Contos de Depressão

2 Conto 2: Música deveria ser um remédio


Notas iniciais
As vezes, tentar canalizar a dor ou angústia para alguma atividade que você ame, só piora a situação.

As pernas cruzadas estavam dando apoio ao violão, e o cabelo jogado na frente do rosto, escondia a face vermelha e inchada. Esse era um dos meios que Sofia encontrava para manter a sua mente ocupada, mas naquele dia, isso já não estava mais funcionando. O que saia do violão eram notas ou acordes tristes e vazios, e de seus olhos, lágrimas. Tão salgadas quanto as águas do mar.

Seus cabelos estavam tão bagunçados, e suas roupas muito amaçadas. Ela se alternava entre deitar, bruscamente, na cama, ou olhar para a janela. Aquele grandioso objeto musical já não fazia mais sentido em seus braços. Não saía nada de lá que ela pudesse se orgulhar.

Ela apoiou o instrumento no chão e afundou seu rosto entre os lençóis e travesseiros que estavam amontoados em cima da cama. Ela só queria tentar fazer algo direito. Alguma coisa que desse o ânimo de sair de casa e dizer que ela pode. Mas a vida nunca era assim.

Nem ao tocar no instrumento que ela mais amava a fazia tirar aquelas ideias da cabeça. Talvez aquilo não fosse o que ela precisasse. Talvez ela só precisasse se conformar.

“Só porque eu consigo amar ou tocar violão... não significa que sei fazer isso direito.”

Notas finais
Regra que aprendi para o resto de minha vida.