Notas iniciais
sente-se meu jovem, sente-se pois hoje venho te contar uma historia, apesar de conhecer varias historias memoráveis de vários temas para hoje escolhi essa romântica, então por favor pegue seus lencinhos e sente-se

Ele se olhou no espelho, passou a mão nos cabelos brancos, analisou fria e calculosamente cada uma de suas rugas, somente ele sabia que cada uma delas tinha historias a contar, historia de noites mal dormidas, dias cansativos, lutas derrotas e enfim, historias das vitorias, dos risos e canções que antecederam seu nascimento. Ele as ostentava assim como um guerreiro que carrega suas cicatrizes com dor e honra somente para provar que tudo que passou era real.

Sorriu derrotado ao ver que seus olhos não mais brilhavam, ainda se lembrava dos bons tempos, de outros meses e anos, quando ainda havia cores e coisas a serem vistas, porem a vida fugira dele, fora embora junto dela, mordeu o lábio, arrumou o óculos e saiu do banheiro, pegou a bengala que usava para apoiar o peso dos anos e caminhou para a porta ao abri-la sentiu a brisa suave que vinha da rua, uma brisa morna que lhe aqueceu os ossos.

Não se cansava de ficar surpreso ao sair de casa, a tecnologia avançara tanto enquanto para ele o mundo mal girara, mal o tempo em si passara, aonde estivera que não vira tudo aquilo acontecer? Temia a resposta. Agora estava velho enquanto o mundo brilhava em aço como novo. Andou ate a praça, foi ate o banco e se sentou.

Haviam crianças, mulheres e belos pássaros, porem a única coisa que o interessava era a ponte, uma grande estrutura de metal que levava para fora da cidade, contudo ele apenas olhava, nunca partira daquele lugar, porque no fundo do coração ainda achava que um dia ela voltaria, somente partiria de lá com ela, disso tinha certeza.

As pessoas passavam, sorriam e acenavam para ele porem tudo o que ele fazia como resposta era um grave aceno de cabeça, não sentia mais vontade de sorrir verdadeiramente, não mais.

E por fim a tarde ele retornava para casa, aonde comia uma comida sem gosto e se sentava na poltrona para olhar um livro, sim olhar, ha muito tempo perdera o poder de fazer as palavras terem sentido e quando finalmente Morpheus o raptava ele caia em seus domínios apenas para sonhar com o cheiro e o toque dela, lembranças que ele esquecia mal acordava então ele levantava para olhar as estrelas de fim de noite.

Assim seus dias passavam e iam se tornando meses que se transformavam em anos, mais uma vez saia para a praça, no caminho cumprimentou os vizinhos como sempre fizera e finalmente se sentou encarando a ponte, sem expressão, esperava como sempre que algo mudasse e naquele dia realmente mudou.

Ela caminhava pela ponte radiante em sua beleza e juventude como se fosse uma doce miragem, ao vela ele se ergueu, mudo, petrificado, não conseguia pensar em algo que fizesse sentido diante daquela visão, estranha ao que causara nele ela continuava em sua direção feliz, naquele momento os minutos duraram horas, as folhas faziam sua dança pré-queda mais devagar e o vento passava por ele carinhosamente e sem pressa, como uma caricia.

Os dois se olharam longamente, e então ele a abraçou com toda a ternura que havia em seu coração, seu olhar mostrava falta e saudade, ele ao contemplá-la constatou que seus olhos brilhavam, um brilho que nunca esquecera, um sorriso amplo brincava em seus lábios enquanto olhava para o rosto perturbado do senhor.

As mãos dela correram pelo o seu rosto, lendo suas rugas, assim como um cego que lê braile, era como se lesse naquelas marcas as vezes em que ele chorou e as vezes em que maldisse sobre ela quando havia partido, ela sorriu compreensiva, e ele que mal acreditava no que via sorriu de emoção.

Ao longe uma senhorita observava os dois, dentro de si sorria, havia gora que ela adorava o que fazia e aquele era um desses momentos, os dois ainda atados por uma força irresistível. Força que atendia pelo nome de magia, a magia do reencontro.

— você esta tão jovem, como pode isso ser verdade? — ele disse enquanto juntava todas as forças para não chorar.

— eu vim por você, como disse que viria, eu falei que nada nos separaria — essa foi a resposta que recebeu, resposta essa que derrotou a já frágil resistência, as lagrimas correram livres.

— por que... Deixou-me por tanto tempo? Esperei-te tanto... — ele disse quase sem voz.

— ainda não era o momento ainda, portem agora estou aqui para te busca, para não deixá-lo mais, você quer vir comigo?

— não existe nada que eu queira mais — ele respondeu sem hesitação

E então ela o pegou pela Mão o e caminharam juntos, cada passo o fazia mais jovem, a vida voltara a seus olhos, a vida voltara a ter cor, nunca antes ele se sentira mais feliz e mais vivo do que naquele momento, atravessaram a ponte entre risadas, ele não sabia o que havia do outro lado, mas ela estava lá ao seu lado novamente, nunca mais estaria sozinho e para ele era tudo o que importava.

Notas finais
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