Contra o relógio
2 Um maldito Sarcófago
–Parece que quem morou aqui antes gostava de colecionar muitas coisas- Adam disse.
Ergui uma sobrancelha e observei o lugar:
–Uou...
–Uou mesmo...
–Show!- olha tudo, curiosa.
–Muito, né?
–Você tem ideia de quem morou aqui? Irado!- Era muita tralha.
–Não. Nenhuma...
Cara, tem muita coisa. Máquinas que parecem funcionar perfeitamente bem, arcas, baús, quadros, mil coisas! Tem um guarda roupa, me dirigo até ele e abro a porta, ele está vazio.
–Partiu Nárnia- Entro no guarda roupa e me sento no chão dele.
Adam riu:
–Funcionou?
–Não, tá com defeito- Faço carinha triste- MEU DEUS TALVEZ SEJA O ARMÁRIO SUMIDOURO DE HOGWARTS!- cara feliz — Anh... Mas ele queimou no último livro- carinha triste de novo.
Adam ri ainda mais.
–Num valhe...- Se levanta e fica quase direitinho no armário, de tão baixa que é- Será que o diadema de Rowena Ravenclaw está aqui em cima...? Não... Espera... O diadema também foi destruído. Maldição.
Adam riu.
Bati a cabeça numa prateleira.
–Ei!- ri, e sai massageando a cabeça- O armário quer me assassinar, que absurdo.
Começamos a rir. Dirigo-me para uma arca:
–Uau! Roupas! E eu esperando um tesouro estilo piratas do caribe! Se bem que aquilo era amaldiçoado, então... É, roupas estão de bom tamanho.
Olha para as roupas e tira um terno da arca:
–Santo deus, isso é um babado? Parece mais um monstro!
–Essas roupas são bem antiguinhas, hein?- ele riu.
–Antigas? Olha esse vestido- tira um vestido carmim- Ele estava na última Semana da moda de Paris. É esse o nome? Sei lá- puxei ele da arca, para ver meljor- Parece daquelas duquesas...
Adam se sentou ao meu lado e pegou um vestido de baile antigo:
–Ficaria bem em você.
–Querrrrido, tudo fica magnifiique in mua- Coloca o vestido por cima da camiseta e do short;
–Olha, que lienda.
–Essas moças tinham cintura fina pra caramba hein- ajeitei o vestido- deviam ser anoréxicas que nem você. Ah, mas é clarrrro que istoi lienda. Semprrrre fui lienda.
–Já disse que não sou anoréxico.
Eu ri e tirei uma peruca engraçada, branca e com cachinhos e ajeitei no cabelo dele:
–Cabelo brrranco o mousier non prrrrecisa, se este comentárrrio non for rrrrude de minha parte. Mas esta perrruca deixa qualquerrr um divine. Okay, isso já virou preconceito contra franceses.
Adam riu:
–Será que já estamos prontos para o baile?
–Non, non, non, três nons prrra você- tira o terno com babado/monstro e coloca nele- Agorrrra sim, mon cherrie... Ah, mas você é homem... Ah, sei lá.
Adam ri que nem louco:
–Vamos ver o que mais tem aqui...
Vou andar mas tropeço na barra enorme do vestido (pelo menos para algupem da minha altura) e cai, rolando numa bola de tecido e bufantes. Tento me livrar dos mil panos no rosto:
–SOCORRO O VESTIDO QUER ME DEVORAR!- grita, rindo.
Adam riu e me ajudou a levantar:
–Se acalme, nobre dama, irei salvá-la!
–De que forma eu poderia lhe agradecer por me salvar do cruel vestido assassino, humilde cavalheiro?
Os dois riem.
–Não precisa- Ele disse- Voi uma honra ajudá-la, senhorita.
–Mas eu insisto. Conceda-me o prazer dessa dança.
Começamos a dançar valsa, rindo.
–Deus do céu, sou péssima- ri.
–Nem é... Já vi piores- ele riu.
Pisei no pé dele de propósito e sem muita força:
–Retire o que disse.
–Retiro o que disse.
Rimos mais. E ele me gira.
–Mas realmente já vi piores.
–Não me faça dançar rap só para lhe contrariar.
–Seria interessante te ver dançando rap.
–NÃO, NÃO seria!
–Seria sim- ele deu um sorrisinho.
–Seria mais piedoso permitir que você olhasse nos olhos da Medusa.
–Ah, vá!- ele me gira novamente.
–Não seria não, meu caro cavalheiro- ri.
–Ah, seria sim- ele sorriu.
–O Sr. sabe ser irritantemente suicida quando quer;
–E a srta. sabe ser extremamente teimosa quando quer.
Eu ri com prazer:
–Sou a pessoa mais teimosa que existe, já deve ter reparado.
–Reparei mesmo- ele sorriu e a peruca dele caiu.
–Essa é a deixa. Pare que já estou tonta.
Ele ri.
–Okay, então.
Nos afastamos e eu tiro o vestido:
–Culpa das suas parentes anoréxicas que usam vestido apertadíssimo na cintura. Quando eu me casar meu vestido vai ser tudo, menos apertado- bufei e guardei o vestido no baú.
Ele riu.
–Ah é, não vou usar vestido no meu casamento. Por que? Porque terninhos são extremamente charmosos.
–Okay, moça- ele disse, rindo, e guardou o terno e a peruca.
–O que mais tem aqui...?- meus olhos são atraídos por algo brilhante.
–Vai explorar, Kat aventureira.
Tiro um escudo da bagunça:
–UOU!
Tira uma daquelas espadas fininhas dis três mosqueteiros de lá:
–EM GUARDA!
–Moça, não me machuque.
–Machucar? Mas eu sou só uma smurf com uma agulha gigante e um sorriso traiçoeiro.
–Nossa... só?- ele riu- Ainda bem! Não acredito na minha sorre!
Guardei aquilo:
–Crê em deus pai, aquilo é um caixão?
–Oi?! Caixão?!
–É UM SARCÓGAFO! É assim que se chama? Dane-se. Ah, sarcófago. IMAGINA QUE LOUCO TER UMA MÚMIA LÁ!
Adam riu enquanto fui abrir a porta/tampa:
–Uouououououou... Isso é um cofre.
–Um cofre:
–Sim. E eu vou abiri.
–Como, Einstein? Não temos a chave.
Chutei a tampa/porta com força.
–Haha!- mostrei a língua para ele. Ele revirou os olhos- Será que tem um tesouro?
–Não sei... será?
Abri a tampa e só tinha um medalhão antigo no chão poeirento. Ele era de bronze e parecia ter um floco de neve, com cinco esmeraldas ou jades ou sei lá decorando-o. O que? Não sou especialista em pedras preciosas:
–Anh... Medalhões não são exatamente tesouros...- peguei o medalhão e o observei. Adam se aproximou:
–Deixe-me ver- Passei o medalhão para ele- É bem bonito... E diferente
–Sim, sim. O cara que fez era muito talentoso.
–Muitíssimo.
Toquei no medalhão e uma das partes que continha uma jóia se mexeu:
–Que...?- o mundo gira e eu fico tonta, luzes piscam.
–Kat?
Tropeço e caio no sarcófago, gritando de susto. Adam segura meu braço e acaba caindo junto. O sarcófago se fechou com estrondo:
–Mas que...?
–O que está...?- Ouço a voz de Adam atrás de mim, diminuindo, e então sumindo.
–Adam...- O sacófago estava escuro mas de repente escureceu mil vezes mais. Senti um vazio atrás de mim e me virei. Parecia que eu estava caindo. Fica tudo mais escuro- Adam...?
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