Notas iniciais
Bom, o ultimo capítulo. Espero que gostem. *_*

Contradições

by Amanur

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30

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Sabe o que era pior do que ter que ficar a noite toda naquele escritório preenchendo formulários e mais formulários, perdendo uma boa noite de transa, após um jantar romântico? Era ter que ficar a noite toda naquele escritório preenchendo formulários e mais formulários, perdendo uma boa noite de transa, após um jantar romântico... Com o Itachi ao meu lado — e irônico de se dizer. Afinal, quem diria que um dia eu pudesse criar asco daquele cabeludo?

— Não esqueça de carimbar essa página. — ele dizia — E você esqueceu de colocar a data nesta. Preste mais atenção!

Olhei para o meu relógio. Os ponteiros marcavam meia noite e quarenta e cinco minutos da noite. E perguntei para os meus botões em que planeta da nossa galáxia uma funcionária pública ficaria trabalhando num escritório como aquele até essa hora?

— Você não tem vida, não, Itachi? Deveria arrumar uma para se ocupar. — resmunguei azeda.

— Meu trabalho é minha vida. Você esqueceu de carimbar este também. — disse, me passando outra folha — E precisa rubricar esta aqui.

— A esta hora, eu estaria deitada na minha cama, tomando um leite quente para me enfiar debaixo dos lençóis e dormir. — choraminguei, sonhando com a minha antiga vida (porque aquela tortura parecia estar durando uma eternidade, de tal modo que a minha cama parecia apenas um doce sonho de um passado distante).

— Sakura, as páginas finais precisam ser todas carimbadas também. Você esqueceu de carimbar todas elas!

— Itachi, eu vou carimbar a tua cara e rubricar a tua bunda, se me falar em carimbos e rubricas mais uma vez, isso sim!

Ele me olhou irritado e tomou o carimbo das minhas mãos para fazer ele mesmo o serviço.

— Só nos faça o favor de não dizer a ninguém que estou te ajudando com isso, porque isso é trabalho seu, não meu! — ele resmungou, socando o pobre do carimbo nas folhas, fazendo a minha mesa toda vibrar.

Eu não disse mais nada, continuei a preencher os formulários que eu tinha na minha frente. Mas, além de tudo, minha mão já estava dura de tanto escrever em papel e digitar coisas no computador. Meus dedos já estavam se revirando em tendinite. Então, de repente, joguei a caneta longe.

— Argh! CHEGAAA! — berrei.

Calmamente, o Itachi tira a sua gravata, tira o elástico que prendia o seu cabelo, e o prende novamente, fazendo um pequeno coque no alto da cabeça, reclamando do calor. E ainda abriu alguns botões de sua camisa de linho, deixando o seu maravilhoso peito exposto para em seguida voltar a carimbar as folhas. Assim, se fazendo de belo.

Mas sorri comigo mesma, por pensar que aquilo tudo não mais me atraia como antigamente. Sorri por pensar que finalmente havia me livrado dos seus encantos malignos. Sorri até ele me olhar com aquele sorrisinho sacana.

— O que foi?

— Você sabia que eu tinha um encontro com o seu irmão, não sabia? — perguntei, de repente.

— Por que eu haveria de saber? — deu de ombros — Eu não falo com ele.

Continuei encarando ele.

— Está bem, admito que suspeitei disso pela forma como estava saindo apressada, depois de ter esfregado na cara de todo mundo que ele a comeu. Mas e daí? Isso não justifica o fato de que você me deve horas de trabalho, Sakura. — me disse em toda sua praticidade.

Mas eu era mais prática ainda.

— Não tem problema, eu posso pagar essas horas outro dia. — resmunguei entre os dentes.

— Assim como você não morreu por cancelar seu encontrinho com ele uma vez.

— Mas algo me diz que não será apenas uma vez que vou ter que cancelar encontro com ele, não é mesmo?

— Sakura, concentre-se no seu trabalho.

Estreitei os olhos, percebendo que ele estava querendo mudar de assunto.

— Não, Itachi, não tenho como me concentrar nessa porcaria, por que estou cansada demais para me concentrar nessa porcaria! Olha só o que você está fazendo com os meus dedos, por causa dessa porcaria! — mostrei a ele o triste estado em que eles ficaram (forçando um pouco a barra, é claro), todos todo contorcidos e rígidos.

Ele suspirou, se afastando com a cadeira com rodinhas nos pés, que tinha puxado da mesa do Naruto.

— Podemos fazer uma pausa. — murmurou — Vou pegar um café. — e se levantou para ir até a máquina de café mais ao fundo da sala.

— Eu não quero café, Itachi! Eu quero ir para casa!

— Talvez eu peça alguma tele-entrega também. — resmungou, pegando o seu celular do bolso da calça — Você, tem alguma preferência? Estou afim de alguma coisa tailandesa.

— Que tal a sua cabeça, como sobremesa?

Ele me ignorou, e fez o pedido mesmo assim. Em seguida, voltou para a cadeira, a puxando para o meu lado. Como se nada tivesse acontecido, voltou a carimbar os malditos papéis. Eu apenas me acomodei melhor na minha cadeira e comecei a girar de um lado para o outro, entediada. E ele ali, bem belo (infelizmente), se fazendo de distraído com o trabalho, como se nada estivesse acontecendo.

Suspirei. Tentei pensar com calma para analisar toda a situação. Afinal, com certeza, havia algum problema do qual ele não estava querendo desembuchar.

Tentei raciocinar sobre o porquê de ele continuar com a implicância, porque, apesar do trabalho, ele nunca havia dado bola para o Shikabundo que vivia matando serviço, nem a Karin que vivia lixando unhas, e menos ainda para o Naruto que só peidava e jogava paciência no computador.

Claro, o problema era eu! Cheguei a conclusão de que o problema era realmente eu. Por que, afinal de contas, eu era a única que realmente trabalhava naquela porcaria de lugar. Talvez, se eu parasse de trabalhar também, ele me deixasse em paz...

Assim, com a minha genial conclusão, fiquei me embalando em minha cadeira de um lado para o outro, olhando para ele. E um bocado de tempo se passou assim, e a tele-entrega chegou. Dois box de mix de legumes com carnes e arroz, e duas latas de cerveja, por algum motivo, pararam sobre a minha mesa. Olhei para o Itachi, tranquilamente abrindo seu saquinho com os takiap* que vieram junto com o pedido. E sem dizer nada, ele me passou um dos box. Não toquei neles. Tranquilamente, o cabeludo mais cretino do planeta começou a comer. E, assim, enquanto mastigava, carimbava mais folhas como se aquilo fosse um hábito muito antigo, de trabalhar e comer ao mesmo tempo.

— A comida está muito boa. Prove. — ele resmunga. E, então, se fazendo de meigo, ou sei lá que merda ele pensava, me ofereceu um punhadinho de arroz com carne do seu takiap.

Puxei uma porção de ar para dentro dos pulmões.

E assoprei todo o arroz na cara dele.

Sério, sem pestanejar um centímetro sequer, ele olhou para o estrago que fiz em sua roupa. E, então, me olhou. E eu o encarei de volta, igualmente séria.

— Quantos anos você tem? Cinco? — me perguntou, sem alterar sua calma, limpando a sujeira de cima de si.

— Se está reclamando agora, agradeça por não ter me conhecido com cinco anos.

— Eu estou tentando ser legal com você, Sakura. Mas você não está ajudando muito. — ele disse, abrindo uma das latas de cerveja.

— Sabe o que realmente seria legal da sua parte, Itachi? Me deixar ir embora. Isso, sim, seria muito legal.

Ele largou a cerveja sobre a mesa e me encarou.

— É tão importante assim, sair com ele?

De repente, seus ombros caíram, e seus olhos ficaram naquela mistura de seriedade com tristeza. Mas, pensando bem, não poderia ser isso, porque eu sabia muito bem que o Itachi não havia sido agraciado pela natureza com o grande fardo de carregar sentimentos dentro daquele peito musculoso.

Mas olhei novamente com atenção para ele e tive a estranha sensação de que ele queria me dizer algo que não conseguia. E, de novo, colocando a cabeça para funcionar, me dei conta do quão sozinho, na verdade, aquele pobre cachorro poderia se sentir ali dentro, sempre enclausurado em sua própria sala, e ainda ter que voltar para um apartamento frio e vazio, sempre sem companhia alguma esperando por ele...

— É tão importante assim, me prender aqui? — perguntei, num tom menos acusativo, mais ameno. Talvez, mais compreensivo, até.

Na verdade, eu esperava que ele fosse me dizer algo como “eu preciso muito da sua companhia”, ou “não aguento mais ficar sozinho”, ou ainda “eu me odeio por nunca conseguir amarrar laços com alguém como o meu irmão consegue”. Achei que ele fosse desabafar comigo, e se lamentar pelas diferenças inconciliáveis com o Sasuke, sobre o quanto o invejava por tudo o que o seu irmão tinha e ele não (por mínimas que fossem, né). Mas Itachi apenas disse:

— Sim, porque você me deve muitas horas! — e tomou um golaço da sua cerveja, e ainda deixou um arroto escapar — Ops, desculpa! — resmungou — Você sabe que não costumo fazer isso, né? — ainda disse preocupado.

Eu queria morder a cara dele.

Subitamente, me levantei.

— Chega! Foda-se! Vou embora. Boa noite! — peguei minha bolsa, e fui marchando até a porta.

— Ok, boa noite... Foi um prazer tê-la aqui, trabalhando comigo durante todos esses meses...

Voltei sapateando de raiva, e ainda joguei minha bolsa com tudo sobre a mesa. E ele, cretino, continuou a comer tranquilamente.

Resolvi apelar para o drama. Teatralmente, me joguei no chão, na frente dele, apoiando a minha cabeça em seu colo, fingindo que estava chorando sobre aquelas coxas maravilhosas.

— Itachi, pelo amor que você tem aos seus cabelos! Não está vendo como estou cansada? Snif, snif, minhas costas doem de tanto ficar nessa cadeira horrorosa e dura! Meus pés estão me matando nesse sapato e mal consigo manter os olhos abertos, Itachi. — tirei um grão de arroz que achei no meio da sua perna — Snif, snif. Por favor, não me faça virar a noite aqui dentro! Snif, snif.

— Tenho certeza de que você se sentirá melhor depois de comer essa comida. — ele responde, sem a menor compaixão sobre o meu sofrimento, sem o menor remorso pelo que fazia comigo.

— EU NÃO ESTOU COM FOMEEEEEEE! — berrei irritada, socando aquelas coxas maravilhosas.

Mas em seguida, meu estômago me traiu, roncando bem alto, porque, afinal de contas, não havia ingerido nada desde o horário de almoço. Parecia até uma reação automática ao cheirinho bom de comida, parecia um chamado.

E o Itachi ficou me encarando com aquela sobrancelha erguida, se sentindo superior. Mas eu não podia ainda dar o braço a torcer.

— Não se engane! Isso foi o meu intestino dizendo que estou com diarréia. Acho melhor eu ir para casa. — e me odiei por estar falando aquilo para o meu chefe lindo, porque, afinal de contas, é linda a ilusão que os homens têm de que mulheres não cagam.

Suspirei, me levantei e sentei. Não havia muitas outras escolhas mesmo.

Peguei a porcaria do box e comecei a inalar a comida com vigor, enquanto o maldito me observava, divertido com a minha cara de paspalha.

— O que está fazendo? — resmunguei de boca cheia — Continue a trabalhar, você está perdendo tempo!

— Estamos dando um tempo para um intervalo, esqueceu?

Unf. Continuei a comer, sem olhar para a cara dele. E quanto mais eu mastigava, mais pensava numa coisa: porque o diabo do Sasuke não apareceu ainda para me levar de volta para casa? Por que o idiota não apareceu para me resgatar das garras malignas do cretino do seu irmão cabeludo? O que estaria ele fazendo àquela hora, que sequer ligou para o escritório para saber de mim? Afinal, a Karin havia lhe enviado uma mensagem (já que a bateria do meu celular havia descarregado) avisando que eu não poderia jantar com ele, pois teria de fazer hora extra para o irmão idiota que ele tinha. Ele já deveria ter surgido para dar um belo sermão no Itachi!

Mas, não! Eu estava ali ainda. E já era mais de uma da madrugada.

— Eu acho que tenho uma barra de chocolate na minha gaveta. — de repente, ele diz, se levantando.

E se foi até a sua sala. Ainda pensei me levantar de fugir, mas ele ainda poderia querer barrar minha entrada, no dia seguinte, e me demitir. E eu não podia me dar ao luxo de ficar desempregada ainda.

Então, ele voltou, sentou-se e abriu a embalagem da sua barrinha de chocolate. Quebrou-a ao meio, e me entregou a metade. Bebi toda a minha lata de cerveja, e comi a barra — porque já havia devorado todo o box de comida.

Em seguida, ele voltou a carimbar as folhas, e eu voltei a assinar os papéis. Mais um longo tempo se passou, sem dizermos nada um para o outro, e quando vi, já estava caindo de sono.

Acordei, não sei quando tempo depois, debruçada sobre os papéis em minha mesa, com seus dedos no meu cabelo, me alisando. Assim, cheio de carinho e afeição que ele não poderia ter.

Olhei para ele, de canto, sem erguer a cabeça, sem dizer nada. Apenas esperando que ele se explicasse. E ele continuou com aquele gesto.

— Você acreditaria se eu dissesse que me apaixonei por você? — ele me disse, naquele tom sussurrado. Até achei que estive sonhando ainda, ou talvez delirando.

Por que quando eu queria, ele não queria.

Mas agora era tarde demais.

Suspirei, e me acomodei melhor em minha cadeira, afastando a sua mão, e olhei em seus olhos.

— Não, Itachi, você apenas gosta da ideia de estar apaixonado por alguém.

— E se eu disser que estou falando sério?

— Bom, nesse caso, só tenho uma coisa a lhe dizer: Sinto muito.

— Foram duas.

— Que dá na mesma merda.

Ele trincou a mandíbula e dilatou as narinas. Desviou o olhar e se afastou de mim em sua cadeira.

— O Sasuke está te esperando lá embaixo. — resmungou.

Esbugalhei os olhos. Eram três e quarenta da manhã.

— Então... Eu estou livre?

Ele respondeu gesticulando com a mão, me indicando a saída.

Peguei minha bolsa, mas não consegui mexer meus pés ainda. E ele realmente parecia um daqueles cachorros de raça, peludos, de focinho fino e orelhas compridas, mas completamente perdido.

Não sei por que motivo, se por pena, compaixão, ou talvez fosse por mim mesma, mas dei um beijo em seu rosto, e me fui.

Sasuke estava na rua, encostado na parede, com as mãos nos bolsos, dando pulinhos de um lado para o outro porque o vento estava frio. Quando me viu, me olhou de um jeito estranho. Não sabia se sorria ou se me xingava. Mas eu apenas o abracei.

— Por que demorou tanto? — resmunguei.

— Por que estava ocupado te esperando no restaurante até me chutarem para fora!

— Mas a Karin te mandou uma mensagem! — protestei, sem acreditar que ele tivesse mesmo feito isso.

— Meu celular ficou sem bateria no meio da tarde. Então, do restaurante, fui correndo até o seu apartamento para saber se por acaso a desmiolada da Sakura havia se esquecido de alguma coisa, mas como você não atendeu aos trezentos chamados da campainha, resolvi voltar para casa. E lá, eu liguei para o seu celular, como também não atendeu, liguei para Karin...

— Essa gente que não carrega o celular antes de sair de casa... — resmunguei. E ele puxou minha orelha.

— Heein? Como é que é? O sujo falando do mal lavado, é?

— Acho que não vou mais voltar a trabalhar aqui. — resmunguei, de repente.

Ele ficou alarmado.

— Por quê? Ele fez alguma coisa?

— Não, não fez nada...

— Tem certeza? — fiz que sim com a cabeça — Então...?

— É só que acho que eu não deveria mais vir aqui...

Provavelmente eu teria que pagar alguma coisa para o Itachi, mas tudo bem. Eu ainda tinha aquele dinheiro que meus pais haviam me dado, e ainda sobraria para segurar as pontas por uns dois ou três meses — dependendo da quantia que ele fosse me pedir. Eu lamentava pela Karin, o Shikabundo e até mesmo o porquinho do Naruto, mas eu não iria mais conseguir olhar para o Itachi. Bom, eu não queria ter que olhar para ele, pelo menos.

De qualquer forma, Sasuke não disse nada, apenas passou o braço por trás do meu pescoço, e fomos caminhando pelas calçadas até encontrarmos um taxi e partirmos para o meu apartamento.

No dia seguinte, no final da tarde, ele apareceu com quatro jornais diferentes, jogando sobre a mesa.

— Os classificados. — explicou — Achei umas vagas interessantes para você — disse, me apontando para um monte de marcações que ele fez com uma caneta vermelha.

— É mesmo? Tipo o quê? — respondi, mordendo uma maçã.

— Que tal esse: Faxineira de uma escola?!

— Eu mal limpo a minha própria casa, vou limpar uma escola?

— Tem razão... Então, acho melhor descartar esse — e ele riscou um “x” sobre outro anúncio de vaga —, e esse, esse, esse, e mais esse — resmungou, riscando vários “x” — E acho que esse também. Por via das dúvidas, vamos riscar mais esse.

Ele riscou todas as opções.

Não sei se isso se classificava como algo bom, porque ele me conhecia, ou como algo muito ruim, porque isso também significava que eu não tinha qualificação alguma...

— Não é por nada não, mas acho que você deveria ir para faculdade. — me disse.

— Não é por nada não, mas acho que você deveria ir para o inferno. — lhe disse. Eu já não suportava ouvir isso da minha mãe, não ia engolir ouvir isso dele também.

— Assim fica difícil. Você deveria pensar em algo que gosta de fazer...

— Eu gosto de fazer sexo. Talvez eu devesse trabalhar como prostituta.

— Há-há. — riu sem humor.

— Ou talvez eu devesse virar uma conselheira amorosa.

— Sim, imagino como seria lindo todos os maridos com suas mulheres fujonas, para não darem divórcio. Você seria uma ótima conselheira mesmo. — resmungou sarcástico — E o pior de tudo é que você não serve nem para dona de casa!

— Há-há. — ri sem humor.

Mas logo me calei, vendo-o ali, folhear os jornais. Ele estava descalço, com o cabelo meio bagunçado, de manga curta, com um pé sobre o acento da cadeira, e os joelhos dobrados. Estava bem à vontade dentro da minha cozinha.

— Entãaaaaao... — resmunguei, como quem não quer nada, me sentando na mesma posição que ele — O que estamos fazendo?

Ele me olhou surpreso, sem entender.

— Olhando o jornal...?

— Não, cabeção, não me refiro a isso. Digo com relação a nós. Não deveríamos falar sobre nós?

— Os nós do seu cabelo, ou do meu?

Continuei encarando ele.

Sasuke riu, mas logo suspirou.

— Saco. — ele afastou o jornal para o lado — Adoro discutir a relação. — resmungou, sarcástico. E revirei os olhos — O que quer saber?

— Estamos mesmo divorciados?

— Ainda não. Teremos uma audiência semana que vem com um juiz, só para ele ver que é realmente isso o que queremos, e dar baixa nos documentos.

— E é isso o que queremos?

— É sim.

— Ah, que ótimo. Agora entendi tudinho. Só que não! — fiquei encarando o idiota na minha frente.

— Não precisamos de um casamento para ficarmos juntos. Casamentos amarram as pessoas. Não quero prender você, assim como não quero me prender a mais ninguém.

— Hum.

— Mas ainda podemos morar juntos. — ele deu de ombros.

— Eu estava mesmo pensando em comprar uma cama de casal.

— Que coincidência, viu só! E eu estava pensando em voltar para cá! A água do chuveiro é muito boa aqui.

— É, sim.

— A iluminação do ambiente é muito boa também.

— É verdade.

— E o espaço do apartamento é muito bom também. Nem muito grande nem muito pequeno.

— Uhum. E a dona do apartamento?

— É... — fez careta — É bonitinha.

— Bonitinha?

— Ok, é gostosinha também.

Fiz careta.

— É só isso o que tem a dizer sobre ela?

— Não é das mais simpáticas, mas sabe fazer um boquete como ninguém. — deu de ombros.

— Você não quis dizer um baguete?

— Baguete? Você mal sabe passar manteiga no pão! A não ser que você esteja se referindo a minha linguiça no meio dos teus pães. — e ele colocou as mãos na frente do peito, naquele famoso gesto para se referir a peitos.

— Uhum... — resmunguei.

— Á proposito, ainda estou esperando por aquela sobremesa, sabe?

— Hum.

Bom, depois disso, fomos correndo para dentro do meu quarto.

Na verdade, depois que ele se mudou de volta para o meu apartamento, nós corríamos para o quarto com bastante frequência. Bastava um de nós dar um espirro para o outro se excitar.

Num dia, um sábado de sol, eu e ele saímos pela manhã para correr. Demos uma volta no bairro, e quando voltamos, desabei na cadeira da cozinha, enquanto ele ia preparando uma xícara de café para bebermos.

— Acho que vou estudar psicologia. — eu disse, de repente — Ou talvez línguas. Sempre fui boa em línguas na escola.

— Na cama, você também é muito boa de língua.

— Talvez não seja tão ruim voltar a estudar.

— Você sabe que para isso, você precisa pisar numa faculdade, né?

— Eu tenho que fazer alguma coisa... Além disso, também estou cansada de empregos que não oferecem futuro algum. Quero dizer, passar o resto da vida fazendo a mesma coisa, trancada numa sala, não dá.

— Concordo.

De repente, comecei a me sentir enjoada com aquele cheiro de café.

De repente, o enjoo veio com tudo, e tive que sair correndo para o banheiro vomitar o que eu não tinha no estômago.

Ele parou na porta do banheiro, me olhando com o cenho contraído, mas não disse nada. Nem foi preciso mesmo. Ambos já sabíamos o que estava por vir...

Fim

Notas finais
Algum comentário? takiap* é o nome daqueles palitinhos que os orientais usam para comer. No Japão, chamam de hashi, na Tailândia é takiap. Eu achei que tinha colocado no blog a imagem da planta que eu tinha feito do escritório, e hoje vi que não! *O* então, atualizei lá, para quem quiser ver.. http://amanur.blogspot.com.br/2014/02/fic-nova-contradicoes.html Enfim, é isso aí, minha gente. Estou feliz por ter conseguido finalizar mais uma fic, e ainda dar um final feliz a ela! auiehauiehaui Quero agradecer a todos que leram, aos comentaram, aos que recomendaram, aos que criticaram, a todos. *_* MUITO obrigada mesmo. Uma das minhas metas para este ano era finalizar as fics que estavam em hiatus, e comecei a dar cabo de uma delas. Por isso, não vou dar continuidade a essa. Além do mais, acho que não há muito mais o que falar sobre essa fic mesmo. Qualquer coisa ia acabar se tornando apenas encheção de linguiça mesmo. E eu acredito que numa historia, nem tudo precisa ser minuciosamente explicado...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!