Notas iniciais
Olá quem trouxe mais um cap

"Then my kiss can mend your broken heart."

(Over Again)

SEBASTIAN

— Como está se sentindo, querido? — A senhora Sartori perguntou entrando na cozinha enquanto eu bebia água.

— Bem melhor. Ainda dói um pouco, mas consigo colocar o pé inteiro no chão. O braço já está quase cem por cento. — respondi, movimentando o ombro devagar como prova.

— Tenho certeza que Olivia deve estar cuidando bem de você. Sabemos como ela é metódica e um tanto paranóica.

Eu sorri.

— É verdade. Acho que tem uns cem alarmes no meu celular. "Só para garantir".

Nós dois rimos.

— Se precisar de algumas pomadas para aliviar o desconforto, eu tenho.

— Obrigado, senhora Sartori.

— Ah, por favor, se me chamar de senhora Sartori vou achar que está falando com a mãe do Pedro. Pode me chamar de Lucinda ou dona Lu, já que Lucy tem bastante ciúmes do apelido dela.

— Está bem, dona Lu. — disse solenemente.

Ela deu dois tapinhas na minha bochecha:

— Lindo. Você e Olivia me darão uns anjinhos como netos, tenho certeza,

— Essa é a hora que você corre bem rápido. — Lucas disse, passando com o cachorro dele em direção à porta dos fundos. — Quando ela começa a falar de bebês, o negócio fica assustador.

A mãe de Olivia fez uma cara de ofendida, mas disse:

— Eu estou esperando a sua cota dos meus netinhos, Lucas.

Ele se abaixou e acariciou a cabeça do cachorro.

— Aqui está. Não é o netinho mais lindo que você tem?

— Não esperava que algum dos meus netos fosse roer meus chinelos. — ela disse, contrariada.

— Não se pode rejeitar um membro da família dessa forma. — Lucas olhou para mim. — Está vendo? Estou criando uma conversa fiada para te dar tempo de fugir, aproveite!

Se me dissessem que a situação mais desconfortável e constrangedora daquelas duas semanas seria eu cara a cara com Julie, prestes a me despedir, enquanto Hunter observava tudo, eu não teria acreditado.

Mas ali estava eu.

Hunter tinha acabado de colocar as malas dela no carro e a única coisa que realmente faltava agora era minha despedida.

Julie insistiu para que eu não a acompanhasse na ida até a rodoviária, que seria desconfortável para todos os envolvidos e eu não podia discordar.

De todas as coisas que nós passamos juntos, aquela era uma das que eu mais temia.

O ponto que a nossa amizade estremecia.

O ponto em que eu a magoava o suficiente para a única opção ser nos afastarmos.

Foi um dos motivos porque sempre fui tão hesitante para alimentar qualquer esperança de algo mais entre mim e ela.

Foi o motivo porque depois da primeira vez que ficamos juntos, logo após Eloise ir embora, eu havia terminado o que nem havíamos começado direito.

Não queria usá-la como muleta para esquecer Eloise.

E, no fim, acabei usando-a para abafar meus reais sentimentos por Olivia.

Eu a magoei duas vezes enquanto jurava me esforçar para não fazer isso. Talvez aquela fosse a resposta definitiva que eu tanto queria: nos afastarmos um pouco era o melhor caminho. Era o melhor jeito de não machucá-la nunca mais.

Ainda assim, doía.

— Obrigada, Seb. — Ela disse baixinho, cruzando os braços na frente do corpo e mantendo uma distância considerável entre nós. — Embora não tenha acabado muito bem, você me deu alguns dos momentos mais felizes da minha vida. E serei sempre grata por isso.

— Julie...

Ela me interrompeu:

— Estou falando sério. Se tivesse a escolha de voltar no tempo e decidir vir para essa cidade ou não, eu viria, se isso significasse ter aqueles momentos de novo.

— Ju, não precisa parecer como se estivéssemos nos despedindo para sempre

Julie suspirou e forçou um sorriso que não chegava em seus olhos.

— Não, não precisa.

No instante seguinte, ela me abraçou.

Seus braços estavam hesitantes ao meu redor, assim como os meus ao retribuir.

— Desejo que domingo seja um dia inesquecível para vocês. — Ela afastou a cabeça para me observar, olhando bem nos meus olhos. — De verdade.

Eu conseguia ver a tristeza profunda nos dela e seu esforço de tentar ficar genuinamente feliz pelo casamento.

— Obrigado, Ju.

Hunter limpou a garganta, parado perto do carro, e nós nos afastamos.

— Não conheço muito bem ainda as ruas da cidade, vai ser melhor se chegarmos adiantado na rodoviária.

— Hunter tem razão. — Julie comentou dando mais um passo para longe de mim e colocando o cabelo atrás da orelha. — Até, Sebastian.

Minutos depois de eu voltar para perto da casa dos Sartori, Olivia apareceu na porta parecendo procurar alguém.

Seus olhos pararam em mim e ela pareceu ter encontrado. Os cabelos estavam parcialmente presos, com os cachos caindo pelos ombros e ela usava uma blusa leve de verão que balançava com o vento. Ela havia trocado de roupa desde que a vi mais cedo.

Era incrível como eu passei os últimos cinco anos a observando diariamente, mas a sensação a cada novo dia ainda era a mesma.

Olivia caminhou na minha direção.

— Oi. — disse, incapaz de resistir ao impulso de erguer a mão e tocar seu rosto. O vento deixava os fios de seu cabelo voarem desordenadamente por seu rosto.

— Julie estava procurando você. — comentou, colocando a mão sobre a minha e olhando bem fundo nos meus olhos, como se estivesse esperando uma reação específica.

Passei o outro braço por sua cintura, puxando-a bem lentamente para mim, sem vacilar meu olhar.

— Acabamos de nos despedir.

Quando estávamos perto o suficiente, Olivia tirou a mão da minha e a apoiou em meu ombro.

— É mesmo? — ela perguntou baixinho e eu assenti com a cabeça.

— Sei que pediu tempo para processar tudo isso, mas acho que não consigo mais ficar tão perto assim de você e não te beijar. — Percebi o olhar dela descer para os meus lábios e voltar para os meus olhos.

—Então me beije. — Olivia respondeu tão baixinho que por um momento pensei que tinha imaginado sua voz, até seus dedos deslizarem pelo meu pescoço e se enroscarem em meu cabelo.

A boca dela era gentil na minha, mas eu tinha passado horas demais sem poder beijá-la como queria para poder me contentar com aquilo.

Inclinei sua cabeça para que meu acesso aos seus lábios ficasse ainda mais fácil e, quando a língua dela procurou a minha, nós dois nos desequilibramos quase ao mesmo tempo.

Nossa sorte foi a pilastra da varanda bem atrás das costas de Olivia que lhe deu o apoio necessário para não cairmos direto no chão.

Sartori tinha um gosto viciante e cada vez que eu a beijava, ficava um pouco mais dependente.

Seu aperto no meu cabelo ficou mais forte e eu fiz o mesmo em torno da sua cintura, minha mão tocando sua pele sobre o tecido.

— Quero você. — murmurei contra seus lábios. — Só você.

Abri os olhos apenas para encontrar Olivia já me encarando.

Nos olhos dela eu conseguia ver o medo, as dúvidas, as hesitações, mas também conseguia ver o que ela não conseguia dizer.

Encostei minha testa na sua.

— Será que não consegue ver o quanto eu te quero? Não consegue entender? — sussurrei, beijando a ponta do seu nariz. — Sinto muito por fazer você reviver aqueles sentimentos horríveis.

Olivia fechou os olhos, deixando que eu deslizasse meu rosto contra o seu, minha pele na sua.

Queria que ela me deixasse cuidar dos pedaços dela, assim como ela a cada instante cuidava dos meus. Mesmo sem perceber.

Depois de uns segundos, ela disse:

— Sabe o que isso me faz lembrar? — ela perguntou, respirando bem fundo. — Que não estava te procurando apenas para falar que você estava sendo procurado ou para te beijar loucamente em frente da minha casa. — Arqueei uma sobrancelha e roubei um selinho dela. Olivia riu, mas então ficou séria de novo. — Meu pai quer saber se conseguimos ficar no mesmo local que Max e sua família sem vomitar a cada cinco segundos.

— Você interrompeu meu beijo perfeito para isso? — questionei, fingindo estar bravo e ela sorriu.

— Era meio urgente. A reunião vai ser no fim da tarde, ele precisa saber se vai chamá-los ou não.

Suspirei, me desgrudando de Olivia, mas deixando as mãos na sua cintura.

— Honestamente, ele poderia desconvidar todo o pessoal de merda dessa associação...

— Exatamente o que pensei...

— Mas, sei que ele tem uma voz importante por aqui e isso não iria pegar bem.

Olivia me olhou com curiosidade.

— Quando foi que você e meu pai criaram esse laço inquebrável de pensar um no outro.

— Foi uma conexão instantânea.

— Antes ou depois de ele te chamar de irresponsável? — ela riu.

— A opinião dele sobre mim estava comprometida pelos seus falsos relatos sobre mim, depois que ele me conheceu viu o ser humano incrível que eu sou.

— E eu sou a Rainha Má da história?

Neguei com a cabeça e a puxei para perto de novo, deixando um beijo no seu pescoço.

Aproximei os lábios do seu ouvido e sussurrei:

— Você é minha Rainha Má. E, pelo visto, nunca vai deixar de ser a mais bonita de todo o reino.

— Você é tão piegas, sabia disso?

— Não gostaria de mim se eu fosse de qualquer outro jeito, gatinha.

OLIVIA

Sebastian não viu nada demais sobre convidar os Fontana, com o mesmo adendo de que fingiria que eles não existiam para o bem de sua sanidade mental.

Como da última vez, no jantar que tivemos com Max e companhia, ele se comprometeu a não ficar quieto se qualquer um deles desrespeitasse a mim ou a minha família.

Não encontrei em mim a vontade de ficar contrariada com ele como da última vez. Na verdade, eu havia me tornado uma das fiéis apreciadores de Ferrante que achava sexy nove de dez coisas que ele dizia.

Se Sebastian não tivesse se machucado, eu até torceria para Max receber um bons tapas dele. Deveria ser uma cena extremamente...deixa para lá.

Patty estava certa quando tudo isso começou: eu havia mesmo sido substituída.

Depois do almoço, foi a vez de Sebastian ser sequestrado pelos meus irmãos, meu pai, Hunter e o pai dele para decidir qual dos ternos exatamente iguais ele usaria no domingo.

Patricia me mandou mensagem dizendo que tinha saído assim que o sol nasceu, mas que não perderia por nada a reunião mais tarde.

Eu sabia que sua cabeça deveria estar explodindo por causa do vinho da noite passada. Eu também estaria se não estivesse com milhões de coisas na minha mente.

Como o fato de estar perigosamente obcecada por Sebastian e tremer cada vez que imaginava nossas vidas depois que voltássemos para casa. Cada vez que lembrava que ele tinha me prometido "algo especial" antes de cair literalmente do cavalo.

Eu também tremia com o fato de tudo parecer tão corriqueiro e normal, que minha família praticamente agir como se eu e ele estivéssemos juntos há anos e fizesse sentido.

Ou o fato que eu estava muito bem esperando o momento em que estragaria tudo.

Quando essas coisas apareciam na minha mente, eu me esforçava para lembrar de como a sensação de estar ao lado de Ferrante — de sentir seu toque, seus beijos, de ouvir a sua voz — fazia tudo valer a pena.

Porque ele valia a pena.

O dia começou a escurecer enquanto nos preparávamos para receber o restante dos convidados.

Sebastian voltou do seu cativeiro — suas palavras — como se tivesse sido intensamente traumatizado e me deu um beijo na testa dizendo que: "Esse é o tipo de tortura que passo por você, mas não gostaria de repetir tão cedo."

Mal ele sabia o que provavelmente o esperava no dia da cerimônia. Eu ainda conseguia me lembrar do completo caos do casamento de Liz e o de Otávio.

Sebastian anunciou que ia tomar um banho e eu resolvi sentar um pouco e me preparar para qualquer possibilidade daquela noite acabar com discussão.

Se não fosse nada por minha causa, eu já estaria no lucro.

Assim que tudo estava preparado — as cadeiras, a música, os petiscos e a iluminação —, quase como se cronometrados, os carros e as pessoas começaram a passar pelo portão.

Não eram muitas pessoas que faziam parte da associação, mas as famílias eram enormes.

A maioria eu conhecia desde criança, embora não tivesse muito contato com praticamente nenhum deles desde que havia me mudado da capital.

Em contrapartida, Max era o querido por todos. Mesmo com meus traços antissociais, ele sempre foi amado e muito bem tratado por todo mundo ali.

Era seguro dizer que quando estávamos juntos a maioria deles não ia com a minha cara e ao terminamos todo mundo parecia agir como se ele tivesse se livrado de uma cilada.

Não era como se eu tivesse muita afeição por nenhum deles, então apenas colocava meu melhor sorriso e fingia ligar para o que eles pensavam de mim.

O carro de Max não demorou muito para aparecer e mal tive tempo de processar porque dois braços cruzaram na frente do meu corpo e Sebastian me abraçou por trás.

— Pelo visto, não está mais sentindo tanta dor.— comentei enquanto ele beijava minha bochecha.

— Nem um tiquinho, estou quase novinho em folha, sabe? — ele abaixou a voz para um tom de provocação e acrescentou: — Pronto para todo tipo de ação.

Virei a cabeça para olhá-lo com um ar de reprovação, mas acabei rindo.

— Quantas horas teremos que tolerar esses caipiras para parecermos simpáticos o suficiente e eu poder te arrastar para o quarto?

Fiz uma cara feia:

— Eu sou uma caipira, Ferrante. Minha família também.

Ele rolou os olhos:

— E essa é a única cota que eu estou disposto a tolerar pelo resto da minha vida. Ugh, nunca me senti tão urbano quanto aqui.

— Ô, coitadinho.

— Demonstre sua pena me tirando daqui ou me levando ali atrás e...

— Se você tem amor à vida, não vai terminar essa frase. — Suspirei quando ele mordiscou minha orelha, podia sentir o sorriso de quem amava me infernizar em seus lábios. — Prometo que não vou fazer com que fique aqui por muito tempo. — Suspirei. — Não sei se eu mesma irei aguentar tantas pessoas... desagradáveis.

Observei Max sair do carro com Rebecca e Judith. O carro que vinha atrás era o de Raul junto com o restante dos Fontana.

Eu peguei uma mão de Sebastian na minha:

— Vamos, temos que cumprimentar essa galera de novo. Se não, vamos ferir os alguns sentimentos.

A maior parte do tempo foi preenchida com conversas sobre o resultado da feira, o que poderia ser feito de diferente nas próximas e, claro, fofocas.

Sebastian ficou ao meu lado em cada segundo. Nós dois, Hunter, Patty e PJ tínhamos nosso próprio círculo particular de conversa.

Vez ou outra, eu notava Max prestar atenção na gente, afinal ele tinha escolhido sentar num lugar bem de frente para o nosso.

— Que horas eu posso colocar um cronômetro para marcar em quanto tempo a gente pode sair daqui? — Sebastian falou no meu ouvido, quase no mesmo instante que o atual presidente da associação se levantou com um troféu na mão.

— Aproveitando que todos os envolvidos estão presentes, gostaria de anunciar também a pessoa que mais pontuou nesta edição da nossa feira. Apesar de ser um membro relativamente recente em nossa comunidade, ele mostrou sua coragem e...

— Parece até que você foi para a guerra. — PJ comentou com Sebastian e nós dois olhamos para ele.

—...por isso gostaríamos de entregar esse troféu a Sebastian Ferrante.

SEBASTIAN

Eu fiquei uns dois segundos tentando processar o que estava acontecendo, até Olivia dar tapinhas no meu braço para que eu me levantasse.

— Você sabia disso? — perguntei para ela, que me lançou um sorrisinho, dando de ombros.

— Talvez.

Naquele momento fez um pouco mais de sentido ela, apesar de parecer bem mais ansiosa para sair dali do que eu, ter insistido para que ficássemos.

As pessoas batiam palmas e eu caminhei sem jeito para onde o homem com o troféu sorria para mim.

— Parabéns, Sebastian. — ele falou me entregando o objeto. — Quer dizer alguma coisa?

— Ah... eu definitivamente fui pego de surpresa e nem preparei meu discurso para emocionar vocês.

Parte do pessoal riu enquanto o resto me analisava e eu entendi o que Olivia queria dizer sobre odiar estar sob o escrutínio de grande parte deles, porque a parcela que me analisava não fazia nenhuma questão de esconder o olhar de superioridade. E isso incluía o Sr. Fontana e a madrasta de Max.

— Queria dizer que vocês são uma cidade, uma comunidade, muito unida e que aprecio e agradeço muito a hospitalidade e o carinho de vocês. E, claro, agradeço à minha noiva — Olhei a para Olivia que retribuiu o olhar com censura por ter chamado a atenção para ela, embora um sorriso ameaçasse escapar dos seus lábios. — Não estaria aqui se não fosse por você.

Pela risadinha que Sartori soltou, eu sabia que ela notou o verdadeiro significado das palavras, considerando que passei os últimos 30 minutos insistindo para que saíssemos dali.

Houve mais aplausos e eu voltei para o meu lugar enquanto Hunter arrancava o troféu das minhas mãos para analisar com cuidado.

— Afz, agora é só ser babaca que você ganha troféu?— Meu amigo comentou.

— Se esse fosse o requisito, você já teria um. — Patty respondeu quase que no mesmo instante, Olivia e eu nos encaramos tentando entender o que estava rolando, mas nenhum de nós dois tínhamos a resposta.

— Você poderia ter me contado. — falei para Olivia. — Eu definitivamente não imaginei.

— Você caiu praticamente em cima da linha de chegada e primeiro que Max. Pelo visto tiveram várias avaliações e você foi o vencedor.

Assoviei baixinho.

— Uau, então vocês levam essas competições bem a sério mesmo, né?

Ela arqueou as sobrancelhas:

— Então aconselho a guardar esse troféu com bastante carinho.

— Você poderia ir lá em cima me ajudar a guardar. Que tal?

— Assim que liberarem a comida a gente sobe, está bem? — ela tirou uma mecha do meu cabelo que caía sobre minha testa. — O pessoal não vai estar nos observando como falcões, então aproveitamos e subimos.

OLIVIA

Do ponto de vista de alguém que tinha passado boa parte da vida ao seu lado, eu sabia que Maximus Fontana estava aprontando alguma.

Ele não deixaria barato o jeito que eu o havia tratado no hospital, embora ele merecesse.

Max não era paciente, ele estourava de uma só vez. Porém, provavelmente o tempo que passamos separados tinha o mudado porque eu conseguia perceber que ele estava inquieto por alguma razão, mas não era do seu feitio demorar tanto para mostrar suas cartas.

Por sorte, Sebastian não estava ciente da minha inquietação interna devido à inquietação externa de Max.

Para quem conseguia reparar bem, aquela parte da festa estava com um clima bem pesado.

Eu, em apreensão pelo meu ex, Max aprontando alguma, Pattie e Hunter perto de saírem no soco ou começarem a se beijar loucamente e PJ parecia estar contrariado com só Deus sabia o quê.

O único a salvo era Sebastian e eu pretendia que continuasse assim pelo menos até a hora de entrarmos pela porta da casa e esquecer que aquele povo estava no quintal.

Parte de mim pedia para escutar Ferrante e sair dali enquanto ainda podia, mas outra parte — uma parte mais sensível — queria saber quando aquela bolha de tensão estouraria.

Se estouraria.

Eu esperava que não.

A conversa central começava a flutuar por diversos assuntos, desde os feitos de Sebastian na feira até o nosso casamento.

A cada comentário, eu percebia Max se tornando mais impaciente, Rebecca tentava o acalmar, sem muito sucesso.

Ele percebeu meu olhar atento sobre eles dois porque diversas vezes me pegou os encarando. Max reagia com um sorriso.

Quando estava bem perto de todos irem se servir, Max resolveu se levantar sob protestos quase silenciosos de Rebecca, e pedir atenção dos presentes.

Ele parabenizou Sebastian pelo troféu e pelo nosso casamento, disse que nunca esteve tão feliz pela felicidade de alguém como pela minha.

Que eu merecia todas as coisas boas da vida e que ele, como meu "eterno amigo", ficava muito alegre em compartilhar esses momentos comigo e com minha família.

Acho que não fui a única a perceber a estranheza daquilo tudo porque PJ também se remexeu na cadeira ao meu lado.

Mal percebi que meu pulso começou a acelerar absurdamente quando Max começou a falar.

Tentei lembrar a mim mesma que não tinha mais nada com que ele pudesse me machucar.

Que eu não me importava com o que ele pensava.

Que nenhuma das suas mentiras me afetariam porque eu simplesmente não me importava mais.

Contudo,Max sempre soube meus pontos fracos, até os que se escondiam no fundo da minha mente.

— Nesse clima de celebração e comemoração, — ele dizia. — Também queria compartilhar com vocês, uma das maiores felicidades da minha vida: que é minha família.

Meu irmão soltou o ar pelo nariz e recebeu um olhar afiado da minha mãe do outro lado do gramado.

— Graças a Deus, e sou muito grato por isso, recebi tudo o que poderia querer e muito mais... — Conseguia sentir todo o mundo a minha volta ficando em silêncio, só a voz de Maximus ecoava até mim. — Inclusive, uma mulher incrível, que me deu uma filha linda e...

— Max, por favor...— Consegui ouvir Rebecca sussurrar para ele, sem graça.

— E agora tenho a felicidade de contar para vocês que terei a alegria de ser pai. Mais uma vez.

Eu poderia jurar que antes de passar a mão pela cintura de Rebecca e puxá-la para si, Max me encarou pelo que pareceu uma vida assim que as palavras escaparam da sua boca.

— Sim, nós estamos grávidos de novo! — Ele segurou o rosto de Rebecca e disse ao beijá-la.— Obrigado, meu amor, por ser essa esposa e mãe perfeita,

Todos explodiram em palmas, comemorações e assovios.

Meu coração explodia de vergonha, humilhação e raiva, mas eu não sabia se estava registrando tudo muito bem. Não sabia se ele havia parado de vez, ou se estava acelerado o suficiente para me matar.

O toque de Sebastian na minha pele parecia tão distante que parecia um sonho.

Alguém falou o meu nome.

Talvez Patricia, talvez Sebastian, mas eu não conseguia ter certeza da voz ou me obrigar a responder.

A única coisa que consegui fazer foi colocar o meu melhor sorriso no rosto e ir parabenizar o casal.

Como era esperado de mim.

Mesmo que o abismo, do qual eu corria tanto para me afastar, estivesse se abrindo bem na minha frente.

✥✥✥

Notas finais
Heeyyy, meus amores! . mal nos recuperamos de uma bomba e já temos outra. pra quem achou que ia ler um capítulo desse livro meu sem querer matar alguém agora que a julie foi embora: ACHOU ERRADO. temos a praga do max ainda meu coração não sabia se ficava feliz com as ceninhas do casal ou partido pelo da olivia. MAAAAAAAAAAAAAAAS ---vem aí (oq? só esperando pra ver) o que acharam do cap? tão mais quietinhos por aí, to percebendo, me contem, me contem!!! Não se esqueçam de comentar o que estão achando (pf sou escritora independente preciso receber validação a todo momento rs), deixar aquele favesbásico e compartilhar a história com os amigos ♥ A gnt se vê..... em breve rsrsrs!!! me sigam nas redes sociais! twitter: @ whodat_emmz ou @ emmieedwards_ instagram: @ emmiewrites