Contos de Terror

1 Meu Nome é Cuca


Há memorias que jamais saem de nossa cabeça, por mais longínquas que sejam. Algumas memórias são tão distantes que nem lembramos se é realmente verdade. Já outras parecem tão reais que não conseguimos acreditar que foi mentira, imaginação ou um sonho.

A história que eu tenho pra contar aconteceu há alguns anos quando eu ainda tinha uns três ou quatro anos. Nesse tempo eu morava em um bairro chamado Manoa, na Cidade Nova em Manaus. Lembro que meus pais nunca estavam em casa e era uma mulher chamada Osvaldina que cuidava de mim e das minhas irmãs. Dona Osvaldina,( era assim que a gente a chamava ) era uma mulher negra que usava sempre um turbante na cabeça e um vestido branco. Parecia aquelas baianas.

Lembro que ela frequentava o terreiro de umbanda e que era uma pessoa bondosa e bastante carinhosa comigo e com minha irmãs. Não havia nada do que reclamar dela.

Um certo dia andando pela casa, brincando, entrei em um quarto que não tinha nada. Havia apenas uma estante de ferro lá dentro em um canto. Eu costumava entrar no quarto as vezes para brincar mas naquele dia tomei um susto quando vi algo bizarro ali. Havia uma mulher em cima da estante de ferro, sentada. Fumando um cigarro e usando apenas uma bermuda jeans. Ela era magra, tinha o cabelo crespo e curto e estava com os seios de fora. Fiquei assustado por ve-la ali.

Quando a vi tomei um susto e fiquei observando ela por um tempo paralisado.

Mas ela ficava apenas me olhando enquanto fumava o cigarro, calmamente.

Depois de olha-lá por alguns segundos decidi chegar mais perto.

Fui me aproximando curioso, olhando pra ela lá em cima. Ela continuava em silêncio. Me observando. Ela não parecia ser alguem má. Agora eu já estava menos assustado e bem próximo, até que criei coragem e me lembro que perguntei algo como:

—Quem é tu?

Noo mesmo instante a face dela mudou. Ela respondeu:

—Eu sou a Cuca.

E deu um salto de cima da estante parando na minha frente. Tentei fugir, mas lembro da terrível agonia que senti quando ela segurou meu braço e eu nao consegui me soltar e ela continuou repetindo que nem uma louca:

—Meu nome é cuca! Meu nome é cuca!

Comecei a gritar e ela continuava:

—Meu nome é Cuca! Meu nome é Cuca! Meu nome é Cuca! -arregalando os olhos com uma cara de louca e aproximando o seu rosto do meu

Lembro então que a Dona Osvaldina apareceu e de alguna forma a mulher sumiu. A Dona Osvaldina me pegou no colo. Eu chorava assustado. Ela me consolou e logo eu esqueci daquilo por um momento.

Naquela noite não pude dormir. Lembro que chorei bastante e pedi para os meus pais que eu dormisse com eles.

No outro dia eu achei que ia ficar tudo bem. Mas não. A tal Cuca aparecia hora ou outra numa janela ou porta me espiando sempre de longe, fazendo macaquices, careta ou qualquer coisa do tipo. O que fazia com que eu corresse pra perto da minha mãe, pai ou irmãs. Eu nao era muito de falar então eu nao contava isso a ninguem.

Depois de um tempo, essas aparições foram ficando menos frequente e a tal mulher estranha não apareceu mais. E dona Osvaldina também parou de trabalhar em nossa casa. Nos mudamos para outro bairro.

Sempre lembro disso curioso. Aquela mulher maluca que dizia se chamar Cuca e tentava me amedrontar existia mesmo?

Um dia desses visitei essa casa, ela estava velha e acabada. Nao entrei na casa. Passei apenas pela frente. Tinha alguém morando lá. Nao faço ideia de quem seja. Mas lembrei dessas coisas que aconteceram . Fico me perguntando quem é essa tal de Cuca?

Talvez essa seja uma das velhas perguntas sem respostas que vou levar para o resto da vida

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