Contos de Inverno
1 Arco de Freljord- Capítulo 1: Despedida
Notas iniciais
Freljord. Um reino que mal tinha esperanças de se desenvolver acabou se tornando o mais rio e próspero. Tudo graças à Isis Lux, que salvou, décadas atrás, Freljord do inverno eterno. Ela era a fonte de tudo, a magia que fazia com que o reino vivesse. Porém, mesmo sendo uma das magas mais fortes de que se tem conhecimento, ela chegara ao fim de sua vida. Neste exato momento estava deitada em sua cama, fraca, rodeada pelos seus quatro filhos. Era o momento de suas últimas palavras.
–Kate, você é forte, corajosa, uma guerreira. Às vezes perde a paciência, mas é muito generosa. Tem características dignas de uma rainha.
Kate, uma menina de cabelos negros e com a cabeça raspada do lado esquerdo, sorriu. Um sorriso triste.
–Mark, preciso te agradecer pelo que você fez até agora. Sempre protegeu o reino e os seus irmãos. Cuide de Freljord.
Mark fechou os olhos e assentiu.
–Viktor... Quero que você escolha o caminho certo... Pare com esse seu desejo de vingança. Faça isso por mim. Ajude o reino.
Viktor virou o rosto e depois abaixou a cabeça.
Isis sorriu ao olhar para a última filha. Tão inocente, chorava em silêncio.
–Anna, querida... Continue assim, generosa, corajosa e sempre ajudando todos. Eu... Preciso falar mais uma coisa, mantenham as...
Antes de terminar a frase, Isis morreu. Todos arregalaram os olhos. Aquilo devia ser de extrema importância para Freljord, mas se foi, junto com a rainha.
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Uma garota com um capuz vinho, cabelo ruivo decorado com duas tranças na parte da frente, com um olho amarelo e o outro vermelho caminhava em direção à Luna. Quando chegou ao portão foi barrada por uma morena de olhos vermelhos, também usando um capuz, por cima de uma extravagante armadura.
–Sollarium, uhn? – refletiu a morena ao ver as estampas e acessórios com o símbolo do reino de Sollarium.
Luna e Sollarium eram totalmente opostos, e não se davam muito bem. Talvez fossem os únicos reinos que ainda batalhavam entre si. O motivo surgiu há séculos atrás. Dizem que Sollarium e Luna foram os primeiro reinos fundados, e que Sollarium roubou o calor e a benção dos deuses só para si e ficaram tão gananciosos que atacaram Luna e fizeram-na cair. Mas os Sollarianos insistem que isso é mentira.
–Luna não está disposta a fazer negócios com Sollarium. — disse, por fim, fechando o portão.
A garota ruiva abaixou a cabeça e depois olhou fixamente para o portão. Ele começou a derreter.
–Melayne... — a morena cuspiu o nome- O que pensa que está fazendo aqui? Derretendo o portão sem mais nem menos? Não quer começar uma guerra, ou quer?
–Guerras entre Sollarium e Luna são comuns, mas não é isso que vim fazer aqui, Selenne. Uma guerra entre toda a aliança começou. Estão querendo colonizar Freljord.
–Isis morreu?
–Sim. E creio que você sabe o que devíamos fazer após a morte dela.
–Claro que sei, mas não é só por isso que você está aqui. Duvido que se daria ao trabalho de sair de Sollarium só pra falar isso.
–Eu vim... Caçar demônios.
Melayne abriu um sorriso sinistro e apontou para alguma coisa longe no horizonte.
–Você não me deu oportunidade de explicar antes, então... Tem mais ou menos sete minutos para tirar todos de Luna, antes que elescheguem.
Selenne virou para a ruiva com um olhar de raiva e ódio, depois saiu correndo o mais rápido que pode.
–Até que enfim... — sussurrou Melayne.
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Selenne correu o mais rápido que pode, assim que chegou no centro da cidade apoiou-se em seus joelhos. Respirou um pouco e gritou de um jeito que todos pudessem ouvir:
–Por favor, não entrem em pânico! Todos devem se dirigir para o andar subterrâneo! TODOS! RÁPIDO!
Ela auxiliou todos os que conseguiu. Luna estava praticamente deserta, mas Selenne não ia se dar ao luxo de ficar em um local seguro. Ia lutar, proteger seu reino custe o que custar. Um rapaz com cabelos pretos e olhos verdes se aproximou por trás de Selenne e pôs uma mão sobre seu ombro direito. Ele vestia uma armadura que parecia ser muito resistente e pesada, e que possuía um símbolo de Luna no peito direito.
–Pensa que vai derrotar todos sozinha?- perguntou o rapaz. Selenne virou para trás e sorriu.
–Príncipe Dimitri. — ela fez uma reverência em sinal de respeito.
Uma garota com cabelo marrom e curto apareceu atrás dele.
–Não poderia deixar que você levasse todo o crédito por derrotar esses demônios. — disse a garota.
–Só não morra, Kayle. — brincou Selenne.
Os três correram até o portão de Luna, quando chegaram viram uma esfera enorme de fogo.
–Elaestá aqui também? — perguntou Dimitri.
–Infelizmente, sim. Parece que teremos que lutar junto a um Sollariano. –respondeu Selenne. Kayle bufou.
–Não preciso da ajuda de vocês. – declarou Melayne.
–Ninguém aqui perguntou. – revidou Selenne.
Todos ficaram em silêncio, até que um pequeno exército de demônios veio. Do lado oposto vinham os anjos.
–Ótimo, os demônios do céu. – reclamou Melayne, com desdém.
A luta começou. Selenne lançou sua espada, rasgando a asa de um demônio. Os anjos lutavam graciosamente, curando algum dos guerreiros uma vez ou outra. Dimitri rasgava o pescoço de alguns, às vezes de dois de uma vez. Kayle lançava rápidas flechas com seu arco recurvado, mas quando eles se aproximavam demais ela sacava uma adaga forjada por uma ametista.
Melayne queimava alguns dos demônios, mas não se preocupava quando ficava perto de acertar um anjo, Selenne, Dimitri ou Kayle. Até que ela percebeu que um deles, atrás de todos, estava conjurando cada vez mais soldados. Era ele, seu inimigo mortal. O que estava lá no dia em que sua aldeia foi destruída, o que ela caçava incansavelmente por meses.
Ela pôs um escudo de fogo em volta de si. Correu em direção à Lyon, o demônio de fogo, aquele que destruiu sua aldeia. Melayne olhou fixamente para ele, com intuito de queimá-lo. Claro, não foi tão fácil, afinal: ele também usava o elemento do fogo. Porém, talvez o fogo de Lion fosse mais forte do que o de Melayne, pois quando ele lançou chamas negras com sua lança, elas machucaram-na.
–Você precisa de pelo menos mais cem anos de batalha, treino e sofrimento para me atingir. – zombou o demônio.
A ruiva se levantou e tirou sua capa, ficando apenas com um vestido preto e uma bota da mesma cor.
–Agora é sério? – riu Lyon.
Melayne fechou os olhos e abriu os braços. Começou a executar o golpe que esperava reservou para matá-lo e se vingar por tudo. Uma esfera de fogo se formava aos poucos em cima da Sollariana.
–MORRA! – gritou Melayne enquanto direcionava a esfera de fogo para Lyon.
Mas, quando a esfera se desvaiu, o demônio do fogo estava protegido por um escudo. Um escudo angelical. Do lado dele estava uma anja. Ele tinha um rosto inocente, sem nenhuma cicatriz de batalha, apesar da luta. Seus cabelos loiros esvoaçavam com o vento, deixando visível uma mecha roxa. Quando abriu os olhos, revelou serem verdes. A anja carregava um arco invejável, feito com diamantes e ouro.
–Não... Não vou o deixar morrer. Ele... Não... – a anja começou a chorar.
–Mavy? – chamou um anjo guardião- Não, Mavy... Você não podia ter feito isso.
Melayne trincou os dentes de raiva. Aqueles demônios do primeiro andar do inferno tinham estragado sua chance de se vingar! Algumas partes de seu corpo começaram a ficar coberto de escamas, assim como metade de seu rosto. Seu cabelo ficou em chamas e seu olho vermelho estava brilhando.
–É A SEGUNDA VEZ QUE DESTROEM A MINHA ESPERANÇA! QUEM PENSAM QUE SÃO? SÓ PORQUE MORAM NO CÉU, DECIDINDO O DESTINO DAS PESSOAS! IGNORANDO TUDO E TODOS. NÃO ME IMPORTO COM O QUE É CERTO OU ERRADO, EU VOU MATAR VOCÊS, DEMÔNIOS DO CÉU!
Ela saiu correndo em direção dos anjos. Estava, novamente, pronta para matar, se vingar. E, novamente foi impedida enquanto transferia um soco na cara da anja arqueira. O príncipe de Luna colocou sua espada na frente. Os Lunianos se importavam muito com anjos, acreditavam que eles eram deuses salvadores, dignos de respeito e admiração.
A espada de Dimitri rachou.
–Você está indo longe demais. – disse o príncipe, calmamente.
Melayne já estava fora de si. Sem pensar duas vezes, chutou Dimitri na barriga. Kayle e Selenne ficaram furiosas com aquela ação. Kayle foi imprudente e se lançou contra a Sollariana.
–KAYLE, NÃO! – gritou Selenne.
Melayne soprou fogo em direção à Kayle, que se afastou e caiu no chão. Mas ela continuou transferindo golpes contra a Luniana, que tentava se defender. Até que Selenne atirou sua espada contra ela, e depois a chutou no joelho. Melayne olhou fixamente para sua armadura, mas ela não queimou. A armadura que Selenne equipava era feita do mais precioso metal de Titanium, que era à prova de fogo.
A ruiva fez uma espada de fogo e duelou contra a morena. Aquela luta poderia ser fatal para as duas, até que Mavy, a anja arqueira interferiu. O demônio de fogo já tinha ido embora.
–Melayne Lóris- a anja se ajoelhou e começou a chorar- Desculpe-me, eu sei, causamos muita dor, destruímos, mas... Eu peço perdão à você, de joelhos, implorando... O seu... Perdão. Por favor!
Por um momento, a Sollariana ficou espantada e fez uma expressão triste. Porém, ela relembrou toda a dor que aquela raça causou para Sollarium.
–Não me importo se você sente remorso ou não. Vão se ferrar. – Melayne sorriu, era muito bom xingar os anjos- Te vejo em Freljord, Selenne Adastria.
Pegou sua capa, vestiu-a e foi embora, em direção à Freljord.
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