Contratada para Amar
9 Capítulo VIII - Empire State
Notas iniciais

Capítulo VIII – Empire State
Lana Walker
— Love will remember, love will remember... — cantava junto com a música “Save the Day” da Selena Gomez.
Eu estava em meu quarto, deitada, no meio da tarde no maior tédio. Desde a noite passada eu não havia falado com Marco e ele parecia meio perturbado, inquieto como se algo tivesse o incomodando. Será que seria sobre o acontecimento da noite anterior? Não. Que bobagem a minha, ele era um conquistador que adorava curtir a vida sem se prender a ninguém, e este era o motivo de ter-me “contratado” para ser sua namorada de mentira.
Resolvi descer para tomar um copo de água, pois estava com muita sede.
Assim que desci alguns degraus pude ouvir vozes vindas do andar de baixo, da sala para ser mais específica, e quando terminei de descer as escadas pude ver que os sons vinham do aparelho de som, do MP3 player que estava estupidamente alto e Marco usava fones de ouvidos, o que significava que ou ele estava surdo, ou morto.
Continuei seguindo meu caminho e fui até a cozinha, abrindo a geladeira e pegando uma garrafinha de água. Em seguida voltei para a sala e parei em frente o sofá em que o Marco estava deitado com os fones em seus ouvidos, o MP3 player em cima da barriga e seus olhos estavam fechados.
— Marco? – chamei, já sabendo que ele não me ouviria. – Marco?! – disse um pouco mais próxima e mais alto que da última vez, mas como antes, não obtive resposta.
Então o cutuquei, fazendo-o pular de susto e tirar os fones. Olhou-me com uma expressão de quem diz: “Por que diabos fez isso?”, mas então eu sorri inocentemente para ele e me sentei no sofá ao lado.
— Sabe que pode ficar surdo com os fones neste volume, não sabe? – indaguei tomando um generoso gole de água.
— Sei, por quê? – questionou desligando o aparelho e guardando no bolso.
— Nada. – dei de ombros. – Não vai sair hoje? Que milagre. – comentei.
— Pois é, não estou no clima de sair.
— Aconteceu alguma coisa? Você está inquieto hoje. – assinalei.
— Não. Não aconteceu nada. – disse rápido demais, e depois acrescentou – Estou com tédio, apenas isso.
Balancei a cabeça em concordância com ele, mas não acreditei no que ele disse, e apenas fiquei sentada ali tomando minha água. Assim que terminei de tomar, fechei-a e coloquei sobre a mesinha de centro, em cima dela havia uma revista “Magazine York Times”, na capa havia a imagem daquele esplendido arranha-céu que eu vi no primeiro dia aqui em Nova York, se bem me lembro do nome era Empire State. Como eu não havia nada para fazer a peguei para folhear.
Estava perdida nas imagens e notícias quando de repente Marco diz:
— Já sei! Vou te levar a um lugar.
— Hã? Que lugar? – questionei confusa.
— Você vai ver. – disse – Agora suba e se troque, você tem vinte minutos.
Sem contestar mais nada, apenas dei de ombros e, fui para meu quarto me trocar.
— Vinte minutos, viu? – reforçou para mim.
Marco Smith
Enquanto ela havia ido se arrumar eu fiquei na sala esperando-a e enquanto isso eu pensava no que havia acontecido ontem a noite.
Aquilo não deveria ter acontecido, e espero que não aconteça novamente. Ou quero?
Não importa! Eu nunca gostei de ter relacionamentos duradouros, e esse era o motivo por ela estar aqui. Meu pai disse que eu só poderia sair de casa com uma namorada, o que estava fora de cogitação, por isso “contratei” a Alana. Ela havia concordado em receber certa quantia para que fosse minha namorada de mentira, e também havia concordado que quando saíssemos eu poderia ficar com quem eu quiser e ela também.
Era algo simples. Não havia sentimentos no meio... Claro!
Será que ela tomaria em uma amizade colorida? Mas, o que eu estou pensando? Isso é coisa de adolescentes, que bobagem!
— Estou pronta, agora vai me dizer onde vamos? – indagou descendo as escadas.
— Não, eu vou te mostrar. – disse me levantando e caminhando para a porta, sendo seguido de perto por ela.
Assim que entramos no carro, eu dei a partida e disparamos pelas ruas de Nova York. Eu havia tido uma ideia, que viera na hora certa, já que eu estava com um tédio descomunal e precisava urgentemente fazer alguma coisa ou enlouqueceria. Então juntei o útil ao agradável.
— Espero que não esteja me levando para o aeroporto. – comentou ela.
— Aeroporto? – indaguei sem entender.
— É. Para me mandar de volta para Londres, você sabe que eu não tenho mais nada lá, não é? Eu não posso voltar para lá. – ela estava realmente preocupada, o que me fez rir. – Do que está rindo?
— Por que eu te mandaria de volta para Londres? – respondi com outra pergunta.
— Por ontem. – explicou, sua expressão era de quem não se importava, enquanto olhava pela janela.
— Podemos esquecer o que aconteceu ontem a noite.
— Tudo bem. – disse ainda indiferente. – Vai demorar muito para chegar? – indagou.
— Na verdade já chegamos. – indiquei para o prédio do outro lado da rua.
Ela olhou pela janela e pude ouvi-la arfar de surpresa e admiração.
— Este é o...
— Empire State. – completei – Sim, é ele mesmo. Lembrei que no seu primeiro dia aqui ficou encantada quando o viu, e achei que seria uma boa trazê-la para conhecê-lo de perto. E espero que não tenha medo de altura.
— Medo de altura? – indagou confusa.
— Sim, porque vamos subir até o topo. – disse e saí do carro.
Ela me seguiu de perto e bastante curiosa. Entramos no prédio e fomos direto para o elevador, apertando o último andar. Enquanto subíamos ela ficava em silêncio, mas totalmente inquieta.
— Veja quem está inquieta agora. – ri dela.
— Pois é. – riu comigo.
Estávamos distraídos quando uma voz soou no alto-falante: “Cobertura. Apreciem a vista.”, Lana deu um pulinho de êxtase esperando a porta se abrir para que pudesse sair do elevador claustrofóbico.
Assim que a porta se abriu pudemos sair. E então pudemos entender o que a voz havia dito com “Apreciem a vista.”.
O local todo era protegido por grades de segurança, e se chegássemos perto dela podíamos ver Nova York inteira. Como já estava anoitecendo todos os prédios eram iluminados por diversas luzinhas que mais pareciam estrelas no céu noturno, e o mar de automóveis era intenso e agradável de se observar, pois eram mais luzes que se movimentavam, deixando uma linda visão. Eu estava extasiado e com um sorriso bobo no rosto, então virei-me para observar a reação de Lana.
Ela estava com a boca entreaberta com um sorriso de descrença, seus olhos castanhos dourados brilhavam e sua pele parecia estar radiante. Havia inocência naqueles olhos, uma inocência que eu não sabia que existia.
Ela estava linda.
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