Contraparte
29 Vinte e nove
Bernardo passou a vida inteira imaginando o que diria a sua alma gêmea quando a encontrasse. Palavras de boas-vindas, tentativas de conexão, promessas de não exigir mais do que lhe oferecesse... Nada soava útil agora.
Um silêncio denso se instalou enquanto o frutescer das sombras mergulhou a gruta na penumbra. Apreensivo, Bernado se aproximou de Raquel. A pouca luminosidade formou um círculo ao redor deles.
— Raquel... — começou, sem saber como terminar. — Por que você me odeia?
A expressão dela se tornou pensativa.
— Eu não te odeio. Na real, não sinto nada por você. O que odeio é estar presa.
Notas finais
Palavra-chave: frutescer
Fale com o autor