Contos de Menininha
6 Soviet
Sonitchinka marcha, soldada. Ela carrega um rifle na mão e o orgulho no peito. Escolheu estar lá. Sua mãe carregou bandeira na Revolução Vermelha e veio trabalhar na fábrica. Orgulhosa cidadã russa na cidade de Moscou.
Sonitchinka patinava no gelo quando era inverno, feito uma fada vestida em peles, meio azulada, meio ursa das tundras, até que no verão veio a guerra, de novo a guerra, a velha guerra de poucos anos atrás, rugindo nos batentes da soviética união.
Sem pensar, sem perguntar, feito uma personagem de Dostoiévsky, a passional Sonitchinka foi defender o povo, a nação, seus camaradas e irmãos. Ela ganhou um uniforme bonito e o tal rifle, que na fábrica deve ter passado pelas mãos de mamãe.
Sonitchinka lutou como ninguém. Ela tinha aprendido a atirar bem. A atirar sem errar e não ter piedade cada vez que mirava na direção do inimigo. A guerra era justa, ela estava lá para defender a liberdade e seu povo. Quando tinha medo, pensava no quanto era orgulhoso e certo o destino que havia escolhido.
Ganhou medalha em um dia. Seu regimento cometeu um passo em falso no outro e Sonitchinka foi presa. Arrastada para algum lugar longe, muito longe da Rússia Mãe. Onde se morria por viver e se vivia esperando morrer.
Mas ela lutou de novo. E de novo. Porque tinha só a vontade de não morrer. Até se esvair. Até sobrar só uma medalinha dourada com os símbolos da Mátria, faiscando na neve.
Sonitchinka vivia na vontade de cada braço, armado ou não, de acabar com esse desvario. Que lutava dia após dia e marchava sem volta, pelo que valia a pena morrer.
(Em homenagem às várias cidadãs soviéticas que participaram ativamente da II Guerra Mundial contra o terror facista.)
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