Contos de uma terra.

1 Afogando as mágoas num copinho de coca-cola.


Notas iniciais
Espero que gostem S2
Dica;leiam ouvindo:(procurem no Google)
The sound of silence
Still loving you
Marcianos invadem a Terra
Vejo flores em Você
Índios

‘’ Ah, esses dias. Como isso é horrível para uma garota’’ -pensou Kamilly. Tinha que aguentar isso uma semana por mês até os 50 anos. Mas não é sobre isso que iremos falar.

Ela era muito bonita. Tinha apenas 13 anos, mas parecia em certos momentos ter mais. Mas, que garota no Brasil de hoje não parece? Tinha cabelos longos escuros e lisos, olhos castanhos, pele levemente morena, rosto e corpo magro, já era bem desenvolvida, alta e de corpo esbelto.

Voltava da escola em um dia frio do início de julho, e no ônibus, amarelo de bancos azuis para 60 alunos, conversava com Veronica, sua melhor amiga sobre assuntos aleatórios, como os meninos, as roupas, e sobre coisas da escola.

‘’-Você viu que o Carlos e a Juliana ficaram?’’ ‘’-sério?! Achei que ele e a Adri tivessem namorando’’...

E assim até o ônibus parar no ponto do bairro dos trabalhadores, um bairro de classe-média tipicamente residencial, com casas grandes e prédios de apartamento, além dos estabelecimentos comerciais espalhados pelas várias ruas arborizadas e movimentadas.

Ela despediu-se dela e foi para o seu prédio, logo na outra rua. Entrou no prédio, e foi para o apartamento, no quinto andar, e, como esperava, seus pais, uma professora de história e um tesoureiro de uma metalúrgica, ainda não haviam chegado a casa.

Entrou, foi para o quarto, largou a mochila num canto, pôs um chinelo e foi para a sacada. Havia pegado um copo de Coca na geladeira, e se apoiou na amurada. Olhou para a cidade. Várias casas, prédios, os casarões e prédios bellé epóque e art deco do centro da cidade, e os mais modernos, mais próximos. Fabricas, comercio. Ele deveria estar lá, em algum lugar pensou ela. Ele, com os olhos castanhos e pele clara, sempre engraçado e carinhoso.

Ele era o único que lhe fez sentir algo especial. Houve outros, claro, mas ele... ela se lembra de quando o conheceu no primeiro ano, e todos aqueles momentos com os outros amigos... brincando e rindo, cresceram, o resto da turma e eles, todos consideravam uns aos outros como irmãos, mas ele e ela se tornaram mais do que isso.

Ele deveria agora estar falando com os amigos, jogando no Xbox, andando de bicicleta, não sei...

Ela se lembrava das flores... das belas flores daquele dia em que ele pediu ela em namoro. Várias flores, de vários tipos, cores, tamanhos... naquele dia no parque. Bons tempos.

Ele deveria estar com ela, naquele mesmo parque, talvez debaixo do mesmo ipê...

Mas não. As flores de amor se transformaram em flores de dor...

Eles deveriam estar rindo, se abraçando e conversando, nem que seja via watsapp...

Ela foi ao banheiro, e quando saiu, viu que ainda faltavam meia hora até os pais dela chegarem.

Já estava escurecendo e ela observou, atrás da serra, o sol se pondo, deixando o céu arroxeado no horizonte.

Roxo... a cor da camiseta que ele usava naquele dia.

E no outro extremo do céu, azul escuro, com algumas estrelas aparecendo.

Azul-escuro, a cor da camiseta que ela estava usando. E aquele momento condizia bem com a vida dela. Eles estavam separados. Por mais que ela tentasse ficar mais perto dele, mais impossível isto se tornava. Assim como o céu, uma hora, todo céu estaria azul escuro, e sem nenhum roxo.

Ele devia estar fazendo os deveres da escola com ela, como sempre faziam, mas não. Sem nenhuma matemática, história, sem idas à casa dele, nem à dela.

Sem mais encontros as escondidas nos fundos da escola, sem ficar mais na sala depois da aula. Sem mais nada disso.

Ela podia ‘’visita-lo’’ ainda, mas não seria a mesma coisa. Eles podiam ‘’ficar a sós’’ ainda, mas somente ali, naquele lugar. Naquele lugar, que por mais belo que seja, ainda a fazia sentir calafrios.

Calafrios... isso à fez lembrar do dia em que eles assistiram um filme de terror na casa dele. ‘’Atividade Paranormal’’. Cada susto... toda vez que havia uma cena ‘’assustadora’’, ela afundava a cabeça com os olhos fechados no peito dele. Aquilo era tão confortante... e ele, quando confundiu no meio do filme um casaco pendurado com uma assombração, o grito fez ela ter ainda mais medo, mas depois de notar que era um casaco, rir da cara dele, confuso e assustado. Foi hilário.

Ele deveria estar assistindo algum filme com ela. Qualquer um. Eles sempre brigavam na hora de escolher o filme para assistir... ele gostava e comédia, e ela romance. Por algum motivo, ele sempre aceitava a escolha dela, principalmente quando era romance. Talvez por que ela sempre abraçava ele nas cenas tristes. Como ele era esperto.

Ele nunca se deixou entregar às modinhas e as tendências, ele queria ser único. E isso a fazia ama-lo ainda mais. Ela era muito vulnerável a modinhas e essas coisas, ele simplesmente detestava isso.

Ele deveria estar julgando ela por isso, mas ela sabia que ele terminava de reclamar quando ela ficava com cara de brava. Ele nunca conseguiu vencer uma discussão, ele a amava demais para isso.

Ele deveria estar bebendo aquela coca junto com ela, mas... isso é ainda mais difícil, pois os pais dela (ou melhor o PAI dela)não deixava eles ficarem sozinhos em casa. Mas sempre que podiam, quebravam a regra. Isso porque um dia eles estavam se despedindo na sala, e quando foram se abraçar, acabaram tropeçando e caindo deitados em cima do sofá-cama, e bem na hora em que os pais dela abriram a porta a tempo e ver eles deitados abraçados e rindo. O pai infelizmente pensou que estavam fazendo outra coisa, e em fim... No final ele foi expulso da casa dela e proibido de voltar

ele estava ali para entregar um livro da escola, mas não houve argumentos.

Tantos bons momentos... se aquele maldito carro não estivesse a 50 por hora, ele deveria estar ali com ela.

Ele simplesmente disse adeus, desligou o rádio que haviam levado para o parque, e em meio ao parque central da cidade, na movimentada avenida cheia de hotéis, com pássaros voando de um lado para o outro, como ‘’marcianos invadindo a Terra’’ (piada interna dos dois), deu um beijo demorado nela, e foi comprar sorvete, ela sentiu uma coisa estranha, e essa coisa ‘’coisava’’ muito em seu coração. E aconteceu. Às 14:00.

Uma lágrima escorreu no rosto dela, e caiu dentro do copo de coca-cola.

Ele deveria... deveria, mas não pode.

Ele...estava morto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.