Contra o relógio
1 A breve história de uma amizade e um sótão
Notas iniciais
Agradecimentos também à Rick Riordan, que não faz ideia, mas proporcionou isso.
A gente estava só. Os pais de Adam tinham saído com os meus, e estávamos só naquela casa nem tão grande, mas bem antiga. Eu conheço Adam faz pouco tempo, mas parece que conheci a vida toda.
Ele era só, e bem solitário. Fiquei com pena dele. Tá, eu fiquei com pena depois, primeiro veio a curiosidade. Eu estava andando no colégio e o vi. Perguntei por que ele ficava naquela área tão isolada, ele resmungou coisas sobre privacidade.
-E o que você faz aqui?
-Eu estou explorando.
-Explorando?
-É.
Talvez morresse por aí, mas continuei enchendo ele. A luz da sala estava desligada e eu liguei. Ele piscou, estava na segunda carteira da fileira ao lado da porta:
-Caramba, você é lindo- soltei. Então corei. Ele também corou. Tinha pele pálida, cabelos loiros-brancos e olhos castanhos avermehados.
Vampiro? Haha.
Não mesmo.
-Você é Dark?
-Hã?
-Emo?
-Quê?
-Gótico? Roqueiro?
-Do que você está falando? Não sou nada disso, certo que curto Rock, mas...
-Você se corta?
-CARAMBA! Não! De onde você tirou isso? De onde sai tanta curiosidade?
-Só pra saber...
Ele me encarou.
-Ei — falei- Você é muito pálido. É anêmico? Tadinho... Mas também és muito magro, és anoréxico?
-Quê? Não! E quem diabos fala és?
-Só estou tentando falar corretamente.
-Ah senhor...
-Por que você está aqui: Está se escondendo de algum bully?
-Quê? Não! Uma pessoa não pode querer privacidade?
-Qual seu nome?
-Adam.
-Prazer, Katrina. Costumam me chamar de Kat. Muito bem, sr. Não-sou-dark-emo-gótico-nem-me-corto, por que está sozinho.
-Eu já disse!- Ele se exasperou- eu quero ficar só! E não me chame assim.
-Sr. Quero-privacidade? Ad? Aldy? Adams?
-Me chame de Adam! Meu nome não precisa de apelidos!
-Okay, tchau.
-Graças.
Bejei a bochecha dele:
-Te vejo depois, sr. Anoréxico-anêmico- ele corou.
Eu voltei no dia seguinte. E no outro. E no outro também. Ele resmungava que eu era curiosa demais para alguém tão baixinha, também reclamava sobre privacidade e de como eu era inconvenientemente curiosa, e sobre o fato de eu não parar de vir, e como eu era curiosa.
Mas ele sempre estava lá no dia seguinte. No mesmo lugar.
Também nos víamos nos corredores e eramos da mesma turma, mas ele de início me ignorava. Então começou a me cumprimentar, depois conversávamos na troca de professores, e então começamos a passar o recreio juntos.
Então viramos melhores amigos.
É, essa é a história da nossa amizade.
Não tinha muita coisa para fazer. A gente tinha visto Coração de Tinta, tinha comido e lavado a louça, ouvimos música, mas nada realmente nos animava.
Ele teve uma ideia.
-Kat- ele me chamou- quero lhe mostrar um lugar.
-Que lugar?
-O sótão.
-Não é aquele que não deveríamos entrar?- Diz, lembrando do aviso dos pais dele.
-Bem, mas é só por que não podemos quebrar nada... Quer ver?
-Mas é claro.
No teto havia a portinhola para o sótão, ele a abriu e a escada caiu, sem fazer barulho.
"Sótãos são lugares perfeitos para filmes de terror"
"Você e sua noia com filmes de terror"
Ele sobe as escadas e eu o sigo.
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