Notas iniciais
ai meu coração Saudades de sebastivia já? Que tal ouvir a playlist oficial da história com músicas que me ajudaram a escrever ? Ela já tá disponível no Spotify : bit.ly/cdcplaylistspot ou no Apple Music: bit.ly/cdcplaylistam <3 espero que gostem! (essa playlist não é a das músicas no começo dos capítulos, é menorzinha) me sigam nas redes sociais! twitter: @ whodat_emmz ou @ emmieedwards_ instagram: @ emmiewrites até logo <3

SEBASTIAN

3 anos depois

1 semana antes do casamento

Estacionei na frente da casa dos Sartori com um suspiro satisfeito, olhando para as duas figuras no banco de trás.

— Enfim, chegam...

Antes que eu pudesse terminar de falar ou que Olivia pudesse tirar o cinto de segurança, as portas de trás foram abertas.

— Cadê meus anjinhos queridos? — disse a senhora Sartori de um lado enquanto o senhor Sartori inspecionava cada detalhe da criança na outra cadeirinha.

Mel e Nicolas berravam como se estivessem em um parque de diversões e, talvez na cabeça deles, estivessem mesmo, já que qualquer coisa que eu ou Olivia falássemo enquanto estávamos ali era altamente descredibilizada.

Cada vez que Olivia pensava em ficar contrariada com aquele fato, ela parava por um instante e apenas sorria, como se apesar de todo o estresse, estivesse aliviada que todos se adaptaram à situação melhor do que poderíamos imaginar.

Minha mãe e meu pai vieram logo atrás disputando com meus sogros quem carregaria as crianças.

Saí do carro e dei a volta para abrir a porta de Olivia.

— Estou começando a achar que o nosso casamento é apenas um pretexto para eles ficarem mimando esses dois.

Ela como sempre estava radiante e em algum ponto eu tinha diminuído as vezes que falava isso para minha querida porque Olivia simplesmente passou a não levar a sério.

Um homem nem poderia ser sincero e apaixonado em paz nesse mundo.

— Eu não duvido. — respondi, quando ela se apoiou no meu braço, me lançando um sorriso cansado. Aumentando a voz, falei: — Talvez devêssemos partir eles no meio e dar para cada um de vocês.

Os avós babões me olharam como se eu fosse criminoso, mas no braço da minha mãe, Mel riu.

— Igual mágico, papai? Que corta a moça no meio?

— Isso mesmo.

Eu ainda sentia uma fisgada no coração toda vez que ouvia Mel me chamar de pai e lembrava da primeira vez que Nicolas chamou Olivia de mamãe. Princiapalmente porque ela passou a noite toda abraçada comigo, chorando.

O encontro de nós quatro aconteceu de uma maneira natural e meio definitiva.

Depois de algum tempo juntos, foi espontâneo que as conversas entre mim e Olivia acabassem envolvendo crianças. Principalmente quando éramos cercados de várias delas.

Desde que Olivia havia contado a sua família sobre a dificuldade para engravidar todos tratavam o assunto da melhor maneira possível e não havia pressão em nenhum dos lados.

Eles ficaram quando anunciamos que queríamos adotar uma criança aproximadamente um ano e meio após eu ter pedido a mão de Olivia em casamento.

Nós começamos a nos informar e adiantamos a oficialização da nossa união no civil para desespero dos dois lados da família.

Olivia e eu prometemos que, assim que tivéssemos um tempinho, organizaríamos uma cerimônia decente, o que acabou demorando quase dois anos.

Nosso foco, porém, estava na adoção e então em nos adaptar à nova rotina, considerando que nossas carreiras também estavam num momento frenético. De um jeito bom.

Ainda lembro do dia em que os conhecemos.

Entramos em um programa de apadrinhamento enquanto entrávamos no cadastro de adoção.

Foi na nossa segunda visita à casa de acolhimento que encontramos Melissa e Nicolas. Tínhamos nos separado por algum motivo durante a visita e cada um de nós acabou encontrando um deles.

Eu encontrei Melissa, uma menininha de três anos anos que falava pelos cotovelos. Ela tinha aprontado alguma e estava correndo pelos corredores como se não houvesse amanhã.

Depois de me explicar enérgica e detalhadamente o que tinha acontecido, ela pareceu se tocar que eu poderia muito bem ser a pessoa que lhe daria um sermão.

Quando falei que não ia contar seu segredo para ninguém ali, ela se agarrou à minha perna durante todo o meu percurso para achar Olivia.

Do outro lado, estava Olivia, que tinha acabado de ter seu próprio encontro com Nic, de quatro anos. Em contraste com Melissa, ele se recusava proferir uma palavra sequer com qualquer pessoa, mas que ouviu tudo que minha esposa disse com atenção.

No fundo, eu sabia que a garotinha tinha me ganhado. E Olivia sabia que tinha aberto uma frestinha no coração do garotinho.

E tudo isso foi antes de descobrirmos que eles eram irmãos.

Não precisávamos de um sinal mais claro do que aquele.

No momento em que tomamos uma decisão, tudo pareceu correr muito rápido e, ao mesmo tempo, muito devagar.

Tivemos que passar um período de alguns meses apenas apadrinhando e esboçando uma adaptação dos dois conosco, além de toda a papelada legal, as checagem minuciosa de nossas vidas e verificações se estávamos aptos ou não para assumir, não uma, mas duas crianças de uma vez.

Quanto ao nosso relacionamento com Mel e Nic, cada dia era uma surpresa e, ao irmos descobrindo partes da história deles até a adoção, não só passamos a entender o jeito de agir de cada um como também acabamos criando laços de uma maneira tão espontânea que era difícil voltar a imaginar nossas vidas sem os dois.

A primeira vez que os levamos para conhecer nossas famílias, eu estava tão nervoso quanto Olivia, no entanto, se a adaptação conosco foi rápida, com os nossos pais foi como se eles os conhecessem desde que tinham nascido.

Mesmo com os desafios, me vi achando espaço em mim para me apaixonar por Olivia ainda mais a cada instante e, ao ver que aos poucos as suas feridas do passado começavam a virar apenas sussurros distantes sempre que ela carregava um dos nossos filhos no colo ou dizia o quanto os amava, automaticamente fazia com que eu me sentisse a pessoa mais feliz e abençoada do mundo.

Há quase nove anos atrás, se fosse ser honesto, não conseguiria imaginar me sentir tão completo simplesmente por estar cercado das pessoas que eu amava e ao lado da mulher da minha vida.

Não conseguiria me imaginar amando duas crianças tão intensamente como amava Mel e Nic.

Não conseguiria me imaginar tão realizado.

Enquanto observávamos a família toda se reunir para receber as crianças — afinal, quem ligava para a gente? —, me virei para encarar Olivia, vendo a mesma emoção que eu sentia refletida em seus olhos.

— O que foi? — ela perguntou, encostando a cabeça no meu ombro.

— Não sei como te agradecer.

Ela me olhou, confusa:

— Agradecer? Pelo quê?

— Por me amar e deixar que eu te ame de volta.

Percebi a garganta dela oscilar:

— Não era como se eu tivesse muita escolha. — Ela sorriu, se inclinando para encostar minimamente os lábios nos meus. — Mas mesmo se pudesse escolher, escolheria você. Todas as vezes.


OLIVIA

24 horas antes do casamento

Quando as mulheres me deixaram para relaxar dentro da banheira, aproveitei para ligar para a pessoa que eu mais sentia falta naquele momento.

No terceiro toque, Patricia atendeu.

— Olha, só se não é a noiva mais maravilhosa que essa cidade vai ver. Pela segunda vez.

— E última! Pelo amor de Deus, se eu tiver que passar por esse nervosismo mais uma vez meu coração não vai aguentar.

Patty riu do outro lado.

O vídeo mostrava que ela devia estar no seu dormitório. Desde que tinha conseguido uma bolsa para estudar Artes numa renomada universidade fora do país e finalmente fez com que sua família deixasse que ela seguisse seu sonho, Patty estava dividindo o quarto com uma colega que ela odiava silenciosamente, mas que eu poderia ver que estava fazendo com que ela interagisse mais com as pessoas ao redor.

Minha amiga sempre muito fechada, estava mais falante, menos sarcástica e com uma aparência linda com os cabelos cacheados cortados na altura dos ombros. Só os olhos que ainda pareciam tão tristes quanto da última vez que eu a havia visto no aeroporto.

— Cadê meus afilhados lindos? Estou morrendo de saudades deles.

— PJ e Rebecca assumiram as rédeas da situação enquanto tenho meu merecido ritual de preparação. — falei, jogando a cabeça para trás.

Meus filhos eram duas das melhores coisas que haviam acontecido na minha vida, mas eu não podia negar que minha rotina e a de Sebastian tinham ficado uma loucura sem fim.

Graças às nossas famílias e amigos nos ajudando, a carga não ficava tão cansativa, mas eu ainda sentia falta de longos dias de descanso.

Do outro lado da tela, Patty torceu a boca:

— Se eu chegar aí e essas crianças estiverem gostando mais da "tia Becca" — Ela fez uma careta. — Do que de mim, cabeças irão rolar. E vai ser a sua.

Eu gargalhei.

— Impossível. Mel disse que quer ser artista que nem você e o pai dela quando crescer, acredita? Nicolas disse que vai ser seu marido, vê se pode?

Patty colocou uma mão sobre o peito:

— Meus pitiquinhos. Nic vai ser o único homem do mundo que presta mesmo, uma pena que até lá estarei uma velha caquética.

— E você como está? Nenhuma paquera pelo campus? — perguntei, e minha amiga rolou os olhos.

— Não, nenhuma "paquera", vovó. Já aceitei meu destino de velha solitária. Além disso tem tanta coisa para se ver por aqui e garotos não têm espaço nessa mente!

Pensei em arriscar e perguntar se Hunter havia entrado em contato com ela ultimamente, mas ela foi mais rápida.

— Eu tenho que ir resolver a questão de alguns documentos agora, mas finja que estou aí e relaxe ao máximo. Você vai estar linda amanhã e bem, tecnicamente vocês já estão casados então não tem como nenhum dos dois mudar de ideia. Lembre-se de pedir para Liz abrir uma vídeochamada amanhã. Ficarei o dia todo sem fazer nada apenas para ver você e Sebastian. Sabe como eu queria estar aí.

Apertei os lábios antes de dizer:

— Sabe como eu queria que estivesse...

— Estou muito feliz por você, Liv. — Ela disse com a voz embargada enquanto meus olhos marejavam. — Construiu uma família linda do jeito que você merece. Esteja ciente que você é meu maior exemplo de sucesso e que eu te amo muito.

Funguei.

— Também te amo, Pat, do fundo do meu coração.


SEBASTIAN

12 horas antes do casamento

O cômodo estava escuro, assim como o restante da casa.

Depois de tantas estruturas passando para lá e para cá o dia inteiro parece que finalmente quase todos os detalhes para o casamento estavam prontos.

Como da última vez, os irmãos de Olivia fizeram um show de manter nós dois separados, mas agora eu não estava apenas mais velho e mais sábio como também o tempo que eu havia trabalhado com Pedro Sartori me fez ter conhecimento de cada canto daquela casa.

Então tudo o que tive que fazer foi esparar tempo suficiente para que todos fossem dormir e sair de fininho em busca de Olivia.

Com cuidado, subi as escadas até o quarto dela, que para minha surpresa estava destrancado.

Ela estava desbruçada na janela, observando a lua cheia enorme que estava no céu estrelado. Os raios de luz moldavam sua silhueta.

— Quero saber como você conseguiu passar pelos guardas reais. — A voz de Olivia chamou minha atenção. Ela nem mesmo tinha se virado para confirmar minha presença.

— Sempre dou meu jeitinho. — Falei apoiando o objeto que estava nas minhas mãos na cama e parando bem às suas costas, meus braços encontrando o lugar perfeito para eles em volta do seu corpo.

— Sabe que não deveria estar aqui.

— Sabe que não deveria estar acordada. — retruquei, beijando o ponto em seu pescoço que eu sabia que fazia ela se derreter contra mim. — Estava esperando alguém?

— Talvez. — ela respondeu baixinho enquanto eu enchia sua pele macia de beijos.

— Será que eu sirvo?

Olivia se virou em meus braços para me olhar.

— Será? — Ela disse passando a mão pelo meu peito, meu ombro, meu pescoço e parando na minha nuca. Entrelaçando os dedos nos meus cabelos, ela me puxou para mais perto da sua boca, mas quando estávamos quase nos beijando, eu me afastei.

Minha esposa bufou e eu sabia que era uma das coisas que a deixava mais irritada: Provocá-la.

— Vim aqui por uma atitude nobre. — falei, soltando-a e caminhando até a pasta sobre a cama junto com o estojo. — Seu presente de casamento.

Olivia estreitou os olhos.

— Vai me desenhar?

— Se for de seu agrado. Não parece que você está com muito mais sono do que eu.

— Sabe que amo seus desenhos. Principalmente os que são sobre mim.

E ela amava mesmo, a prova era o mural que eu havia dado para ela anos atrás e que a cada dia ficava mais cheio.

Não a desenhava mais para tirá-la da minha cabeça, mas para mantê-la por perto o tempo todo. Desenhos inteiros e não só partes dela.

Agora Olivia era toda minha e eu apreciava muito esse detalhe.

— No que está pensando? — Ela perguntou.

— Acho que como você estava, na janela, iria ficar muito bom. O que acha?

Olivia pareceu pensar por um instante.

— É o meu presente de casamento. Acho que deveria ser uma coisa mais...marcante.

Arqueei uma sobrancelha enquanto observava Sartori se afastar da janela e caminhar até a cama, bem onde a luz da lua iluminava.

Sem pressa e com delicadeza, elase desfez do robe de cetim branco que estava vestindo, me mostrando que não havia nada por baixo.

Minhas mãos formigaram e engoli em seco, como se fosse a primeira vez que estivéssemos naquela situação.

A lua iluminava cada relevo e projetava sombras nas depressões, fazendo com que Olivia assumisse o ar de uma figura etérea.

Ela soltou os cabelos e olhou para mim.

— Acha que fica bom?

Mordi o lábio, mas tentei assumir uma voz de profissional:

— Perfeito. — Minha tentativa não passou despercebida porque Olivia sorriu um pouco.

Isso era o que eu ganhava por provocá-la.

Analisei-a dos pés à cabeça.

Toda minha.

Percebi que minha boca tinha ficado aberta apenas quando ela me cutucou com o pé.

— E então?

Não disse nada, apenas peguei a folha vazia e comecei a esboçar.


O olhar de Olivia em mim não vacilou um instante sequer enquanto eu prosseguia. A noite se estendeu, mas nenhum dos dois exibia qualquer sinal de cansaço.

Desenhar cada detalhe dela era como uma terapia que eu poderia passar o resto da minha vida fazendo.

Quando cheguei no estágio que só o que faltava era refinar e dar o acabamento, fechei a pasta.

— Achei que eu poderia ver meu presente. — Olivia falou, inclinando a cabeça.

— É um presente para o casamento de amanhã. Nós tecnicamente não casamos ainda. — respondi, subindo por cima dela na cama.

A vontade de tocá-la era absurda, mas tentei me controlar.

Olivia pôs as mãos em minha cintura, na barra da camiseta que eu usava.

— Será que você não pode me dar uma lembrancinha adiantada? — ela sussurou, deslizando o tecido para cima.

— Eu não deveria nem estar aqui. — repeti suas palavras, deixando minha cabeça pender no espaço entre seus seios.

— Mas você está. — Olivia disse baixinho quando eu beijei sua pele. — Seb...

Ergui a cabeça para olhá-la e sua expressão estava apreensiva.

— O que houve, linda?

— Estive pensando... — ela fez uma pausa, fechou os olhos e respirou fundo. — Seria ruim se...a gente tentasse? Quer dizer... já faz bastante tempo desde a última vez e...

Minha mente levou alguns segundos para assimilar suas palavras.

Saí de cima dela, puxando-a para que ficasse de lado na cama, me encarando.

— Antes de tudo, preciso saber se não está falando isso por minha causa. Devido ao que aconteceu com Max anos atrás.

Olivia arregalou os olhos:

— Não! Não, com Maximus era completamente diferente, sei que você não tem o mesmo pensamento deturpado que ele. — Ela olhou para o teto por um instante. — É só que... não sei. Parece bobeira ainda mais agora que temos Mel e Nic, já que também não quero de jeito nenhum que eles se sintam menos amados ou algo do tipo.

Coloquei uma mão na bochecha dela:

— E quem vai amá-los menos? Eu sei que não vou e você iria preferir morrer antes de machucar ou magoar qualquer um deles. Eles são nossos filhos, Olivia, duvido que você seria capaz de amá-los um tiquinho a menos que fosse.

— Claro que não seria, mas as pessoas são muito cruéis. Não quero que pensem que...

Dei um beijo em sua boca, silenciando-a.

— Não vamos voltar a tomar nossas decisões baseadas no que os outros podem ou não pensar, está bem? Eu conheço o seu coração e você conhece o meu. Assim como Melissa e Nicolas. Outro dia, Mel perguntou se poderia ter um irmãozinho mais novo para ela cuidar e Nic disse que queria que fosse um menino porque, segundo ele, meninas são chatas. Disse isso olhando na cara da irmã, que prontamente deu um tapa na cabeça dele.

Olivia riu.

— Espero que você tenha apaziguado a briga que provavelmente aconteceu.

— Foi um trabalho árduo, mas saíram intactos. — Nós dois ríamos agora. — O que quero dizer é que se você quer que a gente tente uma, duas, três vezes, eu estou com você. Vou estar com você em cada momento. Nós vamos estar. Só vai ter que me prometer que sua intenção não é provar algo para ninguém, porque você não precisa disso.

Ela aproximou o rosto do meu:

— Já disse que te amo? — sussurrou.

Acariciei sua cintura e fiz minha mão deslizar por todo seu corpo.

Olivia suspirou.

— Tenho a impressão que sim, mas minha memória é péssima. Pode me dizer de novo?

— Eu te amo, senhor Ferrante.

— Também te amo, senhora Ferrante.

— Ei! Teoricamente, essas são minhas últimas horas como senhorita Sartori perante toda essa cidade.

Fiz um biquinho, sentando na cama e puxando-a para o meu colo.

— Vou ficar com saudades, Sartori. — murmurei ao pé do ouvido dela enquanto sentia seu corpo estremecer sob meu toque.

— Não se preocupe, enquanto o seu Ferrante estiver por perto, ela não vai muito longe. — Olivia respondeu, enfim tirando minha camiseta e me empurrando para que eu deitasse novamente.

— Que bom. Gosto quando ela está bem pertinho de mim.


OLIVIA

10 minutos antes do casamento

Se eu tinha achado linda a decoração do meu casamento frustrado com Sebastian, o casamento de verdade era como se eu estivesse num sonho.

Como nessa ocasião resolvemos convidar praticamente a cidade toda, além da minha família e a de Sebastian, a cerimônia seria realizada ao ar livre e cada canto que eu olhavaestava decorado.

Dessa vez, eu usava o vestido de Cecília e o véu da minha mãe.

Rebecca e Liz tentavam manter Jude, Mel e Nic quietos, sem muito sucesso. Patricia estava praticamente tendo uma síncope pelo celular, gritando de cinco em cinco minutos como eu estava linda.

Apesar do que se pudesse pensar, o frio na barriga não esteve ausente.

Nada importava dizer a mim mesma que no papel e na vida Sebastian e eu já éramos marido e mulher.

As meninas, minha mãe, Cecilia e Lucy — que usava um vestido de princessa que Mel me fez prometer que ela usaria um dia — me deram beijos e se direcionaram para seus lugares entre os convidados.

Meu pai ajeitou Melissa e Nicolas na nossa frente. Eles entrariam como daminha e pajem e estavam obedecendo as ordens de Pedro Sartori fácil demais.

— Como você conseguiu esse feito? —perguntei, observando a seriedade que os dois se posicionaram para a tarefa.

O homem ao meu lado deu de ombros, enlaçando o braço com o meu:

— Talvez eu tenha prometido fazer algumas vontades, dar alguns doces, alguns brinquedos...

— Vovô vai botar a gente num cavalo! — Nicolas quebrou a postura, falando euforicamente.

— Pedro Sartori, você está fazendo barganhas com seus netos?

— O quê? Eu tenho que ser o avô favorito. Melissa me contou que Caleb levou os dois para passear de helicóptero. Preciso usar minhas armas, essas crianças têm que passar o feriado comigo e com a avó deles. Cecília e Caleb moram perto de vocês o ano inteiro.

Olhei para ele indignada:

— Eu não acredito que vocês estão competindo para ver quem são os avós favoritos.

— Claro que não. Está bem óbvio que os favoritos são eu e sua mãe.

Revirei os olhos.

E ainda diziam que eu era super competitiva.

Antes que eu pudesse dar o passo que sinalizaria o início da marcha nupcial, meu pai tirou o braço do meu de repente e se virou para me olhar.

— Você está perfeita. Sempre foi, na verdade. — Ele segurou meu rosto. — Minha caçula que veio quando eu e sua mãe menos esperávamos e, do seu próprio modo, mudou nossas vidas.

— Pai... — Senti meus olhos começarem a arder. Aquela seria uma hora péssima para chorar.

— Sei que tivemos algumas desavenças no passado. Principalmente quando se mudou daqui para seguir o seu sonho. Só quero que saiba que não tem um dia que eu não sinta orgulho da mulher que se tornou. Da vida que construiu para si mesma, ainda que com todas as dificuldades. Sempre foi tão independente e eu não conseguia entender isso. Não conseguia aceitar que a caçula tinha mais juízo que todos os meus outros filhos juntos. Não conseguia aceitar te deixar ir.

Senti meus lábios começarem a tremer.

— Mas você foi. E me mostrou que poderia escolher a vida perfeita para você melhor do que qualquer um de nós jamais pôde. Me desculpa, filha, se algum dia dei a entender que você precisava ser mais do que já é. E obrigado por deixar a gente fazer parte dessa vida linda que você e Sebastian constroem a cada dia. Obrigado por me dar mais duas crianças para fazer eu arrancar os cabelos e paparicá-los ao mesmo tempo. Obrigado por me deixar ameaçar seu marido de todas as atrocidades possíveis caso ele pise na bola.

Eu soltei um meio soluço, meia risada.

Meu pai se inclinou e disse para que só eu ouvisse:

—Mas fique tranquila, tive a leve impressão que Sebastian não vai fazer isso...enquanto mostrava minha arma para ele. — Eu ri, ele capturou uma lágrima antes que ela escorresse pelo meu rosto e enlaçou o braço com o meu novamente. — Pronta?

— Sendo sua filha, estou sempre pronta.


SEBASTIAN

hora do casamento

A marcha nupcial começou a tocar com um arranjo de If I Could Fly para minha surpresa.

Olivia tinha passado a amar aquela música.

Minhas mãos estavam tremendo e as primeiras figuras que vi foram meus filhos sorrindo. Nicolas empenhado em sua tarefa de jogar as flores e Melissa esquecendo-a completamente e mandando diversos beijinhos para mim.

Segurei o riso e então olhei para Olivia que vinha mais atrás junto com o pai.

Respirei fundo, tentando normalizar as batidas do meu coração.

Era como se eu estivesse sonhando, mas nem nos meus sonhos mais elaborados aquela cena conseguiria ser mais perfeita.

Um sorriso enorme preencheu seu rosto e eu retribuí sentindo meus olhos marejarem.

O instrumental continuava a tocar, mas cada palavra da música passava em silêncio na minha mente.

Pedro Sartori entregou Olivia para mim, dando um tapinha em meu ombro.

Todos se sentaram e a cerimônia começou.


OLIVIA

hora do casamento

Muitos anos atrás, quando me imaginava casando, era outra pessoa que me esperava no altar.

Assim como Sebastian provavelmente tinha imaginado outra pessoa entrando na igreja para encontrá-lo.

Ambos pensávamos que no começo dos nossos vinte anos estaríamos ligados para sempre com as pessoas das nossas vidas, que, na verdade, não chegavam nem perto de serem as pessoas certas para nós.

Naquele momento, beirando os trinta anos, estávamos falando nossos votos numa cerimônia cheia de gente pela primeira vez, tínhamos não um, mas dois filhos e toda uma família enorme — e um tanto invasiva — na nossa cola.

A garota do começo dos vinte anos achava que teria a vida perfeita, mas o que encontrou foi várias imperfeições no caminho. Imperfeições que estranhamente, analisadas com cuidado, formavam um retrato perfeito: Um retrato da vida que ela sempre sonhou sem nem se dar conta.

Bastou apenas um garoto — completamente irritante — aparecer em sua vida imperfeita e tudo mudou.

Um garoto que curiosamente também acreditava que a perfeição estava nas imperfeições.

Ela tentou se esconder atrás das suas muralhas de ilusão, mas ele conseguia ver através de todas elas.

Pior, ele conseguiu derrubar para sempre cada uma e construir algo lindo no lugar.

Quando ela o beijou, achou que transformaria o coração dele em pedra, mas o que acabou acontecendo foi que ele conseguiu derreter o dela.

Ela deu sentido e significado de volta para ele. Ele deu a vida perfeita que ela queria.

Quando fui perguntada se eu aceitava Sebastian como meu esposo, eu aceitei.

Quando perguntaram se Sebastian me aceitava como esposa, ele aceitou.

Os termos de amor, respeito e fidelidade em todas as circunstâncias das nossas vidas até que a morte nos separasse pareciam bons o suficiente.

Eram como cláusulas.

E nós dois já tínhamos alguma experiência com contratos.

Aquele só garantiria o nosso "felizes para sempre".

✥✥✥


Notas finais
Heeyyy, amores (como pode eu ja tá com saudades mds!!!) Chegamos no final de mais uma história. Eu atrasada como sempre, enquanto escrevo essa nota, estou com a cara inchada de tanto chorar e simplesmente me recusando a acreditar que acabou. Acho que não poderia ter dado um final melhor para esses dois, acho que finalmente eles encontraram o que procuravam por tanto tempo! Muito obrigada a todo mundo que está aqui, seja quem chegou agora ou quem está aqui desde "A Madrinha" ou até mesmo pessoal bem mais das antigas q tinham estômago para ler as histórias completamente loucas q eu escrevia. (Ainda escrevo as loucas, mas espero que seja com um pouco mais de qualidade uhshusuhhus) Me conectei com pessoas sensacionais graças a "Contrato de Casamento", e foi muito bom perceber que mesmo depois do meu longo sumiço e crise depois de AM muitas de vocês continuaram aqui e continuaram me apoiando. Gosto de pedir perdão por qualquer coisa, fala equivocada, vácuo não intencionado k, ou mensagem passada de forma equívoca (estou aqui para aprender e não hesitem em chamar minha atenção), minha intenção era fazer vocês se divertirem, se apaixonarem e surtarem tanto quanto eu com Sebastian e Olivia. Obrigada por tudo!! De verdade! Não seria nada sem vocês! E, pela última vez nesse livro (CHOREM NÃO, SE N EU CHORO TBM), não se esqueçam de comentar o que acharam, deixar aquele votinho básico e compartilhar a história com os amigos <3 Nos vemos nas próximas histórias! <3 bjinhos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!