Contos de E.V.A.
2 Terceira Vitima - Parte dois
A fazenda sempre foi um lugar amplo, muito espaço para correr, brincar. Eu amava andar a cavalo, sempre que chegava eu ia direto aos estábulos ver os meus amigos, desde pequena eu tinha uma ligação e um amor pelos animais e natureza, virei vegetariana por isso, era um sentimento que transcendia a vida.
Aqui havia dezenas de cavalos caríssimos, muitos puro-sangue inglês, outros pôneis mongóis, mas tinha um em especial que eu amava mais que os outros, Asteca era diferente de todos os outros, não tinha raça, não tinha pedigree, era um conhecido vira-lata que foi abandonado próximo a fazenda quando eu era e meu avô Jeff o resgatou, me ensinou a cuidar dele, me apaguei a ele de uma forma inexplicável, o amo como se fosse parte da família e de fato era mesmo. Ao me ver ele se encheu de alegria, pulava, lambia, fazia tudo que tinha direito.
—Calma amigo, também estou feliz em te ver. Quanto tempo, não? Vamos dar uma volta?
Como era de costume, coloquei a cela nele e partimos para uma longa e calma caminhada, bem, pelo menos eu esperava que seria tranquila.
Corremos tanto que nem vi a hora passar, colhi algumas maças da plantação, deitei na grama, observei as nuvens, todos os problemas naquele momento pareciam desaparecer, me sentia livre e leve, decidi sentar a sobra de uma árvore e acabei dormindo junto com o asteca. Horas se passaram e eu nem percebi, vim despertar já estava o sol se pondo, logo ficaria escuro e eu precisava voltar. Ao me levantar vi uma sombra atrás de duas arvores a frente da minha.
—Ei, quem é você? —Nenhuma resposta. —Sai daí agora, o que estava fazendo? Está me seguindo? Aqui é uma propriedade privada.
Não ouve resposta, mas a sombra estava lá, parada. De repente o frio tomou conta de mim, era como se o sol estivesse desaparecido, todo meu corpo foi envolto em frio, o medo logo começou a se tornar pânico, não tive outra reação, a não ser subir no Asteca e correr o mais longe possível dali. Ao olhar para trás vi uma mulher de vestido longo cinzento que parecia ter saído de um filme antigo, ela estava olhando para mim, mas não consegui ver seu rosto somente seus longos cabelos ruivos, porém, o mais assustador foi que ela estava flutuando sobre o chão era como se ela não tivesse pernas. Foi a última coisa que vi antes de quase atropelar minha avó com o asteca.
—O que é isso menina? Do que está correndo, parece que viu o demônio!
Ainda ofegante e assustada, não conseguia responder, tudo que queria era sair dali o mais rápido possível.
—Calma querida, venha cá, entre.
Mas não entrei no casarão pela porta da frente, fui levada ao um quarto quase que secreto, eu podia ouvir o falatório da família na sala, mas tudo que pensava era naquilo que acabará de ver. O que queria de mim? Claramente estava atrás de algo, ou será que estava atrás de mim? O que eu fiz? Eu nunca fui atrás de nada disso. Mas será que foi naquele dia…
—Tome minha filha, beba e me conte. O que aconteceu?
—Eu estava encostada em uma árvore bem tranquila como de costume, e do nada tinha uma mulher me observando, ela estava me seguindo, nunca vi ela por aqui, julgo que ela não seja da família. Chame a polícia.
—Calma, primeiro me diga como era essa mulher.
—Ela tinha um vestido de época, sei lá, não vi o rosto dela, eu só sai correndo dali, quase caí do asteca por causa disso. Até pareceu que ela estava voando, eu acho que os estudos estão começando a afetar minha cabeça.
—É minha querida, deve ser isso mesmo, peço para você dormir aqui hoje, amanhã vá para seu quarto, mas por enquanto descanse aqui. Quando melhorar pode subir, é o mesmo quarto de sempre.
Ela sai e eu fico, aquele cômodo de certa forma era reconfortante, era um ambiente bonito, vários quadros espalhados pelas paredes, diversas obras de arte e livros.
—Eu não fazia ideias que eles gostavam dessa velharia. Mas não os culpo, é coisa da época deles.
Não de muita bola no começo para todas aquelas coisas, mas olhando mais de perto havia algo estranho, quadros de uma garota bonita, antigos, era dos anos 20 aproximadamente. Na estante haviam livro com correntes e fechaduras.
—Eu hein, que bizarro, o que diários fazem aqui? Devem ser da vovó, não sabia que ela era desse tipo. Deve ser o quarto de quando era criança.
Continuei observando por horas os títulos que ali estavam, enquanto observava a porta abriu devagar, não dei bola, pensei que era minha avó, mas ao ver não tinha absolutamente ninguém a minha vista, mas ao olhar para baixo tinha uma garotinha, muito linda, com um vestidinho florido simples, mas ela não me era estranha, já havia visto essa menina.
—Olá meu anjo, qual o seu nome?
Nada, ela simplesmente me olhou por um tempo até correr na estante e pegar um livro.
—Ei, o que está fazendo? —Ela me entregou o livro. —Para mim? Por que esse?
—Porque ela mandou.
—Ela quem? Mandou o que?
—Ela disse que você tem o que é dela e se não devolver você vai morrer.
Aquelas palavras na voz doce e tranquila da criança me pareceu um tiro, eu congelei, não conseguia ter reação além de perguntar.
—Quem é você? Quem é essa mulher?
—Ela disse que você vai morrer. Ela disse que você vai morrer. Ela disse que você vai morrer.
—Cale-se, quem é você?
Ela ficou quieta apenas olhando para mim por um tempo, até que repentinamente ela desvia o olhar para a porta, eu acompanho e ela está fechada, retorno os olhos para ela e seguro em seus braços.
—Eu lhe fiz uma pergunta, Quem é você?
Ela aponta para a porta.
—Devolva o que ela te pede. —ela apontou para a porta. —Ela disse que se não devolver você vai morrer.
Um grito um calafrio na espinha, senti uma mão segurando no meu ombro com um toque gelado parecia me dominar por completo e a voz doce e gentil da menina se tornou rouca e amedrontadora que em fez entrar em desespero, mas não conseguia solta-la.
—Ela disse que você vai morrer.
Me virei para ver e com aquela visão não pude fazer nada... apenas gritei.
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