Contos de Fadas

1 Contos de Fadas


Lilá Brown acreditava em contos de fadas. Sempre acreditou.

Crescera ouvindo eles, já que era mestiça, e tinha contato tanto com o mundo trouxa tanto com o bruxo. Ouvia O Caldeirão Saltitante do Mago e Cinderella na hora de dormir. Porém, preferia os trouxas. A ideia de que um príncipe de armadura brilhante apareceria ao pôr do Sol para lhe salvar de um dragão malvado era agradável aos seus ouvidos. Não queria um de cabelos negros, achava muito sem graça. Loiro também não, afinal ela já era loira e não ficaria bem. Castanho? Comum demais. Ruivo. Isso sim, ela desejava um ruivo. Diferente, chamativo, especial.

Assim que viu Rony Weasley, soube que seria ele. Bateu os olhos nele pela primeira vez quando o garoto caminhava em direção ao Chapéu Seletor. Olhos de um castanho adorável, sardas fofas, as vestes agradavelmente gastas, cabelos de um ruivo natural que pareciam chamas saindo de sua cabeça... Lindo. Não perfeito, mas lindo. Ruivo, alto, mais magricelo que o ideal, mas parecia ter saído das páginas de um livro.

Começou a espiá-lo durante as aulas, suspirando. Adorava quando suas orelhas ficavam vermelhinhas, o modo como era humilde deixando Harry levar o crédito por suas bravas lutas (ah, por favor, ela sabia que Rony estava por trás de tudo aquilo, o seu ruivo era apenas tímido demais para admitir), só não gostava de uma coisa: Hermione Jean Granger.

Podia ser feia, metida, arrogante, sabe-tudo, nojenta, ratinha de biblioteca, mas ainda era uma garota. E se Rony um dia olhasse para ela? E se reparasse em alguma coisa? Mesmo que na estúpida inteligência, ou no sorriso, que, a partir do quarto ano, Lilá teve que admitir que não estava mais tão ruim? Ou ele resolvesse namorar o Harry?

No primeiro Natal deles em Hogwarts, ela lhe mandou uma caixa de chocolates, e ficou esperando ele lhe agradecer. Em vão. O garoto nem deveria ter notado aquilo em sua pilha de presentes. Ou estaria se divertindo com a Granger? Ela não sabia, e isso a deixava louca.

Quando finalmente conseguiu namorá-lo... Foi como se um sonho tivesse se realizado. Ele finalmente reparara em sua stalker, a beijava, colocava sua madeixas atrás da orelha de maneira encantadora. Ela tinha o cuidado de passar várias camadas de rímel para que quando piscasse, parecesse aquelas doces e inocentes princesas. Penteava o cabelo com um pente especial, e sorria da maneira mais suave que conseguia, pois aquele era o momento pelo qual tinha esperado por anos, em que ela finalmente era a namorada de Rony Weasley.

Ela realmente tinha pensado que seria uma boa piada mandar para ele o colar no Natal, escrito “MEU NAMORADO”, mas aparentemente seu príncipe não gostara. Nem de como ela queria sempre mais dele. “Ele não quer mais de mim? Como assim?” Era isso que se perguntava. Ao terminarem o namoro, seu mundo rachou sob seus pés.

Ela tinha planos! Eles iriam se formar em Hogwarts, vencer Voldemort juntos, seu Uon-Uon seria finalmente reconhecido como o herói da guerra, casariam, ele seria um grande Auror, enquanto ela ficaria em casa cuidado de seus dois gêmeos e uma garotinha que teriam, viveriam em uma bela casinha de campo isolada como as de desenhos animados, ele chegaria cansado do trabalho sempre com uma nova história, ela lhe esperando com um jantar incrível (na verdade, nem sabia cozinhar, mas eram só detalhes), todos ririam muito durante as refeições, seriam considerados a família ideal, eles se beijariam na frente dos filhos mesmos, com estes fazendo caretas de nojo, Hermione seria uma mulher fanática por trabalho sem amigos da qual todos zombariam, Harry seria um solteiro engraçado amigo de Ron, todos os seus filhos seriam da Grifinória, um se formaria com professor de DCAT, outro seria Auror, a menina seria Curandeira, os dois ficariam em cadeiras de balanço nas varandas de mãos dadas enquanto seus filhos e netos lhes visitavam, contariam risonhos velhas histórias para as crianças, sempre acompanhados de boa comida e bebida, e, no fim, morreriam juntos, no mesmo segundo, de mãos dadas.

Mas Rony resolvera jogar tudo aquilo fora. Alegou que ela era grudenta. Grudenta!

Chorou. É claro que chorou. Esmurrou o travesseiro, a dor em seu peito era tamanha que mal poderia aguentar. Foi no fim do namoro que ela percebeu a realidade. O mundo bruxo estava em guerra. Seus pais poderiam morrer a qualquer segundo. Hogwarts poderia ser atacada. Ali era ser forte ou morrer.

Lilá era uma princesa, não era uma bruxa, não era Hermione.

Notas finais
Comentem e façam uma pessoinha feliz!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!