Notas iniciais
Ooi gente, perdão a demora em postar o capítulo, quase não tive tempo hoje. Boa leitura e até o próximo sábado! ♥

Salatiel acordou com o cheiro de enxofre e um calor infernal.

Pensou estar pegando fogo, mas então viu uma luz alaranjada iluminar o céu e percebeu que não era o seu quarto, e sim algo fora dele. Pensou que esse era o momento perfeito para se apavorar, contudo, algo dentro do seu coração não permitiu que ele se exaltasse. Lentamente deixou os lençóis de lado e se retirou da cama, seguindo para fora, para o seu acampamento, onde viu não o seu canto de treinamento, mas a própria Babilônia. Reconheceria aquela arquitetura em qualquer lugar: os muros vermelhos, as transcrições politeístas, as estátuas, os vasos, as roupas… os corpos…

Salatiel olhou para cima e viu o arco de entrada queimando como o fogo do inferno. Seus olhos estavam inundados pelo brilho sedutor daquelas labaredas, contudo ainda assim não foram suficientes para ofuscar o som de um sussurro; ouviu alguém falando em seu coração.

"O que você ouve?

O que você vê?"

Ele sabia quem era, apesar da descrença dos seus parceiros. Ele sabia… e, por isso, ele respondeu:

— “Vejo os sinais dos tempos

Anunciar o fim dos dias.

Vejo o vinho da Babilônia

Embriagando as nações…

Ouço a voz do céu clamar

Que é tempo de temer,

Santificar-se ao Senhor

E de não se conformar…”

Quando olhou para baixo, viu, dentre os corpos, alguns conhecidos, o que o deixou espantado. Não queria virar os seus rostos e confirmar as próprias suspeitas, tinha medo de estar certo, mas, se haviam aqueles corpos ali, talvez os que se diziam Eleitos não o eram de fato, e por isso o alerta era tão periclitante.

Por sorte ou não, Salatiel acordou.

x ----- x

Reino de Éfeso, quarto 07 – 02:48 hrs

Aconteceu de novo.

O moreno acordou banhado em suor. Havia acontecido de novo; ele havia tido uma visão. Detestava aquelas visões, demandavam muito de sua energia e sempre ninguém acreditava. Salatiel havia tido uma visão de repreensão, algo que devia ser dito ao povo, mas como dizer aquele tipo de mensagem se nem mesmo com as boas notícias eles acreditavam em suas palavras? Por que o Rei não se comunicava com os superiores ao invés de tentar contato com um soldado raso como ele? Cheio de perguntas, mas nenhuma resposta, ele preferiu somente ignorar tudo o que viu e voltar a dormir, porém Urias não estava no quarto e realmente havia um burburinho lá fora, pois as luzes da fogueira estavam acesas. O que quer que estivesse acontecendo, ele teve medo.

Recolheu sua bainha e se retirou. Ao chegar no centro do acampamento, onde os soldados faziam algumas reuniões informais, encontrou quase todos eles acordados e perplexos, deliberando uns com os outros. Salatiel invadiu o círculo de homens que foi feito e reparou o que tanto era tema para as suas conversas.

Algumas de suas espadas estavam incendiadas e outros armamentos estavam destruídos. Tudo o que restou, agora, eram borralhos.

— Eles entraram aqui…

— Como? Quem era o sentinela da madrugada?? Como ele não viu isso??

— Silêncio! — exclamou o general, indo em direção ao grupo — Samyaza se foi, ele levou mais alguns homens consigo. Algum babilônio certamente o seduziu.

Com aquela afirmação, os soldados olharam uns para os outros, perguntando-se como aquilo era possível. Apesar da Babilônia ser tentadora, eles estavam plenamente conscientes de que não deveriam ceder, então como isso ainda poderia acontecer?

— Alguém morreu ou ficou ferido? — indagou Salatiel.

— Não, e desde quando babilônios fazem investidas violentas? Eles gostam de pegar no ponto fraco das pessoas, nos seus desejos, por isso o vinho deles é tão saboroso. São ardilosos… — respondeu Urias.

— Como…? Ele era o sentinela mais cuidadoso… — outro comentou.

— Não sei, só sei que eu nunca vou ceder àqueles condenados. A Babilônia nem é aquilo tudo…

— Nunca diga “dessa água não beberei”… — murmurou o moreno, muito baixo, apenas para si próprio, vendo os resquícios da visão que tivera se concretizando.

— General… o que nós vamos fazer agora?

— Vamos devolver. É isso que eles querem, não é? — disse o homem, suspirando num misto de raiva e cansaço — Mais tarde falaremos melhor sobre isso. Vigiarei para nós essa noite. Vão dormir.

Anunciou, o que fez os soldados voltarem para os seus merecidos descansos. Urias era um guerreiro muito centrado e leal, então não quis retornar imediatamente para o seu posto; ao invés disso, ficou afiando sua espada, a fagulha da guerra havia o despertado. Salatiel aproveitou aquele momento de solidão para ficar seguro em seu quarto; foi até a mesa de cabeceira e recolheu um papel e caneta tinteiro para escrever uma carta à Safira. Não deveria pensar nela depois de tudo o que disse, mas não podia deixar de se preocupar, identificou no olhar do seu general o mais profundo ódio e desprezo por aquela nação, não podia deixar que ela corresse perigo por algo que certamente não fez — ele não sabia, mas não conseguia acreditar que Safira teve alguma relação com aquele vandalismo —.

Iniciou algumas palavras, todavia, sua mente o bombardeou com mais das lembranças que havia guardado sobre ela, e então ele percebeu… que Safira não podia ser inocente.

x ----- x

Floresta de Jônia (lembranças) – 10:14 hrs

Quando ele a conheceu, não imaginava que algo de ruim poderia acontecer.

Ela apareceu de repente, mas com uma sutileza e inocência que jamais despertariam o alerta em perscrutar suas ações. Loira, cabelos curtinhos, ela parecia tão encantada por ele quanto ele por ela. Havia atravessado o rio pela primeira vez, pois viu um lindo soldado descansando à sombra e sua curiosidade era maior que sua prudência. Salatiel viu quando Safira atravessou, a loira escorregou em falso e acabou ralando a canela em uma das rochas que compunham a ponte; ele rapidamente foi em sua direção quando viu resquícios de sangue colorindo o rio azul.

— V-você está bem??

Salatiel levou a mão à dela e, com um puxão, a retirou do rio, jogou-a em seus braços e levou-a para longe daquele ponto.

— Ai! Acho que sim… Fui meio maluca, né?

Ele soltou uma risada baixa e a colocou sobre o lençol que havia estendido no gramado verde.

— Por sorte, estendi essa toalha hoje. Eu não costumo fazer isso, é ideia da minha mãe. Ela diz que as formigas podem morder.

Safira sorriu.

— Olha só… justo hoje, você faz isso. Será que as coisas não eram pra acontecer assim mesmo?

Salatiel deu ombros, sem ter o que dizer. Olhou para a perna dela e identificou um ralado superficial, mas com sangue considerável.

— Bom… vamos ter que improvisar.

Ele catou uma adaga e cortou um pedaço do lençol, em seguida o umedeceu no rio e retornou para limpar o ferimento da menina, que mordeu os lábios de dor no ato.

— Ai, ai, ai, deixa eu fazer isso…

Ele lhe cedeu. Safira começou a passar suavemente o pano sobre o ferimento, tomando cuidado com os pontos mais sensíveis.

— Você é bruto, hein? Eu gostei disso.

Ela riu, provocando também a risada dele, embora fosse mais reservado.

— Me desculpe.

— Tá tudo bem… — ela sorriu.

Enquanto Safira cuidava do próprio machucado, Salatiel buscou outro pano para que pudesse fazer um curativo improvisado. Ele jogou as madeixas para o alto e fez um coque despojado, o que fez a garota morder os lábios com sutileza.

— Eu não sabia que os soldados podiam deixar o cabelo crescer…

— Ah… — alguns fios rebeldes caíram por sua fronte, mas ele não se importou em arrumá-los — Meus chefes não gostam muito, mas não reclamam.

— Atrapalha? E se, sei lá… alguém te segurar pelos cabelos na hora da luta? Isso não é um problema?

— Isso não vai acontecer. Antes que a pessoa pense em fazer isso, eu irei desarmá-la, tenho o pensamento rápido.

— Se você diz… — ela riu baixinho — Meu nome é Safira! Que nem a pedra preciosa. E o seu?

— Salatiel.

— Ah, Sal… posso te chamar de Sal?

Ele sorriu.

— Pode.

— Por você ter sido bonzinho comigo…

— Ah, não, não precisa.

— Vai, me deixa agradecer! O que acha da gente fazer um piquenique em um lugar mais reservado? Eu trago tudo o que precisa, mas você vai precisar me acompanhar, minha perna ainda não tá aquelas coisas…

— Te acompanhar…? Do outro lado do rio?

— Sim! Vai ser rapidinho. Tem algum problema pra você?

Salatiel olhou para o outro lado do rio por alguns segundos e pensou se deveria ir. Olhando bem, era um pedaço de terra tão bem preservado quanto o do seu lado, não parecia nada amedrontador como o seu general dizia. Sabia que não devia atravessar, mas tudo o que havia ouvido sobre a Babilônia era o que os sacerdotes e os seus colegas diziam; ele era um completo calouro nesse universo de batalhas, o que queria dizer que sua curiosidade o perturbava, porém seu coração dizia outra coisa, seu coração o incomodava para ficar em alerta…

… e ele não havia percebido, no momento, que aquela intuição era o primeiro resquício de seu contato com o Rei.

— Melhor outro dia.

— Vaaamos…

— Outro dia, está bem? Você precisa descansar.

Após essas palavras, ele terminou de dar o laço no enfaixe da garota e, sem saber muito o motivo, se aproximou para deixar um beijo no curativo. Não sabia se havia tomado uma boa decisão, mas ao menos ela parou de insistir no pedido, pois sua mente foi direcionada para outro assunto.

— Então posso te agradecer de outra forma…? — disse, sorrindo.

Salatiel ficou em silêncio. Safira sorriu com mais vontade, lentamente se aproximou e levou as mãos ao rosto dele.

— Você não disse que tem pensamento rápido…?

— Eu… pode.

Dada a permissão, ela se aproximou e roçou suavemente os seus lábios nos dele. Salatiel lentamente fechou os olhos, inebriado pelo toque e pelo sabor doce de sua boca, adormecido pelo calor e pelo som embevecido dos seus suspiros. Safira não fazia de propósito, mas sabia como encantar um rapaz, sobretudo quando ela também havia sido encantada por ele. Levou as mãos aos seus cabelos escuros e os puxou levemente, desfazendo aquele coque bagunçado, em seguida passou a aninhar suas madeixas negras nos dedos, brincando com os fios do moreno enquanto desfrutava do sabor de sua boca. Quanto ao Salatiel, deixava-se ser guiado por ela; estava extasiado, sua vida era o exército e, por isso, nunca havia beijado uma mulher, mas ela o beijou, uma mulher babilônica — talvez impura, talvez traiçoeira, mas que exalava volúpia — havia o beijado. Ele sentiu os dedos dela explorando os músculos dos seus braços, o que provocou alguns arrepios involuntários. Aos poucos, Salatiel levantou as mãos para passeá-las pelo corpo da garota, sentia-se mais instigado e menos introvertido, não queria de forma alguma acabar com aquilo…

Todavia, antes que pudesse seguir com os seus desejos, ouviu o barulho inegável de uma espada sendo desembainhada. Ele não mentiu quando disse que tinha o pensamento rápido, pois agarrou a garota rapidamente e a jogou para longe de si, o que o fez levar um corte superficial, mas agressivo, nas costas.

— Ahr!

— Salatiel!!

Exclamou Safira, tentando-se manter de pé. Um soldado saiu por entre as folhagens e, somente nesse momento, o moreno percebeu se tratar do seu general.

— Sua… herege! Olhe o que fez com ele!!

— Eu?? Foi você que saiu atacando!! Eu tô ferida, cara!!

— Melhor ir embora daqui, ou eu devolverei a sua cabeça para a sua família!!

Safira parecia assustada, mas conteve-se com as forças que tinha, pois queria se certificar de que Salatiel ficaria bem. O moreno olhou para ela e fez um sinal para que obedecesse às ordens, e, só nesse momento, a loira se retirou com as dificuldades que tinha.

— Ela quase seduziu você… Tome cuidado, seu tolo!

— Ela não me seduziu… — ele tentou se defender, mas mordeu os lábios de dor ao ter o corpo sustentado pelo homem, que passou a levá-lo de volta ao acampamento — Foi tudo consensual.

— Claro que foi, ela sempre irá aparecer na forma que te agrada!

— Mas não é como se ela fosse uma bruxa! Ela precisava de ajuda e eu ajudei, ela é uma humana! Eu gostei dela, ela gostou de mim, só isso…

Num gesto brusco, o homem colocou Salatiel no chão novamente e o encostou em uma árvore. Ele gemeu de dor, estava ciente de que o general não era seu pai ou sua mãe para esperar delicadeza da parte dele, mas dar sermão naquela situação era, ao seu ver, uma atitude exagerada.

— Escute… criança. Uma mulher daquele lugar nunca irá gostar de você e nem de nenhum de nós. Ela é mundana. Ela precisa de almas como a sua para aumentar o número de condenados daquele lugar, a Babilônia já está condenada. Se concentre na sua missão e não deixe essa mulher se aproximar dos territórios de Éfeso nunca mais, me ouviu? Faça o seu serviço!

Salatiel permaneceu em silêncio.

— Me prove…

O homem suspirou.

— Você é teimoso… Me diga uma coisa, por acaso ela tentou te convencer a atravessar o rio?

Ele moveu o seu ombro bom.

— E o que isso tem?

— Tudo. Já está respondido. A conversa deles é sempre a mesma e não vai mudar nunca. Uma vez que atravessar o rio, você estará se condenando a queimar com eles. Faça o seu trabalho ou irá morrer. Desse jeito você entende o recado?

x ----- x

Quarto 07 (lembranças) – 17:08 hrs

Salatiel não conseguia aceitar aquelas palavras. Não… somente ele sabia o que sentiu quando beijou aquela garota.

Não era um super romântico, mas conseguia identificar quando algo genuíno nascia entre duas pessoas. Não sabia se era amor ou amizade, mas Safira foi sincera em todo aquele momento, ele olhou em seus olhos escuros e não conseguiu identificar nenhum resquício de manipulação.

De tanto pensar, já estava ficando com dor de cabeça. Resolveu sair para espairecer. Estava perto de escurecer, ele não conseguiria ficar muito tempo fora, mas alguns minutos sentindo a brisa de fim de tarde era suficiente para melhorar o seu humor. Ainda com as costas enfaixadas, o rapaz enrolou um pano no próprio tronco com dificuldade e se retirou, passando por Urias, seu novo colega de quarto.

— Você é o Salatiel, não é? O general me mandou ficar de olho em você. Está indo pra onde?

O moreno suspirou. Via Urias como um puxa-saco, o tal perfeito, sem defeitos. Ele tentava descobrir se o homem era assim de propósito ou ingenuamente. Salatiel pensou: “se fosse fazer uma analogia, você seria um fariseu, com a sua perfeição maquiada”.

— Estou com calor, o quarto parece uma fornalha.

— Hum… Fique por perto. Se eu perceber que você sumiu, não vou hesitar em chamar as autoridades.

Salatiel aquiesceu e voltou a caminhar pela trilha que conhecia. Saindo do acampamento, ele retornou ao mesmo ponto onde havia encontrado aquela desconhecida, e se surpreendeu ao vê-la ajeitando algumas coisas para um piquenique.

— Safira…?

Quando os seus olhos escuros alcançaram o rapaz, ela esboçou uma expressão surpresa e maravilhada.

— Sal!

Se aproximou para abraçá-lo, e o fez com muito carinho, instigando um gemido de dor nele.

— Arh!

— D-desculpa! — ela rapidamente se afastou — Sal, eu fiquei preocupada! Ele brigou muito contigo? Como vocês são castigados aqui?

— Tem castigo pior que ser ferido pela espada? Ele já fez o suficiente…

Ela segurou uma risada.

— Sim, é verdade — disse, mas logo sua atenção migrou para a surpresinha que estava preparando para o moreno. — Ah, isso é pra você! Eu disse que era só um piquenique, não disse? Eu não sabia se você viria, então arrisquei.

Salatiel observou todas aquelas coisas com bastante cuidado: a toalha vermelha estendida no chão, os potes com doces e outras sobremesas, as frutas, os sucos naturais, o pão… De repente, as palavras do general permearam sua mente. Se Safira era mentirosa, então por que cumpriu sua palavra? Seria mais um truque dela?

— Safira… — ele encarou a menina, agora estava na hora de confrontá-la — Por que você quis que eu atravessasse o rio?

Safira arqueou a sobrancelha.

— Ora, por que seria? Eu ainda tô machucada, lembra?

— Tem certeza…? Bom, você precisou atravessar duas vezes para fazer essa surpresa.

Dado o caminho para onde essa conversa estava sendo levada, Safira prontamente percebeu do que se tratava. Ela suspirou e levou as mãos à cintura, sem saber muito o que dizer. Na verdade, estava decepcionada. Salatiel havia sido um dos poucos soldados que não havia a tratado como uma prostituta ou a desprezado pelas suas origens, e, agora, ele estava se tornando mais parecido com aqueles homens.

Ela lentamente se afastou.

— Puxa, você descobriu meu plano. Que pena…

Disse, com desdém, em seguida se retirou sem proferir mais nenhuma palavra. Salatiel pensou em ir atrás dela, queria entender sua resposta, mas, às vezes, para bom entendedor, meia palavra basta. Para ela, Salatiel era como todos os outros, e, para ele, Safira também era.

x ----- x

Quarto 07 (retorno ao presente) – 17:08 hrs

O pouco que havia escrito já estava apagado com toque molhado de suas lágrimas. Salatiel tentou se conter, porém tudo o que lembrava dela eram partes de sua decepção.

Depois daquele dia, Safira tentou se explicar; disse que estava com raiva, que era tratada por todos daquela forma e que com ele as coisas eram diferentes, mas Salatiel já não sabia até onde poderia confiar nela. Ele não iniciou outra discussão, eles fizeram as pazes, mas sua relação jamais seria harmoniosa, pois sempre haveria um sinal de perigo entre eles e isso era algo que o rapaz não conseguia se desfazer.

Contudo, pensar sobre essas coisas era o de menos perante o que estava por vir. Safira é da Babilônia, o que leva à conclusão de que ela é uma condenada. Um dia chegará a grande guerra e ele terá que enfrentá-la e, então, matá-la. Mas ele não estava pronto para isso…

Caiu em prantos, arrastou-se até sua cama e orou de joelhos. Ele não tinha forças para cumprir aquela missão, ele não conseguia mais, contudo o seu Rei escolheu aquele exército a dedo e Salatiel foi um dos Eleitos. Se ele está ali, ele poderá cumprir com o que lhe foi solicitado, e tudo o que o rapaz pedia ao seu Rei era capacidade para fazer esse algo tão difícil.

— “Eis-me aqui, Senhor…

Cumpra em mim o Teu querer.

Eu atendo a Sua voz

E não vou me corromper…

Eis-me aqui, Senhor…

Com coragem, irei vencer.

Tua palavra e a verdade

Em mim vão prevalecer…”

Após aquela oração entoada, Salatiel entregou o seu destino nas mãos do seu Rei e, então, adormeceu.

Notas finais
Próximo capítulo: O general seguiu em frente com a primeira infantaria e deixou Urias sob o controle da segunda. Salatiel estava ao seu lado, todos estavam armados até os dentes, em alto estado de alerta. Naquele momento, a formosa floresta de Jônia parecia menos agraciada pelos anjos e tinha o aspecto acinzentado e melancólico. Salatiel prosseguiu em passos lentos, acompanhando o ritmo dos seus companheiros, quando, de repente, viu uma inscrição luminosa e laranja como fogo crepitar sobre o caule de uma árvore. [...] Ao se aproximar, encontrou escrita a palavra “MENE”. Repentinamente outras transcrições apareceram concomitantemente. “MENE, MENE” — “Contados foram os seus dias…” — ele sussurrou [...]