Contrato de Casamento
47 Quarenta e Cinco pt. 3
Notas iniciais
"And when I felt like I was an old cardigan
under someone's bed
You put me on and said I was your favourite."
(cardigan)
SEBASTIAN
Quando voltamos para casa dos Sartori, a maior parte da família também já havia retornado da abertura, afinal de contas eram quase duas da manhã e para pessoas acostumadas a acordar com as galinhas seria extremamente cansativo.
Patricia, a única 100% sóbria do nosso grupo, deixou um Mathias meio ranzinza e muito sonolento na porta da casa dele e então seguiu para a casa dos pais de Olivia.
Olivia, por sua vez, tinha acordado e madornado em vários momentos do percurso, inclusive poucos minutos após eu ter respondido sua pergunta.
Mas... primeiro, ela deu um dos seus sorrisos que deixavam seus olhos parecendo dois risquinhos, se inclinou para frente juntando nossos lábios por dois segundos — o suficiente para minha pele parecer pouca demais para comportar todo o meu corpo — apoiou a cabeça em meu peito e então dormiu por uns cinco minutos.
Eu realmente não sabia mais onde aquilo nos colocava, porém eu tinha certeza que descobriria muito em breve.
— Boa noite.
Pedro Sartori foi a primeira — e única — pessoa que encontramos acordada ao entrar em casa.
Não poderia garantir que ele estava esperando nossa chegada, mas também não poderia garantir que ele não estava.
Olivia permanecia metade acordada, metade dormindo e a parte acordada ainda estava metade bêbada, o que tornou uma tarefa extremamente complicada mantê-la de pé com apenas um braço em volta da sua cintura e evitar que ela falasse mais de duas palavras emboladas para o seu pai.
O senhor Sartori, no entanto, comentou que só tinha descido para beber um pouco d'água e nos deixou.
Não antes de dar uma boa olhada em mim e na sua filha, que tinha decidido ficar com um sorriso bobo no rosto.
Apesar de eu insistir para que Patricia dividisse a cama com Olivia enquanto eu me ajeitava no chão, ela parecia determinada a não facilitar nem um pouco a minha noite e anunciou que dormiria no sofá da sala, que ela garantiu que seria a escolha mais confortável para todos.
Quando usei o seu mesmo argumento de eu dormir no sof[a, Patricia apenas me encarou, não disse nada por um minuto inteiro e então foi arranjar um travesseiro e um lençol para passar a noite.
Olhei para Hunter, esperando que ele me desse alguma dica de como agir com aquela mulher, contudo meu amigo simplesmente deu de ombros e foi para o seu quarto.
Assim que passamos pela porta do quarto de Olivia, ela se apoiou em meu ombro.
— Argh, parece que tudo está girando. — comentou baixinho, a voz embargada.
Como eu já tinha experiência em saber o que geralmente vinha a seguir, a levei para o banheiro o mais rápido possível e incrivelmente conseguimos chegar a tempo de Olivia começar a colocar praticamente os órgãos para fora.
Com uma mão segurei a maior parte de seu cabelo e me inclinei para massagear suas costas por cima do tecido do vestido.
Entre as ondas de náusea, ela tentava falar:
— Queria poder dizer que vomitar...era uma das coisas que não fazia eu sentir falta de beber. — Ela parou por um instante e voltou a depositar todas as comidas da festa de abertura dentro da privada. — Mas essa é...uma experiência que nunca me abandona por muito tempo.
Franzi a testa. Parecia ser um assunto sério demais para uma mente embriagada inventar.
— Por quê?
Mais uma rodada de vômito.
— Longa...história. — ela disse. — Se me der um prendedor de cabelo, não precisa ficar aqui assistindo essa nojeira.
— Você quer que eu saia?
Antes que pudesse responder, o corpo dela se contraiu novamente e a essa altura não tinha muito mais que pudesse pôr para fora.
Olivia me olhou de baixo, os olhos, injetados pelo esforço, os lábios e o rosto, pálidos.
Não consegui conter o impulso de passar dois dedos por sua têmpora e por sua bochecha. Ela fechou os olhos por um instante.
— Não quero que você saia. — Então riu um pouquinho. — Mas tem certeza que ficar aqui não vai aplacar um pouquinho do seu desejo por mim.
O jeito irônico com que ela pronunciou a palavra denunciou que parte dela não tinha acreditado no que eu disse no carro.
— Você acha que eu estava brincando?
Seu sorriso vacilou um pouquinho e ela deu de ombros.
Olivia se apoiou na lateral da privada e se levantou, ignorando a mão que eu lhe estendia.
Ela deu descarga, pegou uma toalha de mão e secou o suor frio do rosto.
Observei enquanto escovava os dentes meio desajeitada, o que era extremamente um traço não característico de Sartori.
Quando terminou, ela saiu do banheiro e eu a segui.
— Não usaria isso contra você, se estivesse brincando. — ela respondeu minha pergunta.
— Não estava.
Olivia tentava alcançar o fecho do vestido e eu estava torcendo por ela, embora duvidasse que seus dedos imprecisos e sua concentração comprometida fariam com que ela completasse aquela tarefa.
Depois de algumas tentativas, Olivia olhou para mim como uma criança que tinha se dedicado muito para fazer algo e não tinha conseguido. A cor havia voltado às suas bochechas.
Observei todo seu corpo em contraste de como ela tinha estado no começo da noite.
Agora o sapato estava meio torto em um dos pés, o vestido estava a uns centímetros mais para cima, o rímel estava borrado e tinha certeza que a parte desaparecida da sua maquiagem estava na minha roupa.
Os cabelos caíam por todos os cantos em grandes ondulações como uma tempestade no meio do mar.
— Pode me ajudar? — Olivia disse um tanto receosa.
Eu estava achando fofo como a bebida fazia com que sua personalidade mudasse a cada cinco minutos.
Ela ia de contrariada à tímida. De tímida a simplesmente me perguntar se eu a desejava.
— Quer que eu te ajude a tirar o vestido? — Ela assentiu com a cabeça. Jogando o cabelo por cima de apenas um ombro, expondo suas costas para mim.
Eu havia assistido diversos filmes e novelas românticas com a cena do "me ajude a fechar/tirar esse vestido" e embora eu soubesse que a graça era a tensão entre o casal, sempre achei a reação masculina exagerada.
Quer dizer, só ajude a garota com a roupa, seu esquisito.
Não preciso explicar que naquele momento eu não estava achando graça nenhuma e, bem, exagerada era uma palavra muito forte.
— Sebastian? — Olivia levantou um pouco a voz, que estava um pouco rouca depois de ter forçado tanto a garganta no banheiro.
Pisquei.
— Hm, claro.
Me aproximei dela e primeiro me concentrei em abrir o fecho no topo do zíper.
Meus dedos roçaram de leve a sua pele e eu senti o exato momento que ela se arrepiou por inteiro.
Engoli em seco.
Ela está bêbada e aparentemente suscetível a reações mais intensas. Você não. Então controle-se.
Depois de abrir o fecho, fui para o zíper, abrindo-o devagar, revelando centímetro por centímetro de sua pele.
Olivia resolveu usar aquele momento para fazer uma grande revelação:
— Não consegui parar de pensar em você essa noite.
Continuei puxando-o zíper, tentando ignorar a fisgada embaixo do meu umbigo.
Eu estava tão distraído tentando manter o controle que só quando cheguei no meio das suas costas percebi que havia algo ali.
Uma tatuagem.
Uma linha que percorria todo o centro da suas costas, decorada com floreios, arabescos e cinco pontos destacados, cada um diferente do outro.
— Achou minha tatuagem. — Olivia murmurou com um risinho, interpretando meu silêncio.
— Há quanto tempo ela está aqui? — perguntei, sem conseguir me impedir de tocá-la.
Olivia respirou fundo. Se foi pela pergunta ou pelo meu toque, eu não tinha certeza.
— A base está aí há uns 4 ou 5 anos, fui acrescentando mais coisas ao passar do tempo.
Eu ainda estava chocado, não era uma tatuagem pequena, considerando o comprimento, mas eu também nunca tinha visto Olivia com as costas completamente nuas.
Aquela parte sempre estava coberta.
— Ela é linda. — comentei, e ela deu de ombros.
Eu estava começando a notar que aquele gesto sempre aparecia quando entrávamos em um assunto que era importante para ela, mas Olivia não queria demonstrar.
Ela agradeceu e era possível perceber sua voz um pouco tensa.
Voltei a puxar o zíper até chegar na base da sua coluna.
Era realmente uma tatuagem incrível, o que me deixava curioso para saber porque ela a escondia.
Deslizei um dedo por toda a extensão do desenho e Olivia se inclinou em direção ao meu toque.
Nossos corpos estavam a poucos centímetros de distância e com a outra mão eu segurei sua cintura, trazendo-a para mais perto.
Inclinei minha cabeça, passando meu nariz por seu ombro, inspirando seu cheiro inebriante e fiz o caminho inverso com beijos suaves.
— Gosto de você, Ferrante. — ela sussurrou.
— Gosto de você também, Sartori. Mais do que deveria. Mais do que seria saudável. Acho que se você soubesse quanto, ficaria alarmada, aliás.
Ela virou de frente para mim, um sorrisinho de canto.
— Eu adoraria saber. Na verdade, adoraria que você me mostrasse.
Aquilo me fez rir, dei um beijo na ponta do seu nariz e me afastei.
Fui até o seu guarda-roupa e peguei o pijama mais comportado que ela poderia usar naquela noite e ainda assim tive minhas dúvidas se conseguiria dormir em paz.
— Vamos. Primeiro você tira esse vestido, toma seu banho, eu tomo o meu e encerramos essa noite. — declarei, olhando-a por cima do ombro.
— Gosto da parte em que tiro o vestido, mas fiquei confusa: a parte do eu tomo banho, você toma o seu... tipo assim, juntos? E quanto a encerrar essa noite.... ficou meio vago.
Ela umedeceu os lábios.
— A Olivia sóbria sabe o quanto a Olivia alegrinha é insistente?
— Só estou tentando entender... — ela tentou fazer uma expressão inocente, enquanto passava tirava um braço da abertura do vestido e depois o outro.
— Não vamos fazer nada essa noite, Olivia. — Ela fez um biquinho e eu continuei: — Quero que esteja extremamente consciente de cada coisa que eu fizer com você.
— Não precisa disfarçar. — comentou, pegando o pijama da minha mão. Tentei ignorar o detalhe de que seu vestido agora estava sendo — precariamente — sustentado no lugar pelo volume dos seus seios e qualquer movimento mais ousado revelaria boa parte do que eu ansiava descobrir. Ela continuou falando: — Sei que a sessão de vômito foi um grande fator broxante para você.
Assimilei suas palavras e comecei a gargalhar.
— Cinco anos, milhares de brigas, um noivado e uma hora te ouvindo vomitar naquele happy hour da empresa não conseguiram essa proeza. Você está segura.
Sartori deu um tapa na minha mão, que continuou estendida mesmo depois que ela pegou as peças de roupa, mostrou a língua e me deu as costas.
— Vou deixar a porta do banheiro destrancada, caso mude de ideia quanto ao banho. Ou quanto ao resto. — Então antes de sumir no banheiro, ela olhou por cima do ombro e me deu um sorrisinho. — Pense com carinho.
Aquela mulher seria a minha ruína de maneiras inimagináveis.
Meu banho teria que ser tão frio quanto uma geleira.
OLIVIA
Acordei como se tivesse a buzina mais irritante e mais alta dentro da minha cabeça.
O outro lado da cama estava vazio.
Respirei fundo, só Deus sabia o que eu havia feito e dito na noite anterior.
Fiz um esforço para lembrar alguma coisa depois que eu havia beijado Mathias, mas o que vinha à mente eram flashes rápidos e que faziam minha cabeça doer ainda mais.
— Arrrrrrgh. — grunhi, escondendo o rosto entre as mãos.
Talvez Sebastian estivesse dormindo em alguma cama com a menina de cabelo colorido, por isso não estava ali.
Também não tinha certeza se queria que ele estivesse para me ver naquele estado deplorável e...
Duas batidas soaram e o dito cujo entrou com uma mesinha e uma bandeja, tentando equilibrá-las e fechar a porta ao mesmo tempo.
— Tive mesmo a impressão de que você iria acordar agora, Bela Adormecida. Por isso me adiantei e trouxe seu kit ressaca. — Ele abriu a mesinha sobre minhas pernas e apoiou a bandeja por cima. — Um suco de laranja, um sanduíche de gosto duvidoso, uma aspirina, água e, é claro, seu amado café que vai acabar te matando um dia desses e... O que foi?
Só depois da sua pergunta que percebi que estava encarando-o durante toda a sua fala.
— Você me viu bêbada?
Sebastian segurava o riso quando disse:
— Um pouquinho. — Ele fez um gesto com o indicador e o polegar. — Quer dizer, eu poderia ter visto outras coisas também, mas desconfiei que você não estava no seu estado mais são.
— Oh, meu Deus. Que vergonha. — Senti meu rosto esquentar. — Mathias, ele não...
Vi o exato momento que o sorriso de Ferrante tremeu um pouco, mas ele respondeu de pronto:
— Estava tão bêbado quanto você. Mas a personalidade bêbada dele é dormir.
— Então nós não...? Quer dizer, eu tenho quase certeza que não, mas...
Sebastian inclinou a cabeça:
— Não se lembra de nada mesmo?
— Muito pouco.
Ele parecia estranhamente aliviado e decepcionado ao mesmo tempo.
— Eu disse ou fiz alguma coisa que te ofendeu?
Sebastian suspirou e abriu a garrafa de água:
— Não. De jeito nenhum. Tome a aspirina, vai ajudar com a dor de cabeça.
Segui seu conselho, mas não conseguia parar de encará-lo. Os flashes da noite passada estavam ficando mais longos e tive vislumbre de nós dois no banco traseiro do seu carro.
Lembrei do gosto de uísque na sua boca, o que indicava que eu tinha o beijado.
Lembrei da sensação do seu dedo descendo por minha coluna, o que provava que em algum momento, eu havia ficado pelo menos seminua.
— Nós não transamos, certo?
— Não, Olivia.
— Eu não fiz nenhuma declaração melosa para você nem nada disso?
— Além de me dizer que durante seu encontro você não conseguia parar de pensar em mim? Não, nada de declarações melosas.
Eu estava mortificada.
Sim, eu me lembrava que passei boa parte daquele encontro imaginando como seria Sebastian no lugar de Mathias, mas era vergonhoso perceber que eu tinha revelado aquele pensamento atirado para Ferrante.
Também me lembrava que não tinha a menor possibilidade de eu ter dormido com Mathias porque terminamos a noite num tom mais amigável do que romântico.
Tirei o sanduíche do guardanapo e dei uma mordida, analisando toda aquela situação.
Não me lembrava se algum dia um cara tinha me levado café da manhã na cama.
Está bem, não era um café da manhã, era um "kit ressaca", mas só o gesto de alguém pensando no meu bem estar depois de um porre era estranho para mim.
Nem nos meus piores momentos, Max tinha me oferecido algum suporte real.
Mais um flash de memória e eu estava no chão do banheiro, vomitando enquanto Sebastian segurava meus cabelos e massageava minhas costas.
Num outro flash, ele beijava suavemente meu ombro nu.
"Gosto de você, Ferrante."
"Gosto de você também, Sartori. Mais do que deveria. Mais do que seria saudável. Acho que se você soubesse quanto, ficaria alarmada, aliás."
Senti meus olhos começarem a arder e antes que eu fizesse uma cena, coloquei o sanduíche de volta na bandeja e tirei a mesinha do meu colo com cuidado.
— Desculpa. Já volto.
Praticamente corri até o banheiro, fechando a porta.
Me olhei no espelho me sentindo patética.
Um homem diz que gosta de você e você está chorando, qual é o seu problema?
Abri a torneira e joguei água no meu rosto, mas as lágrimas continuavam vindo.
"Você me pergunta se eu te desejo Olivia? Eu só posso te responder que não lembro um dia sequer, desde o primeiro instante que te vi, que eu não te desejei."
Foi como se toda a noite começasse a se desenrolar em detalhes na minha cabeça.
E era impossível não comparar. Impossível não perceber como boa parte da minha vida eu passei recebendo tão pouco de Maximus.
Não conseguia me lembrar de um momento difícil meu em que ele deixava de enfatizar o quanto aquelas situações o deixavam desconfortável.
Se eu acordasse com uma ressaca, muito provavelmente ele faria questão de dar indiretas o dia todo sobre como minha escolha de ser "vulgar" tinha suas consequências.
Sobre como suas declarações sempre —sem exceção — começavam com: não sou muito bom com palavras... e prosseguia com variações de como eu era rígida/teimosa/obcecada por controle, mas que ele me amava mesmo assim.
Constantemente evidenciando meus defeitos, eu poderia contar numa mão quantas vezes Max tinha simplesmente olhado para mim e dito como eu era bonita.
Ou como ele gostava de passar um tempo comigo.
Ou como ele me desejava.
Foram tantos anos oferecendo e não recebendo nada em troca que eu estava quase certa de que não sabia como receber.
— Lili?— A voz de Sebastian soou do outro lado da porta. — Está tudo bem? Estou preocupado porque...bem, você não bebeu o café. Isso não faz seu estilo.
Contra tudo o que eu estava sentindo, uma risada escapou da minha boca.
Respirei fundo antes de virar a maçaneta.
— Você é um idiota, sabia disso? — falei com a voz embargada.
— Você está chorando. — ele constatou, levantando meu rosto para olhá-lo.
— Também sou uma idiota aparentemente. — Tentei brincar, mas a testa de Sebastian permanecia franzida de preocupação.
— Foi algo que eu disse? O sanduíche está tão ruim que te fez chorar? Olha, eu nunca afirmei que era bom na cozinha...
Sebastian continuava tagarelando sobre como seu pai dizia que sua falta de habilidades culinárias o levaria ao desastre, mas eu não estava realmente prestando atenção.
Segurei seu rosto com as duas mãos e o beijei.
Num primeiro instante, ele pareceu surpreso, mas logo seus braços enlaçaram minha cintura. E era tão... chocante — animador, preocupante e aliviador — como parecia certo estar neles. Como Sebastian acendia cada célula do meu corpo e as acalmava ao mesmo tempo.
Aquele beijo era diferente dos que demos até ali, Sebastian parecia ter um cuidado com cada movimento que fazíamos, com cada toque de sua mão subindo e descendo pelo meu corpo.
Nossas línguas se encontraram e foi como uma explosão que começava nos dedos dos meus pés e se subia se espalhando por toda parte.
Eu o explorava na mesma medida com que ele fazia comigo.
Queria sentir aquilo para sempre.
Queria que ele ficasse para sempre.
Nossas respirações ficaram pesadas e eu sabia que em breve teríamos que recuperar o fôlego, mas tanto eu quanto Sebastian parecíamos estar dispostos a levar aquilo até o último minuto.
Como se tivéssemos medo que o encanto fosse acabar a qualquer momento.
•
Não lembro de quando um beijo terminou e o outro começou.
E embora meu corpo estivesse praticamente entrando em combustão — e fosse perceptível que Sebastian não estava muito diferente — nenhum de nós ousou ultrapassar nenhum limite.
Eu não estava tão chateada com isso.
Sebastian tinha um beijo arrebatador e eu só poderia imaginar como seria todo o resto, mas parecia que ambos sabíamos que uma conversa teria que acontecer mais cedo ou mais tarde.
Nossa situação era complicada demais para ser resolvida com beijos ou com uma transa.
E eu me sentia infinitamente feliz por ele ser alguém que entendia isso e parecia pensar da mesma forma.
Em algum momento, quando a mesinha do café tinha sido posta na mesa de cabeceira e nossos beijos tinham sido transferidos para a cama, afastei minha boca da dele e questionei ofegante:
— É verdade?
Sebastian abriu os olhos lentamente, como se estivesse acabado de ser inserido no planeta Terra.
Eu entendia a sensação.
— O quê? — ele beijou o canto dos meus lábios, meu queixo, minha bochecha.
— O que me disse no carro.
— Então você lembra? — Apenas o encarei e ele se afastou um pouco, sua mão tirou uma mecha de cabelo do meu rosto. — Sim. Cada palavra era verdade. Durante todo esse tempo.
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