O sol se põe ao longe, atrás das montanhas. Zulu, Finle, Varrdis estão sobre uma ponte que fica do lado de fora da cidade, feita sobre um pequeno riacho com um pequeno leito de água fluindo em direção a capital da Resistência. Os três se reuniram ali muitas vezes para apreciar a paisagem, há mais de dez anos, sempre contando histórias e rindo de coisas que ocorreram.

— Quem era o ladrão que tentou roubar a cidade? – Pergunta Zulu, se apoiando sobre o corrimão da velha, porém resistente ponte.

— Um idiota qualquer que acha que pode ganhar a vida fácil. – Responde Finle com um ar de raiva, também se apoiando no corrimão.

— Não é você que sempre é pego tentando roubar algo? – Retruca Varrdis, imitando o ato dois dois.

— Ela tem razão, você é sempre o primeiro suspeito quando algo some.

— Eu só roubo coisas pequenas como frutas, ou suas espadas. Mas faço isso sem querer, quando me dou conta já está na minha mão, e nem sei de onde saiu! — O garoto já estava na defensiva.

— Isso que você não é um ladrão de verdade, pois se fosse, eu e o Zulu já teríamos te expulsado da cidade há muito tempo. — Adicionou a ruiva.

— Aliás, onde você consegui essa armadura, Varr?

— É verdade, você quase matou a gente do coração mais cedo. É impossível te reconhecer com isso!

— Eu consegui convencer o velho ferreiro a me dar uma armadura, depois de ter ajudado ele no serviço. — Ela sorriu, orgulhosa do feito.

— Sinceramente, você é a única garota que conheço que faz trabalhos pesados. — Murmurou Zulu.

— E ainda por cima melhor que muita gente com experiência.

— Eu sou bom com espadas, não com força.

— Eu sou bom com arcos, não com força.

— Depois mulheres que são o sexo frágil. Zulu deixou sua mente vagar, observando o por do sol de modo nostálgico.

— Isso me lembra do dia que nos conhecemos...

— Nós estávamos brigando por causa da minha mania de pegar coisas "emprestadas".

— E eu tinha tentado derrotar quatro bandidos sozinha. – Varrdis passa a língua sobre o buraco que o dente deixou, algo sutil e quase ninguém perceberia, exceto seus amigos de infância.

— Se não me falha a memória, você tinha achado os bandidos e foi pra cima deles antes que eles te vissem. — Zulu coçou o queixo, incerto sobre o fato inicialmente.

— Você acertou o primeiro com um pequeno martelo e fez ele ficar em posição fetal, chorando de dor!

— Foi quando os outros me viram e começaram a rir do que estava caído. Que amigos da onça!

— O segundo subestimou a pequena garotinha de 8 anos acabou no chão igual o primeiro.

— Já o terceiro tinha avançado contra mim, e quebrou o meu dente.

— Então você foi salva por dois idiotas que estavam escondidos, assistindo tudo.

— Eu tinha seis anos e Zulu sete. Dois pirralhos como nós conseguimos derrubar o terceiro e o fazer fugir.

— Já o último havia tirado uma faca que estava escondida, e tentou nos matar. Essa parte não foi muito legal. — Varrdis fez uma careta ao lembrar.

— Então um guarda chegou e salvou a gente antes que o bandido pudesse fazer qualquer coisa.

— E todos nós ficamos admirados com aquilo. E juramos ser melhores amigos e nos tornar os maiores e mais poderosos guardas do mundo,naquela mesma noite.

— Protegendo os inocentes.

— Derrotando os malfeitores.

— Fazendo e ensinando o certo para todos.

Zulu, empolgado com a conversa abre a boca pronto para continuar todo animado, mas Finle o corta apontando para a cidade.

— Está tendo alguma comemoração na cidade? – Ele apontava para um ponto de luz,perto de uma outra passagem de saída da cidade.

Todos olham de modo tenso para aquilo. Não era uma luz que transmitia calma ou conforto, como a dos viajantes que traziam festas ou eventos para aquela pequena cidade. Não era algo amigável, e isso era possível sentir de longe. Para piorar, um som de explosão pôde ser ouvido, junto de mais um clarão. Em seguida, gritos foram ouvidos. Isso tudo combinado só confirmava o mau presságio.

Algumas pessoas estavam fugindo desesperadas para fora da cidade, em quantidades grandes, umas chorando e outras gritando, com medo de algo. Varrdis então dispara em direção da cidade, preocupada com sua família e com que esteja acontecendo. Sendo seguida por Zulu e Finle, que nem hesitaram em correr para ajudá-la.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.