrorizante.
A pessoa já tem uma certa expectativa sobre como tudo vai se desenrolar, mas eu não fazia ideia até onde aquilo com Mathias iria levar.
Certamente um beijo. Uns...amassos? Seria ridículo ou rápido demais esperar aquilo num "primeiro" encontro com ele depois de tudo.
Eu havia claramente o dispensado ao voltar com Max e, embora fosse um tanto presunçoso da minha parte, minha mente não conseguia descartar a possibilidade de que Mathias havia arranjado uma bolsa de estudos tão rápido depois do nosso término para manter uma certa distância de mim.
Precisava parar de me pilhar ou aquela noite não daria certo.
Depois que saí do banheiro quase totalmente pronta, Sebastian e eu nos encaramos por alguns segundos. Seus olhos descendo por meu corpo e fazendo o caminho inverso pelo menos duas vezes antes de piscar e continuar a verificar se estava pronto para sairmos.
Sebastian e eu gravitamos um ao redor do outro enquanto uma certa tensão pairava no ar.
O que provavelmente era culpa minha.
Ferrante havia acabado de...se separar de Julie, ou algo do tipo e eu estava praticamente como um agindo com um elástico esticado até o limite, pronta para estourar de ansiedade a qualquer momento por causa daquele encontro.
Eu deveria estar preocupada com toda logística daquele esquema, afinal, eu e Patricia não poderíamos esquecer a capacidade da nossa cidadezinha espalhar uma fofoca, porém, minha única preocupação assim que olhei para Sebastian, era entender porque ele parecia tão... quietamente inquieto.
— Sabe que é uma festa normal e hoje não teremos que fazer nada de mais, não é? — comentei, separando os brincos que usaria. Tentando descobrir se era aquilo que estava o incomodando. — É apenas a apresentação, ficaremos sentados lado a lado e, com sorte, nem precisaremos fazer nenhuma ceninha amorosa.
Sebastian deu um riso de escárnio e nem se dignou a olhar para mim enquanto aparentemente caçava seu celular.
Desde quando aquele homem ficava calado? Eu precisava de alguém para me distrair do nervosismo e, geralmente, eu poderia contar com Ferrante para nunca calar a boca.
O que era irônico considerando que passei o dia todo fazendo o possível para não ficar sozinha com ele depois do...incidente pela manhã. Do qual, graças a Deus, ele não parecia sequer ter ciência.
— Sinto muito. — falei, me aproximando dele, enquanto alisava a saia do meu vestido, sem saber onde pôr as mãos.— Por Julie. Se você quiser conversar...
— Não quero. — Sebastian me cortou bruscamente e pareceu perceber a aspereza em sua própria voz, pois ergueu a cabeça, me olhando com arrependimento.
SEBASTIAN
Olivia deu um passo para trás, levantando uma mão na altura do ombro.
Droga.
— Olivia... — Segurei seu antebraço, sua pele macia deslizando sob meus dedos. — Me desculpa, é só que o dia hoje foi péssimo. Estou me sentindo um merda por tudo com Julie e... — Me sentindo um merda porque você está prestes a sair com um cara legal, do jeito que você merece e eu não consigo reagir de outro jeito a não ser sendo um rabugento do cacete. —Enfim... Não garanto que serei uma boa companhia essa noite e não quero estragar seu clima para o encontro...
Soltei-a, esperando que Olivia aproveitasse a deixa para se afastar.
Ela deu um passo em minha direção e apoiou as mãos nos meus ombros.
Sua voz saiu baixinha como um segredo quando ela disse:
— Se você quiser podemos deixar toda essa coisa de abertura de lado, eu converso com o Mathias, marcamos para outro dia e serei seu ombro amigo essa noite. — Olivia me lançou um sorrisinho de canto.
Meu lado egoísta queria dizer sim.
Ele gritava por isso na verdade.
Mas apesar do seu óbvio nervosismo, eu tinha visto o brilho nos seus olhos. Ela estava animada para aquele encontro.
Jamais poderia tirar isso dela.
OLIVIA
Sebastian tocou meu rosto, acariciando suavemente minha bochecha.
Seu toque foi gentil descendo pela maçã do meu rosto.
Por um instante, pensei que ele fosse me beijar.
Por um instante, meu Deus, desejei que fizesse isso.
No entanto, ele disse:
— Vá aproveitar sua noite. Vou reivindicar essa oferta outra hora. — Então Ferrante tirou uma das minhas mãos do seu ombro e beijou as juntas dos meus dedos. — Pronta?
Forcei um sorriso.
— Claro. Sempre.
Sebastian sorriu de verdade para mim.
Tínhamos acabado de passar pela porta do quarto quando vimos que alguém saía ao mesmo tempo de um dos quartos.
Julie.
Nós três nos encaramos por minutos constrangedores até que Julie piscou e voltou a entrar no seu quarto.
Cutuquei Sebastian e indiquei com a cabeça para que ele fosse até lá.
— Estarei esperando você lá embaixo.
Ferrante abriu a boca para dizer algo, mas eu me apressei em descer as escadas.
SEBASTIAN
Respirei fundo e não bati antes de entrar no quarto de Julie.
Ela estava com seu pijama, pronta para se deitar.
Seus olhos ainda estavam vermelhos de provavelmente ter passado a tarde chorando.
— Ainda dá tempo de se arrumar e vir o conosco. — Foi a primeira coisa que eu disse.
Julie deu uma risada de escárnio e se pôs a afofar o travesseiro.
— Posso ser muitas coisas, Sebastian, mas masoquista não é uma delas. Estou bem aqui.
— Vamos lá, vai ser divertido e...
— Não vamos fazer isso, ok? Fingir que nada aconteceu. — ela se virou para mim. — Preciso de um tempo para processar tudo isso.
— Eu nunca quis...
— Me machucar, eu sei. Mas não machucar Olivia é mais importante para você.
Franzi a testa e a encarei por alguns instantes.
— Me desculpe, Ju. Eu não deveria ter vindo.
Virei para sair pela porta, mas Julie me parou, dizendo:
— Eu estou errada?
— Não quero discutir com você. Entendo que a situação que te coloquei foi terrível e, tenha certeza que estou me sentindo um babaca por isso, mas não pode ficar pondo a culpa em pessoas que não têm nada a ver com isso.
Julie andou em minha direção.
— Responda a pergunta, Sebastian.
— Que tal você responder a minha, Julie? Por que você está colocando a Olivia no meio disso? Por que insiste em...
— Porque ela está apaixonada por você, droga! — Julie me cortou. — Porque a cada dia eu vejo ela se apaixonando um pouquinho mais e é doloroso. Porque tinha uma vozinha dentro da minha cabeça desde o momento que soube desse acordo e ela me dizia que isso iria acontecer.
Pisquei algumas vezes, assimilando as palavras. Ou pelo menos tentando.
Fechei os olhos e respirei fundo por um instante.
Não era possível que todo mundo estivesse louco e o único são era eu.
Olivia Sartori se apaixonando por mim era algo...
Quando abri os olhos novamente, Julie encarava o teto.
— Eu não sei como fazer que você entenda. Posso não conhecer tudo sobre Olivia, mas a conheço o suficiente para saber que a última pessoa que se... apaixonaria por mim seria Sartori. — Julie me encarou, cética. — Os mares teriam que estar pegando fogo e as montanhas se movendo de um lado para o outro antes que isso acontecesse.
Tentei tocá-la, mas Julie saiu do meu alcance.
— Pois eu vou dar uma verificada nas janelas para ver se isso não está realmente acontecendo.
Soltei o ar pela boca, exausto.
— Como quiser, Ju.
Eu estava virando a maçaneta da porta quando ela questionou:
— E você, Sebastian? O mar teria que arder em chamas para você se apaixonar por ela ou já passamos desse ponto?
Olhei por cima do ombro:
— Boa noite, Ju.
OLIVIA
— Você está linda!! — Patty disse enlaçando seu braço com o meu livre. O meu outro braço estava junto com o de Sebastian e Patricia se inclinou na direção dele para dizer. — Não acha, Sebastian?
Ele murmurou alguma coisa como uma confirmação.
Pelo que reparei, o breve bate-papo com Julie tinha feito aquela tensão de mais cedo voltar ainda pior.
— Se quiser reivindicar minha oferta agora...— sussurrei.
Ele se inclinou para responder. Sua respiração batia na minha orelha.
— Nem adianta tentar, Sartori. Não serei seu cúmplice para fugir do seu encontro.
Meu sorriso vacilou um pouco. Em parte porque era no mínimo impressionante Sebastian saber me ler de tal forma que nem mesmo eu conseguia saber minhas verdadeiras intenções antes que ele as falasse.
O galpão no centro da cidade estava lindo à noite. Todas as luzes estavam acesas e as flores por toda parte davam um toque acolhedor e familiar.
Toda cidade tinha vindo para a abertura embora nenhuma atração especial estivesse planejada. As crianças corriam por toda parte e Lucy já estava suada como se estivesse correndo uma maratona.
Meus pais estavam mais à frente junto com os pais de Sebastian conversando numa intimidade de dar inveja.
O resto da população da cidade observava eu e Ferrante com uma curiosidade mal disfarçada, mas no começo só a distância. Quando passamos pela porta, no entanto, a barreira invisível que nos cercava pareceu sumir e as abordagens começaram.
Sebastian, que até então tinha se mostrado sem paciência e fechado, passou a guiar as conversas com uma maestria impecável. Quando alguém soltava alguma farpa ou insinuação, ele sempre sabia como responder à altura. E mais de uma pessoa me puxou um pouco para dizer, num tom que apenas eu ouvisse, que estavam felizes que eu tivesse achado a pessoa certa para mim.
Devido a todo o comboio que era as nossas famílias, tivemos que conseguir duas mesas.
Sebastian puxou a cadeira ao seu lado para que eu sentasse e Patty chegou ainda mais perto para falar com a gente.
— Parece que a cidade toda está aqui. — ela comentou num tom que só dava para eu e Sebastian ouvir.— Acho que conseguiremos dar uma olhada nos seus pretendentes.
Senti minhas bochechas esquentarem e poderia jurar que Ferrante ficou um pouco tenso perto de mim.
Patricia não se abalou com nenhum de nós dois.
— Achei que ela já tinha um encontro para essa noite. — Sebastian tentou dizer casualmente, mas sua voz parecia sair com certa rispidez.
— Não faz mal manter a mente aberta para possíveis futuras oportunidades.
— Espero que você não ache que vou sair com mais da metade da cidade e... — comecei, mas fui interrompida.
— Olha o Luc. Ele é uma graça e super responsável. Lembra dele, Liv?
— A festa ainda nem começou direito. Não acha que está muito ced...
Sebastian fez um barulho de desgosto com a boca.
— Ele tem cara de que vai te entediar até a morte falando sobre como o trabalho dele é cansativo e, tenho certeza que ele mexe com algo relacionado a números. — Sebastian me interrompeu. Eu e minha amiga o encaramos quase no mesmo instante. — O que foi? Dá para ver que a vida foi sugada daqueles olhos, a maioria das pessoas que trabalham com isso é assim. — Hunter, que tinha acabado de se sentar do outro lado de Sebastian, e eu lançamos um olhar afiado para ele e meu noivo de mentira tratou em se corrigir. — Exceto vocês , amorzinhos, o que me faz questionar se vocês são realmente humanos.
Fiz uma careta para ele, e Patty já apontava para outro.
— E o Lauro? Ele é super engraçado e também tem planos de sair da cidade em breve.
— Eu lembro dele. — Assenti e quando ele percebeu 3 pares de olhos o encarando, acenou para a gente. — Ele é muito engraçado e uma vez...
Sebastian me cortou novamente:
— Ele tem mesmo que ser engraçado e fugir da cidade o mais rápido possível. — Nós encaramos novamente o homem ranzinza ao meu lado. — Ele parece que vai ficar calvo dentro de 24 horas. Precisa que as pessoas daqui se lembrem dele no seu auge.
Patricia gargalhou ao meu lado. Hunter também estava rindo.
— Sebastian! — eu o repreendi.
Ele deu de ombros:
— Se você quiser condenar sua linhagem masculina com essa falha genética vai em frente, mas eu vou ser o tio que vai contar a eles a verdade: que o sofrimento deles é devido às más escolhas da mãe.
Dessa vez nem eu, nem ele conseguimos ficar sérios.
— E esse?
Nem tentei abrir a boca para falar porque sabia que vinha alguma gracinha por aí.
— Tem cara de que é dez anos mais novo que ela.
— Ele tem a nossa idade. — Patricia rebateu.
— Ninguém vai pensar nisso quando ver os dois juntos. Olivia vai ficar conhecida como papa-anjo. Ou pior.
— Aquele ali parece decente e família.
— "Família" ele parece ser mesmo. Aquelas sete crianças são dele? Por Deus... É mais fácil Olivia se candidatar a uma vaga de professora numa escola.
— Qual o problema desse? — Patty já perguntou, sabendo que viria alguma coisa.
— Não tem...você sabe, o pacote satisfatório. — Ouvimos Hunter quase se engasgando. — E ele vai chorar depois de...do clímax.
— Eu honestamente queria saber como você tirou essas conclusões. — O melhor amigo de Sebastian se inclinou por cima do ombro dele.
— É tudo questão de postura. Você consegue perceber o que um homem tem nas calças pela maneira como ele se porta. São pequenos detalhes de confiança e autoestima e...
— Pra que mesmo você fica avaliando se outros caras são bem dotados ou não? — Hunter provocou e todos nós rimos.
Menos Sebastian, é claro.
— Vai se ferrar...Não tenho culpa se você não se aprimora observando os erros de sua espécie. — ele disse, meio emburrado.
— Pelo tamanho do seu ego, devo presumir que você tem um "pacote satisfatório"? — Patty zombou, mas senti meu rosto pegar fogo.
Alheio à minha vergonha, Ferrante deu um sorriso açucarado para minha amiga:
— Diretamente proporcional.
— Que Deus nos ajude. — Hunter murmurou.
— Liv, tá tudo bem? — Patty perguntou provavelmente ao perceber que eu estava praticamente tendo uma síncope. Apenas levantei o copo meio cheio que estava na minha mão.
— Bebi rápido demais.
— Voltando, senhor Sebastian, então quem você sugere, ó deus da perfeição? — Patricia perguntou e lançou um olhar estranho para Sebastian, que não se intimidou. — Exceto você, é claro.
— Exceto eu, claro, já consegui colocar um anel no dedo dela, então não conta.
Rolei os olhos.
Sebastian analisou cada canto do salão.
— Para ser honesto, eu não acho que...
— Boa noite, pessoal. — a voz de Mathias chamou nossa atenção para o homem que havia acabado de parar na minha frente. Ergui o olhar para encontrar seu olhar brilhando como duas pedras preciosas.
Ele apertou a mão dos meninos e beijou a minha e de Patty, demorando um pouco mais do que o necessário na minha.
Senhor, mesmo com todos os anos que havia passado. Era como se eu ainda estivesse na adolescência aceitando o convite de Mathias para ir ao cinema.
Mas é claro que algumas coisas haviam mudado.
Suas feições agora tinham traços maduros, sua postura era impecável e mais séria. Estava infinitamente mais alto e sem os cachinhos que teimavam em cair sobre seus olhos.
Seus cabelos agora eram cortados curtinhos e seu corpo aparentava ter tido um tratamento rígido e bem especial mesmo sob as roupas.
O olhar travesso ainda continuava o mesmo, no entanto.
Levantei um pouco para cumprimentá-lo com dois beijinhos da bochecha.
Nós nos encaramos dois segundos a mais que o necessário, então alguém limpou a garganta.
Sebastian nos observava com uma atenção curiosa
Sem piadinhas. Sem sorrisinhos irônicos. Apenas analisando Mathias.
— Sei que não posso dar muito na cara, mas não consegui ficar sem te ver. Está deslumbrante. — Ele disse olhando para mim: — Nos vemos mais tarde?
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