Contos de Depressão
1 Conto 1: No escuro do meu quarto
Notas iniciais
Encontrada, aos prantos, no canto mais esquecido do seu quarto, Sofia se sente a pessoa mais desprezível que ela conseguia imaginar. O motivo? Nada. Nunca tinha feito nada que realmente pudesse se culpar fora esse mesmo fator. A angústia de nunca ter feito nada. Ela mesmo já se sentia um nada... o pior de todos.
O significado de seu nome não valia de nada para aquela sua personalidade fraca e repleta de tristeza. Tristeza da qual ela não conseguia proferir de onde vinha. Ela apenas sentia. Sentia um enorme vazio.
“Sabedoria...”
Esse era o pior significado de nome que ela podia carregar. Totalmente sem valor a aquele momento.
Os olhos ostentavam grandes bolsas roxas com tons avermelhados. Eles denunciavam as horas que ela havia perdido ao ficar chorando naquele canto. Conseguia ouvir barulhos. Eram todos diferentes, tanto em sons quanto em timbres. A única coisa que os tornava iguais era o fato de serem totalmente irritantes. De onde eles estavam surgindo?
Da fenda da porta, era capaz de se ouvir os gritos e as reclamações dos outros membros da família. Ela ouvia as piores coisas. Tudo só entrava cada vez mais naquela mente já adulterada por meses de desespero. Ela apertava a palma das mãos contra os ouvidos, mas não fazia diferença nenhuma. Os gritos só aumentavam.
Ela falava para si que aquilo iria passar logo, mas foi perdendo a crença em suas próprias palavras depois da menção de seu nome no meio da gritaria. Ela para o que estava fazendo para entender melhor a situação. Então engatinha até a fenda da porta e se senta para ouvir.
A cada frase, as lágrimas iam caindo cada vez mais. Palavras como “imprestável” ou “inútil” eram frequentemente usadas para se referir a ela. Não possuía mais forças para se manter sentada. Logo cedeu e se repousou no chão frio de seu quarto. Tudo para ter mais certeza de que ela, realmente, era o que aquelas palavras significavam.
“Acho que eu... deveria morrer.”
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