Lembro-me bem daquela noite, estava tão frio que meus dentes tremiam em um ritmo contínuo e uniforme. O céu estava nublado, não haviam sinais de estrelas ou qualquer corpo celeste e as únicas luzes que se podia enxergar eram as dos postes. Ela estava linda, com seu vestido vermelho com detalhes em strass refletindo sua beleza como uma peça de diamante lapidado.

Conversamos durante horas e horas, eu estava completamente apaixonado por aquela garota, ela me completava, mas tinha algo nela que ainda estava por descobrir. Passaram vários dias depois de nosso primeiro encontro e parecia que ela estava apaixonada por mim e eu por ela, fluía de ambos, um sentimento que ainda estava em construção. Quando olhava seus lindos olhos cor de mel, via o seu rosto repleto de calor com aquela cor morena, nariz fino e lábios bem definidos, sua mexa de cabelo caia levemente pelo canto superior do olho esquerdo e outra ia por trás da orelha. Ela era linda.

Meses depois, começamos a namorar sério e ela me contou sobre sua vida e parecia que eu estava mais apaixonado por ela do que antes, mas foi quando tudo aconteceu. Ela mudou muito desde esse dia, evitava desculpas para que eu não conhecesse a casa dela, era estranho essa atitude dela, mas ela vivia indo em minha casa, então decidi ir fazê-la uma visita de surpresa.

Ao chegar na casa dela, me deparei com uma energia densa e cheia de mistérios, me deixando cada vez mais presa em um universo que nós criamos.

Bati na porta e nada bati novamente e nada, sem respostas eu ligo para ela e ainda do lado de fora da casa escuto o telefone dela tocar, aquilo começou a me deixar paranoico, com minhas habilidades que aprendi durante minha adolescência, abri a porta com um dispositivo criado para arrombar portas. Ao entrar na casa, me deparei com algo mais assustador que vi, várias imagens de pentaculos e pentagramas desenhada na parede com tinta vermelha, em um tom semelhante ao de sangue. Quando entrei mais na casa dela, me deparei com coisas mais assustadoras, bonecos Vudu, rosas mortas, facas, imagens de criaturas que anão existiam em nosso mundo e velas nas mais variáveis cores e nas formas mais estranhas.

Aquilo me deu calafrios, já estava ficando com medo quando decidi subir as escadas, quando de repente escutei algumas coisas que vinham do porão, não sabia bem o que podia ser, mas já estava me borrando de medo, porém minha curiosidade era maior que meu medo. Acabei me decidindo sair da casa quando uma silhueta bem definida se projetou na minha frente com uma sombra, ao me virar, eu a vi, toda despida e suja de sangue foi ai que vi que as imagens desenhadas na parede eram realmente de sangue, mas que tipo de pessoa faz isso em sua residencia?

Questões mais e mais vinha em minha mente, mas me sentia inerte diante todas essas novas informações era translúcida e assustadoras, quando eu a escutei falar em um tom de choro:

— Caio, por favor, não deixe que a minha religião não seja uma pedra em nosso caminho, podemos ser felizes e ... — eu a interrompi no meio de sua frase

— Selene, isso não pode ficar entre nós, mas o que está fazendo é errado, muito errado! Sabe, eu estava amando você, mas isso é o que tenho de fazer.

Retirei o punhal que formava um cordão e coloquei-o entre minhas mãos e fui em direção a ela como fosse abraça-la, peguei o punhal e abri-o e enfiei entre suas costelas na altura do coração. Aquilo doeu mais em mim de que nela, eu acabara de matar a única mulher que aprendi a amar, seu sengue estava fresco em minhas mãos quando abri a porta do porão, desci calmamente a escada e o que vi foi apenas um santuário negro, onde havia um cálice de prata cheio de sangue, velas acesas, nas cores de sangue e um corpo de uma criança que não aparentava ter mais de dez anos de idade, onde ela foi morta somente para servir de ritual satanista.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.