Contos de Europa
13 Cássio
É, realmente, a água estava fria, e isso contribuiu ainda mais para o desespero de Brisa. Ela se debatia e tentava subir para a superfície, mas só o que conseguia era afundar mais. Isso me levou à conclusão de que Brisa não sabia nadar.
Amana tinha falado de uma estradinha e eu já podia vê-la no fundo do rio. A água era mais clara ao redor dela, como se ali houvesse oxigênio. Eu precisava levar Brisa até lá com urgência, ou ela morreria afogada. Então, segurei os pulsos dela e fiz com que ela olhasse nos meus olhos. Naquele momento, pude ver o que ela estava sentindo: desespero. O E-View mostrava uma Brisa que já não conseguia nadar para a superfície e que afundava lentamente em direção ao fundo do rio.
Balancei a cabeça e voltei à realidade. Eu ainda segurava os pulsos de Brisa, mas ela não se debatia tanto, coisa que me ajudou. Apontei para a estrada no fundo do lado e comecei a nadar, puxando Brisa comigo. Ela tentava nadar, mas não sabia. Porém, isso não era problema. Brisa era leve e o rio não era não profundo assim. Sendo assim, consegui chegar até a estrada sem dificuldade.
Assim que entrei na bolha, consegui respirar normalmente, mas percebi que ainda estava embaixo d'água. Eu ainda sentia os efeitos do empuxo — o corpo ligeiramente mais leve — e pequenas bolhas saíam da minha boca e nariz quando eu respirava, sem falar nas roupas que flutuavam um pouco. Minha camisa estava me deixando constrangido. Brisa parecia ter percebido as mesmas coisas que eu e tirava sua capa verde, que flutuava atrás de suas costas. Ela estava bem mais calma, mas evitava olhar para mim. Isso me deixou incomodado, então puxei assunto.
– Ei — falei e, para minha surpresa, minha voz estava perfeitamente normal, como se eu nem estivesse debaixo d'água — o que foi? Você tá bem, não tá?
– Tô sim — ela respondeu, ainda sem me olhar.
– Então por que está evitando olhar para mim?
Após essa pergunta, um silêncio terrível ficou impregnado em todos os cantos daquele lugar. O único som audível era o barulho das bolhas que eram formadas quando eu e Brisa respirávamos. Eu estava bastante incomodado. Talvez Brisa também estivesse, porque foi ela quem recomeçou a conversa.
– Desculpe por aquilo — ela sussurrou, agora olhando para mim.
– Pelo quê? — indaguei.
– Você sabe... por ficar me debatendo, por tentar voltar para a superfície... Pelo E-View...
– Fica calma — falei, empurrando de leve a testa dela com o indicador — Eu faria o mesmo, se não soubesse nadar.
– Ah, então você percebeu que eu não sei nadar...
– Percebi, mas isso não é algo para se ter vergonha.
– Claro que não, se eu levar em conta que a camisa de alguém está querendo ir embora.
Eu não sei como não notei, mas minha camisa já estava flutuando bem acima do abdome, mostrando toda a minha barriga e fazendo com que eu ficasse inteiramente vermelho.
– Não é porque você está no fundo de um rio que precisa ir tirando a roupa, Cássio — disse Brisa, segurando o riso.
– Não diga que você não gostou — falei, tentando parecer bem com a situação.
– Não direi — Brisa respondeu com um sorriso.
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