Contradições
5 Solta
Notas iniciais
Contradições
by Amanur
...
Capítulo 5
...
Eu fico impressionada com a capacidade de persuasão que algumas pessoas têm. Principalmente com aquelas que utilizam o sentimentalismo como ferramenta para os seus propósitos. É um ato de manipulação, na verdade, por que as pessoas sabem que todo mundo se comove com lágrimas, com aquele olhar tristonho, com aquela expressão de ressentimentos, com a dor escondida atrás das palavras que saem de suas bocas. Eu não tinha capacidade para esse tipo de coisa, e nem tinha muita paciência também, para dizer a verdade. Então, enquanto eu pensava cuidadosamente nas palavras que diria para aquele bocó, pensei: por que diabos eu me importaria? Ele era um cretino, que passou a noite inteira tirando onda com a minha cara, e ainda tentava me manipular daquele jeito como se eu fosse a recém nascida ali! Sem falar no tamanho monumental da vergonha que ele me fez passar dentro do restaurante com aquele seu numerozinho de bom moço vegetariano, salvador das carnes mortas.
Então, que se dane! Vou desembuchar tudo de uma vez só.
— Ok, o plano é o seguinte, eu estou com o meu visto prestes a vencer, como você já sabe, mas eu gosto muito deste lugar e não queria ter que voltar para o meu país. Eis que a idéia seria arrumar um marido para casar o quanto antes, gerar minha certidão de casamento, e pedir cidadania aqui à autoridades competentes. Assim que toda essa papelada saísse, nos divorciamos, e fim de papo. Cada um vai viver sua vida... Claro que isso tudo não sairia de graça. Eu vou pagar dez mil por toda essa baboseira também.
Ele me ouviu bem direitinho, caladinho, sentadinho em sua cadeira, com o garfo cheio de capim no meio do ar. E ficou me olhando, abestado, de boca aberta e cenho franzido, como se precisasse daquele tempinho para processar aquelas informações dentro de sua cabeça. E aí, de repente, o retardado começou a rir mais alto do que o necessário.
— Ahahahahahahahahahaha! Garota, você é impressionante mesmo! — e ainda me aplaudiu, chamando ainda mais a atenção da nossa platéia — Mas te dou créditos pela cara de pau, viu?! Nossa senhora!
— Ok, não precisava rir na minha cara desse jeito! Se a resposta era não, era só ter dito “não”. — resmunguei entre os dentes.
Eu me senti humilhada, é lógico. Realmente foi preciso muita cara de pau para despejar tudo aquilo assim, de uma vez por todas, mas, como eu já havia dito, eu não tinha paciência para enrolar ninguém com sentimentalismo. Por que eu poderia muito bem ter feito um drama ali, na frente dele, chorado todas as pitangas para ele, e ter inventado uma historinha triste sobre meus pais para convencê-lo a me ajudar. Mas não! Fui clara e direta. E o mais importante de tudo, fui sincera! Mas acho que hoje em dia nem todo mundo mais consegue apreciar a boa e velha honestidade.
Então, peguei minha bolsa, afastei a cadeira e me levantei para ir embora. Eu não precisava ficar ouvindo as risadas debochadas dele.
Fui marchando de volta para a rua, me sentindo um lixo humano, enquanto ele se mijava rindo às minhas custas. Nada daquilo era para ter acontecido se a Karin não tivesse se metido a mudar meus planos, assim, de repente. Mas talvez aquilo fosse um sinal para me fazer perceber que eu não era a pessoa certa para o Itachi. Provavelmente, eu não era a pessoa certa para ninguém.
Caminhei algumas quadras, chutando pedrinhas, vendo algumas pessoas passarem por mim como se eu não passasse de um cão na sarjeta. Cada um, insistindo em levar adiante suas vidinhas medíocres, sem grandes feitos... Aliás, o que é um grande feito? Eu não conseguia pensar em nenhum. Construir as pirâmides do Egito? Grandes coisa! Aquilo era só um amontoado de pedras gigantes. Descobrir a gravidade? A humanidade já a usava antes disso, e continua usando do mesmo jeito. Os avanços tecnológicos trouxeram coisas bacanas, mas, de novo, grandes coisa! A gente sobrevivia mesmo sem tudo isso. As pessoas atribuíam valor demais às coisas...
Ou eu que apenas não conseguia enxergar o sentido das coisas, o propósito de tudo isso. No fundo, todo mundo faz a mesma coisa: tentar sobreviver. E não sabemos nem para quê.
Pelo menos, eu tinha o Itachi.
Andei até uma esquina, e fiz sinal para um taxi que passou reto por mim, sem me ver.
— Ok, eu aceito. — de repente, me assusto com o Sasuke atrás de mim, com as mãos nos bolsos.
— Como é que é? — indaguei, para ter certeza do que tinha ouvido.
— Eu aceito. — deu de ombros.
— Você aceita?
— Foi o que eu diiiiiiiiiiiiisse! — respondeu, em tom exacerbado.
— Você está zoando com a minha cara de novo?
— Na verdade, eu sempre quis viver uma aventura diferente. Como estou sem grana para dar a volta ao mundo... Acho que me casar com uma estranha de cabelos cor de rosa, ranzinza e sem noção, seria um bom começo. — ele responde, com um sorriso meio sacana, torto.
— É, você está zoando com a minha cara! — dei as costas voltando a marchar pela calçada atrás de um taxi, desejando que ele explodisse ali, espontaneamente, quem sabe.
— Ok, ok, eu confesso! — ele diz, vindo atrás de mim, tentando barganhar — A verdade é que eu estou precisando de uma grana, e pensando com os meus botões, a carteira leve e os bolsos vazios, conclui que aqueles dez mil que você ofereceu viria muito bem a calhar.
Agora eu parei, cruzando os braços.
— Para quê você precisa de dinheiro?
— Para comprar um pônei! É meu sonho ter um pônei, e pintá-lo com tinta cor de rosa para chama-lo de Pônei Maldito, o que você acha? — ele diz, se achando o engraçadinho.
— Eu acho que vou embora!
— Não, não, não! Espere aí... Ok, bom, como eu posso explicar isso? Vejamos, eu não sei se você anda lendo as noticias, mas a crise econômica está atingindo o mundo inteiro, sabe? E por conta disso, a inflação sobe, o preço dos impostos sobre os produtos aumentam, enquanto que o salário do trabalhador continua uma merreca. Então, fazendo os cálculos, no fim do mês algumas pessoas ficam com os bolsos vazios. E um fotógrafo de eventos, como você bem sabe que eu sou, não ganha lá tudo isso...
Revirei os olhos. Era claro que eu sabia de tudo aquilo! Só não sabia que ele precisava de dinheiro. Pelo menos, ele não parecia estar mentindo, eu acho. E aquilo tudo parecia um desculpa bastante razoável e aceitável (as pessoas ficam sem grana, diabos!, eu estava sem grana!), embora eu adorasse manter uma pé atrás em tudo...
Então, ainda meio hesitante, dei de ombros como se não me importasse com qualquer que fosse a escolha dele. Afinal, ainda precisava bancar a durona, ou ele iria querer pisar em cima de mim outra vez. E ele sorriu, com aquela folha de alface ainda entre os dentes.
— Mal posso esperar pela nossa lua de mel, benzinho. — e ainda piscou o olho.
Apesar das esperanças renovadas, eu ainda tinha a sensação de estar fazendo negócios com o diabo.
No dia seguinte, fui trabalhar como se nada tivesse acontecido. Eu estava relativamente tranquila, despreocupada, como se não tivesse arranjado um marido para casar. Afinal, aquilo tudo não passava de uma tremenda armação, um trambiqueiragem das brabas.
Mas eu estava esquecendo que havia outras pessoas que gostavam de dar mais valor à pequenas coisas, como já mencionei. E isso, sim, era bem desagradável.
— Você já parou para pensar que você está oficialmente noiva, minha querida? — Karin resmungou, girando sua cadeira de um lado para o outro, enquanto lixava sua unha, por que gostava de fingir que não tinha mais o que fazer.
— Na verdade, não estou. Não houve nenhum pedido oficial de noivado... — respondi, lhe mostrando a falta de anel de noivado no meu dedo.
— Bom, então acho que está mais do que na hora de oficializar esse noivado, não é mesmo?
— Karin, não inventa mais besteiras do que a sua cabecinha é capaz de produzir, por favor. — resmunguei, tentando me concentrar no meu trabalho.
— Haha. Acredite, Sakura — o loiro disse, de sua mesa — A capacidade dela é infinita!
— Ah! Já sei até que vestido ficaria perfeito em você, na sua festa de noivado! — a ruiva disse — Esses dias eu vi numa vitrine um vestido ma-ra-vi-lho-so. Era tomara-que-caia, prateado, ia até a altura dos joelhos e acompanhava uma sandália de salto preto. Muito lindo! Aí, você faz um coque meio solto nesse seu cabelo cor de rosa, ia ficar linda!
O problema não era nem ela delirar com toda aquela asneira. Se ela estava disposta a manter a mente debilitada, com todo aquele retardo mental, o problema era dela. A questão que me incomodava eram os ouvidos alheios que transitavam pelo corredor.
— Festa de noivado, Sakura? — Itachi passava bem naquele instante com mais alguns documentos para nos entregar. Comecei a desconfiar de que ela tivesse dito aquilo tudo de propósito.
— Não é ótimo? E estamos todos convidados, Itachi. — a maldita já foi falando, antes mesmo de eu abrir a boca.
— Ótimo. Quando será a festa? — obviamente, ele quis saber.
— É Sakura, quando será a festa? — a idiota perguntou, olhando para mim, como se esperasse que eu tivesse uma resposta pronta na língua para a insanidade dela.
— No fim de semana. — respondi entre os dentes, louca pra arrancar os olhos dela — Neste sábado. Num restaurante.
— Ótimo... — ele disse, colocando os documentos sobre a minha mesa — Fico feliz em saber que as coisas estão se encaminhando para um final feliz. — e ele nem faz idéia! — Ah, Sakura, eu gostaria de conversar com você sobre o seu visto... Quando terminar o que está fazendo, venha até a minha sala, ok?
— Ok.
Então, ele nos deu as costas e aquela bundinha gostosa.
E eu e o Naruto fuzilamos a ruiva.
— Então, sobre o vestido tomara-que-caia... — ela continuou — Ele estava bem baratinho na loja, se quiser, podemos passar lá na hora do almoço.
— Karin, sinceramente, tomara-que-VOCÊ-caia, e de cara no chão, quando se levantar dessa cadeira! — esbravejei, morrendo de raiva!
— Amiga, senta, relaxa e goza! Deixa que eu e o Naruto resolveremos tudo! — ela disse.
— Não! Não, não, não e não! Na-na-ni-na-não! NÃO! N-A-O- TIL: NÃAAAAAAOOOOOOOOOO! — o loiro parecia realmente indignado, revoltado, incompreendido e mal amado com aquela historia, talvez até tanto quanto eu — Isto está errado! Isso tudo está completamente errado! E sabem por quê? Por que era para EU, euzinho estar me casando com ela!
— Já sei até para qual restaurante vamos ligar para fazer a reserva! Não se preocupe com nada, Sakura! Você só tem que arrumar aquele vestido que eu te falei, e deixe o resto conosco! Vou até fazer os convites agora! — e prontamente, ela deixou sua lixa de unha de lado para mexer no computador.
— Karin! — Naruto ralhou — Pare de decidir as coisas por mim! Eu não vou ajudar com nada nessa loucura toda! NÃAAAAAAAAAAOOOOOOOOOOOO!
— Que mensagem bonita podemos colocar nos convites? — ela murmurou para si mesma, por que não ouvia mais nada.
— Que tal essa: — Naruto sugeriu — “Eu, Karin, sou uma retardada, fazendo ratardices!”?
Por mais engraçado e empolgante que eu pudesse achar a briga entre aqueles dois idiotas, eu estava infinitamente mais interessada no que o Itachi tinha a me dizer sobre meu visto. Então, me levantei, deixando eles tagarelarem à toa, e fui até a sala dele.
Itachi estava concentrado digitando alguma coisa no seu computador, quando entrei, após três batidas na porta.
— Se quiser, posso voltar outra hora! — tive medo de atrapalhá-lo, mas ele sorriu daquele jeito que faria qualquer mulher abobada como eu se derreter.
— Nada disso, te quero agora!
— Já que insiste...
Entrei, fechei a porta, caminhei até sua mesa. Mas ele se levantou rápido, e veio correndo em minha direção. E lá estava de novo aquela explosão de paixão ardente que borrava meu batom por toda a minha cara.
Desta vez, não foi necessário derrubar nada da mesa, por que ele parecia já ter planejado tudo antes, deixando-a livre, apenas com seu monitor num cantinho. Então, ele me ergueu, enquanto sua língua lavava a minha garganta, e me posicionou sobre sua mesa, de pernas abertas. Mas, daquela vez, eu consegui raciocinar com calma, de forma coerente, com clareza, o suficiente para perceber que havia algo errado naquilo tudo!
Estava tudo errado!
Uma rapidinha não era o suficiente, ora bolas! Tsc.
Eu queria mais, precisava de mais daquele homem. Então, tentei frear a velocidade dele, lhe dando beijos suaves, leves, passando as mãos em seus cabelos lisos e sedosos. Fui beijando seu queijo, seu pescoço, enquanto desabotoava sua camisa, já sem gravata. E ele fechou os olhos, enquanto sua mão foi deslizando pelo meu rosto, pelo pescoço, desceu pelo peito até chegar aos seios. E ficou massageando os meus mamilos por cima do tecido, enquanto eu chupava seu pomo de adão. Com a outra mão, ele agarrou a minha, e me fez coloca-la sobre o volume em suas calças. A barraca já estava armada, e me arrepiei fazendo com que os bicos dos meus seios ficassem bem durinhos. E Itachi percebeu, e me pegou pelo pescoço, me fazendo encará-lo.
— Sua delicia, você está sem sutiã para me provocar? — ele sussurrou, com o rosto bem próximo ao meu, exalando toda sua virilidade.
Sorri provocativamente, e ele deu um beliscão forte neles, me fazendo gemer. Aí, de repente, tomado por aquele furor, ele quase arranca a minha blusa do corpo, e se põe a beijar meus seios. Ele sugou os mamilos com força, enquanto aperava minha cintura e minha bunda, e eu apertava seu volume com uma mão, enquanto a outra se desfazia do cinto e dos botões da calça. Com tudo arriado, ele me pega pelo pescoço novamente, e me coloca no chão, de joelhos, de frente para aquele pênis grosso, deliciosamente curvado para cima.
Não era necessário muita inteligência para saber o que ele queria.
Assim, sendo, abocanhei seu pinto quente, sugando-o ruidosamente. Itachi ainda agarrou minha cabeça, socando seu membro ainda mais fundo em minha garganta, enquanto urrava em prazer. Senti que ele estava prestes a goza, quando senti gosto de sal na boca, mas antes daquilo explodir, ele me tirou do chão, me colocando de volta sobre a mesa, de pernas abertas. Ele ergueu minha saia, e num só golpe rasgou minha calcinha.
— Sakura, de agora em diante, eu quero você sem calcinha e sem sutiã no meu escritório, entendeu? Você me deixa realmente louco! Tão louco que me dá vontade de tê-la só para mim. — ele murmurou.
E eu só fiz que sim com a cabeça, sem pensar muito nas consequências.
Que se danem as consequências! Aquele homem maravilhoso estava ali, na minha frente, de joelhos para mim, com a cabeça no meio das minhas pernas. Comecei a rebolar e gemer, enquanto sua língua entrava e saia. Eu estava tão molhada que poderia usar todo aquele liquido para fazer um suco.
Pelo menos, ele parecia gostar.
Em seguida, ele se levantou, massageou seu membro na minha frente batendo uma punhetinha básica, e veio pra cima de mim, penetrando-o enquanto massageava meus seios. Desta vez, ele socou com força e rapidez. Dava umas estocadas profundas, de modo que precisava morder o ombro dele para conter os gritos de prazer louco que ele me dava. Meu corpo todo estava em chamas, e ele, insaciavelmente, ainda dava tapas nos meus peitos para vê-los balançar.
Em seguida, ele me tirou da mesa, me fazendo trepar nele outra vez. Abracei sua cintura com as pernas, e agarrei seu pescoço enquanto pulava em cima dele, esfregando meus seios contra o suado peito nu dele.
Falando em peitoral, já mencionei que meu chefe era gostoso? Tinha os músculos bem definidos, porte atlético. Meu chefe era gostoso pra caralho (desculpe-me a expressão)! Mas suponho que todos os amantes sejam. Afinal, qual seria a graça de se ter um amante, se ele não for malhado?
Enfim, enquanto eu me deliciava com o meu chefe gostoso, ele apertava minha bunda. Acho que eu estava começando a entender como o corpo dele funcionava, como ele agia. Pois como da outra vez, aquele parecia ser o sinal de que ele estava prestes a gozar. Ele suava frio, gemia em meu ouvido, as vezes lambia minha orelha, e socava com mais força ainda, me fazendo cavalgar em cima dele. E então, vem aquele jato quente. Ele soca mais algumas vezes, mas já desacelerando, e então me joga sobre a mesa. Mas ao invés de se afastar para pegar suas roupas, ele repousa sua cabeça em meu ombro, para recobrar o folego. Enquanto isso, ele carinhosamente continua a massagear meus seios, enquanto eu me aproveito da situação para abraça-lo, como se fosse inteiramente meu.
E assim, naquele pequeno momento de intimidade, de troca de calor, ele sussurra em meu ouvido:
— Eu estive pensando... A gente poderia fazer muito mais coisas se estivéssemos numa cama, hum?!
— Aham. É. Uma cama. Seria bom. Muito bom.
— E se eu te fizesse uma visitinha surpresa, no seu apartamento, no sábado?
— Esse sábado? — surpresa, o afastei para encará-lo.
— Esse sábado!
— Esse sábado é a festa do meu noivado! — e nem pude acreditar que estava dizendo aquilo!
— Não acha excitante? Eu te comer algumas horas antes de você encontrar o seu noivo? — e ele beliscou meus mamilos como se para se fazer entendido —Só de pensar, já fico duro.
E o pior é que não era mentira! Dei uma olhadinha básica lá embaixo, e vi que o negocio estava erguido novamente. Mas aquilo não soava muito bem. Por mais que fosse tudo uma armação, uma mentirinha, aquilo me deixava inquieta. Mas, pensando bem, afinal, todo aquele sufoco não era justamente para isso? Para que eu pudesse ficar mais tempo nesse país, para ficar com o Itachi? Por que eu estava hesitando?
Além disso, ele me deu o beijo molhado mais sensual que já recebi em toda minha vida. Segurando meu rosto, ele colocou somente a língua dentro da minha boca, sem tocar seus lábios nos meus. Entrelaçamos nossas línguas por alguns longos segundo, para depois ele sugar vagarosamente meu lábio inferior, depois o superior, e sugar minha língua para dentro da sua boca quente.
— Ok! — resmunguei, num fio de voz, sem fôlego. Se ele quisesse uma segunda rodada, eu estava tão pronta quanto ele. Mas acho que ele tinha outros deveres a fazer, pois foi juntando suas roupas do chão.
Saí de sua sala com as pernas bambas, ajeitando a saia no corpo.
— Sakura, querida, seu batom está ligeiramente borrado, por toda a sua cara! — Shikamaru resmunga, passando por mim, com uma pilha de papeis nas mãos — E você esqueceu o sutiã na sala dele!
— Ah, oi, Shikamaru, querido, que bom te ver de vez em quando... — resmunguei de volta, correndo até o banheiro.
Eu estava tão descabelada quanto da primeira vez. Mas me sentia muito, mas muito feliz. Eu poderia ter um bilhão de pratas na minha conta, mas acho que nada me faria tão feliz quanto fazer sexo com o homem dos meus sonhos. Na verdade, para mim, aquilo tinha um significado particular, por que sempre fui uma menina desajeitada, desastrada, sem sal, sem açúcar, sem nada... Nunca tinha namorado o cara que eu queria. Eu invejava minhas colegas que conseguiam ficar com quem elas queriam, e eu, não! Eu tinha que aceitar qualquer um que me escolhesse. Talvez fosse a flor da idade, que finalmente se desabrochava para mim. Eu já estava com vinte e três anos. Talvez, algumas pessoas realmente ficassem mais bonitas com o tempo... Ou talvez, tudo aquilo fosse apenas um grande delírio.
Seja como for, eu não queria que acabasse. Afinal, era a única coisa boa que eu tinha nessa minha vidinha inútil. Por isso, suspirei, e voltei para minha mesa. Karin e Naruto me olharam desconfiados, mas apenas sorri.
— Vocês já pararam para pensar que o Sasuke é irmão do Itachi? — perguntei — Isso significa que para que tudo seja realmente convincente, os pais deles terão que ser convidados a toda essa baboseira!
— Putz! Eu não tinha pensado nesse detalhe! — a Karin resmungou, mordendo a unha do polegar.
— Me cite uma vez em que você conseguiu pensar em algo a sério! — Naruto ainda estava bravo com toda aquela historia, e eu já estava me perguntando quando ele iria superar aquilo, por que ele não tinha a menor chance comigo. Afinal, agora eu podia escolher o meu homem! (ok, isso era uma grande ilusão, mas preferi me manter nessa fantasia por que era muito melhor do que viver na minha realidade).
— Ai, meu Deus! Não acredito que vou ter que mentir para os pais do Itachi! — choraminguei, de repente, me dando conta do tamanho da cagada.
— Bom, que assim seja feita a minha vontade! — ela diz, orgulhosamente — Pense em toda a diversão que vocês vão ter com essa historia, e no quanto irão rir daqui a uns anos. Será uma boa memória para se guardar! Pare de ser tão neurótica!
— Sabe o que seria bom para se guardar na memória também? — o loiro indagou — O meu sapato na tua cara!
— Então, vamos almoçar? Ou você já comeu? — ela indaga, insinuantemente para mim.
— Na verdade, eu já tinha combinado de almoçar com o Sasuke para falarmos mais sobre os detalhes. Vou adicionar essa festa de noivado, e colocar tudo na sua conta. — respondi, pegando minha bolsa sobre a mesa.
— Pense que todo esse sufoco servirá para um bem maior! — ela disse.
— Eu vou pensar num sapato maior para enfiar na tua cara, Karin. — o loiro resmungou.
Dei tchau para eles, e me fui encontrar com o outro estorvo em minha vida. Desta vez, ele havia chegado antes de mim naquele mesmo restaurante vegetariano e já estava comendo.
— Você não tem um pingo de educação mesmo, hein?! — resmunguei — Eu cheguei no horário, você poderia ter me esperando antes de sair abocanhando a comida feito um animal selvagem e faminto.
— Pelo menos, sou um animal herbívoro, e não um canibal, feito você! — ele responde, de boca cheia, e gesticulando com o garfo no ar.
— Você sabe que ainda está se insultando, não sabe?
— Não me importo de ser chamado de animal herbívoro. — ele dá de ombros, e eu revirei os olhos.
Enfim, me servi com um monte de capim e legumes e verduras, e mais algumas frutas, e voltei para a mesa. Comecei a comer em silencio, tentando tirar algum sabor daquela coisa toda verde na minha frente, entupindo com tudo quanto é molho, enquanto ele estava ao telefone celular falando com algum cliente, presumi.
—... Não, não vou negociar mais nada! Já dei minha palavra final, eu quero aquela parte do acordo, e fim de papo, Ino! Não me ligue mais se não for para me entregar o contrato assinado. — e desligou o aparelho, bufando de raiva.
Fiquei mastigando aquele mato, me sentindo uma vaca no pasto. Mas enquanto isso, reparei que havia uma marca em seu dedo anelar esquerdo.
— Você já foi casado? — perguntei.
— Durou apenas um ano. — resmungou, olhando para a marca — Mas que tal falarmos do NOSSO casamento, chuchu?
— Bom, para não gastarmos muito...
— Espere aí! — me interrompeu, de repente — Por que você está falando no plural, como se mais de uma pessoa fosse gastar alguma coisa?
— Bom, ok, eu explico, mas preste bem atenção, por que a equação não é simples mesmo. Mas olha só: um — e eu apontei para mim — mais um — e apontei para ele — é igual a dois. Dois é um numero par, o que significa que os elementos são mais de um, e quando os elementos são mais de um, o sujeito e o verbo vão no plural. Afinal, é um par! Entendeu?
— Eu acho que o sujeito aqui só está querendo me sacanear! — ele resmungou, apontando para mim com a faca — Por que você me disse que eu receberia dez mil, e isso significa que eu estaria levando a vantagem, eu estaria lucrando! Mas no momento em que você me coloca nessa sua equação sem noção de gastos, eu perco os meus lucros! Mas tudo bem, eu vou te perdoar, por que eu sei que você não frequentava as aulas de matemática, ok?
— Você estava surdo quando eu disse que não tinha dinheiro?
— Eu não me lembro disso.
— Bom, estou te dizendo agora, eu-não-te-nho-di-nhei-ro!
— E isso era para me deixar tranquilo? E o meu dinheiro, como vai fazer? Vai cagar?
— Fique tranquilo quanto ao dinheiro! Vamos marcar o casamento para duas semanas!
— DUAS SEMANAS??? Querida, rúcula não é para cheirar! É para comer!
— Não precisa ser nada demais. Será uma cerimônia simples. Não precisa nem ser na igreja, pode ser na rua, no quintal de alguém, no meio do lixão... Tanto faz! Não precisa ter flores, nem bolo, nem nada. Podemos jogar bolinhas de papel higiênico ao invés do arroz. Vamos fazer como hippies e naturebas bregas como você, que gosta de tudo simples e sem graça.
— É, eu acho que vou te esgoelar daqui a pouco... — ele resmunga, tomando um gole do seu suco, pensativo.
— Ah, e mais um pequeno detalhe... Convide os seus pais também!
Ele se engasga, e vejo uma gota de suco escorrer pelo seu nariz.
— COMO É QUE É? Por que meus pais têm que se envolverem nisso? — ele resmunga, após se recuperar.
— Você esqueceu que o seu irmão é o meu chefe? — tranquilamente, tomei um gole do meu suco de uva.
— E? O que o cu tem a ver com as calças nesse seu mundinho?
— Bom, acontece que, acidentalmente, ele foi convidado à festa de noivado.
— FESTA DE NOIVADO? — ele indaga, exacerbado — Pronto! Você enlouqueceu! Ambulância, ambulância!
— Sábado!
— Sábado? — perguntou incrédulo.
— Este sábado! Num restaurante.
— Por favor, me diga que você está brincando comigo!
— E vá de terno, porque eu vou de vestido e salto alto.
— Você não está brincando! — concluiu.
— Não arruíne as coisas!
— E se eu morrer antes?
— Não, não! Deixe para morrer depois do casamento!
— Ou, quem sabe, eu mando matar você! Eu acho que tenho um amigo que pode me fazer esse favor.
— Amanhã vou lhe entregar os convites para você levar para os seus pais. Você pode explicar a eles a situação meio que por cima, que eu sou estrangeira e para que eu não vá embora, por que você me ama muito, vamos apressar as coisas antes do meu visto vencer.
— Isso soa tão errado. Eu não te amo nenhum pouco! Olha, meu irmão pode ser burro, mas meus pais não são!
— Faça-os acreditarem!
— Sim, querida. Nem nos casamos ainda, e já está me dando ordens! Tsc. Talvez eu devesse procurar outra esposa de mentirinha!
E então, ele ficou me olhando de um jeito estranho, de repente sério demais. Quase como se estivesse hipnotizado com alguma coisa. Mas ao perceber que eu percebi que ele me olhava, ele desviou o olhar rápido demais. E então, me dei conta de que ele estava olhando para os meus peitos soltos.
Discretamente, me abracei e sorri amarelo, por que era tudo o que eu poderia fazer. Ah, e claro, me lembrar de nunca mais ir trabalhar sem sutiã.
Fale com o autor